INICIAR SESIÓNO eco dos tiros reverberava no ar confinado da sala VIP, misturando-se ao cheiro de pólvora e suor. Isabella se agachou atrás do sofá de couro, o coração martelando como um tambor de guerra. Seu vestido vermelho estava rasgado na bainha, e as mãos tremiam enquanto ela pressionava o chão frio. "Isso não pode estar acontecendo", pensou, os ouvidos zumbindo.
Dante, por outro lado, era a personificação da calma letal. Agachado ao lado dela, arma em punho – uma pistola preta e reluzente que ele sacara do nada –, ele atirou de volta com precisão cirúrgica. O intruso, um homem corpulento com tatuagens no pescoço e uma jaqueta de couro surrada, gritou algo em italiano antes de cair, atingido no ombro. Mais dois homens irromperam pela porta, armas erguidas, mas Dante os enfrentou como um lobo defendendo sua alcateia.
— Fique abaixada, bella! — rosnou ele, empurrando-a para o lado enquanto rolava para trás de uma mesa virada. Seus olhos verdes brilhavam com uma mistura de fúria e excitação, as tatuagens em seus braços flexionando com cada movimento.
Isabella obedeceu, o pânico dando lugar a uma adrenalina crua. Quem eram aqueles caras? Rivais de Dante? E ela, no meio disso tudo? Um tiro ricocheteou na parede acima dela, estilhaçando um espelho em uma chuva de vidros. Ela gritou, cobrindo a cabeça.
Dante revidou, acertando um dos atacantes na perna. O homem desabou, gemendo. O terceiro hesitou, mas Dante não deu chance: disparou duas vezes, forçando-o a recuar para o corredor. A música do bar ainda pulsava ao fundo, abafando o caos, como se o mundo lá fora ignorasse a violência.
— Vamos! — Dante a puxou pelo braço, arrastando-a para uma porta escondida nos fundos da sala. Ele a abriu com um chute, revelando um corredor estreito e mal iluminado, cheio de caixas e cheiro de mofo. Isabella tropeçou nos saltos, mas ele a sustentou, o braço forte ao redor da cintura dela.
Eles correram pelo labirinto de becos atrás do Eclipse, o ar noturno de Nova York gelado contra a pele quente dela. Dante verificava os cantos, arma ainda em mãos, enquanto a guiava para um carro estacionado – um SUV preto blindado, com vidros escuros. Ele a empurrou para o banco do passageiro e deu partida, os pneus cantando no asfalto.
— Quem eram aqueles? — perguntou Isabella, ofegante, ajustando o vestido rasgado. Seu corpo ainda formigava dos toques interrompidos na sala VIP, uma mistura insana de desejo e terror.
Dante dirigia como um maníaco, zigzagueando pelas ruas lotadas, olhos no retrovisor. — Inimigos. Rivais da família Rossi. Acham que podem me pegar desprevenido. — Ele sorriu de lado, mas era um sorriso sombrio, sem o charme habitual. — Desculpe por estragar nossa noite, bella. Mas você viu o lado real de mim agora.
Isabella o encarou, o peito arfando. Ele era lindo mesmo na bagunça: cabelos desgrenhados, uma mancha de sangue no colarinho (não dele, graças a Deus), e aquela aura de perigo que a atraía como uma mariposa para a chama. — Lado real? Você é um mafioso, Dante? Os rumores...
Ele riu, uma risada rouca que ecoou no carro. — Mafioso? Que palavra antiquada. Digamos que eu cuido dos negócios que Alexander finge não existir. Nossa família sempre teve dois lados: o limpo e o sujo. Ele pegou o limpo, eu o sujo. Mas é tudo Blackwood.
Eles pararam em um prédio discreto no Meatpacking District, um loft industrial que Dante chamava de "esconderijo". Ele a levou para dentro, trancando a porta com um sistema de segurança high-tech. O lugar era surpreendentemente luxuoso: paredes de tijolos expostos, móveis modernos, uma vista da cidade através de janelas panorâmicas. Dante jogou a arma na mesa de centro e foi até o bar, servindo dois uísques.
— Beba. Vai acalmar os nervos. — Ele entregou o copo a ela, sentando-se ao lado no sofá de couro preto. Seus olhos desceram pelo corpo dela, notando os rasgões no vestido. — Você está bem? Machucada?
Isabella tomou um gole, o líquido queimando a garganta. — Fisicamente, sim. Mentalmente... o que diabos foi isso? Eu poderia ter morrido!
Dante se aproximou, tocando o rosto dela com gentileza inesperada. — Eu não deixaria. Você é importante agora. — Seus dedos traçaram o queixo dela, descendo pelo pescoço. O ar entre eles crepitou novamente, o perigo recente alimentando o desejo.
Ela deveria fugir, ligar para a polícia, esquecer tudo. Mas em vez disso, se inclinou, capturando os lábios dele em um beijo faminto. Dante gemeu, puxando-a para o colo, as mãos grandes explorando as curvas sob o vestido. — Bella... você me enlouquece — murmurou contra a pele dela, beijando o decote, mordiscando levemente.
Isabella arqueou as costas, as unhas cravadas nos ombros dele. Eles se moveram em um ritmo urgente, roupas sendo arrancadas: a camisa dele revelando tatuagens intrincadas – símbolos italianos, datas, nomes que contavam histórias de perda e vingança. O corpo dele era esculpido, marcado por cicatrizes que ela traçou com os dedos, cada uma uma pergunta não feita.
Eles caíram no tapete macio, Dante por cima, dominando com uma mistura de ternura e ferocidade. Seus toques eram elétricos, explorando cada centímetro dela, fazendo-a gemer alto. — Diga que quer isso — sussurrou ele, os olhos flamejantes.
— Eu quero... você — respondeu ela, rendida. A paixão os consumiu, corpos se unindo em uma dança primal, suor e sussurros preenchendo o loft. Foi intenso, selvagem, diferente do beijo controlado de Alexander. Com Dante, era caos puro, prazer sem amarras.
Depois, exaustos e entrelaçados nos lençóis que ele puxara da cama próxima, Isabella descansou a cabeça no peito dele, ouvindo o coração acelerado. — Por que vocês se odeiam? Você e Alexander.
Dante suspirou, traçando círculos nas costas dela. — Não é ódio. É... complicação. Nosso pai nos dividiu: Alexander para os negócios limpos, eu para os sujos. Ele me expulsou quando eu me recusei a fingir. Mas há segredos, bella. Segredos que nos unem mais do que nos separam.
Isabella pensou em Alexander, no jantar elegante, no beijo no carro. Dois lados da mesma moeda. — Eu o conheci primeiro. Trabalho para ele agora.
Dante se tensionou, erguendo-se no cotovelo. — O quê? Alexander contratou você? — Seus olhos escureceram. — Ele sabe sobre nós?
— Não... ainda não. — Ela se sentou, cobrindo-se com o lençol. — Mas isso é loucura, Dante. Eu não posso estar no meio de vocês.
Ele a puxou de volta, beijando-a possessivamente. — Você já está. E eu não divido bem. Mas por você... talvez eu considere.
A noite se estendeu em conversas sussurradas. Dante revelou pedaços do passado: a morte do pai em um "acidente" que cheirava a assassinato, a herança dividida, os Rossi como rivais ancestrais. Isabella ouvia, fascinada e aterrorizada. Ele era mais vulnerável do que parecia, um homem moldado pela violência, mas com um coração que batia forte por lealdade.
Na manhã seguinte, Dante a levou de volta ao apartamento dela em um carro diferente, beijando-a na porta. — Fique segura. Eu ligo. E evite Alexander por enquanto.
Mas o destino tinha outros planos. No trabalho, Isabella chegou atrasada, o corpo dolorido de prazer e fadiga. Elena a olhou com curiosidade, mas não perguntou. Alexander a chamou para o escritório dele à tarde, sua expressão dura.
— Onde você estava ontem à noite? — perguntou ele, fechando a porta. Seus olhos cinzentos a perfuravam.
Isabella gaguejou. — Eu... saí com amigos.
Ele se aproximou, tocando o braço dela. — Amigos? Ou algo mais? Meus seguranças relataram tiros no Eclipse. E você foi vista com... ele.
O ar gelou. Alexander sabia. — Dante. Como...?
— Eu tenho olhos em todos os lugares, Isabella. Ele é perigoso. Por que se envolveu com ele? — Havia ciúme na voz dele, misturado a preocupação genuína.
Ela se afastou, confusa. — Foi um erro. Mas você não me controla, Alexander.
Ele a puxou para si, os lábios colidindo em um beijo possessivo, mãos firmes na cintura. — Eu protejo o que é meu. E você... poderia ser minha.
Isabella correspondeu por um segundo, o contraste com Dante a deixando tonta. Alexander era controle, estabilidade; Dante, fogo e liberdade. Mas antes que pudesse responder, o telefone dele tocou. Ele atendeu, o rosto empalidecendo.
— O quê? Ataque aos armazéns? — Ele desligou, virando-se para ela. — Fique aqui. É perigoso lá fora.
Mas Isabella não obedeceu. Enquanto ele saía às pressas, ela pegou o celular e ligou para Dante. — Algo está acontecendo nos armazéns.
A voz dele era tensa. — Eu sei. Os Rossi. Venha comigo, bella. Eu preciso de você.
Dividida entre os irmãos, Isabella saiu do prédio, o coração em conflito. Mas no estacionamento, uma van preta parou, e homens mascarados a agarraram, injetando algo no pescoço dela. O mundo escureceu.
Quando acordou, estava em um armazém escuro, amarrada a uma cadeira. Um homem sorridente – o líder dos Rossi, presumiu – se aproximou. — Bem-vinda, Srta. Cruz. Você é o isca perfeita para atrair os Blackwood.
O pânico a invadiu. Qual dos irmãos viria primeiro? E a que custo?
A suíte estava silenciosa, iluminada apenas pela luz suave do abajur de cabeceira. Isabella ainda estava recostada nos travesseiros, a mão entrelaçada com a de Alexander. Nenhum dos dois parecia ter pressa de quebrar o momento.Alexander continuou acariciando o dorso da mão dela com o polegar, em movimentos lentos e repetitivos, como se quisesse acalmar não só ela, mas também a si mesmo.— Eu nunca vi você tão vulnerável quanto hoje — disse ele baixinho, sem julgamento na voz. — Quando te tirei daquele elevador… você estava tão pálida, suando frio, tremendo. Por um segundo eu pensei que tinha chegado tarde demais.Isabella engoliu em seco, lembrando da sensação sufocante.— Foi horrível. Eu sabia que era pânico, mas não conseguia controlar. O peito apertava, o ar não entrava, tudo girava… eu me senti presa dentro do meu próprio corpo. E o pior foi pensar que eu poderia desmaiar ali sozinha, sem ninguém saber.Alexander apertou levemente a mão dela.— Você não estava sozinha. Mesmo ant
Isabella acordou completamente quase uma hora depois.A luz do fim de tarde já estava mais suave, entrando pelas cortinas entreabertas. Alexander ainda estava sentado na beira da cama, mas agora segurava um livro que havia pegado na mesinha não estava lendo, apenas fingindo para passar o tempo. Quando percebeu que ela havia acordado de verdade, fechou o livro e colocou-o de lado.— Ei… — disse ele baixinho, com um sorriso gentil. — Como você está se sentindo agora?Isabella piscou algumas vezes, testando o corpo. A cabeça ainda latejava levemente, mas a respiração estava mais calma. O coração já não batia como se quisesse sair do peito.— Melhor… — murmurou ela. — Cansada. Um pouco envergonhada.Alexander balançou a cabeça, negando.— Não precisa sentir vergonha. Ataque de pânico não é fraqueza. É o corpo gritando quando a mente não consegue mais segurar tudo sozinha.Isabella ficou em silêncio por um momento, olhando para as mãos. Depois ergueu os olhos para ele.— Alex… por que você
Isabella acordou devagar, como se estivesse subindo de um poço muito profundo.A primeira coisa que sentiu foi o cheiro familiar de lençóis limpos de hotel e um perfume amadeirado suave o perfume de Alexander. Depois veio a sensação do colchão macio sob o corpo e o peso leve de um cobertor sobre ela.Abriu os olhos lentamente.O quarto estava em meia-luz. As cortinas estavam parcialmente fechadas, deixando entrar apenas uma faixa dourada de fim de tarde. Ela estava deitada na cama da sua suíte, ainda com a roupa que usava no shopping, mas alguém havia tirado os sapatos e colocado uma manta fina sobre suas pernas.Ao lado da cama, sentado em uma poltrona que havia sido puxada para perto, estava Alexander.Ele estava inclinado para frente, cotovelos apoiados nos joelhos, mãos entrelaçadas. Os olhos castanhos escuros estavam fixos nela, cheios de preocupação e alívio ao mesmo tempo. A gravata havia sido afrouxada, as mangas da camisa dobradas até os cotovelos. Ele parecia exausto, mas nã
Alexander estava em uma reunião importante na sede da Blackwood Enterprises, no 28º andar de um prédio na Avenida Paulista. A mesa estava cheia de executivos, gráficos projetados na tela e números sendo discutidos. Ele ouvia com atenção, mas sua mente ainda vagava para a noite anterior — o jantar com Isabella, o beijo quase acontecido na suíte, a ligação de Dante que estragara tudo.Seu celular estava no silencioso, virado para baixo sobre a mesa.Quando vibrou uma única vez, ele quase ignorou. Mas algo o fez olhar.A mensagem era de Isabella.Ele abriu imediatamente.Isabella: Alex… tô presa no elevador da loja no shopping perto do hotel. Sem sinal. Estou tendo ataque de pânico. Não consigo respirar. Me ajuda…O coração de Alexander parou por meio segundo.Ele leu novamente. Depois uma terceira vez.Sem pensar duas vezes, levantou-se da cadeira tão rápido que ela quase caiu.— Desculpem, emergência familiar. Continuem sem mim.Não esperou resposta. Saiu da sala quase correndo, ignora
Isabella ainda estava deitada na cama da suíte quando o celular vibrou sobre o travesseiro.Ela pegou o aparelho com o coração acelerado. A mensagem era de Alexander.Alexander: Bella, Acabei de ler sua mensagem.Não sei o que dizer primeiro. Obrigado por ter falado com o Dante. Eu sei o quanto isso deve ter sido difícil pra você. Eu não queria que você precisasse fazer isso por mim, mas… fico aliviado. Ele me ligou logo depois. A conversa foi curta e tensa, mas ele disse que vai parar. Acho que, pela primeira vez, ele entendeu que isso não é mais sobre ele.Sobre o que você escreveu… Eu li várias vezes. “Eu sinto algo por você.”Eu também sinto, Isabella. Sinto desde a ilha. Sinto desde o café da manhã na sua suíte. Sinto quando lembro do jeito que você me olhou naquela última noite, mesmo quando eu te pedi pra parar.Mas eu preciso ser honesto: Eu tenho medo. Medo de ser mais uma pessoa que entra na sua vida enquanto você ainda está curando feridas antigas. Medo de que, se a gente t
Isabella ficou sentada na cama da suíte por quase meia hora depois que Alexander saiu.O corpo ainda formigava com a tensão não resolvida. Os lábios ardiam dos beijos dele. A pele lembrava o toque das mãos dele na cintura. Mas o nome “Dante” ecoando no quarto havia estragado tudo. Mais uma vez.Ela não aguentava mais.Pegou o celular com as mãos trêmulas e procurou o contato de Dante. Fazia meses que não ligava para ele. A última conversa havia sido a definitiva, na varanda da casa da mãe. Mas agora era diferente. Agora ela precisava encerrar de vez.Tocou três vezes.Dante atendeu no quarto toque, voz rouca e surpresa.— Bella?Isabella respirou fundo, tentando manter a voz firme.— Dante, precisamos conversar. E dessa vez vai ser rápido.Do outro lado, ele pareceu se endireitar.— O que aconteceu? Você tá bem? O Alex te contou que eu liguei?— Ele não precisou contar. Eu ouvi. E é exatamente sobre isso que eu tô ligando.Ela se levantou e caminhou até a janela, olhando as luzes da A







