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Ele Escolheu Minha Irmã, Então Parti
Ele Escolheu Minha Irmã, Então Parti
Author: Cenlyn

Capítulo 1

Author: Cenlyn
Meu companheiro predestinado, Elias, me estendeu um lenço e disse num tom despreocupado:

— Enxugue o rosto. Você é frágil demais, nem parece uma lobisomem. Não aguenta nem uma brincadeira.

Minha irmã, Giulietta, se aproximou com o celular erguido, apontou a câmera para o meu rosto e abriu um sorriso.

— Mãe, pai, olhem isso! O rosto da Liliana está um horror, todo sujo de terra e lágrimas. Ela está imunda!

As vozes dos meus pais saíram pelo celular, carregadas de repulsa.

— Liliana, você andou rolando no chão? Como conseguiu se sujar tanto?

— Uma lobisomem chorando desse jeito… Você devia ter vergonha.

Em silêncio, limpei a sujeira do rosto com o lenço, sem contestar.

O ônibus estava lotado, e tudo o que pude fazer foi me encolher num banco quebrado. Com todo aquele barulho, não consegui pregar os olhos a noite inteira.

Depois de desembarcar, corri o caminho inteiro com a mala para chegar a tempo de fazer a matrícula. Levei tantos tombos que perdi a conta e acabei coberta de poeira e hematomas.

Meu corpo não se recuperava bem dos ferimentos. Machucados como aqueles não eram nada para os outros lobisomens, mas me deixavam sentindo dor por muito tempo.

Ninguém se importava com o estado lastimável em que eu estava. Só se divertiam com meu pânico e meu desespero.

Era sempre assim.

Durante o vestibular, Giulietta escondeu minha caneta e só a devolveu, entre risadinhas, quando eu já chorava desesperadamente.

Em uma das nossas viagens, meus pais e Giulietta trocaram meu documento de identidade. Minha mãe só apareceu com o verdadeiro no último minuto antes do embarque, filmando tudo o tempo inteiro.

Só meu companheiro predestinado, Elias, costumava me tratar de outra forma.

Uma vez, ao ouvir tudo o que passei, ele chorou até ficar com os olhos vermelhos e prometeu que ninguém voltaria a me maltratar.

Chegou até a perder a paciência, o que era raro, quando Giulietta tentou colar em mim a imagem de uma cabeça de porco. Na ocasião, mandou que ela parasse de se divertir às minhas custas.

Mas, daquela vez, o Elias que costumava me apoiar e proteger estava do lado deles.

Ele abriu um guarda-chuva para proteger Giulietta do sol forte.

— Bom, vamos. Você não disse que queria conhecer uma confeitaria aqui perto? Se a gente não se apressar, vai fechar.

O guarda-chuva que ele segurava foi um presente meu.

Na época, fazia pouco tempo que estávamos juntos. Ainda estávamos na faculdade, e Elias ia me buscar todos os dias depois da aula.

Por isso, dei a ele um lindo guarda-chuva e disse que era só para mim, que, daquele dia em diante, ele só poderia usá-lo para me proteger do sol. Ele concordou e disse, sorrindo, que só dividiria um guarda-chuva comigo.

Agora, porém, aquele guarda-chuva estava sobre a cabeça de Giulietta, sem se inclinar nem um pouco na minha direção.

Quando Elias se virou para ir embora, segurei a manga dele e não soltei.

— Você não pode simplesmente ir embora! Não consigo fazer a matrícula. O que eu vou fazer?

Um lampejo de impaciência passou pelos olhos de Elias, mas, ao perceber como os meus estavam inchados, ele suavizou a voz.

— Não fique com medo, Liliana. A gente se informou antes. Pegue seus documentos e vá falar com um professor que possa ser seu orientador. Eles estão no compartimento interno da sua mala. Foi só uma brincadeira, então pare de ficar brava. Eu e a Giulietta vamos à confeitaria. Na volta, trago um bolo de morango pra você.

Ele afastou minha mão com um gesto leve e foi embora com Giulietta.

Sem dizer nada, arrastei a mala até o prédio administrativo e bati à porta com os documentos na mão. Ao ver o estado em que eu estava, o coordenador de admissões se apressou em me levar para dentro e me acomodar numa cadeira.

— Todo ano alguns alunos se atrasam. Não se preocupe, isso não vai afetar sua matrícula.

Assenti, com os olhos vermelhos, sem conseguir dizer uma palavra.

Três coisas me consumiam: a repulsa dos meus pais, a imagem de Elias e Giulietta indo embora de mãos dadas e os quatro se unindo para me humilhar. Tudo aquilo parecia uma faca abrindo um corte profundo na minha garganta.

A dor me deixou sem voz, e até o calor do meu corpo parecia se esvair lentamente por aquela ferida.

Peguei o celular sem pensar e vi duas publicações de Giulietta.

A primeira era do dia anterior: uma foto em que ela e Elias posavam no avião, formando um coração com os dedos. Naquele mesmo momento, eu estava encolhida num canto, agarrada à minha mala, apreensiva diante dos olhares hostis das pessoas ao redor.

A segunda era de poucos minutos antes e mostrava Elias dando bolo na boca dela.

Por um instante, minha mente ficou em branco, e tudo o que consegui ouvir foi o choro da minha loba.

A voz do coordenador de admissões me trouxe de volta à realidade.

— A escolha dos orientadores acontece duas semanas depois do início das aulas. Muitos professores do seu curso levam os alunos para trabalhos de campo, então talvez seja bom começar a pesquisar suas opções desde já.
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