Compartir

Capitulo 5

Autor: Crisfer
last update Fecha de publicación: 2025-05-09 20:58:49

A água quente escorria pelas costas de Alicia enquanto o vapor do banho tomava conta do banheiro. Ela fechou os olhos e encostou a testa na parede fria, permitindo-se reviver os últimos momentos no carro com Roberto. Os beijos, os toques, a forma como ele a segurou com firmeza e, ao mesmo tempo, com uma delicadeza que a desarmou completamente. Nenhum homem a tocava daquele jeito desde... desde a Grécia. Mas Roberto era diferente. Ele não apenas acendeu seu corpo, acendeu alguma coisa dentro dela também.

Ela sorriu sozinha, mordendo o lábio. Havia algo no olhar dele que a prendia. Algo no jeito que ele falava, na voz quente e na segurança com que se movia, que a fazia querer mais. Alicia saiu do banho enrolada em uma toalha, deitou-se na cama ainda úmida, com os cabelos soltos no travesseiro. Suspirou outra vez. Estava definitivamente mexida.

Enquanto isso, do outro lado da cidade, Roberto largava o celular na mesinha de cabeceira e se jogava na cama com os cabelos ainda úmidos. O apartamento escuro, silencioso, e mesmo assim ele se sentia inquieto, quase elétrico. Alicia o tirou do eixo — e ele adorou isso. Era raro, muito raro, alguém ultrapassar as defesas que ele nem percebia que tinha. Mas ela... com aquele jeito doce, o sorriso tímido e, ao mesmo tempo, aquele olhar ousado que piscava como provocação... ela tinha atravessado tudo.

As palavras do pai voltaram à sua cabeça com força.

"Quando encontrar a mulher certa, vai saber. É uma sensação que começa no peito e vai esquentando o corpo todo."

Era exatamente assim que ele se sentia. Aquecido. Esperançoso. Um pouco assustado.

Pegou o celular novamente, abriu a conversa recém-salva e digitou:

“Já estou com saudade do seu cheiro.”

Apagou. Escreveu de novo:

“Ainda sinto seu gosto na boca… Você é incrível, Alicia.”

Enviou.

E logo em seguida:

“Quero te ver de novo. Amanhã. Ou depois. Mas logo. Me diga que você também quer.”

Do outro lado, Alicia ainda estava deitada, rolando de um lado para o outro na cama quando ouviu o celular vibrar. O nome dele na tela acendeu uma chama em seu peito. Leu a primeira mensagem, depois a segunda… sorriu. Um sorriso largo, bobo, cheio de calor. Ele estava tão mexido quanto ela. Isso a deixava leve. Viva.

Digitou devagar:

“Quero. Muito.”

E, depois de alguns segundos, como quem resolve se jogar:

“Você também é incrível, Roberto. Me faz sentir coisas que achei que tinha esquecido.”

Ele leu aquilo, fechou os olhos com um sorriso satisfeito. Sim, ela estava sentindo o mesmo.

Era só o começo.

---

No dia seguinte, Alicia chegou em casa no final da tarde e, antes mesmo de tirar os sapatos, viu a mensagem dele:

“Te pego às oito. Se arruma do jeito que você quiser, porque pra mim, você já está perfeita.”

Ela riu sozinha. Roberto tinha um charme natural, não forçado, não ensaiado. E aquilo a envolvia de uma maneira diferente. Correu para o banho, escolheu um vestido leve, de tecido fluido e decote discreto, mas que valorizava suas curvas. Cabelos soltos, uma maquiagem leve como de costume. Às oito em ponto, ele estava na porta.

— Uau… — ele disse assim que a viu, com um sorriso quente e olhos que a devoraram dos pés à cabeça.

— Boa noite, Roberto.

— Com você, impossível ser uma noite ruim — respondeu, estendendo a mão para ela.

Foram jantar em um restaurante intimista, à meia luz, com música suave ao fundo. A mesa era pequena, forçando os corpos a ficarem próximos. As conversas fluíam como vinho: leves, envolventes, sinceras. Eles riam, trocavam olhares, e em vários momentos Alicia se pegava admirando o jeito como ele falava, como a escutava com atenção, como tocava levemente a mão dela sempre que queria enfatizar algo. O mundo ao redor parecia ter desaparecido.

Depois da sobremesa e de mais duas taças de vinho, Roberto sugeriu:

— A gente pode dar uma volta antes de eu te levar pra casa? Não tô pronto pra encerrar a noite ainda.

Alicia assentiu. Caminharam pelas ruas tranquilas, iluminadas pela luz amarela dos postes. Em dado momento, ele parou, ficou de frente pra ela, e segurou seu rosto com as duas mãos.

— Você me faz sentir como se eu tivesse voltado pro primeiro amor… mas ao mesmo tempo com uma intensidade de última chance — disse com a voz baixa, rouca.

Ela nem respondeu. Apenas se aproximou, buscando os lábios dele como se tivesse esperado a noite inteira por isso. O beijo foi mais profundo do que o anterior, cheio de fome, desejo e ternura ao mesmo tempo. As mãos dele exploraram sua cintura, as dela se enroscaram nos cabelos dele, e o tempo parou ali.

Depois do beijo, ofegante, ela encostou a testa na dele.

— Isso tá indo rápido demais — sussurrou.

— A vida também, Alicia. E com você... eu não quero perder tempo.

Ela sorriu.

Naquela noite, Roberto não subiu ao apartamento dela. Beijou sua testa, desejou boa noite e foi embora com um olhar carregado de desejo contido. Alicia ficou parada na porta por alguns segundos, abraçando o peito, sentindo que algo grande estava começando.

E nenhum dos dois tinha ideia do que o destino ainda guardava.

Continúa leyendo este libro gratis
Escanea el código para descargar la App

Último capítulo

  • EM NOME DO FILHO    FINAL

    Dez anos se passaram desde o dia em que Alicia, Roberto e João assinaram juntos a certidão que reconhecia oficialmente o que o coração deles já sabia há tempos: eram uma família. Completa. Inusitada. Real.A casa onde viviam era outra — não porque haviam se mudado, mas porque o tempo tinha deixado suas marcas boas. A varanda agora era coberta por trepadeiras floridas, um balanço de cordas e madeira pendia de uma árvore robusta no quintal, e os risos infantis ecoavam como trilha sonora constante.Pietro tinha doze anos e era a mistura viva dos três. Herdara a sensibilidade de Alicia, o senso de justiça aguçado de Roberto e a serenidade encantadora de João. Estela, com nove, era pura luz, como o nome que Pietro escolheu quando ainda era uma criança. Tinha olhos atentos ao mundo, perguntas afiadas e uma forma de abraçar que desarmava qualquer dureza.Aquela manhã de sábado começara com cheiro de café e bolo de laranja saindo do forno. Alicia andava pela cozinha descalça, os cabelos mais

  • EM NOME DO FILHO    Capítulo 85

    O dia amanheceu sereno, com uma brisa suave entrando pelas frestas da janela e espalhando pelo quarto um cheiro leve de lavanda. Estela dormia tranquila no berço improvisado entre o quarto de Alicia e o de Roberto. Pietro, já mais crescido e falante, tinha passado a noite com os avós, deixando o trio com um raro silêncio — e uma rara privacidade.A casa parecia respirar junto com eles. Cada detalhe da decoração, cada foto na parede, cada brinquedo no chão, carregava história. Um lar construído entre amores improváveis, barreiras vencidas e promessas cumpridas. Mas naquele dia, algo maior os esperava: a formalização daquilo que o coração deles já reconhecia há muito tempo. Uma família.— Tá pronta? — João perguntou, ajeitando o colarinho da camisa clara, os olhos brilhando por trás dos óculos de leitura que ele sempre esquecia no topo da cabeça.Alicia respondeu com um sorriso que era meio nervoso, meio incrédulo, enquanto ajeitava o vestido azul escuro que escolhera especialmente para

  • EM NOME DO FILHO    Capítulo 84

    O sol ainda não havia se debruçado completamente no horizonte quando o silêncio daquela manhã foi rompido por um gemido abafado vindo do quarto. A cidade ainda bocejava quando dentro da casa de tons claros, aquecido por cortinas translúcidas e móveis acolhedores, o tempo parava. Alicia segurava na mão de Roberto enquanto olhava para João com os olhos marejados de dor e emoção. O momento havia chegado.Ela queria aquele parto em casa. Queria sentir cada parte da vida nascendo com intimidade, acolhimento e amor. Eles haviam se preparado juntos, com cursos, consultas e planos. Pietro estava com a avó materna, levado carinhosamente no dia anterior, quando as contrações se tornaram ritmadas.A sala agora parecia uma extensão do coração daquela família. O colchão no chão, lençóis estendidos, a banqueta de parto, as essências no difusor, a playlist suave de fundo e os dois homens que Alicia amava de verdade, ajoelhados ao seu lado. Roberto fazia compressas mornas, acariciava as costas dela e

  • EM NOME DO FILHO    Capítulo 83

    O sol de fim de tarde entrava pela grande janela da sala, dourando as cortinas e os brinquedos espalhados por Pietro. No centro do cômodo, Alicia dobrava algumas roupinhas recém-compradas para o novo bebê, sorrindo ao ver os tamanhos minúsculos das peças, tão parecidos com as que Pietro usava pouco tempo atrás. O menino agora corria pela casa com seus dois anos bem vividos, falando sem parar, cheio de perguntas e risadas. Ele era o tipo de criança que preenchia o ambiente com luz — e barulho.João vinha da cozinha com as mãos molhadas, secando-as no avental que ele insistia em usar nas tardes em que cozinhava. Roberto, sentado no chão ao lado do filho, tentava montar uma pista de carrinhos.— Mamãe, o papai João disse que hoje vai ter lasanha! — gritou Pietro, correndo até Alicia e segurando sua perna com força.— Vai sim, meu amor — ela respondeu, acariciando os cabelos do filho. — Mas primeiro, você precisa guardar esses brinquedos, certo?Pietro fez uma careta exagerada, que arranc

  • EM NOME DO FILHO    Capítulo 82

    A brisa da manhã entrava suave pelas janelas abertas da nova casa. O campo ao redor parecia emoldurar a cena que se desenrolava lá dentro com uma delicadeza quase cinematográfica. Em meio aos móveis de madeira clara e às cores aconchegantes da decoração, Alicia caminhava descalça pela sala, a mão repousando com ternura sobre a barriga já arredondada pela nova gravidez.O tempo tinha passado rápido. Um ano se fora desde que haviam deixado a cidade grande. O antigo apartamento, os olhares tortos no elevador, os cochichos no parquinho… tudo parecia tão distante agora. A nova vida no interior, cercada pela natureza, pelas galinhas da vizinha, pelo cheiro de mato molhado e pelas caminhadas no fim da tarde, era o cenário perfeito para a família que eles estavam construindo — juntos.Pietro, agora com dois anos completos, era o reflexo vivo daquela nova fase. Curioso, carinhoso e falante, corria pela casa como um raio de sol, seus cachinhos balançando, os pezinhos fazendo barulho no assoalho

  • EM NOME DO FILHO    Capítulo 81

    A luz do sol filtrava-se suavemente pelas cortinas de linho claro, tingindo o quarto com um brilho dourado e morno. A manhã invadia o ambiente sem pressa, como quem respeita o silêncio e a paz de quem dorme. No centro da cama, uma bagunça de corpos entrelaçados respirava devagar, sob uma coberta felpuda cor de creme que parecia abraçá-los ainda mais do que os braços um do outro.João despertou primeiro. Ainda sem abrir os olhos, sentiu o cheiro leve de lavanda nos cabelos de Alicia, repousados sobre seu peito. Uma de suas pernas estava entrelaçada na de Roberto, e por um instante, ele apenas sorriu, em paz. A casa estava em silêncio. Nem mesmo o balbuciar de Pietro vinha da babá eletrônica — talvez ainda dormisse, o que era raro, mas muito bem-vindo naquela manhã especial.Ele não teve pressa de se mover. Com um carinho delicado, deslizou os dedos pelas costas nuas de Alicia, desenhando um caminho imaginário da base da coluna até o ombro. Ela se remexeu levemente, um suspiro escapando

Más capítulos
Explora y lee buenas novelas gratis
Acceso gratuito a una gran cantidad de buenas novelas en la app GoodNovel. Descarga los libros que te gusten y léelos donde y cuando quieras.
Lee libros gratis en la app
ESCANEA EL CÓDIGO PARA LEER EN LA APP
DMCA.com Protection Status