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Seis

Autor: Ellen Souza
last update Fecha de publicación: 2024-01-08 16:28:15

RAEL

Porra, cara, aquilo foi a gota d'água, papo reto mesmo.

De todas as humilhações sofridas, essa foi a pior, pô. E o pior de tudo, foi na frente da minha princesa.

Fiquei com o coração na mão quando ela me perguntou se a gente iria morar na rua, parceiro. A pergunta doeu pra caramba. Quase não consegui responder, papo de ter formado um nó na garganta nessa hora.

— Eu vou dar um jeito, meu amor — apertei ela em meus braços, deixando minhas lágrimas molharem seu cabelo loiro.

Ela agarrou o meu pescoço e deitou a cabeça no meu ombro, molhando toda a minha camisa com as suas lágrimas.

Ajeitei ela no meu colo e levantei da calçada enxugando minhas lágrimas com as costas da mão que estava livre.

O Sorriso estava esquina esperando o Rico, e enquanto ele não chegava eu fui juntando todas as minhas roupas e da Rita que estava no guarda-roupa que tinha sido largado no meio da rua.

Coloquei tudo que pude dentro da minha única mochila, e as roupas que sobraram da Rita coloquei na bolsinha dela.

Peguei pente, perfume, algumas outras coisas e a boneca que a mãe dela deu de presente no último aniversário antes de ir. Ela não conseguia dormir sem a boneca, era uma parte da mãe dela ali com ela.

— Porra, irmão! Tu não me fala nada né, caralho! Eu tinha bancado o aluguel até tu conseguir algum trabalho aí — Rico já chegou falando à beça.

Pra quê eu iria falar, cara? Bagulho de depender dos outros é maior feião. Eu detestava.

— Tu sabe, cara. Não gosto de depender dos outros — falei ainda com a voz trêmula de tanto chorar, e ele negou chateado.

— Eu não sou os outros não, cara. Sou teu irmão, o que tu precisar é só falar. Tiro do meu pra te dar, tu sabe — me abraçou e eu retribui.

O carro que o Rico chamou chegou pra pegar os móveis, e os soldados foram ajudar a colocar tudo dentro do carro.

Depois de tanto chorar a Rita acabou dormindo nos meus braços. Deixei ela com o Sorriso e fui ajudar terminar de carregar a carro com os móveis que não eram muitos.

— Carla é a maior filha de um puta, mané. Ainda pego essa velha na porrada — Neguinho chegou possesso de raiva. A dona Carla era tia dele, e na infância fez ele comer o pão que o diabo amassou na mão dela.

— Não vale a pena, parceiro. Deus tá providenciando o dela — falei cansado pegando minha mochila na calçada e ele negou.

— Só vou ter sossego quando eu enxugar minhas mãos naquela cara de piranha dela — ajeitou o fuzil na bandoleira.

— Faz isso fora daqui. Mesmo ela merecendo, eu não tolero agressão contra mulher na minha área — o Rico falou e pegou a Rita dos braços do Sorriso — Bora, Rael, tu vai ficar lá em casa enquanto tudo se resolve — falou e já foi metendo o pé.

Não tive nem chance de negar, parceiro, só fui seguindo ele.

— Eu já resolvi — falei enquanto andava ao lado dele — Vou entrar pro movimento pô, só estava esperando pra falar com tu — cocei a cabeça e ele parou me encarando sem reação.

— Se é o que tu quer, e tá precisando... Não vou me meter, tu tem meu apoio aí. Pode contar comigo, irmão. Sempre. — fez toque comigo, e um sorriso de esperança surgiu em meus lábios.

Eu nem precisei agradecer, pô. Só de olhar pra mim ele já entendeu. Papo de amizade verdadeira, tá ligado? O que tu sente o outro já sabe sem ao menos precisar das palavras.

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Último capítulo

  • Envolvido | Livro 01   Epílogo

    RAELDepois de ter passado boa parte da festa com a Clara e ter recebido felicidades de todos alí, eu consegui sair para agradecer.Eu poderia esperar para ir a uma igreja, ou até mesmo esperar que a festa acabasse e só agradecesse quando fosse dormir. Mas eu precisava mesmo fazer isso agora.Sai da casa pela porta da frente e dei a volta no jardim, subindo as escadas para a laje. Tava de tardezinha já. Um por do sol maneiro até e eu fiquei alí, só recordando tudo o que aconteceu comigo durante todos esses anos.Eu costumo dizer que se você perde algo é porque aquilo não era pra ser teu. Não vou mentir não, eu senti pra caralho quando perdi a Renata e o meu filho. Mas se o cara lá de cima quis daquele jeito, teve que ser. E eu ainda tinha a Rita, foi por ela que lutei para sobreviver. Me mantive forte e focado em cuidar dela, por isso qualquer bagulho que aparecia, eu encarava. Ia lá batalhar só pra ela não passar fome, assim como eu passei um dia. Foi tudo por ela.Quando fizeram aqu

  • Envolvido | Livro 01   Setenta e sete

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  • Envolvido | Livro 01   Setenta e três

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