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Capítulo 3

Autor: Bia Almeida
last update Data de publicação: 2021-09-03 21:52:38

ENZO

Corro pelo parque como faço quase todas as manhãs, acompanhado de dois soldados, Dante e Assis, os gêmeos. Correr e me manter em forma faz parte do meu treinamento. Muitas vezes enfrento homens tão fortes quanto eu, preciso sempre estar preparado. Aumento o ritmo da corrida, abandonando algumas pessoas e deixando meus homens para trás. Eles resmungam, e sorrio.

— Vocês parecem umas donzelas — digo. Os gêmeos fecham a cara, rio alto. No caminho de volta, uma mulher vem correndo em nossa direção. Ela corre como estivesse fugindo, a todo tempo olha para trás. Seu semblante parece o de uma pessoa atordoada. Propositalmente, não me afasto quando percebo que ela vai me atropelar. Seu corpo de curvas perfeitas vem de encontro ao meu.

— Olha por onde anda — digo. Seus olhos estão arregalados, sua mente trabalha por alguns segundos. Observa meu rosto atentamente, faço o mesmo com ela. Ela tenta se soltar, mas mantenho-a presa por mais um pouco.

— Por favor, não me machuque — ela pede com os olhos arregalados. A linda mulher de cabelos da cor do sol, que está preso em um rabo de cavalo, demostra medo, algo em sua mente a apavora. Para que ela saiba que não a machucarei, solto seu pulso. Ela se afasta com seus olhos sobre os meus e corre, retornando de onde veio. Fico alguns minutos parado, sem entender o que aconteceu.

— Que mulher gostosa! — os gêmeos dizem em uníssono. Não sei por que, mas não gosto; minha reação é grunhir para eles. Volto a me movimentar, mas dessa vez caminho em vez de correr. Meu cérebro trabalha naquela garota. Do que ela estava fugindo? 

Assis diz uma das suas bobagens e nós três rimos, por um breve momento me esqueço da bela garota assustada. Ouço uma voz bem distante pedindo socorro e acelero meus passos. A um metro de distância, vejo-a sendo arrasta por um homem negro de altura mediana. Corro em sua direção. Pego o homem pela camisa e o arremesso longe. Os gêmeos vão até ele, enquanto pego a linda mulher em meus braços; ela está praticamente desacordada. Dois tiros são disparados, seus olhos se fecham. Os gêmeos retornam.

— Tudo resolvido — dizem sorrindo. Logo depois, o riso dá lugar a preocupação quando eles notam a desconhecida desmaiada em meus braços.

— Ela morreu? — Dante pergunta, apreensivo. Digo que não, que ela está respirando. Ordeno que peça ao meu motorista para que venha ao meu encontro, não posso andar pelo parque com ela desacordada em meus braços. Em poucos minutos, meu motorista chega, e entro com a desconhecida no carro.

— Para o hospital mais próximo.

Os gêmeos retornam para a entrada do parque onde eles deixaram o carro. Entro com ela no hospital, e a recepcionista a reconhece.

— Doutora Vitalle? Dio mio, o que aconteceu? — rapidamente ela é colocada em uma maca e é levada para dentro do hospital. A enfermeira pergunta o que houve, digo que a encontrei desacordada no parque e a trouxe para o hospital. Não posso dizer o local exato antes que meus homens façam a limpeza, a morte desse maledetto não pode ser associada a mim.

— Qual é o nome dela? — pergunto curioso.

— Ela é a doutora Kiara Vitalle, trabalha nesse hospital. Estou grata pelo que fez por ela.

Sorrio. Kiara Vitalle, bom saber. Aceno com a cabeça e me retiro. Não tenho mais o que fazer nesse lugar. Do lado de fora, os gêmeos e meu motorista estão me aguardando. Sigo para casa com a imagem da Kiara em meus pensamentos.

**********

— Chefe?

Porra, não prestei atenção em nada que eles disseram. Não é uma boa hora para essa reunião, Kiara não sai dos meus pensamentos. Encerro a reunião, pego minha carteira, celular e minha chave, deixo meu escritório no clube e vou para o hospital.

Na recepção do hospital, pergunto por Kiara. A recepcionista me reconhece e libera minha entrada, como se ela fosse conseguir me impedir. Com a informação do quarto em que está, pego o elevador e sigo para o segundo andar. Em seu quarto, tem mais dois leitos. Não gosto disso, ela teria que estar em um quarto particular. Aproximo-me de sua cama, ela está dormindo.

Observo-a dormir. Seu rosto está um pouco inchado, e a cabeça enfaixada. Apesar dos hematomas, consigo ver sua beleza. Sua pele clara é perfeita. Uma enfermeira entra no quarto e verifica os medicamentos que estão sendo administrados diretamente na sua corrente sanguínea.

— Como ela está? — pergunto.

— A doutora Vitalle está melhorando. Ela teve uma concussão cerebral, por isso ficou desacordada por algum tempo. Ela está sendo medicada com remédio para dor. Levou muitas pancadas, por isso o doutor achou melhor a induzir a um coma de um dia para que, quando ela acordar, a dor tenha amenizado.

A enfermeira se retira, e fico perto do seu leito. Por impulso, mexo nas mechas de cabelo espalhadas no travesseiro. Seu cabelo é macio e sedoso. Um casal na faixa dos cinquenta anos entra no quarto.

Dio mio, Kiara, minha filha. — A mulher, que agora sei ser sua mãe, diz e começa a chorar. Seu acompanhante a abraça, consolando-a.

— Ela vai ficar bem — ele diz e beija sua cabeça. Penso no que estou fazendo aqui, o que me trouxe aqui? Enquanto os dois observam Kiara, caminho para a porta. O senhor me chama.

Figlio, desculpe. Nós entramos e não o cumprimentamos. Perdoe-nos, é que ficamos assustados quando ficamos sabendo do que aconteceu com a nossa figlia. Nós estávamos em outra cidade, por isso que chegamos agora. Você é amigo da dela?

— Eu não…

Não consigo concluir, porque uma enfermeira que não lembro de ter visto antes entra no quarto e diz aos pais da Kiara que eu que a encontrei desacordada e a trouxe para o hospital.

— Muito obrigada, mio figlio, se não fosse você… Não quero nem pensar. — A madre da Kiara me abraça e chora com a cabeça em meu peito. O padre dela aperta minha mão e me dá um abraço assim que sua mulher me solta. O meu plano de entrar e sair sem que alguém da sua família me visse foi por água abaixo. Eles pedem que eu conte o que aconteceu. Fico na dúvida, não sei se Kiara me viu tirando o homem de cima dela. Acho melhor dizer a verdade, ocultando algumas partes, é claro.

— Estava caminhando com meus seguranças quando ouvi um pedido de socorro, corri e a vi no chão sendo arrastada por um homem. Tirei-o de cima dela, na mesma hora ela desmaiou. Meus seguranças foram atrás dele, mas não encontraram. Ele sumiu no meio da mata.

Dio mio, Guido, se não fosse esse rapaz nossa filha estaria morta — a mãe dela choraminga.

— Não sei como te agradecer, figlio.

— Não precisa, o importante é que ela fique bem — declaro.

— Me perdoe a falta de educação, qual é o seu nome?

— Enzo, Enzo Mancinni.

Observo Kiara mais uma vez antes de ir embora. No caminho, tento entender por que vim vê-la. Por que não consigo parar de me preocupar?

Sobre o corpo inerte da minha esposa, prometi não mais me envolver emocionalmente com mais ninguém. Desde seu falecimento, venho fodendo mulheres sem compromisso, nossos encontros são apenas para nosso prazer. Tenho evitado foder diversas vezes a mesma mulher para não me apegar e ter minha vida virada de cabeça para baixo outra vez. Tenho que me afastar da Kiara, nunca mais vou deixar uma mulher foder de novo com minha vida. 

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Último capítulo

  • Enzo - Série Família Mancinni 3   Epílogo

    KIARA— Meu Deus, Enzo, está querendo me matar? — digo tirando a água do meu rosto e batendo no meu ouvido. Ele quase me matou afogada. Exagero. Estamos feito dois adolescentes brincando de afogar um ao outro, porém, um pouco de drama é bem-vindo.— Te machuquei, amor? Desculpa.Aproveito sua preocupação e afundo sua cabeça. Tento fugir antes que ele se levante, mas ele segura minhas pernas. Quando menos espero, ele sai da água e prende meu corpo junto ao seu. Meu marido me suspende e beija descaradamente entre meus seios. Marido, amo dizer isso.— Enzo por favor, alguém pode…Não consigo concluir, porque ele desliza meu corpo para baixo e saqueia minha boca. Sua mão busca o cós do meu biquíni e envolve meu monte com movimentos leves. O som do meu gemido sai abafado em sua boca. Ele interrompe nosso beijo, praticam

  • Enzo - Série Família Mancinni 3   Capítulo 42

    KIARANunca pensei que um dia que fosse amar alguém como Enzo. Estar ao seu lado é como descobrir um mundo novo a cada dia, mundo esse que tem partes que eu preferia que não existissem, mas para estar com ele, tive que adquirir o pacote completo. Para minha surpresa, não interfere na nossa relação. Estou aprendendo a lidar aos poucos com tudo que ele tem para me oferecer.Ainda estou digerindo o que ele me contou sobre o John, nem nos meus melhores sonhos poderia supor que ele trabalhava para a máfia e que queria matar o Enzo, pior, usando-me como cobaia. Não consegui sentir nada quando Enzo disse que tirou a vida dele. Ainda estou trabalhando isso dentro de mim, mas não de uma forma condenatória; sei que Enzo fez isso para se proteger, nos proteger. Mesmo assim, é muita coisa para assimilar.Acabei de chegar em Roma. Mal entrei na mansão, Perla e Nina me arrastaram

  • Enzo - Série Família Mancinni 3   Capítulo 41

    ENZOAterrissamos em Roma pela manhã. Chegamos na mansão famintos e cansados da viagem, somado à adrenalina. Entramos na mansão. Ela está silenciosa, todos devem estar dormindo por conta da festa. Comemos feito verdadeiros animais, praticamente zeramos a cesta de pão, os bolos e a maioria das frutas. Pietro vai para casa, Enrico e eu seguimos para nossos quartos.Tomei banho e troquei de roupa no avião para tirar o cheiro e os vestígios de sangue do meu corpo. Ao entrar no quarto, retiro minha roupa. Fico apenas com a minha cueca boxer preta. Antes de me deitar ao lado da minha pequena, fecho as cortinas, me aconchego ao seu lado e, mesmo dormindo, ela junta seu corpo ao meu. Seu cabelo, que está uma bagunça, tampa meu rosto. Retiro-o com cuidado para não a acordar. Beijo sua cabeça e deixo que o cansaço me domine, logo adormeço.Acordo e a ca

  • Enzo - Série Família Mancinni 3   Capítulo 40

    ENZOAssis me passou as coordenadas do local onde o maledetto do americano está reunido com seus comparsas. Nossos homens já estão no local, aguardando nossa chegada. Ainda não entendi o motivo do envolvimento do americano, sei que não tem nada a ver com a Kiara. Meus instintos me dizem que está relacionado ao ataque que fizemos ao clube onde trabalhavam escravas sexuais em Nova Iorque, porém, o que o John tem a ver com isso?Desde o dia que minha pequena saiu para almoçar com o doutor de merda, mantivemos dois homens de tocaia, Adamo e Damiano, os melhores quando se trata de espionagem. Em um vacilo da segurança do galpão, Damiano conseguiu acessá-lo. Nele encontrou todo o planejamento para o ataque ao meu clube, fez boas imagens.Por um instante, meus pensamentos me levam à minha uccello. Queria estar com ela em meus braços agora. Algo mud

  • Enzo - Série Família Mancinni 3   Capítulo 39

    ENZO— Desculpe se eu a decepcionei — Giovanni diz, e Kiara relaxa os ombros. Eles sempre ficam tensos quando ela sente medo ou se sente acuada.— Perdoe-me, pensei que fosse meu namorado.— Lógico que uma mulher tão linda como você tem namorado — diz como estivesse decepcionado. Ela sorri sem muita vontade. — Se incomoda se eu me sentar aqui — ele aponta para o sofá — e esperar com você? É que não estou me sentindo bem.— Dio mio! — ela diz. Seu instinto de médica faz com que ela coloque sua bolsa em cima da mesa para cuidar de um provável paciente. — Posso verificar sua temperatura? Ele meneia a cabeça e ela verifica seu pulso. Põe as costa

  • Enzo - Série Família Mancinni 3   Capítulo 38

    KIARAAcordo e não encontro meu moreno. Vou ao banheiro, desfaço-me das minhas roupas e entro debaixo do chuveiro. Lavo meus cabelos, enxáguo e fico um bom tempo debaixo da água quente, pensando se meu plano vai dar certo, se devo agir sem saber se realmente Enzo me ama, se ele vê um futuro ao meu lado. Tenho medo de que, no momento em que eu me ajoelhar na sua frente e o pedir em casamento diante de todos, ele não reaja como espero.Ao terminar de me arrumar, ouço uma batida na porta e logo em seguida ela se abre. São Nina e Perla. Pelos sorrisos em seus lábios, estão aprontando alguma coisa.— Cunhada, amanhã faremos uma festa.— Festa?— Sim. Não é bem uma festa como meu sogro costuma fazer, é uma reunião de amigos, com meu irmão de coração, Giovanni, que quero muito que você conhe&cce

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