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Capítulo 2

Autor: Crystal K
Dexter sentiu meu corpo enrijecer.

— Noelle?

Ele acariciou minhas costas, o toque subitamente estranho.

— O que houve?

Não respondi, lutando contra a bile que subia pela garganta. O cheiro enjoativo de sândalo estava me sufocando.

— Olhe para mim.

Ele ergueu meu queixo com o dedo. Encontrei seu olhar. Aqueles olhos azul escuros que antes guardavam um universo só para mim agora pareciam os de um estranho.

— Preciso que confie em mim. — Disse ele, os dedos deslizando até o cinto do meu robe.

— Não importa o que aconteça lá fora, entre nós…

Seus lábios encontraram os meus, um calor familiar contra o pavor gelado que corria em minhas veias. Fechei os olhos, desesperada para encontrar aquela sensação antiga. Tentando me convencer de que aquele era o meu Dexter, meu Rei Alfa, meu companheiro. As mãos dele começaram a percorrer meu corpo, gentis e experientes.

— Noelle, eu te amo. — Sussurrou junto ao meu ouvido. — Só você.

Mas o sândalo em sua pele gritava a verdade. Uma imagem lampejou em minha mente, algo que eu havia visto uma hora antes.

O Instagram privado de Jenica. Ela postara uma foto da festa no jardim real, sorridente, com a legenda: "Sentindo o luar com meu pequeno príncipe. Tudo está bem."

Um pensamento vil me rasgou por dentro: era assim que ele tocava nela? A companheira do próprio irmão? Meus pensamentos saíram do controle. Abri os olhos de supetão, pronta para empurrá-lo para longe. Mas, no instante em que levantei a mão, o celular dele tocou.

Ele havia bloqueado nosso elo mental para termos privacidade, mas não silenciara o telefone. O toque estridente cortou o silêncio.

Dexter parou, franzindo a testa.

— Quem poderia estar ligando a essa hora…

Ele olhou para o identificador de chamadas, e sua expressão mudou.

— O Hospital Real?

Atendeu imediatamente.

— O que houve?

Uma voz urgente crepitou do outro lado.

— Vossa Majestade! É a Lady Jenica! A assinatura Alfa do filhote ainda não nascido está em surto! Tememos que ela entre em trabalho de parto prematuro!

— O quê?!

Dexter saltou da cama.

— As ondas de energia do príncipe estão fortes demais. Apenas sua linhagem alfa pode estabilizá-lo. Por favor, o senhor precisa vir imediatamente!

Observei o rosto de Dexter. No momento em que a palavra "príncipe" saiu da boca do médico, uma luz se acendeu em seus olhos — um brilho feroz e possessivo que eu nunca tinha visto antes. Era o orgulho de um pai, o desejo desesperado de um Rei Alfa por seu herdeiro de sangue puro.

— Estou a caminho. — Disse ele, já se movendo.

— Dexter, não vá — implorei, com a voz trêmula ao segurar sua mão.

— Fique. Você me prometeu esta noite.

Ele sacudiu minha mão sem pensar duas vezes. O calor havia sumido, substituído por uma autoridade gelada. A testa se franziu, o tom não admitia discussão.

— Noelle, pare com isso. Isso é sobre o herdeiro real. Não é um jogo.

Mas como ela poderia estar em perigo? Uma hora antes, Jenica ostentava esse mesmo herdeiro no Instagram.

Ao ver a expressão no rosto dele, meu coração afundou. Levantei-me, minha própria voz se tornando fria.

— Tudo bem. Então eu vou com você.

Dexter se virou, os olhos imediatamente afiados pela desconfiança e irritação aberta. Suas palavras saíram curtas, carregadas de desconfiança.

— Para quê? Estou avisando, Noelle. Não ouse chegar perto de Jenica.

As palavras foram uma faca no meu peito.

— Nada pode acontecer com Jenica ou com meu filho! — Ele disparou, a voz fria enquanto vestia o casaco às pressas.

Para passar por mim, ele me empurrou para o lado. Tropecei, a parte de trás da minha cabeça batendo com força no canto afiado do criado-mudo.

Uma dor aguda e cegante me atravessou, e senti um líquido quente escorrer pelo cabelo. Mas Dexter já tinha ido. Vestiu-se às pressas, pegou as chaves do carro e correu para a porta.

— Dexter! — Gritei, a mão se afastando da cabeça, pegajosa de sangue.

Ele parou na porta por uma fração de segundo. Sem olhar para trás, disse:

— Noelle, eu preciso proteger meu herdeiro.

Então a porta se fechou com força. Ouvi até o rugido do carro esportivo desaparecer na noite. Sentei na cama, encarando o sangue em minhas mãos. Não era a primeira vez. Sempre que as necessidades do reino colidiam com as minhas, a escolha dele era brutalmente clara.

Levantei-me e cuidei rapidamente do ferimento. Depois, dirigi até o Hospital Real. A ala VIP estava iluminada como o dia.

Não entrei.

Fiquei no corredor, do lado de fora do quarto dela, uma observadora silenciosa, espiando através do vidro da porta.

Dexter estava sentado ao lado da cama, segurando a mão de Jenica com força entre as duas mãos.

O rosto dela estava pálido, mas os olhos brilhavam de felicidade triunfante.

— Consegue sentir? — Ela sussurrou, acariciando a barriga. — Nosso príncipe está conhecendo o pai.

Dexter assentiu, a expressão impossivelmente terna.

— Sim, eu consigo sentir. Esse poder… é assim que é uma verdadeira linhagem real.

Ele se inclinou e beijou a testa dela.

— Você e nosso filhote são tudo para mim. — Murmurou.

— O sangue humano dela a torna frágil. Ela jamais poderia entender de verdade o nosso mundo, ou me dar um herdeiro perfeito como este.

Meu coração não se partiu. Ele simplesmente parou de bater. Não era raiva. Não era dor. Foi um momento de clareza absoluta e gelada. Entorpecida, virei-me, voltei para o carro e peguei um novo celular descartável, impossível de rastrear. Com mãos firmes, enviei uma mensagem criptografada.

[Em quatro dias, me tire daqui.]
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