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Capítulo 3

Autor: Katerina
Na noite seguinte, a família Valdieri realizou seu banquete anual.

Damian exigiu que comparecêssemos. Recusar na véspera da assinatura da decisão sobre a guarda exporia nossos planos. Por isso, desci com Noah e lembrei a mim mesma que aquele seria o último banquete dos Valdieri que precisaríamos suportar.

Quando o jantar começou, porém, Sofia e seu filho Luca ocupavam os lugares à direita de Damian.

Mal serviram a sobremesa, Luca levou a mão à garganta e caiu no chão, lutando para respirar. Sofia gritou e correu até ele.

— Amendoim! Ele é alérgico a amendoim!

O médico da família administrou a medicação imediatamente. Em meio à confusão, o chef de cozinha examinou a sobremesa de Luca e encontrou amendoim triturado misturado a ela.

Sofia apertou o filho contra si e olhou para Noah com os olhos vermelhos.

— Eu vi Noah entrar na cozinha mais cedo.

Luca agarrou a manga dela e, entre uma tentativa de respirar e outra, conseguiu dizer:

— Foi ele... Disse que, se eu desaparecesse, ninguém mais competiria com ele pelo papai.

O salão ficou em silêncio. Todos se voltaram para Noah.

Ele empalideceu e balançou a cabeça.

— Eu não fiz isso. Só fui à cozinha buscar água para a mamãe.

Damian se levantou e caminhou até ele.

— Peça desculpas ao Luca.

Noah o encarou.

— Mas eu não coloquei amendoim na sobremesa dele.

— Eu mandei você pedir desculpas.

Damian não ergueu a voz, mas o salão inteiro se calou.

Com os olhos avermelhados, Noah olhou para ele.

— Pai, você acredita nele, mas não acredita em mim?

Damian ficou em silêncio por um instante antes de desviar o olhar.

— Luca não arriscaria a própria vida só para mentir.

Os cochichos começaram a se espalhar pelo salão.

— Tão pequeno e já sabe machucar outra criança.

— Como a Donna está criando esse menino?

— Como uma criança dessas pode se tornar herdeira da família Valdieri?

Fui até Noah e o puxei para trás de mim.

— Meu filho não fez nada de errado. Não tem pelo que pedir desculpas.

Damian franziu a testa.

— Elena, esta não é hora de passar a mão na cabeça dele.

— Estou ensinando meu filho a não confessar algo que não fez só para agradar quem manda.

A expressão de Damian se fechou.

— Chega.

Um dos anciãos bateu a bengala no chão.

— O herdeiro se recusa a obedecer ao Don, e a Donna questiona abertamente a decisão dele. Vocês dois se esqueceram das regras da família Valdieri?

Outro ancião falou com frieza:

— O menino é novo. Se cometeu um erro, a mãe que o criou deve responder por ele.

Pouco depois, o mordomo trouxe o chicote de couro preto usado nas punições da família.

Os dedos de Damian se contraíram.

Olhei diretamente para ele. Se dissesse uma única palavra, ninguém naquele salão ousaria tocar em mim.

Mas Sofia segurava Luca, que mal havia se recuperado, e chorava baixinho. Ao redor deles, os anciãos esperavam que o Don sustentasse a decisão que tomou.

Damian permaneceu em silêncio por um longo tempo. No fim, não disse nada.

Dois seguranças se adiantaram e me seguraram pelos ombros.

Quando a primeira chicotada me atingiu, Noah gritou e tentou correr até mim, mas o impediram.

— Não machuquem minha mãe!

Veio a segunda chicotada.

Noah se desvencilhou e caiu de joelhos diante de Luca.

— Me desculpa.

Seus ombros tremiam, mas ele baixou a cabeça com toda a educação que eu lhe ensinei.

— Fui eu que coloquei amendoim na sua sobremesa.

O salão inteiro mergulhou em silêncio.

Noah ergueu devagar os olhos vermelhos e olhou para o homem à cabeceira da mesa.

— Don Valdieri, me desculpe.

A expressão de Damian mudou na mesma hora.

— Noah.

Damian deu um passo brusco na direção de Noah.

— Como você me chamou?

Noah não respondeu. Veio para o meu lado e pegou minha mão com cuidado, evitando o sangue que escorria pelo meu pulso.

— Mãe, vamos embora.

Tirei o anel que simbolizava minha posição de Donna e o deixei sobre a mesa comprida.

O olhar de Damian caiu sobre o anel, e seu rosto se fechou.

— Elena, já chega. Leve Noah ao hospital. Conversaremos quando voltarem.

Não respondi. Apenas saí com meu filho.

No hospital, meu advogado fotografou cada marca de chicotada e registrou a confissão que Noah foi obrigado a fazer. Antes da meia-noite, um juiz de plantão me concedeu a guarda unilateral provisória e proibiu Damian de tirar Noah de mim.

Eu não precisava mais esperar até sexta-feira. Antecipei nossos voos e levei Noah direto ao aeroporto.

Às três da manhã, nosso avião decolou de Nova York.

As mensagens de Damian chegaram uma atrás da outra. Ele prometeu enfrentar os anciãos, devolver a pistola dourada de Noah, devolver nosso quarto e nunca mais deixar Sofia se colocar entre nós. Quando não respondi, pediu desculpas e perguntou em qual hospital estávamos para poder nos levar para casa.

Ele ainda acreditava que eu o esperava em algum lugar de Nova York para que pudesse consertar tudo.

Não sabia que Noah e eu já cruzávamos o Atlântico — e que, dessa vez, jamais voltaríamos.
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