Share

Capítulo 2

Author: Cipreste Gema
Ibsen não esperava que as crianças rejeitassem Inês daquela maneira.

Inês chorava de forma tão triste que parecia estar prestes a desabar:

— A culpa é minha, a culpa é minha... Tudo é minha culpa, eles não me conhecem desde pequenos...

Ibsen, sem se importar com a presença de Dionísia, envolveu os ombros de Inês para consolá-la:

— Como pode ser sua culpa? Você também não teve escolha. Não fique triste, suba, lave-se e se arrume um pouco.

Naquele momento, seu aspecto e vestimenta transmitiam um ar de desamparo e miséria.

Vendo Inês tão fraca, Ibsen não teve outra opção senão acompanhá-la pessoalmente até o quarto de hóspedes.

Os dois passaram por Dionísia como se ela não estivesse ali, completamente alheios aos sentimentos dela.

Ainda assim, Dionísia conteve aquela pontada de desconforto no coração e tentou convencer a si mesma de que Inês só queria ver as crianças, que sentia saudades, e que Ibsen estava apenas cumprindo seu dever de pai, tentando manter o equilíbrio da situação.

Ela forçou um sorriso:

— Meus amores, vamos, hora de lavar o rosto e dormir.

— Tá bom, mamãe! — Os dois filhos seguiram Dionísia felizes.

No quarto de hóspedes.

Inês lavou-se rapidamente e trocou de roupa, ainda inquieta:

— Ibsen, as crianças já devem estar quase indo dormir, não é?

Ibsen respondeu:

— Sim, já está tarde.

Se não fosse pela festa de comemoração de hoje, as crianças já teriam ido dormir há muito tempo.

Inês colocou o copo de água quente sobre a mesa, os olhos ainda avermelhados:

— Eu posso ajudar a dar banho neles? Assim posso me aproximar um pouco, estou com tanta saudade deles, perdi tanto tempo da vida deles... Isso me dói tanto.

O olhar dela era pura saudade e anseio pelos filhos.

Como Ibsen poderia reprimir o amor de uma mãe por seus filhos?

Ainda mais sabendo que a separação foi uma fatalidade do destino, não uma ruptura afetiva. Ele próprio não suportava ver Inês tão triste.

Afinal, as crianças eram fruto do esforço e sofrimento dela.

Então, ele concordou:

— Tudo bem.

No quarto das crianças.

— Norah, Carlos?

Ibsen bateu na porta.

Foi Dionísia quem atendeu, ainda com as mãos molhadas.

Ao ver os dois lado a lado, ela apertou os lábios:

— Precisa de alguma coisa?

Ibsen disse:

— Inês quer ajudar as crianças a tomar banho, para fortalecer os laços.

Esse pedido não era, de fato, exagerado.

Dionísia não teve escolha senão abrir caminho:

— Entrem, a Norah está no banheiro da direita.

Como já tinham seis anos, meninos e meninas naturalmente tomavam banho separados.

Inês apressou-se para o banheiro da direita e, ao entrar, falou de maneira cautelosa e gentil:

— Norah? Sou sua mãe!

Assustada ao ver aquela mulher estranha, que parecia querer tomar o lugar de sua mãe, Norah se enrolou rapidamente na toalha.

Ela disse:

— Não preciso da sua ajuda.

A rejeição e as palavras duras da filha fizeram com que os olhos de Inês se enchessem de lágrimas novamente.

Ibsen, de costas para a porta do banheiro, falou:

— Norah, trate sua mãe com mais respeito.

Inês apressou-se em interceder:

— Não tem problema, Ibsen, as crianças ainda não me conhecem, é normal que estejam na defensiva, eu entendo.

A voz dela transbordava submissão e resignação, o que fez Ibsen sentir ainda mais dó.

Como poderia ser justo que uma mãe não pudesse se aproximar de seus próprios filhos?

Então ele olhou diretamente para Dionísia, que estava prestes a entregar um patinho de borracha para Carlos no outro banheiro:

— É assim que você ensina as crianças?

Dionísia, pega de surpresa pela acusação, parou por um instante:

— O que foi que eu ensinei?

— Inês é mãe deles. Mesmo que fosse uma estranha, deveriam ao menos ser educados.

Ibsen achava que a resistência das crianças diante de Inês era resultado da falta de educação dada por Dionísia.

Dionísia ficou um pouco magoada e explicou:

— As crianças não têm intimidade com ela, o que eu posso fazer...?

— Chega. — Ibsen respondeu, impaciente. — Ajude Inês a dar banho em Norah, anda logo.

Em seguida, Ibsen foi até o banheiro do filho, Carlos.

Dionísia lançou-lhe um olhar e foi, aos poucos, em direção ao banheiro de Norah.

Inês pegou o sabonete líquido e disse a Norah:

— Norah, a mamãe pode passar o sabonete em você?

Norah queria empurrá-la, mas, tendo ouvido o pai repreender a mãe há pouco, preferiu suportar em silêncio.

Dionísia permaneceu ao lado, vendo a filha aguentar aquilo por sua causa, e sentiu o coração apertado de dor.

Mas como poderia impedir a convivência entre mãe e filha?

Por sorte, o banho terminou rapidamente. Inês, tentando agradar, pegou um pequeno frasco de vidro:

— Norah, quer passar este creme corporal de morango?

Norah respondeu sem expressão:

— Obrigada, não precisa. Prefiro que minha mãe passe o creme em mim.

Dionísia aproximou-se:

— Eu passo, tudo bem?

Vendo a filha tão resistente, Inês sentiu-se ainda mais angustiada:

— Está bem.

Porém, quando Dionísia foi pegar o frasco em sua mão, Inês, de repente, antes que Dionísia conseguisse segurá-lo, deixou-o cair.

O vidro caiu no chão e quebrou-se em dois!

Norah se assustou com o barulho, deu um passo em falso, e acabou pisando acidentalmente em uma das bordas do vidro, fazendo com que seu pezinho ficasse coberto de sangue!

Norah chorou alto:

— Mamãe! Estou sangrando!

Dionísia ficou momentaneamente aflita, mas reagiu rápido, pegando a filha no colo e saindo do banheiro.

Inês foi atrás, preocupada:

— O que aconteceu? O que foi isso?

Ibsen, ouvindo o barulho, chegou ao local e deparou-se com o pé da filha sangrando sem parar.

Dionísia imediatamente pegou a caixa de primeiros socorros para tratar o ferimento da filha.

Seus movimentos eram muito habilidosos.

— O que aconteceu? — Perguntou Ibsen.

Inês, ansiosa:

— Sra. Pinto, mesmo que a senhora não goste de mim, não pode descontar na saúde dos meus filhos. O vidro quebrado é muito perigoso, se não tivesse tentado pegar...

A mão de Dionísia tremeu, quase enfiando o cotonete no machucado da filha.

Naquele momento, ela não tinha tempo para discutir, o ferimento da filha era prioridade.

Felizmente, nenhum fragmento de vidro havia ficado preso, era apenas um corte superficial.

Ao ouvir aquilo, Ibsen ficou descontente com Dionísia:

— Se você tem algum ressentimento comigo, fale comigo, mas não desconte nas crianças.

Dionísia não se conteve e levantou a cabeça:

— Eu não tentei pegar o vidro, nem estava descontando nada.

Inês, cheia de culpa:

— Chega, Ibsen, a culpa é minha, não devia ter pedido para me aproximar das crianças, nem para dar banho nelas. Se não fosse por mim, minha filha não teria se machucado, tudo é culpa minha.

Mas Ibsen respondeu:

— Como pode ser sua culpa? Você é a mãe dela, qualquer um pode machucá-la, menos você.

O cotonete que Dionísia segurava quebrou de repente. Ela cerrou os dentes, os olhos marejados.

Então, para Ibsen, tudo acontecera porque ela estava de mau humor?

A mágoa apertou-lhe o peito de súbito.

— Mamãe, não fique triste. — Norah abraçou Dionísia de repente. — Não dói nada, mamãe.

O coração de Dionísia foi tomado por um calor, e ela conteve as lágrimas:

— Sim, mamãe está bem.

Ibsen olhou para Norah:

— Sua mãe verdadeira está aqui, chorando, e você não vai consolar?

Inês puxou a manga da camisa de Ibsen, balançando levemente a cabeça:

— Não culpe as crianças, elas ainda são pequenas, não entendem nada.

Então, para Ibsen, a culpa de tudo era da educação de Dionísia.

A raiva de Ibsen aumentou consideravelmente, e ele disse a Dionísia:

— A partir de amanhã, não precisa mais cuidar das crianças, deixe-as com Inês.

O quê?

Dionísia terminou de enfaixar o ferimento da filha e levantou-se.

Antes que pudesse dizer algo, Norah falou de imediato:

— Papai, a mamãe não tentou pegar o vidro, foi ela quem soltou o frasco antes mesmo da mamãe conseguir pegar! Ela fez de propósito!
Patuloy na basahin ang aklat na ito nang libre
I-scan ang code upang i-download ang App

Pinakabagong kabanata

  • E A Madrasta? Os Dois Filhos Me Amam Ainda Mais   Capítulo 30

    Então, todos esses conflitos e discussões recentes em casa foram por causa da Dionísia?O choque de energias entre ela e Ibsen acabou trazendo tantos problemas.— Essas coisas podemos deixar de lado por enquanto, Pai de Santo João, o senhor pode dar uma olhada e ver como podemos ajustar a energia da casa? — Perguntou Inês.Pai de Santo João olhou ao redor:— Já observei há pouco. Basta descartar alguns enfeites específicos. Por exemplo, aquele quadro da foto do casamento, com as cores preto e branco tão pesadas quanto nuvens carregadas, pressionando os laços do relacionamento. Recomendo substituí-lo por uma pintura de flores tropicais, cheia de vida. E todos os quartos com portas voltadas para o leste precisam ser ocupados por alguém que compartilhe o mesmo orixá guardião que a senhora. Com isso, a sorte certamente melhorará.Quartos voltados para o leste?Fábio pensou imediatamente: todos os quartos da casa tinham as portas voltadas para o leste, todos do mesmo lado.O quarto de hóspe

  • E A Madrasta? Os Dois Filhos Me Amam Ainda Mais   Capítulo 29

    Embora Dionísia não conhecesse o tal Pai de Santo João, ao olhar para o modo como ele se vestia, já podia imaginar do que se tratava.— São Francisco, o que está acontecendo?Inês ficou surpresa:— Então é você, Dionísia...Logo em seguida, ela olhou para Ibsen:— Ibsen, isso...Dionísia não permaneceu ali, virou-se e foi para a cozinha.Ela parecia uma estranha, caminhando para depois subir as escadas.De repente, alguém bateu à porta.Como estava mais perto, Inês foi abrir:— Vovó?Teresa foi empurrada em sua cadeira de rodas para dentro, expressando preocupação:— E então, Pai de Santo João, como está?Pai de Santo João havia sido apresentado por Teresa.Pai de Santo João respondeu:— Dona Teresa, esta casa está com as energias perturbadas, para que volte a ter paz, é preciso remover todas as pessoas ou objetos que estejam causando conflito de energias. Já identifiquei que há três pessoas que não deveriam permanecer muito tempo aqui. Os objetos são mais fáceis de remover, então não

  • E A Madrasta? Os Dois Filhos Me Amam Ainda Mais   Capítulo 28

    Inês pareceu bastante surpresa:— Acertou tudo, Pai de Santo.Ibsen não se pronunciou imediatamente e perguntou:— E como devemos proceder?— Há um conflito de energias. — Respondeu Pai de Santo João sem hesitar. — Neste lar, o campo energético está em disputa. Quem tem como orixá de cabeça São Jorge está em conflito com quem tem São Francisco. A proteção deles está se enfrentando, alguém precisa se afastar temporariamente.Inês perguntou:— Entre os empregados da casa, alguém tem São Jorge ou São Francisco como orixá de cabeça?Logo, o mordomo Fábio reuniu todos os empregados.Todos começaram a dizer quem era seu orixá de cabeça.Dentre eles, dois empregados tinham São Jorge como orixá de cabeça.Eram justamente o mordomo Fábio e a babá que cuidava das duas crianças.O olhar de Inês recaiu profundamente sobre os dois.Achava incômoda a forma como eles defendiam Dionísia.Deixou para lá e fingiu procurar:— Vocês dois têm São Jorge como orixá de cabeça? E quem tem São Francisco?Ibsen

  • E A Madrasta? Os Dois Filhos Me Amam Ainda Mais   Capítulo 27

    Norah sorriu:— Não dói, mamãe.Ela se esforçou para parecer bem, com medo de que a mãe ficasse preocupada.Atualmente, as lágrimas de Dionísia só apareciam por causa dessas duas crianças.Com seu corpo delicado, ela os pegou nos braços:— Estavam comendo?— Uhum!Norah abraçou seu pescoço e não soltou mais, esse jeito dependente e carinhoso incomodava Inês.Dionísia levou-os para a sala de jantar e sentou-se com eles.Inês disse:— Dionísia, agora há pouco a Norah disse que precisa ser alimentada, já está grande, precisa aprender a comer sozinha.Mas Norah levantou a cabeça imediatamente:— Eu disse que, quando estou doente, preciso que a mamãe me alimente, você entendeu errado.O rosto de Inês ficou um pouco constrangido:— Ah, certo.Dionísia permaneceu em silêncio, apenas se preparando para pegar a colher e alimentar a filha.No entanto, Norah pegou a colher rapidamente:— Mamãe, eu como sozinha.Ibsen franziu a testa.Então, por que ela insistiu que ele a alimentasse há pouco?Por

  • E A Madrasta? Os Dois Filhos Me Amam Ainda Mais   Capítulo 26

    Como pode uma criança sequer falar de sorte ou azar?Mas, para quem faz negócios, as pessoas costumam dar muita importância a essa questão de energia.Ainda mais quando se trata de duas crianças.Ibsen não era tão atencioso quanto uma mulher, nem tão expressivo quanto outros pais.Mas, na verdade, ele também amava os filhos.Seu amor era sempre silencioso, ele era do tipo que acreditava que, ao proporcionar um bom ambiente para o crescimento dos filhos, já estava cumprindo seu dever de pai.— Está bem. — Disse Ibsen.De fato, ultimamente, várias coisas não estavam dando certo.Inês sorriu:— Eu já ouvi dizer que algumas crianças ficam agitadas ou temperamentais por causa de energia. Eu conheço um Pai de Santo, posso entrar em contato com ele, se quiser.Ibsen, ainda exausto, respondeu:— Então agradeço o seu esforço.-Meio-dia.— Senhor, Norah não quer almoçar. — A babá veio avisar.Ibsen estava no escritório, acabara de resolver questões da empresa.Ele franziu a testa e foi para a s

  • E A Madrasta? Os Dois Filhos Me Amam Ainda Mais   Capítulo 25

    Mas isso também lhe lembrou de algo...Inês pegou o celular e fez uma ligação:— Vovó, será que estou atrapalhando o seu descanso?No quarto do hospital.Ibsen sentava-se ao lado da cama:— Norah, Carlos. Papai não está do lado da mãe biológica de vocês, mas vocês precisam ser educados. Se tiverem algo a dizer, falem direito.— Mas a gente não gosta dela, a gente só quer a mamãe. — Norah, naquele momento, parecia tão triste que doía o coração de quem via.Ibsen, afinal, era o pai deles. Como poderia não se importar?Ele soltou um suspiro, os olhos cheios de irritação.— Agora há pouco foi o papai que falou alto demais. — Ele abraçou Carlos: — Papai pede desculpas para você, me perdoa. Não fica bravo com o papai, tá bem?Carlos estava muito magoado, lágrimas caíam silenciosamente, mas ainda assim disse:— A gente só quer a mamãe de volta.Mamãe...Dionísia...As crianças eram tão dependentes dela.— Se a mamãe não está, vocês ainda têm o papai, não têm?Ibsen lembrou-se mais uma vez daq

Higit pang Kabanata
Galugarin at basahin ang magagandang nobela
Libreng basahin ang magagandang nobela sa GoodNovel app. I-download ang mga librong gusto mo at basahin kahit saan at anumang oras.
Libreng basahin ang mga aklat sa app
I-scan ang code para mabasa sa App
DMCA.com Protection Status