LOGINNo dia seguinte, quando Bryan empurrou a porta e entrou, Soren estava parado diante da janela de vidro que ia do chão ao teto.Do lado de fora, o horizonte cinzento de Cidade A se perdia entre os arranha-céus, enquanto o trânsito se arrastava pelas ruas como um formigueiro. A paisagem urbana parecia cada vez mais sufocante.— Sr. Soren, eu tenho boas notícias! — Anunciou Bryan, com um entusiasmo incomum. — Hoje à tarde, foi divulgado um comunicado autorizando a retomada de alguns dos projetos que o Grupo Marques havia interrompido. Tudo está voltando aos planos originais.Soren continuou olhando a paisagem por mais alguns segundos, até que, devagar, se virou. Um sorriso discreto apareceu no canto dos lábios:— Quantos?— Por enquanto, três. — Bryan deslizou o dedo pela tela do tablet e enumerou os projetos. — O projeto de logística no sul da cidade, a licitação de energia limpa na região leste e uma obra de infraestrutura na zona norte, cujo distrato já havia sido assinado. Todos os re
Clínica...O olhar de Gustavo se deteve naquela palavra. Seu dedo percorreu lentamente a borda da tela do celular, quase sem tocá-la.Aquele Rolls-Royce também tinha aparecido nas proximidades da clínica.Isso significava que havia uma ligação entre o carro em que Soren entrara naquela tarde e a clínica. Uma ligação discreta, mas que não podia ser ignorada.E, do outro lado dessa conexão, o principal suspeito era Danilo.Ou talvez Osvaldo.Gustavo se recostou na cadeira e fechou os olhos, repassando mentalmente todas as informações que havia reunido até então.De um lado, Soren, acuado e sem saída. Do outro, Danilo, agindo nas sombras. E, no centro de tudo, Luiza.Quando ele abriu os olhos de novo, seu olhar estava gélido, quase cortante. Ele pegou o celular e respondeu à mensagem de Jacob:[Continue vigiando.]Em seguida, ele ligou para Cauã.— O que você já descobriu? — Cauã atendeu quase na primeira chamada.— O carro em que Soren entrou também foi visto nas proximidades da clínica.
Gustavo não disse mais. Apenas encerrou a ligação.Mesmo assim, ele não voltou para o escritório imediatamente.O tom submisso, quase cauteloso, que Soren havia adotado ao falar com ele mais cedo contrastava tanto com a postura confiante e ameaçadora que Cauã acabara de descrever que era difícil acreditar que se tratava da mesma pessoa.Ninguém mudava de atitude tão radicalmente sem motivo.Gustavo estreitou os olhos, enquanto uma suspeita começava a tomar forma em sua mente.Ele retornou ao escritório, abrindo a porta sem fazer barulho.Luiza, como ele já tinha previsto, ainda estava encolhida no sofá. A caneca de leite já estava vazia. Ela mexia no celular, distraída, e, ao escutar o som da porta, levantou o rosto.— Você voltou rápido.— Sim. — Gustavo se aproximou e se sentou ao lado dela, pegando a caneca vazia e colocando-a na mesinha ao lado. — Vamos. Eu vou levar você para dormir.Ele passou o braço pelos ombros dela, acomodando a cabeça dela contra o próprio peito. Mesmo atrav
Depois que a ligação terminou, o silêncio se instalou no escritório por alguns segundos.Gustavo continuou sentado atrás da mesa, com o celular ainda preso na mão. Os dedos longos se fecharam lentamente em torno do aparelho. O rosto dele não mostrava quase nada, mas a linha do maxilar estava rígida.Luiza estava encolhida no sofá à frente, segurando uma caneca de leite quente e bebendo em goles pequenos. Quando ela viu que ele tinha desligado e ainda não tinha se levantado, ergueu os olhos por cima da borda da caneca e ficou observando-o, curiosa.Gustavo era o tipo de homem que, mesmo diante de um problema enorme, não deixava transparecer a menor emoção.Mas os dois já tinham passado tempo demais juntos. Luiza aprendera a reconhecer até as menores mudanças em sua expressão. Por isso, naquele momento, percebeu claramente que ele estava contendo a raiva.— Aconteceu alguma coisa? — Luiza colocou a caneca na mesinha, perguntando em voz baixa.Gustavo largou o celular sobre a mesa, virou
Soren não respondeu diretamente:— Você sabe muito bem quanto ela vale.— Eu não sei, não. — Nina soltou uma risada fria. — Já que você concluiu que a Luiza é minha irmã, então também deve imaginar o que a família Frota fará com você se essa história sair da sua boca.Do outro lado, Soren já tinha decidido apostar tudo, mas ainda falava sem demonstrar agressividade:— Se Gustavo recuar, eu não abro a boca. Nina, eu só quero salvar o pouco que ainda me resta. Nunca quis chegar ao ponto de nós dois sairmos perdendo.Nina sabia exatamente qual era a carta que ele tinha na mão.Soren contava com o fato de que ela jamais arriscaria expor Luiza a qualquer perigo.Luiza estava grávida, e a gestação já estava avançada.Se descobrisse de repente sua verdadeira identidade e soubesse que Íris havia se jogado de um prédio por causa dela, ficando paraplégica, a culpa acabaria consumindo-a, ainda mais por ser tão sensível.Da última vez, bastou Luiza suspeitar que a família Frota pudesse estar envol
Nina franziu levemente a testa, sem paciência para rodeios:— Soren, o que você quer dizer?Talvez por acreditar que tinha uma carta forte na manga, Soren respondeu com uma calma quase arrogante:— Eu vou ser direto, então. Gustavo está levando a família Williams à ruína em Cidade A. O Grupo Williams já está praticamente sem negócios na cidade. Se você quer se divorciar, pelo menos precisa fazer com que ele recue primeiro.— Eu já disse que isso é impossível. — Nina respondeu sem hesitar, mantendo o tom sereno de sempre. — Não tenho como interferir nas decisões de Gustavo. Quanto ao divórcio, se você não assinar, resolveremos isso na Justiça.Do outro lado da linha, Soren ficou em silêncio por alguns instantes.Depois, soltou uma risada baixa:— Nina, você continua igual a antes. Tudo o que você diz é tão bem calculado que não deixa brecha nenhuma.Nina não respondeu. Limitou-se a esperar que ele continuasse.— E se… — Soren baixou um pouco a voz. — Eu for atrás da Luiza?Nina quase nã







