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Capítulo 4

Author: Winter
Luca baixou os olhos para mim.

— Duas horas já foram suficientes para você aprender a lição. Peça desculpas a Sabrina e ficamos quites.

Meus lábios continuavam dormentes por causa do frio, e meus dentes batiam quando tentei responder.

Sabrina se aproximou e entrelaçou o braço no meu.

— Luca, Adrian, parem. Elena não fez nada disso por mal.

Então se virou para mim com um sorriso gentil.

— Ainda somos melhores amigas, não somos?

Antes que eu conseguisse me afastar, Sabrina passou um braço ao redor do meu corpo e pressionou de propósito os dedos contra a queimadura recente sob minha blusa.

Soltei um grito e a empurrei por instinto.

Sabrina também gritou e cambaleou para trás. Seus olhos se encheram de lágrimas no mesmo instante.

— Elena, você ainda não consegue me perdoar?

O semblante de Luca endureceu.

— Que diabos há de errado com você?

— Ela apertou minha queimadura.

— Não fiz isso — negou Sabrina depressa. — Eu só estava tentando ajudá-la.

Luca me empurrou para trás.

— Elena, até quando vai continuar com isso?

Minha lombar bateu contra a parede, exatamente onde a queimadura já formava bolhas. Perdi o fôlego, e meus joelhos quase cederam.

Adrian se aproximou.

Por um segundo, pensei que fosse me amparar.

Em vez disso, colocou as duas mãos sobre meus ombros.

— Chega. Peça desculpas a ela.

— Não.

Tentei me afastar, mas minhas pernas continuavam fracas depois de passar duas horas naquele elevador congelante. Adrian forçou meus ombros para baixo, e desabei de joelhos bem diante de Sabrina.

O saguão inteiro mergulhou no silêncio.

Adrian ficou imóvel quando viu a força com que caí, mas, ainda assim, não estendeu a mão para me ajudar.

Luca se limitou a dizer:

— É só pedir desculpas.

Ergui os olhos para os três.

Sabrina permanecia atrás de Luca, observando-me com os olhos marejados.

Adrian continuava ao meu lado. Os três esperavam a mesma coisa.

Queriam que eu cedesse.

Como não cedi, Luca tirou o celular do bolso.

— Elena, você está nos obrigando a fazer isso.

Ele tocou na tela.

Um segundo depois, o enorme telão sobre a recepção se acendeu.

Meu rosto apareceu nele.

Era uma compilação de gravações particulares que eles acumularam ao longo dos anos.

Uma delas me mostrava chorando depois de encontrar Luca e Sabrina debaixo do mesmo cobertor.

Outra me mostrava parada sozinha no baile beneficente depois que Sabrina me passou o código de vestimenta errado.

A última era uma gravação em que eu perguntava a Adrian por que todas as brincadeiras sempre terminavam comigo pedindo desculpas.

Sobre as imagens, Luca colocou um único título:

ELENA: TRÊS ANOS DE REAÇÕES EXAGERADAS.

Os funcionários pararam onde estavam.

Alguns olharam para o telão e depois para mim, ainda no chão. Outros começaram a cochichar entre si.

Olhei para Luca.

— Foi você quem fez isso?

Ele guardou o celular no bolso.

— Você nos deu o material.

Sabrina tocou o braço dele.

— Luca, talvez já seja suficiente.

No entanto, ela não pediu que desligasse o telão.

Adrian encarou a tela.

— Você disse que essas gravações eram particulares.

— E eram — respondeu Luca. — Até ela decidir destruir a vida de todo mundo por causa de uma única brincadeira.

A expressão de Adrian se fechou.

Por um momento, pensei que ele finalmente fosse me defender.

Em vez disso, baixou os olhos para mim.

— Elena, levante-se. Vou mandar retirar o vídeo.

Foi tudo o que disse.

Não se desculpou por aquelas gravações. Não perguntou a Luca por que ele guardou os vídeos. Só queria que o telão fosse desligado antes que a situação piorasse.

Forcei-me a ficar de pé.

Atrás de Adrian, o telão continuava reproduzindo uma das minhas antigas gravações.

— Por que sempre é engraçado quando sou eu quem se machuca?

Lembrei-me do momento em que disse aquilo a Adrian.

Na ocasião, ele beijou minha testa e garantiu que me entendia.

Agora estava ao lado das pessoas que transformaram aquele momento em piada.

Sabrina caminhou novamente em minha direção.

— Elena, por favor. Somos amigas há anos. Não entendo por que está descartando todos nós.

Olhei para ela e depois para Luca e Adrian.

— Não estou descartando nada. Apenas cansei de permitir que vocês três me tratem assim.

Peguei minha bolsa.

Adrian se colocou na minha frente.

— Aonde você vai?

— Para casa.

— Precisamos conversar.

— Não.

Desviei dele e continuei andando.

Luca suspirou atrás de nós.

— Deixe-a ir. Ela sempre volta.

Sabrina assentiu.

— Ela só precisa de um pouco de tempo.

Adrian olhou para os dois e depois para mim. Hesitou por vários segundos antes de sair do caminho.

— Está bem. Vá para casa. Vamos resolver isso hoje à noite.

Ele ainda acreditava que aquela era apenas mais uma briga que terminaria assim que eu me acalmasse.

Fui embora sem responder.

Quando cheguei à garagem, minhas pernas ainda tremiam de frio, e a queimadura na lateral da cintura começava a sangrar, manchando o tecido da blusa.

Minha vaga estava vazia.

Meu carro não estava lá.

Meu celular vibrou com mensagens de Adrian.

[Sabrina quis comer sushi, então peguei seu carro.]

[A lição de hoje já foi suficiente. Vá para casa e pense em como levou tudo isso longe demais.]

[O casamento é amanhã. Trate de se recompor esta noite. Passo para buscar você de manhã.]

Encarei as mensagens e ri.

Mesmo depois de tudo, Adrian ainda acreditava que o casamento aconteceria.

Eu estava prestes a chamar um carro quando dois SUVs pretos entraram na garagem.

Minha mãe desceu do primeiro, seguida por vários integrantes de nossa equipe de segurança.

Assim que me viu, sua expressão mudou.

Seus olhos percorreram meu rosto pálido, minhas mãos trêmulas e a mancha de sangue que se espalhava pela lateral da blusa.

— Elena.

Mal consegui dar alguns passos antes que meus joelhos cedessem.

Ela me segurou antes que eu caísse e me puxou para os braços.

— Sinto muito — disse em voz baixa. — A mamãe chegou tarde demais.

Assim que eu estava em segurança dentro do carro, minha mãe se virou para Valentina.

— Bloqueie as ações de Elena. Retire todas as garantias vinculadas à Calloway Harbor e entre em contato com todos os bancos e parceiros europeus que nossa família levou para aquela empresa.

A voz dela ficou ainda mais fria.

— Até amanhã de manhã, quero tudo o que é nosso fora de lá.
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