MasukQuando Soren se deu conta, Nina já tinha seguido em frente, sem hesitar.Ele apertou o maxilar e apressou o passo para alcançá-la, baixando a voz:— Nina, o vovô está esperando a gente lá dentro. Só peço que você não me coloque em uma situação constrangedora durante o jantar.— Constrangedora? — Nina não diminuiu o ritmo. Seu rosto permanecia impassível. — Soren, quando você resolveu usar a segurança da Luiza como moeda de troca, por que não pensou na vergonha que estava me fazendo passar?As palavras atingiram Soren em cheio, e sua expressão endureceu por um instante.Ele havia sido capaz de chegar àquele extremo. Para Nina, que crescera cercada de privilégios, aquilo só o tornava ainda mais desprezível.Soren estava prestes a responder quando a porta do salão principal se abriu, e Joyce apareceu com um sorriso acolhedor:— Vocês chegaram! Entrem! Está ventando muito aqui fora.A expressão fria de Nina se suavizou ligeiramente. Ela inclinou a cabeça em cumprimento:— Oi, Dona Joyce.E
Soren deixou o celular sobre o console central e fechou os olhos por um instante, tentando afastar as dúvidas que Osvaldo havia despertado.Pelo menos, naquele momento, sua decisão ainda parecia ter sido a mais acertada.Por enquanto, ele ainda mantinha sob controle tudo o que conquistara.Logo, o carro entrou no condomínio Residências Brisa Serena e reduziu a velocidade até parar diante do portão de ferro trabalhado.Bryan desceu para tocar a campainha.Quando a empregada abriu o portão, Soren ajeitou o nó da gravata, alisou o paletó e conferiu os punhos da camisa. Só depois entrou.Naquele horário, Nina ainda estava terminando o almoço.A mesa ainda estava posta, e a empregada recolhia os pratos.Nina vestia um vestido de veludo verde-escuro, com uma echarpe no mesmo tom sobre os ombros. O cabelo estava preso em um coque impecável, e os brincos de esmeralda reluziram sob a luz, conferindo-lhe um ar sofisticado e distante.Ela transmitia elegância e serenidade em cada gesto, mas seu o
No dia do jantar de família, o tempo amanheceu surpreendentemente bom.Soren saiu da empresa meia hora mais cedo. Quando o sedã preto deixou a garagem subterrânea, Bryan, no banco do passageiro da frente, lhe estendeu uma pasta com documentos, mas Soren recusou com um gesto:— Hoje eu não vou falar de trabalho.Ele se recostou no banco de trás e fechou os olhos, tentando descansar, mas os dedos, apoiados sobre os joelhos, se contraíam e relaxavam involuntariamente.O carro tinha acabado de entrar na via principal quando o celular tocou.No visor, apareceu uma sequência de números tão estranha que mais parecia um código aleatório do que um número de telefone.A primeira reação de Soren foi recusar a ligação. Mas, por impulso, acabou atendendo.Ele não falou nada de imediato.Do outro lado, surgiu uma voz rouca e pausada, com um timbre sombrio, quase fúnebre:— Sr. Soren, estes últimos dias têm sido agradáveis para você, né?Soren reconheceu a voz na hora: era Osvaldo.Ele não tentou neg
Soren não pretendia contar a verdade. Pelo menos, não naquele momento, nem mesmo ao próprio avô.— Vovô, não precisa se preocupar com esses detalhes. — Disse ele, com a voz tranquila, mas firme. — Pode deixar que eu garanto a recuperação do que a família Williams perdeu. Quanto ao Gustavo, já tenho meus próprios planos.Magnus não insistiu nas perguntas, mas também não deixou a resposta passar sem questioná-la:— Seus próprios planos? Desde quando você começou a falar em ter planos próprios sem me consultar?A frase parecia leve, quase uma brincadeira dita ao acaso, mas Soren percebeu a advertência por trás daquelas palavras.Magnus estava colocando-o à prova. Era também uma forma de lhe dar um aviso.A família Williams não se importava em recorrer a métodos pouco ortodoxos para garantir vantagem, mas isso sempre tinha um limite: tudo precisava permanecer sob o controle de Magnus.— Vovô. — Disse Soren, baixando ligeiramente a voz e articulando cada palavra com cuidado. — O senhor só p
No dia seguinte, quando Bryan empurrou a porta e entrou, Soren estava parado diante da janela de vidro que ia do chão ao teto.Do lado de fora, o horizonte cinzento de Cidade A se perdia entre os arranha-céus, enquanto o trânsito se arrastava pelas ruas como um formigueiro. A paisagem urbana parecia cada vez mais sufocante.— Sr. Soren, eu tenho boas notícias! — Anunciou Bryan, com um entusiasmo incomum. — Hoje à tarde, foi divulgado um comunicado autorizando a retomada de alguns dos projetos que o Grupo Marques havia interrompido. Tudo está voltando aos planos originais.Soren continuou olhando a paisagem por mais alguns segundos, até que, devagar, se virou. Um sorriso discreto apareceu no canto dos lábios:— Quantos?— Por enquanto, três. — Bryan deslizou o dedo pela tela do tablet e enumerou os projetos. — O projeto de logística no sul da cidade, a licitação de energia limpa na região leste e uma obra de infraestrutura na zona norte, cujo distrato já havia sido assinado. Todos os re
Clínica...O olhar de Gustavo se deteve naquela palavra. Seu dedo percorreu lentamente a borda da tela do celular, quase sem tocá-la.Aquele Rolls-Royce também tinha aparecido nas proximidades da clínica.Isso significava que havia uma ligação entre o carro em que Soren entrara naquela tarde e a clínica. Uma ligação discreta, mas que não podia ser ignorada.E, do outro lado dessa conexão, o principal suspeito era Danilo.Ou talvez Osvaldo.Gustavo se recostou na cadeira e fechou os olhos, repassando mentalmente todas as informações que havia reunido até então.De um lado, Soren, acuado e sem saída. Do outro, Danilo, agindo nas sombras. E, no centro de tudo, Luiza.Quando ele abriu os olhos de novo, seu olhar estava gélido, quase cortante. Ele pegou o celular e respondeu à mensagem de Jacob:[Continue vigiando.]Em seguida, ele ligou para Cauã.— O que você já descobriu? — Cauã atendeu quase na primeira chamada.— O carro em que Soren entrou também foi visto nas proximidades da clínica.







