LOGINNa manhã seguinte, Beatriz acordou com a luz suave do sol entrando pela janela. Olhou ao redor, lembrando-se de que estava no refúgio de Davi. Ele não estava ao seu lado, e a ausência dele a fez se sentir inquieta.
Levantou-se e encontrou Davi na cozinha, com uma xícara de café na mão e um laptop aberto na mesa.
— Dormiu bem? — Ele perguntou sem tirar os olhos da tela.
— O melhor que pude, considerando tudo. — Ela se aproximou, espiando a tela. Ele estava analisando documentos e transações.
Davi virou o laptop em sua direção.
— Descobri algo. Esse é o contrato da transação suspeita. Se olharmos os detalhes, há cláusulas inconsistentes que mostram que alguém tentou falsificar minha assinatura.
Beatriz arqueou as sobrancelhas.
— E se conseguirmos provar que a assinatura foi forjada?
Davi sorriu, e pela primeira vez ela viu algo diferente nele: esperança.
— Exatamente. Mas precisamos agir rápido. Ricardo não vai parar por aqui. Ele já percebeu que você está do meu lado, e isso te torna um alvo.
Beatriz engoliu em seco, mas assentiu.
— Então vamos acabar com ele antes que ele acabe conosco.
Davi segurou sua mão com firmeza.
— Você tem certeza de que quer se envolver até esse ponto? Se ficarmos juntos nisso, não tem mais volta.
Ela olhou dentro dos olhos dele, encontrando ali não apenas perigo, mas uma verdade intensa. Uma verdade que ia além dos negócios e do medo. Era sobre eles dois. Sobre algo que, mesmo sem perceber, já estava selado entre eles.
— Eu já estou envolvida, Davi. Agora, é até o fim.
Ele sorriu, e naquele momento, Beatriz soube que não havia mais volta. Estava prestes a entrar em um jogo perigoso, mas dessa vez, não estava sozinha.
Beatriz e Davi passaram o dia estudando os documentos fraudulentos. A cada nova evidência que encontravam, a tensão aumentava. Eles tinham em mãos a prova de que Ricardo Vasconcelos havia falsificado assinaturas e manipulado contratos para incriminar Davi. Mas provar isso ao mundo seria um desafio.
— Precisamos de alguém dentro da empresa que possa confirmar essas alterações — disse Beatriz, mordendo o lábio enquanto analisava um e-mail suspeito.
Davi assentiu, os olhos fixos no laptop.
— Tenho um contato no setor jurídico que pode nos ajudar. Mas precisamos ser discretos. Se Ricardo souber que estamos investigando isso, ele pode agir antes.
Beatriz sentiu um arrepio percorrer sua espinha. O perigo nunca pareceu tão real quanto agora.
Naquela noite, enquanto tentavam traçar um plano, um barulho do lado de fora os alertou. Davi se levantou rapidamente, pegando uma arma do fundo de uma gaveta.
— Fique aqui — ordenou, com os olhos duros.
Beatriz segurou a respiração, o coração acelerado. O som de passos do lado de fora da casa a fez perceber que estavam sendo observados. Davi saiu pela porta lateral, desaparecendo na escuridão da noite.
Os segundos se transformaram em minutos intermináveis até que ele retornasse. Quando ele apareceu, seus olhos estavam mais frios do que nunca.
— Temos que sair daqui. Agora.
Davi e Beatriz entraram apressadamente no carro, e ele acelerou, deixando para trás o refúgio que já não era mais seguro. A estrada escura parecia interminável, e o silêncio no veículo era carregado de tensão.
— O que aconteceu? — ela perguntou, finalmente, incapaz de conter a angústia.
— Encontraram a gente. Vi um dos capangas de Ricardo rondando a casa. Isso significa que ele sabe que estamos investigando.
Beatriz sentiu um nó na garganta. Eles estavam jogando um jogo perigoso, e agora, qualquer movimento errado poderia custar suas vidas.
O celular de Davi vibrou, e ele o pegou rapidamente. Ao ver o nome na tela, xingou baixinho antes de atender.
— Fale logo. — Sua voz era dura.
Do outro lado da linha, uma voz grave respondeu:
— Você não pode mais se esconder, Bernardes. Ricardo quer acabar com você. E se eu fosse você, tomaria cuidado com a senhorita Beatriz. Ele sabe sobre ela.
A ligação caiu, e Davi apertou o volante com força.
— O que foi? — Beatriz perguntou, já sabendo que não era nada bom.
Davi a olhou nos olhos, e pela primeira vez, o medo estava ali. Ele não tinha medo por si mesmo. Ele tinha medo por ela.
— Agora, eles estão atrás de você também
Queridas leitoras,Chegar até aqui foi uma jornada intensa, cheia de reviravoltas, emoções e momentos inesquecíveis. Cada palavra escrita foi com o coração, pensando em vocês, que acompanharam essa história com tanto carinho e dedicação.Espero que tenham se emocionado, vibrado e sentido cada capítulo como se estivessem ao lado de Beatriz e Davi. Nada disso teria sentido sem vocês.Se essa história tocou seu coração, peço que deixem sua avaliação e compartilhem suas opiniões. Seu feedback é essencial para que mais pessoas conheçam essa jornada e para que eu continue trazendo histórias que emocionem e cativem.Obrigada por cada página lida, por cada emoção compartilhada. Essa história é nossa!Com carinho, Nathy
Epílogo: O Retorno para CasaO sol brilhava forte no céu azul, refletindo nas águas calmas do lago. Beatriz sentia o vento suave contra o rosto enquanto caminhava pela varanda da casa no interior. A brisa trazia consigo o som das risadas infantis, e seu coração se aqueceu ao ouvir aquelas vozes que tanto sonhou em reencontrar.— Mamãe! — Um garotinho de cabelos escuros correu em sua direção, os olhos brilhando de alegria.Ela se abaixou, envolvendo o filho em um abraço apertado, inalando o cheiro doce e familiar que sentia tanta falta. Um ano havia se passado desde que Davi e ela precisaram desaparecer para garantir a segurança de todos. Foram meses difíceis, solitários, mas agora estavam ali. De volta.— Sentiu minha falta, meu amor? — Ela perguntou, beijando a testa do pequeno.— Todo dia! — Ele respondeu, apertando os bracinhos ao redor do pescoço dela.Beatriz ergueu o olhar e viu Davi parado a poucos metros, observando a cena com um sorriso terno. Nos braços dele, a filha mais no
A tensão ao redor da fogueira era palpável. O nome Gabriel Vasquez pairava no ar como um fantasma. Todos ali sabiam que enfrentá-lo seria diferente de qualquer outra batalha que haviam travado.Helena foi a primeira a quebrar o silêncio.— Se vamos atrás dele, precisamos ser estratégicos. Não podemos simplesmente aparecer na porta dele e esperar vencer.Davi assentiu, os olhos sombrios. Ele estava cansado, mas sua determinação era inabalável.— Gabriel tem segurança privada de elite e uma rede de contatos que pode fazer qualquer um desaparecer sem deixar vestígios. Precisamos de informações. Saber onde ele está, quem são seus aliados mais próximos e qual é sua fraqueza.Beatriz olhou para o mapa improvisado que Samuel havia desenhado na terra com um galho. Haviam poucos detalhes, mas era o começo de algo.— Conhecemos alguém que pode nos ajudar. — Disse Fernando, cruzando os braços. — Um antigo contato meu. Ele já trabalhou para Vasquez e conhece bem o sistema interno da organização.—
A floresta ao redor parecia se fechar sobre eles, sombras se alongando a cada passo enquanto avançavam pela trilha estreita. O som da batalha ainda ecoava ao longe, mas Beatriz sabia que não podiam parar. O sangue quente em suas mãos, misturado à dor latejante do ferimento no ombro, era um lembrete cruel do que estavam enfrentando.Davi tropeçou, seu corpo cedendo por um segundo. Beatriz o segurou, seus braços tremendo pelo esforço de mantê-lo de pé.— Estamos quase lá. — Ela sussurrou, tentando convencê-lo, e a si mesma, de que havia um fim para aquela fuga.O silêncio foi rompido por um estrondo ensurdecedor.Uma explosão iluminou o céu atrás deles, um clarão laranja devorando parte da floresta. Helena, Samuel e Fernando ainda estavam lutando. Mas por quanto tempo mais conseguiriam resistir?Beatriz apertou os olhos, tentando ignorar o desespero que ameaçava sufocá-la.— Temos que voltar! — Davi disse entre dentes, tentando se afastar dela.Beatriz segurou seu rosto, os olhos ardend
O som das folhas sendo esmagadas sob os pés apressados dos perseguidores ecoava na noite. Beatriz sentia a pulsação em seus ouvidos, e sua respiração acelerada se misturava ao ar frio da floresta. Helena liderava a corrida, Samuel vinha logo atrás, enquanto Fernando e Beatriz ajudavam Davi a continuar.— Não temos tempo! — Fernando gritou. — Eles vão nos alcançar!O rio surgiu à frente, serpenteando como um abismo prateado sob a luz pálida da lua. As águas eram agitadas, a correnteza forte e traiçoeira. Beatriz hesitou apenas por um segundo. Era um risco. Mas ficar e lutar era uma sentença de morte.Helena foi a primeira a pular, desaparecendo nas águas escuras. Samuel seguiu logo depois, grunhindo de dor ao sentir o impacto da correnteza contra seu corpo ferido. Fernando olhou para Beatriz e Davi.— Precisamos ir! — Ele insistiu.Beatriz puxou Davi para si, seus olhos encontrando os dele. Por um instante, tudo ao redor pareceu se dissolver. Apenas os dois existiam naquele momento. O
O ranger da porta ecoou pelo casebre como um prenúncio do inevitável. Beatriz sentiu o coração martelar no peito, os dedos suados apertando a faca. O primeiro invasor entrou cauteloso, seus olhos analisando cada canto da cabana, a arma pronta para disparar ao menor sinal de resistência.Atrás dele, mais três homens seguiram, avançando com precisão. O líder, um homem de olhar cruel e cicatrizes marcando o rosto, ergueu a mão, sinalizando para os outros se separarem.— Estão aqui. — Ele murmurou, a voz carregada de certeza. — Matem todos, exceto Davi. Quero ele vivo.Beatriz sentiu o sangue gelar. Eles ainda queriam Davi, e isso só significava uma coisa: ele era a chave para algo maior.A tensão era sufocante. Helena manteve-se agachada atrás da mesa virada, os dedos firmes no gatilho da espingarda. Samuel segurava o revólver com a respiração controlada. Fernando, com a faca escondida na manga, aguardava o momento certo para atacar.Um dos invasores deu mais um passo. Foi a deixa que pr







