FAZER LOGINMeio mês depois, a sentença foi anunciada.Felix foi condenado à morte. A minha mãe foi condenada à prisão perpétua.Talvez porque a vingança estivesse completa, minha alma finalmente se sentiu livre. Agora eu podia ir aonde quisesse, sem mais estar preso ao lado da minha mãe.Naqueles dias finais, Felix foi consumido pelo medo da morte. Todo dia, a comida trazida pelos guardas era derrubada no chão. Em apenas uma semana, ele visivelmente emagreceu muito.Se fosse antes, meus pais e Ashley teriam o coração partido. Mas agora, ninguém foi visitá-lo.No dia da execução, eu pairei no ar em silêncio e observei. No momento em que ele morreu, a alma dele saiu do corpo igual à minha tinha saído.Ele me encarou em terror. — Sean, me desculpa. Eu sei que errei. Por favor, não me mata. Não me mata...Eu ri. — Você já não está morto?Ele olhou pro próprio corpo sem vida e gritou. A alma dele se dispersou.Só eu, outro espírito, conseguia ouvi-lo.Ver aquele que me matou desaparecer de v
Sabendo da verdade, meus pais e Ashley olharam pro Felix incrédulos. Um silêncio pesado tomou conta de todo mundo.Quando a minha mãe finalmente voltou a si, ela avançou e agarrou a roupa do Felix com força. — Felix Goodman, seu assassino! Como você foi capaz de matar o próprio irmão?Quanto mais ela falava, mais se exaltava. Ela ergueu a mão querendo bater nele, mas foi detida na hora pelos policiais.Foi a primeira vez em todos esses anos que eu vi a minha mãe levantar a mão pra ele.Percebendo que as coisas tinham chegado a um ponto sem volta, Felix soltou uma gargalhada maníaca antes de olhar pra ela, os olhos completamente vazios de qualquer afeto.— Eu sou cruel? Aprendi com você. Sou assassino? E você, que chamou todos os médicos pro meu quarto naquele dia, impedindo que ele recebesse a cirurgia de emergência que precisava? Se não fosse por você, como eu teria conseguido matá-lo tão fácil?As palavras de Felix se cravaram no coração da minha mãe como uma faca. O corpo dela
Unos dias depois, talvez por remorso, a minha mãe organizou um velório razoável pra mim.Além de alguns parentes e amigos, alguns médicos do hospital dela também compareceram.A enfermeira que tinha tentado me ajudar também estava lá. Ela se aproximou do meu túmulo com um buquê de flores e disse: — Me desculpa. Se eu tivesse sido mais corajosa naquela hora, talvez você ainda estivesse aqui.De todas aquelas pessoas, ela foi a única que tinha me ajudado de verdade. E também a única que pediu desculpa.Já a minha mãe não demonstrou remorso nenhum. Em vez de se desculpar, ficou me criticando, como se isso pudesse lavar a culpa dela: — O Sean sempre foi uma criança difícil. Ele não conseguia superar o passado e vivia tentando machucar o irmão. Dessa vez ele pagou o preço.Todo mundo presente sabia o quanto ela era parcial com o Felix. Também tinham plena consciência das injustiças que eu tinha sofrido ao longo dos anos. Mas ninguém queria arrumar encrenca, então fingiram consolá-l
Cedinho, a minha mãe pulou o café da manhã e foi direto pro hospital. Meu pai ficou preocupado com ela e foi junto.No caminho, a minha mãe não parava de reclamar pro meu pai que iam desperdiçar mais uma viagem. Mas no momento em que viu meu corpo no necrotério do hospital, ela tropeçou pra trás de horror.Ela desabou contra a parede, abraçando a si mesma. — Como pode? Como foi que aconteceu isso? Lembro claramente que os ferimentos dele não eram tão graves. Ele parecia estar bem.Era verdade que meus ferimentos eram difíceis de notar. Fora alguns arranhões no braço de quando eu tinha protegido o Felix, por fora eu parecia inteiro.Mas foi exatamente porque eu virei o corpo pra proteger o Felix durante o impacto que absorvi toda a força da batida, e isso rompeu meu coração.O motivo pelo qual eu parecia bem era que, conforme os órgãos foram falhando, meu corpo foi inundado de adrenalina.Como diretora de hospital, a minha mãe tinha conhecimento médico de sobra pra perceber os sin
A minha mãe congelou de choque ao ouvir as palavras da enfermeira.Sem conseguir acreditar, ela tentou se lembrar do acidente naquele dia, franziu o cenho e disse com convicção: — Impossível. Ele estava no mesmo carro que o Felix, e o Felix já teve alta. Como ele poderia estar tão grave?— Não acha que consigo enxergar as manobras dele. Ele só tá tentando competir com o Felix por atenção, querendo que eu fique preocupada com ele.— Estou avisando vocês dois — parem com essa encenação ridícula! Caso contrário, não vai acabar bem pra nenhum de vocês!Vendo que a minha mãe não ia acreditar de jeito nenhum, a enfermeira suspirou. — Dona Blanchard, eu realmente não estou mentindo. Se não acredita, vá ao necrotério e veja por conta própria.A minha mãe começou a ficar agitada. Ela andava de um lado pro outro no quarto, os passos pesados e desesperados. — Vocês estão se unindo pra me enganar. Não sabem com quem estão mexendo!Antes que a enfermeira pudesse responder, a minha mãe desli
Mal chegaram em casa, Felix jogou o corpo no sofá. No momento em que disse que estava com fome, Ashley correu animada pra cozinha, empolgada pra mostrar as habilidades culinárias que tinha desenvolvido recentemente.Ela, que normalmente era delicada demais pra cozinhar, agora ficava rolando o celular atrás de cardápios nutritivos, com medo de fazer o Felix passar mal.Meu pai apareceu com o videogame de última geração mais caro do mercado, dizendo que era um presente de boas-vindas pra comemorar que ele tinha escapado da morte.A minha mãe já tinha limpado o quarto do Felix de cima a baixo e enchido de plantas purificadoras de ar, dizendo que o ar fresco fazia bem pra recuperação.Felix ficou largado no sofá jogando. Mesmo assim, era o suficiente pra mexer com o coração da família inteira.Enquanto isso, minha alma os seguia em silêncio. Aquela casa, antes tão familiar, agora parecia gelada.De repente, o interfone tocou. Na porta estava alguém que eu conhecia muito bem — minha n



