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Capítulo 2

Autor: Katerina
Aquele pedaço de pão não me sustentou por muito tempo.

Mais tarde, enquanto eu tomava banho, minha visão escureceu. Quando abri os olhos, já estava no hospital. Noah estava sentado ao lado da cama, com os olhos vermelhos e inchados.

— Mãe, você estava vomitando sangue.

Os médicos diagnosticaram uma hemorragia gastrointestinal aguda e disseram que eu precisava de tratamento imediato. Parte da papelada exigia a assinatura de um familiar, então pedi a Noah que ligasse para Damian.

Ele tentou mais de dez vezes até o pai finalmente atender. Havia muito barulho do outro lado da linha.

— Pai, a mãe está no hospital.

Damian fez uma pausa.

— Estou com Luca. Ele está fazendo uns exames e não posso sair agora. Deixa os médicos fazerem o que for preciso. Sua mãe pode assinar os papéis sozinha.

Noah apertou o telefone entre os dedos.

— Mas, pai, ela perdeu muito sangue.

O silêncio durou alguns segundos.

— Vou aí quando terminar aqui.

Quando Damian chegou, eu mesma já havia assinado os formulários e estava deitada na cama, tomando soro por um acesso na mão.

Ele parou aos pés da cama e me observou por vários segundos antes de franzir a testa.

— Como você ficou tão magra assim?

Havia uma preocupação sincera em sua voz, tão familiar que, por um instante, quase me fez esquecer todo o resto.

Antes que eu pudesse responder, o telefone dele tocou. Sofia disse que Luca precisava continuar em observação após os exames e que ela tinha medo de ficar sozinha no hospital.

A preocupação no rosto de Damian deu lugar à hesitação. Um instante depois, ele pegou o casaco.

— Estou indo.

Ao chegar à porta, olhou para trás.

— Elena, você sempre teve boa saúde. Os médicos estão aqui com você.

Então acrescentou:

— Luca ainda é uma criança. Sofia não dá conta de tudo sozinha.

A porta se fechou atrás dele.

Noah ficou calado por um tempo antes de apoiar a cabeça perto da minha mão.

— Mãe, você é esposa dele.

Segurei seus dedos, mas não respondi.

Passei a noite no hospital e voltei à mansão na tarde seguinte. Durante os dois dias que se seguiram, fiquei no quarto e obedeci às orientações médicas. Damian não perguntou uma única vez se eu estava melhorando. Enquanto isso, os pertences de Sofia e Luca continuaram tomando conta da casa, como se Noah e eu já não morássemos ali.

Na tarde do terceiro dia, finalmente saí para tomar um pouco de ar. Sofia me encontrou perto da piscina.

Ela parou a alguns passos de distância e sorriu.

— Elena, sempre me perguntei como você consegue manter tanta calma.

Não respondi.

— Você é a Donna dele. Eu sei disso. Noah também é filho biológico de Damian.

Ela se aproximou.

— Mas o que isso muda, de verdade?

Seu sorriso se alargou.

— Se Damian tiver que escolher entre nós duas, ou entre Noah e Luca, você já sabe a quem ele vai acudir primeiro.

Olhei para ela.

— Você veio até aqui só para me dizer isso?

— Achei que você precisava entender qual era o seu lugar.

Eu não tinha interesse em continuar aquela conversa e me virei para ir embora. Foi então que ouvi um grito às minhas costas.

Quando olhei para trás, Sofia já estava na piscina. A água espirrava em volta dela enquanto se debatia e gritava o nome de Damian. Os seguranças correram até nós, e ele apareceu momentos depois. Tirou o casaco, saltou na água e a carregou para fora.

Sofia tremia quando Damian a colocou no chão. Ela se agarrou imediatamente à camisa dele.

— Não culpe Elena.

Damian olhou para mim. Os olhos de Sofia se encheram de lágrimas.

— Ela estava com raiva. Eu não devia ter dito aquelas coisas.

— Eu não a empurrei.

A expressão de Damian se fechou.

— Então como ela foi parar na piscina?

— Ela caiu.

Olhei na direção dos seguranças.

— Pode perguntar a eles.

Ninguém disse nada. A atenção deles estava voltada para outro lugar, e nenhum viu o que aconteceu.

Sofia se apoiou em Damian.

— Esquece. Estou bem.

Damian mandou alguém levá-la para dentro antes de se voltar para mim.

— Eu sei que você tem problemas com Sofia, mas o que aconteceu passou dos limites.

— Já falei. Eu não encostei nela.

Ele ficou em silêncio por um instante.

— Então fique aqui fora até estar pronta para me contar a verdade.

Ordenou aos seguranças que não me deixassem entrar e seguiu Sofia para dentro da casa.

Fiquei ao lado da piscina, com as roupas úmidas, enquanto o vento de inverno atravessava o tecido. Pelas janelas, vi Damian envolver os ombros de Sofia com um cobertor.

Vinte minutos depois, ele finalmente abriu a porta.

— Já se acalmou?

— Eu não a empurrei.

Sua expressão se fechou outra vez, mas ele saiu da frente.

Àquela altura, minhas mãos estavam dormentes. Com a fraqueza que a doença deixou, até subir as escadas foi difícil.

Naquela noite, Damian veio ao meu quarto com um cobertor grosso de lã. Sem me perguntar nada, colocou-o sobre meus ombros. Depois segurou minhas mãos geladas entre as dele e esfregou meus dedos devagar, até aquecê-los.

— Você continua gelada.

Seu toque era gentil.

— Se estiver se sentindo mal, diga alguma coisa. Não precisa aguentar tudo calada na minha frente.

Por um momento, ele parecia exatamente o Damian de que eu me lembrava, antes de Sofia voltar às nossas vidas. Naquela época, percebia quando minhas mãos estavam frias, quando eu pulava uma refeição e até quando ficava mais quieta que o normal.

Por um segundo de descuido, quase acreditei que aquele homem ainda estava ali.

Então notei a pulseira de couro preto em seu pulso. Um pequeno brasão dos Valdieri ocupava o centro.

Sofia publicou uma foto naquela tarde. Nela, três pulseiras do mesmo modelo estavam lado a lado: a maior era de Damian, outra era dela e a menor pertencia a Luca.

A legenda dizia:

"Nossa pequena família."

Retirei as mãos e apertei o cobertor ao redor do corpo.

— Pode ir agora.

Damian franziu a testa, claramente sem entender por que eu me afastava dele de repente.

— Elena. — Ele estendeu a mão como se quisesse me puxar para seus braços. — Chega. Não quero que a gente brigue por causa de Sofia toda vez. Eu já disse: quando ela e Luca se estabilizarem, vamos voltar a ser como antes.

Uma batida forte na porta o interrompeu. A voz urgente do mordomo veio do outro lado:

— Don Valdieri, a senhora Bellini está com febre alta. O médico está pedindo sua presença.

Damian se levantou imediatamente e pegou o casaco, fazendo a mesma escolha de todas as outras vezes.

Ele já estava quase na porta quando o chamei.

— Damian.

Ele se virou.

Abri a gaveta ao lado da cama e tirei os papéis que havia preparado mais cedo.

— Assine isto antes de ir.

Com a atenção já voltada para o corredor, ele perguntou:

— O que é?

— Uns documentos que meu advogado precisa finalizar.

Damian voltou, pegou a caneta da minha mão e assinou onde indiquei, sem ler as páginas.

— Pronto. Satisfeita?

Olhei para o nome dele ao final do acordo de divórcio.

— Sim.

O mordomo o chamou outra vez. Damian me devolveu os papéis e saiu sem olhar para trás.

Esperei seus passos desaparecerem antes de guardar o acordo assinado dentro do envelope.

Pela primeira vez, ele me deu alguma coisa sem me fazer esperar.
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