Se connecterValéria estava diante do espelho quando Lorenzo entrou no quarto carregando Elisa.— A presidente está pronta? — perguntou ele.Ela ajeitou a manga do vestido branco.— Quase.Lorenzo parou por alguns segundos, admirando-a.— Você está linda.Valéria sorriu.— Está dizendo isso porque é meu marido.— Estou dizendo porque é verdade.Ele se aproximou e beijou sua testa.Elisa estendeu a mãozinha na direção da mãe.— Acho que alguém quer participar — comentou Lorenzo.Valéria pegou a filha no colo.— Hoje a mamãe tem um compromisso importante, meu amor.A menina respondeu com um sorriso.— Ela já sabe — disse Lorenzo.A cerimônia da Fundação Esperança aconteceria num salão preparado para receber colaboradores, famílias atendidas e representantes das instituições parceiras.Naquela noite, Valéria seria oficialmente apresentada como presidente executiva da fundação.Ao chegar, encontrou Patrícia organizando os últimos detalhes.— Finalmente! — exclamou a amiga. — Estava começando a achar q
Valéria estava escolhendo as fotografias para a cerimônia da Fundação Esperança quando Patrícia entrou em sua sala.— A equipe de comunicação terminou a apresentação. Quer conferir?— Claro.As duas passaram quase uma hora revisando imagens dos projetos, depoimentos das famílias e os resultados dos atendimentos.Quando terminaram, Valéria sorriu, satisfeita.— Está exatamente como eu queria.— Então vamos comemorar com um café — sugeriu Patrícia. — Você merece uma pausa.Saíram juntas da fundação e caminharam até uma cafeteria próxima.Foi quando Valéria ouviu uma voz que não escutava havia muito tempo.— Valéria?Ela se virou.Gabriel Vasconcelos estava parado a poucos passos, segurando uma pasta.O homem que a abandonara no altar.Durante alguns segundos, os dois apenas se olharam.— Gabriel — respondeu ela, com tranquilidade.Ele pareceu surpreso com sua serenidade.— Não esperava encontrar você aqui.— Trabalho na fundação, logo adiante.Gabriel assentiu.Seus olhos passaram rapid
Três meses depois do nascimento de Elisa, Valéria descobriu que sua filha tinha uma maneira muito particular de interromper reuniões.Bastava ouvir a voz da mãe.Naquela manhã, Valéria participava de uma videoconferência com a equipe da Fundação Esperança quando Elisa começou a reclamar no colo de Lorenzo.Ele tentou distraí-la com um brinquedo.Nada.Mostrou o ursinho Tobias.A menina fez uma careta.— Acho que temos uma pequena manifestação acontecendo aqui — murmurou Lorenzo.Valéria ouviu a voz do marido do outro lado da sala.— Um instante, pessoal.Desligou o microfone e se virou.— O que aconteceu?Lorenzo ergueu Elisa.— A senhorita Ferraz exige falar com a presidente.Valéria abriu os braços.Assim que viu a mãe, Elisa abriu um sorriso tão largo que suas bochechas ficaram arredondadas.Lorenzo parou.— Você viu isso?Valéria começou a rir.— Vi!A menina agitou os braços, satisfeita com a atenção.— Ela estava reclamando comigo há dez minutos — protestou Lorenzo.— Talvez sua
Às oito da manhã, Lorenzo Ferraz estava sentado diante de uma mesa de reuniões quando seu telefone vibrou.Era uma mensagem de Valéria.Elisa acabou de sorrir para o ursinho Tobias. Você perdeu uma cena maravilhosa.Lorenzo abriu a fotografia anexada.A filha aparecia deitada sobre uma manta, com a boca aberta num sorriso desdentado.Ele sorriu involuntariamente.— Senhor Ferraz? — chamou Arthur, seu diretor executivo.Lorenzo ergueu os olhos.— Sim?— Podemos confirmar a viagem para Nova York?Ele olhou para a agenda.A viagem duraria cinco dias e envolveria uma negociação que poderia ser conduzida por Arthur.Meses antes, Lorenzo teria embarcado sem pensar duas vezes.— Você vai representar a empresa — decidiu.Arthur pareceu surpreso.— Tem certeza?— Tenho. Prepare os documentos e me mantenha informado sobre as decisões que precisarem da minha aprovação.O diretor assentiu.Quando a reunião terminou, Lorenzo voltou a olhar para a fotografia da filha.Cinco dias longe de casa já nã
Valéria releu a mensagem de Patrícia enquanto Elisa dormia em seu colo.O conselho quer conversar sobre sua volta à fundação. Temos uma proposta importante.Ela acariciou os cabelos delicados da filha.Antes da gravidez, teria respondido imediatamente, ansiosa para conhecer os detalhes. Agora, a possibilidade de voltar ao trabalho provocava sentimentos contraditórios.Sentia saudade da Fundação Esperança, das crianças e dos projetos que ajudara a construir.Mas também sentia um aperto no peito ao imaginar passar tantas horas longe de Elisa.— Está pensativa.Valéria ergueu o rosto.Lorenzo estava na porta, segurando duas xícaras.— Patrícia me mandou uma mensagem.Ele colocou as bebidas sobre a mesa.— Aconteceu alguma coisa?— O conselho quer me oferecer um novo cargo.Lorenzo sorriu.— Isso é maravilhoso.— Ainda não sei.Ele se sentou ao lado dela.— Quer me contar o que está preocupando você?Valéria olhou para a filha.— Tenho medo de aceitar e sentir que estou perdendo momentos
Seis semanas depois do nascimento de Elisa, Valéria percebeu que sentia falta de uma coisa que não tinha coragem de admitir.Sentia falta do marido.Não do Lorenzo que trocava fraldas, preparava mamadeiras quando necessário e passava longos minutos conversando com a filha.Sentia falta do homem que a beijava inesperadamente nos corredores, que a puxava pela cintura enquanto ela preparava café e que a olhava como se não existisse mais ninguém na sala.Desde o nascimento de Elisa, Lorenzo havia se tornado um pai dedicado.Mas parecia ter esquecido que também era marido.Naquela manhã, Valéria saiu do banho usando um vestido leve.Encontrou Lorenzo sentado na cama, tentando fazer Elisa arrotar depois de uma mamada.— O que achou? — perguntou, girando discretamente.Ele ergueu os olhos.— Bonito.Valéria esperou.Lorenzo voltou a atenção para a bebê.— Acho que ela vai dormir.Valéria olhou para o espelho.Bonito.Apenas bonito.Antes, Lorenzo teria atravessado o quarto para beijá-la.Ela







