FAZER LOGINO fim de semana passou mais devagar do que o normal. Ou talvez fosse apenas a expectativa pela reunião de segunda-feira. Eu tentava me convencer de que era apenas um trabalho escolar. Nada além disso. Mas, por algum motivo, minha mente insistia em imaginar como seria passar algumas horas ao lado de Daniel Carter.
Sábado foi tomado pelo cursinho preparatório. Domingo, pelas revisões semanais.
Minha rotina seguia exatamente igual à dos últimos anos. Acordar cedo. Estudar. Resolver exercícios. Ler. Planejar a semana.
Minha agenda estava organizada em blocos de horários coloridos. Minha mãe costumava brincar que eu organizava até o tempo de respirar.
Naquela noite, depois do jantar, meu pai apareceu na porta do meu quarto.
— Posso entrar?
Fechei o livro.
— Claro.
Ele caminhou lentamente pelo cômodo observando a estante cheia de livros, as medalhas das olimpíadas acadêmicas e os certificados emoldurados.
— Tenho orgulho de você.
Sorri.
— Obrigada.
— Recebi um convite hoje.
Franzi a testa.
— Convite?
— Uma universidade americana fará uma visita ao Brasil no próximo semestre. Eles costumam oferecer bolsas parciais para alunos de destaque.
Meu coração acelerou. Harvard. Mais uma vez.
— Ainda falta quase um ano para a formatura.
— O tempo passa rápido.
Ele colocou uma pasta sobre minha mesa.
— Quero que comece a preparar sua candidatura.
Olhei para a pasta. Era grossa. Cheia de documentos. Cronogramas. Provas. Ensaios. Tudo já organizado. Como se meu futuro estivesse decidido.
— Pai...
Ele sorriu.
— Você nasceu para coisas grandes, Helena. Não tenha medo de sonhar alto.
Assenti.
Mas, depois que ele saiu do quarto... Continuei olhando para a pasta por vários minutos. Engraçado... Ninguém havia perguntado se aquele também era o meu sonho.
***Segunda-feira chegou. E, pela primeira vez em muito tempo... Eu estava nervosa para ir à escola. Sofia percebeu antes mesmo de eu dizer bom dia.
— Você está ansiosa.
— Não estou.
— Está usando o relógio.
Olhei automaticamente para o pulso. Ela tinha razão. Eu só usava relógio em dias importantes. Revirei os olhos.
— Você repara em detalhes demais.
— Faz parte do meu charme.
Rimos.
As aulas da manhã passaram relativamente rápido. Quase todos os professores decidiram aproveitar o início do semestre para revisar conteúdos. Mas eu mal conseguia acompanhar. Toda vez que olhava o relógio... Faltava menos tempo para as quatro horas.
*** Quando o sinal anunciou o fim das aulas, meu estômago deu um pequeno nó. Sofia me abraçou antes de ir embora.— Boa sorte.
— Não vou para uma guerra.
Ela fez uma careta divertida.
— Ainda não sabemos.
*** Cheguei à biblioteca cinco minutos antes do combinado. Como sempre. Escolhi uma mesa próxima à janela. Organizei meus livros. Meu notebook. Meu estojo. Meu planner.Às quatro em ponto... Lucas apareceu.
— Eu falei que ela não atrasava.
Sorri discretamente.
— Oi.
— Oi.
Ele sentou na cadeira à minha frente. Um minuto depois... Daniel entrou.
Os cabelos ainda estavam levemente bagunçados pelo capacete. Ele carregava apenas um caderno e uma mochila pequena. Parou ao lado da mesa. Olhou para tudo que eu havia espalhado. Depois olhou para a própria mochila.
— Acho que alguém trouxe material suficiente para todos nós.
Senti meu rosto esquentar.
— Eu gosto de me organizar.
Ele puxou uma cadeira.
— Eu percebi.
Antes que eu pudesse responder, Bianca chegou.
— Desculpem o atraso.
Todos olharam para ela.
— Você chegou no horário.
Ela sorriu.
— Eu sei. Mas achei educado pedir desculpas.
Lucas abafou uma risada.
*** Durante alguns minutos ficamos tentando decidir por onde começar. Até que Daniel resolveu quebrar o silêncio.— Então... Alguém sabe qual é exatamente o tema?
Abri a folha que o professor havia entregue.
— Precisamos desenvolver um projeto sobre impacto social através da tecnologia.
Lucas assobiou.
— Parece complicado.
— Não necessariamente.
Respondi.
— Podemos escolher um problema da comunidade e desenvolver uma solução tecnológica.
Daniel apoiou os cotovelos sobre a mesa.
— Tipo o quê?
Pensei por alguns segundos.
— Acessibilidade. Descarte de lixo. Educação. Mobilidade.
Bianca fez uma expressão de tédio.
— Isso parece trabalho de faculdade.
Daniel sorriu.
— Estamos quase lá.
Ela revirou os olhos. Foi a primeira vez que percebi que ele fazia piadas naturalmente. Não para aparecer. Mas porque parecia enxergar leveza onde todo mundo via tensão.
Passamos quase uma hora discutindo ideias. E, para minha surpresa... Daniel participava muito mais do que eu imaginava. Sempre que alguém sugeria alguma coisa, ele fazia perguntas. Pensava em soluções. Apontava problemas.
Em determinado momento, desenhou rapidamente uma estrutura no canto da folha. Olhei sem querer. Era um protótipo. Muito bem feito.
— Você desenhou isso agora?
Perguntei antes mesmo de pensar. Ele pareceu surpreso. Como se não esperasse que eu reparasse.
— Sim.
Peguei a folha. As linhas eram precisas. As proporções quase perfeitas.
— Você desenha muito bem.
Ele ficou alguns segundos em silêncio. Depois deu de ombros.
— É só um hobby.
Não era. Eu tinha certeza. Aquele desenho tinha qualidade demais para ser apenas um passatempo.
Lucas sorriu discretamente. Como se estivesse feliz por alguém finalmente notar aquilo.
***Quando saímos da biblioteca, já estava escurecendo. Lucas caminhava ao meu lado.
— Então?
Olhei para ele.
— Então o quê?
— Mudou de ideia sobre ela?
Pensei por alguns segundos. Mudei. Bastante. Achei que Helena fosse arrogante. Não era. Achei que fosse daquelas pessoas que corrigiam todo mundo. Também não. Na verdade... Ela ouvia muito mais do que falava. E, quando falava... Sempre tentava incluir a opinião de todos.
— Ela é legal.
Falei quase sem perceber. Lucas abriu um sorriso enorme.
— Eu gravei isso na memória.
Revirei os olhos.
— Não exagera.
— Você acabou de elogiar alguém. Isso merece registro histórico.
Ri. Talvez merecesse mesmo. Porque eu não costumava mudar de opinião sobre as pessoas tão rapidamente.
Mas Helena Albuquerque... Definitivamente não era quem eu imaginava. E, pelo jeito que ela olhou meus desenhos... Talvez eu também não fosse exatamente quem ela esperava encontrar.
Sem que nenhum de nós percebesse... A primeira barreira entre nossos dois mundos havia acabado de cair.
Olá… se você chegou até aqui, antes de qualquer coisa, eu quero te dizer obrigada.Obrigada por ter dedicado seu tempo a essa história, por ter se permitido sentir cada emoção, cada conflito, cada recomeço junto com a Helena e o Daniel. Se você leu até o final, é porque, de alguma forma, essa história te tocou — e isso, pra mim, vale mais do que qualquer coisa.E se você gostou dessa história… eu tenho um convite especial pra você.Tenho outros livros aqui na plataforma que também carregam intensidade, romance, conflitos e decisões difíceis — tudo aquilo que faz a gente virar a página sem perceber, e um deles é esse:Grávida do meu Chefehttps://www.goodnovel.com/book/Gr%C3%A1vida-do-meu-chefe_31001122800Vou te contar um pouco mais sobre a história para você conhecer o que te espera…Sinopse:Ela só queria comemorar o emprego dos sonhos.Ele só queria mais uma noite sem compromisso.Isadora é o tipo de mulher que não chegou onde está por acaso. Inteligente, determinada e extremamente
DEZ ANOS DEPOISHelenaSe alguém tivesse me contado, no meu primeiro dia do último ano da Academia Westbrook, que aquele garoto irritante, atrasado e convencido se tornaria meu marido, meu sócio e a pessoa com quem eu construiria uma família, eu provavelmente teria rido na cara dessa pessoa.Na época, Daniel Carter era praticamente tudo o que eu não suportava. E, ainda assim, dez anos depois, eu estava na nossa cozinha, numa casa espaçosa em um condomínio fechado, tentando organizar uma festa para comemorar os vinte e nove anos dele.A vida realmente tinha um senso de humor peculiar.— Helena, você colocou as bebidas na geladeira? — Daniel perguntou, aparecendo na porta da cozinha.Olhei para ele.— Coloquei.— E os aperitivos?— Também.— Os guardanapos?Pousei a colher que segurava.— Daniel.Ele parou.— O quê?— Se você fizer mais uma pergunta sobre a organização dessa festa, vou colocar você para lavar toda a louça sozinho.Ele abriu um sorriso.— Entendido, senhora Carter.Tente
HelenaEu costumava acreditar que os grandes momentos da vida vinham acompanhados de alguma coisa extraordinária. Uma conquista importante, uma notícia capaz de mudar tudo, uma decisão que dividisse o mundo entre o antes e o depois.Talvez por isso eu tenha demorado tanto para perceber que algumas das maiores mudanças aconteciam nos dias mais comuns.Naquela terça-feira, por exemplo, eu estava atrasada para uma reunião, Daniel tinha deixado uma caneca de café ao lado do meu notebook e havia uma pilha de roupas esperando para ser dobrada no sofá. Nosso apartamento continuava pequeno, a cozinha ainda era apertada para duas pessoas e a lista de tarefas domésticas presa à geladeira já precisava de outra atualização.Nada daquilo parecia extraordinário.Ainda assim, quando parei diante da porta para procurar minhas chaves e encontrei Daniel esperando por mim com a mochila sobre um ombro, tive uma sensação inesperadamente boa.Aquela era a nossa vida.Não uma viagem de verão, uma competição
HelenaSe alguém me perguntasse como tinham sido os primeiros três meses morando com Daniel, eu provavelmente responderia que foram maravilhosos. E seriam necessários apenas mais cinco minutos de conversa para eu admitir que também tinham sido caóticos.Porque ninguém me preparou para descobrir que o garoto que conseguia desmontar um mecanismo inteiro e montá-lo novamente com algumas melhorias não sabia preparar um jantar sem transformar a cozinha em uma zona de desastre.Nem que eu, a garota que organizava planilhas para tudo, descobriria que seguir uma receita não significava necessariamente conseguir reproduzi-la.Nosso primeiro problema doméstico apareceu na segunda semana.Era uma terça-feira, eu tinha passado a manhã em uma aula de análise de dados e ainda precisava terminar um relatório para o dia seguinte. Daniel havia chegado do laboratório pouco antes de mim e anunciado que prepararia o jantar.Quando entrei na cozinha, encontrei uma panela soltando fumaça, uma tábua coberta
HelenaPouco mais de uma hora depois, estávamos em uma loja de móveis. A primeira compra foi óbvia. Uma cama. Não a cama dos sonhos. Nem a mais bonita. Nem a mais cara. Uma cama confortável, com tamanho suficiente para os dois e que pudesse ser entregue ainda naquele dia.Depois vieram o colchão, dois travesseiros, roupa de cama e um cobertor.— Está ficando caro — falei enquanto conferia os valores.Daniel olhou para mim.— A gente sabia que ia acontecer.— Eu sei.— E nossas famílias estão ajudando.— Mesmo assim.Ele segurou minha mão.— Não estamos comprando tudo de uma vez.Eu sorri.— Certo.A próxima parada foi em uma loja de departamentos. Compramos o básico. Pratos. Copos. Talheres. Duas panelas. Uma frigideira. Produtos de limpeza. Toalhas. Papel higiênico. Sabão. Um cesto para roupa suja. E uma cafeteira que Daniel insistiu que era absolutamente necessária.— Você não sabe viver sem café?— Não.— Eu sabia.Ele colocou a cafeteira no carrinho.— Isso não é luxo.— É uma ne
HelenaVoltar para Londres depois das férias tinha uma sensação completamente diferente da primeira vez. Na primeira viagem, tudo era novidade. Agora, quando saímos do aeroporto, havia algo familiar naquela cidade. As ruas. O clima. Os prédios. A universidade. Os caminhos que já conhecíamos.Mas havia uma novidade. Uma que fazia meu coração acelerar cada vez que eu pensava nela.Dessa vez, não voltaríamos para o alojamento. Tínhamos duas semanas para encontrar um apartamento, resolver toda a documentação e começar uma nova fase juntos.Daniel puxava uma das malas enquanto eu segurava o celular com o anúncio salvo.— Ainda está no mesmo lugar — falei.— O apartamento?— Sim.Ele olhou para a tela.— Então vamos descobrir se as fotos mentiram.Ri.— Espero que não.***O primeiro apartamento foi justamente aquele que havíamos encontrado ainda no Brasil. Quando entramos, eu reconheci imediatamente a sala das fotos. A janela enorme ocupava praticamente toda uma parede. Havia uma pequena







