INICIAR SESIÓNAs palavras de Lia caíram como lâminas no meu ouvido. Por um segundo, não consegui respirar. Senti o chão sumir sob os meus pés. Depois, veio a explosão.
“ MALDIÇÃO!” A mesa à minha frente virou com um golpe seco. Copos, pastas, tudo foi arremessado contra a parede com a força da minha raiva. “FILHOS DA PUTA! EU VOU MATAR CADA UM DELES!” Minha mão acertou a prateleira, derrubando livros caros pelo chão. A adrenalina queimava como fogo no sangue, e cada imagem que Lia descreveu me corroía mais. Ella no chão. Machucada. Implorando para ninguém saber. “ONDE, LIA? ME DIZ ONDE ELA ESTÁ AGORA!” Ela se encolheu atrás de Miguel que também estava assustado. Ninguém esperava pela minha reação, nem mesmo eu. LIA: No apartamento… Ethan, ela está machucada demais, ela não quer ver ninguém, ela.. “EU NÃO QUERO SABER O QUE ELA QUER! EU VOU ACABAR COM ESSE INFERNO DE MUNDO SE FOR PRECISO!” Miguel se aproximou na porta, os olhos arregalados ao ver como estava e tentou me acalmar. MIGUEL: Ethan! Para! Porra, para com isso! Mas eu já estava pegando o casaco, a respiração ofegante, o coração acelerado como um tambor de guerra. Eu não sabia o que estava acontecendo comigo, eu nunca reagi desta forma diante de nenhuma situação. Mas Ella. Ella me tirava da minha zona de conforto, não era possível ser frio diante dessa situação. “Sai da minha frente, Miguel.” MIGUEL: Pensa, c@r@lho! Se você for assim, vai piorar as coisas! “Eu vou caçar cada um deles e vou arrancar as vísceras com as minhas mãos! Eu vou matar eles Miguel, sem dó, sem piedade nenhuma!” Ele tentou me segurar pelo braço. Eu o empurrei com tanta força que ele bateu na estante. “Eles irão implorar pela morte!” LIA: Eu não errei em vir aqui… ele é do mal, não é mesmo?” MIGUEL: É melhor não falar isso perto dele! LIA: NUNCA! Eu só pareço burra, eu não sou! Cruzei a cidade como um raio, e em poucos minutos estava no prédio de Ella. O elevador parecia lento demais. A cada andar que passava, meu coração batia mais forte, quase rompendo as costelas. Quando as portas finalmente se abriram, o corredor estreito do prédio de Ella parecia sufocante. Eu não bati na porta… arrombei. O cheiro de álcool e sangue me atingiu primeiro. Um aperto violento no peito me fez quase perder o fôlego. Ella estava no chão, tentando segurar uma toalha contra a testa, com os olhos marejados. Pisei com força, atravessando a sala destruída, os móveis virados, cacos de vidro espalhados pelo chão. Cada detalhe era um lembrete de que falhei. Que deixei isso acontecer. Eu poderia de alguma forma ter cuidado dela. Ela estava sentada no canto, abraçando os joelhos. O rosto coberto por hematomas, o lábio cortado, os braços com marcas roxas. A camisa estava suja de sangue. Quando nossos olhos se encontraram, ela desviou, encolhendo-se ainda mais. Meu mundo parou. “Quem fez isso?” Minha voz saiu baixa, carregada de uma raiva que eu mal conseguia controlar. Ella estava fraca e muito ferida. ELLA: Vai embora… por favor… Dei dois passos, ajoelhei-me diante dela. Toquei de leve o queixo dela para olhar para mim, mas ela recuou. Isso doeu mais do que qualquer golpe. “Quem. Fez. Isso.” Cada palavra carregava veneno. LIA: Ethan, para… ela não quer falar. Eles ameaçaram nos matar. Lia e Miguel chegaram logo em seguida. Respirei fundo, tentando não explodir ali mesmo. Mas dentro de mim só havia fogo. “Você acha que eu tenho medo desses filhos da puta? Eu vou caçar cada um. Vou fazê-los implorar para morrer. Eu trarei sobre eles o próprio inferno. Não há lugar onde eles possam se esconder.” Ella levantou o rosto devagar, com dificuldade, e murmurou: ELLA: Não… não mexe com eles… você vai se machucar também. Aquilo foi a gota d’água. “Você acha que eu sou quem, Isabella? Você acha que eu sou fraco como esses vermes? Eu não vou descansar enquanto cada um deles não estiver enterrado. E você precisa de um hospital… Miguel ligue para a equipe médica e prepare tudo.” Ela tentou falar algo, mas a voz falhou. Quando vi a lágrima escorrendo pelo rosto dela, meu peito se apertou de uma forma que nunca senti antes. Estendi a mão e toquei sua bochecha com cuidado, limpando o rastro da lágrima com o polegar. ELLA: Eu pensei que você tinha mandado aqueles homens atrás de mim. Que estivesse se vingando pelo carro e pelo copo de água. MIGUEL: Claro que não, Isabella. Se ele realmente quisesse fazer algo com você, não teria saído do prédio. “Eu não fiz nada… eu realmente não fiz nada. Deveria ter procurado por você no dia seguinte. Ter protegido você.” Ela soltou a respiração e soluçou indo às lágrimas. ELLA: Está doendo muito… eu estou sentindo muita dor. “Acabou, pequena. Enquanto eu respirar, ninguém mais toca em você. Vamos para o hospital.” MIGUEL : Ethan… a polícia vai vir. Precisamos sair daqui agora. Não hesitei. Peguei Ella no colo, ignorando o protesto fraco dela. ELLA: Não… me larga… “Cala a boca e confia em mim.” Passei por Lia, que parecia em choque. “Você vem junto. Agora.” Saí do apartamento com Ella nos braços, sentindo a fragilidade do corpo dela contra o meu. Cada hematoma era um lembrete de que alguém tinha que pagar por isso. E eu ia cobrar com juros. O carro disparou pelas ruas molhadas. Chovia em Manhattan. A cidade parecia um borrão cinza enquanto Miguel pisava no acelerador sem se importar com sinais ou limites. Eu estava no banco de trás com Ella nos braços, sentindo cada tremor fraco no corpo dela. “Fica comigo, Isabella… você vai ficar bem, ouviu? Eu estou aqui. Eu prometi que ia cuidar de você.” As pálpebras dela se moveram por um instante. Um gemido escapou dos lábios rachados, quase inaudível. Me abaixei, aproximando meu ouvido. ELLA: Dói… tudo… “Eu sei, pequena. Eu sei… mas não desiste.” O peito dela subia e descia devagar demais. Pressionei os dedos na artéria do pescoço. Pulso fraco. Muito fraco. “MERDA, MIGUEL, ANDA COM ESSA PORRA!” MIGUEL: Eu estou voando, porra! Se você gritar mais, eu bato essa merda de carro! Lia estava ao meu lado, chorando descontrolada, segurando a mão de Ella. LIA: Aguenta, amiga… aguenta só mais um pouco! O que está acontecendo, porque ela está ficando inconsciente? “Está sangrando Lia, aqueles malditos a machucaram… ela está tendo uma hemorragia.” Cada lágrima que caía do rosto de Lia só alimentava minha raiva. Mas eu não podia pensar nisso agora. Só tinha uma coisa importante: manter Ella viva. Cinco minutos depois, o carro parou com um tranco diante do pronto-socorro. Saltei do carro com ela nos braços e invadi a emergência como um furacão. “ATENDIMENTO IMEDIATO! AGORA!” Miguel acenou para a enfermeira que logo nos levou para outra ala. O som do monitor cardíaco me fez gelar. Estava fraco demais. “NÃO TIRA ELA DA MINHA VISTA!” Gritei, mas as portas da sala de atendimento se fecharam na minha cara. Fiquei parado ali, com o peito arfando, a camisa manchada de sangue e suor. As mãos ainda tremiam, Miguel chegou ofegante, segurando meu ombro. MIGUEL: Ethan… ela está viva. Eles vão dar um jeito. Precisa se acalmar. Olhei para ele com um olhar que fez até Miguel recuar. “Eu vou caçar esses filhos da puta, Miguel. Vou arrancar cada unha, vou quebrar cada osso. Eles vão implorar para morrer.” MIGUEL: Ethan, ouve o que você está dizendo… Você não pode se envolver com esses homens! “Não me pede calma! Eles tocaram no que é meu. Eles destruíram ela, Miguel. Eu não vou descansar até cada um deles estar no inferno… eles tocaram nela!” Miguel respirou fundo, mas antes que falasse, a porta se abriu. Uma médica saiu, com expressão séria. MÉDICA: Preciso falar com os responsáveis. Dei um passo à frente, sem pensar em nada, me coloquei na sua frente. “Eu sou o responsável. Me diga tudo o que ela tem. Como ela está, como vai ficar. Não esconda nada!"Naquela noite, já deitada com Ethan, finalmente falei. “ E se der tudo errado?” Ele virou o rosto para mim imediatamente. ETHAN: O que exatamente? “ O casamento… As pessoas… A pressão. Tudo.”Ele passou o polegar pelo meu queixo com calma. ETHAN: Isabella… Nada disso importa se, no final do dia, você estiver comigo. Respirei fundo. “Promete?” ETHAN: Prometo. Vai dar tudo certo.Dois meses se passaram num piscar de olhos.Provas de vestido, ajustes, decisões intermináveis, reuniões com cerimonialistas, convites enviados para nomes que eu só via em jornais e tribunais. A fazenda foi transformada. O jardim virou cenário de filme. Isso mesmo, tanto Lia quanto eu decidimos que seria na fazenda. No dia do casamento, acordei com o coração acelerado. Meu vestido estava pendurado diante da janela. Branco, elegante, clássico. Renda delicada nos ombros, saia leve, quase flutuando. Quando vesti, senti o peso simbólico de tudo o que eu estava escolhendo.GIULIETTA: Você está l
Era uma sexta-feira tranquila, e Ethan insistiu para irmos até a fazenda. Um fim de semana em família. Onde Paolo e Giulietta, Miguel, Lia e Theo, todos estariam reunidos. Um almoço em família organizado por Paolo. Eu sabia que aquele almoço não era apenas mais um encontro em família. A mesa estava impecável demais. Paolo não fazia nada sem intenção, e quando ele se empenhava daquele jeito, porcelana fina, talheres alinhados com precisão quase militar, flores discretas e vinho escolhido a dedo, era porque algo importante estava prestes a acontecer. O ambiente era elegante, sim, mas acima de tudo humano. Havia risos, pequenas provocações, comentários sobre negócios misturados a lembranças antigas. Ethan estava ao meu lado, sereno demais. Calmo num nível que só ele conseguia sustentar quando estava prestes a virar tudo de cabeça para baixo. Depois do almoço, Paolo pediu que ficássemos na sala. Todos, sem exceção. O coração começou a bater diferente. Ethan soltou minha mão apenas pa
Acordei com o lençol ainda quente e o cheiro dele impregnado na pele, mas o espaço ao meu lado estava vazio. Por um segundo, achei que ainda estivesse sonhando. Pisquei devagar, virei o rosto… nada de Ethan. Me sentei na cama, puxando o lençol até o peito, e foi quando notei a luz suave entrando pela janela. Caminhei até lá ainda descalça e afastei a cortina. E sorri. No jardim, uma toalha de piquenique estava estendida sobre a grama perfeitamente aparada. Ethan estava sentado ali, completamente fora do personagem Ravelli que o mundo conhecia. Regata branca colada ao corpo, ombros largos à mostra, a tatuagem escura contrastando com a pele. Um short simples, pés descalços na grama. Felippo estava no colo dele, batendo as mãos no ar. Melissa engatinhava perigosamente perto da borda da toalha, enquanto Giulia reclamava no tom exato que antecede o choro. E Luce… Luce ria, sentada ao lado, observando o caos com prazer. Era a cena mais improvável e mais perfeita que eu já tinha vi
A água quente continuava caindo quando levei as mãos até ele, devagar, sem pressa, como se aquele momento fosse só nosso e o mundo inteiro tivesse aprendido a esperar. Abri os botões da camisa molhada um por um, sentindo o tecido escorregar dos meus dedos até revelar o peito largo, marcado, firme, aquele peitoral que sempre me fez esquecer qualquer linha de raciocínio. Passei a palma da mão pelo tórax dele, sentindo o calor da pele, o músculo sob meus dedos, a respiração dele mudar no mesmo instante. “Você fica ainda mais bonito assim… cansado e real. Tão lindo e gostoso.” ETHAN: Abelhinha… Ele fechou os olhos por um segundo, como se estivesse absorvendo cada palavra. Quando puxei a camisa para fora dos ombros dele, deixei meus dedos deslizarem lentamente pelo peito, pelo abdômen, sentindo o corpo que sempre foi força, mas que comigo se permite vulnerável. ETHAN: Você faz isso parecer perigoso. Sorri, puxando-o mais para perto da água. Peguei o sabonete e comecei a lavá-lo
Ella… Chegar em casa depois da festa foi como atravessar um campo minado feito de balões murchos, presentes abertos pela metade e restos de bolo estrategicamente espalhados pelo caminho. O silêncio durou exatamente vinte e três segundos, o tempo de fecharmos a porta. Depois disso, o caos acordou junto com os trigêmeos. Giulia começou primeiro, um choro fino e indignado, daqueles que parecem uma reclamação formal. Melissa veio logo em seguida, ofendida com a própria existência. Felippo demorou mais três segundos, só para garantir que o coro ficasse completo. ETHAN: Eles estavam dormindo…Todos os três. Perfeitamente dormindo. “E você acreditou que isso ia durar?” Ele me olhou com aquela expressão de homem traído pela própria esperança. ETHAN: Eu só achei que… depois da festa… “Amor, eles são bebês. Não negociam com lógica.” Antes que pudéssemos nos mover, Luce passou correndo pela sala, rindo alto, o cabelo todo bagunçado e o pijama torto. LUCE: Eles estão gritandooooo! Ela c
LIA… Existe um tipo específico de silêncio que só acontece antes de uma catástrofe ou de um milagre. No caso da Isabella, eram os dois. O hospital inteiro parecia saber quem ela era, mesmo que ninguém dissesse em voz alta. Enfermeiras falavam baixo demais, médicos explicavam tudo com cuidado excessivo, como se estivessem lidando com alguém emocionalmente instável e potencialmente incendiária. Ela instalou o pânico no Ravelli, e ele espalhou por todos os corredores. Ethan Ravelli estava irreconhecível. Ele andava de um lado para o outro no corredor da maternidade com um copo de café que já tinha esfriado há horas, explicando absolutamente tudo para a Isabella, mesmo ela estando em trabalho de parto e claramente sem paciência para discursos. ETHAN: Amor, o médico disse que está tudo correndo perfeitamente dentro do esperado, a pressão está ótima, os batimentos estão excelentes, os bebês estão bem posicionados, qualquer coisa que você sentir diferente você me fala imediatamen







