FAZER LOGINO som do toque do meu celular soa fraco sobre o criado-mudo, ao lado da cabeceira da cama onde estou deitado, relaxado. Pego o telefone, sem prestar atenção no visor. Olho para o lado e vejo que a ruiva ainda dorme enrolada no lençol branco.
Antes de atender à chamada, retiro rapidamente o pano que cobre a sua bunda e deslizo minha mão pela pele macia e muito clara. Passo meus dedos pelas curvas do seu traseiro e acerto um tapa, deixando o local avermelhado. — Alô. — Levanto-me da cama, pelado, atendo à chamada, e sigo até as vidraças. — Bom dia, Rodrigo! — cumprimenta Richard com a voz seca — Que merda foi aquela ontem na minha casa? — questiona, indo direto ao ponto. Franzo a testa e suspiro. Para falar a verdade, nem eu mesmo sei por que me meti justamente com a noiva e, pior, filha de um antigo amigo da minha família. Contudo, ser desafiado me instiga, principalmente porque nunca tive quaisquer problemas para ficar com alguma mulher. Aquela gracinha de olhos verdes tentadores fez justamente o contrário: me ignorou. O problema é que não imaginei que o pitbull do marido fosse me flagrar. — Peço desculpas pela indiscrição, Richard. Acabei confundindo a sua filha com… — Pauso por alguns segundos, pensando em alguma desculpa qualquer. — Com outra mulher que conheci esses dias. Elas têm o mesmo perfil — minto. — Não tente me fazer de bobo, Rodrigo. Te conheço há anos. Conheço a sua fama também — diz, austero. Gargalho, sem conseguir me conter. Realmente, conheço Richard há muitos anos, fomos apresentados pelo meu pai em uma das nossas muitas viagens a Nova Iorque. Apesar de ser um federal rigoroso e respeitado, ele é também frequentador de grandes eventos importantes entre as pessoas mais requisitadas do país. — Vamos esquecer o passado e focar no presente, parceiro — sugiro. — Que tal um drink mais tarde? Pegarei o voo daqui a algumas horas e não tenho muito o que fazer durante este tempo. Paro de observar o circular de pessoas no Central Park pelos vidros da suíte, e me viro na direção da cama. A ruivinha, que acabou de acordar, me olha sonolenta e sorri. Algumas mechas avermelhadas de cabelo deslizam pela sua testa, emoldurando o rosto bem desenhado, salpicado de minúsculas sardas. — Hoje não posso, estou morto depois da noite de ontem, mas podemos marcar algo daqui a uma semana no Espanha. Pegarei alguns dias de férias e pretendo fazer um passeio em família. Aproveito para fazer uma visita ao seu pai. — diz, um pouco mais calmo. — Sem problemas — respondo, analisando o corpo nu da mulher na cama. — Tenha um bom dia, Richard — digo e caminho na direção dela. Deixo o celular sobre o criado-mudo e me aproximo mais. Apesar de a noite ter sido suada e deliciosa, está chegando a parte menos interessante do dia. A parte em que dispenso a mulher sem deixar tão evidente que eu só queria comê-la e nada mais. Essa tática serve para evitar possíveis ataques logo pela manhã, coisa que não tenho muita paciência para aturar. Fico de frente para ela e pisco descaradamente, como somente eu sei fazer. A moça praticamente se derrete, enquanto me analisa dos pés até o último fio de cabelo, focando no meu pau que ainda exibe a ereção matinal. Ela deve estar pensando em quanta sorte teve noite passada, mas não posso tirar sua razão. Não é qualquer homem que tem pique para dar a uma mulher dois orgasmos seguidos, e isso porque ela nem imagina a extensão da minha conta bancária. — Dormiu bem, querida? — pergunto assim que ela sai da cama e me agarra pelo pescoço, colando o seu corpo ao meu. — Maravilhosamente bem — responde, animada, com um sorriso estampado no rosto. — Ótimo. Então apronte-se, está na hora de ir embora. Seu sorriso morre instantaneamente, dando lugar a uma expressão de incredulidade. — Como assim? Pensei que… Não sei… Que fôssemos nos divertir um pouco mais. Encaro a mulher com seriedade e seguro seu pulso com certa firmeza, sem comprimir demasiadamente, apenas o suficiente para que ela entenda que não estou lhe dando liberdade para me tocar desta maneira. Em seguida, retiro suas mãos do meu pescoço e afasto-a. — É uma pena. Mas tenho muito o que fazer, então você precisa ir. — Mas hoje é sábado. Podemos fazer tantas coisas — diz, desapontada. Toco o seu queixo de leve e faço com que ela me encare. Sorrio com cinismo, já impaciente. — Tão linda, mas tão ingênua — digo e me viro. Cato as minhas roupas espalhadas pelo chão e começo a me vestir. — O que foi? — questiono ao ver que a moça segura o lençol com força contra o seu corpo esguio. Ela me encara com frieza no olhar, a testa franzida de raiva. — Eu já conheci homens imbecis, mas você certamente ganhou o título de honra — diz sarcástica. — Fico feliz que você tenha compreendido o recado… — Termino de vestir a camisa e paro, pensativo, tentando relembrar o nome dela. Contudo, é em vão. Não me lembro nem se ela tinha me dito. — Como se chama mesmo? — pergunto na cara de pau. A mulher arregala os olhos e abre a boca, incrédula, mas eu apenas dou de ombros, até porque aqui não tem nenhuma criança. Somos dois adultos que estavam com tesão, só isso. — Vou embora e espero nunca mais precisar olhar para essa sua cara, ridículo! — rebate. — Obrigado! — Sorrio e respondo calmamente. Ela está me poupando de uma enorme dor de cabeça. Já vestido, encosto-me na parede e, sem que ela se dê conta, observo-a se vestir, irritada. Apesar da indiferença, me delicio com a visão do corpo nu, no qual fiz um banquete a noite inteira. Quando ela termina, pega a bolsa e passa por mim, soltando fogo pelas ventas, fazendo questão de empinar o nariz. — Adeus, querida. Foi um prazer comer você! — provoco ainda mais. A mulher parece transformar-se em um felino raivoso, pois dá meia volta e marcha na minha direção. — Querida é sua vó, seu imbecil. — Levanta o braço e faz menção a me acertar com um tapa no rosto, mas, para seu azar, sou mais rápido. Seguro sua mão com força e a impeço. — Não ouse levantar a mão para mim. Agora, saia! — ordeno, cerrando os dentes. — Seu maldito… — vocifera com o olhar cheio de ódio. — Algum dia você vai se arrepender por tratar uma mulher desta maneira, seu grosso. Balanço a cabeça e sorrio ainda mais, quase que gargalhando. Ah… Se ela soubesse que esse dia nunca irá chegar, com certeza não estaria me fazendo perder tempo. Já gastei a minha cota de trouxa para nunca mais repetir. Para falar a verdade, tenho pena da criatura que tentar entrar no meu caminho com terceiras intenções que não sejam apenas me dar a boceta. Não tenho pena de pisar nos cacos dos pobres corações feridos, afinal, não tenho culpa delas serem tão vulgares e descaradas. Além disso, não sou responsável por suas ilusões infantis, nunca ofereço mais do que sexo. Lembrar de vulgaridade faz meus pensamentos voarem para anos atrás, e isso faz uma ira insana despertar em mim. Fecho os meus punhos, ainda mais irritado. Assim que a mulher sai da suíte, batendo a porta com ira, sigo até o bar e sirvo-me de uma dose de uísque. Ainda que esteja cedo e o sol mal tenha acabado de raiar, sinto a necessidade de relaxar um pouco antes de embarcar de volta para o Espanha. Lá, deixarei a pose de conquistador irresistível e voltarei à velha e boa rotina como o CEO respeitado que sou, dentro do meu império na Ferrer Engenharia. Tomo o líquido amargo e coloco o copo sobre a bancada. Vou ao banheiro e faço uma breve higiene pessoal. Pego minha carteira, o celular e me preparo para sair. Contudo, assim que sigo até a porta, lembro de olhar o meu W******p para conferir se há algum recado importante. Respondo a algumas mensagens da minha secretária particular e outras de Ignacio, meu advogado e melhor amigo. Quando estou prestes a bloquear o visor, vejo que há uma mensagem de alguém que não está nos meus contatos. >> Saudades de você, meu amor. Quando retorna? Analiso o número de telefone, confirmando que é do Espanha e que se trata da mesma pessoa que vem me atormentando durante toda a semana com mensagens descabidas e bobas como essas. Franzo a testa, impaciente com esse joguinho adolescente, e simplesmente ignoro, como das outras vezes. Se houver mais alguma mensagem dessas, precisarei bloquear o número.Leia também as minhas melhores obras: 《UMA NOITE DE PRAZER》 SINOPSE: Uma noite inesquecível. Um encontro inesperado. Kendra e Lewis se vê envolvidos em uma paixão avassaladora que desafia todas as regras por ele estabelecidas. No entanto, segredos e intrigas do ameaçam separar o casal. Em meio a jogos de poder e desejos, Kendra deve decidir se está disposta a arriscar tudo por um amor que pode mudar sua vida para sempre. 《O CEO QUE JUROU ME PROTEGER》 SINOPSE: Ela sempre acreditou que o bem vence no fim. Ele é a prova viva de que o mal também sabe como seduzir. Quando o irmão de Kieza se casa e deixa a cidade, ele pede ao melhor amigo, o homem mais irritante e arrogante que Kieza conhece, para "cuidar dela". O problema? Ele leva essa promessa a sério. Roman não é apenas o tipo de cara que todas as mães mandam evitar; ele é alguém que vive nas sombras, com segredos que podem destruir qualquer um que se aproxime demais. Agora, morando porta a porta, Kieza descobre que há uma l
●● RODRIGO ●●Perco o meu fôlego, nervoso, quando as notas nupciais começam a tocar, e Alba passa pelo arco decorado com flores brancas e caminha na minha direção, sendo guiada por Ignacio. Ela sorri radiante ao me ver dentro do terno cinza e camisa branca sem gravata, da forma como planejamos que seria o nosso casamento: simples, mas inesquecível, de frente para o mar que ela tanto ama.Alba caminha descalça pelo tapete de cor nude colocado na areia. Pareço estar vendo uma miragem quando ela retira uma mecha do cabelo escuro que cai em cima dos seus olhos e o prende atrás da orelha, junto com a flor branca que embeleza ainda mais as suas madeixas reluzentes.O vestido esvoaçante partido na lateral a deixa parecida com uma sereia. O sorriso estampado no rosto angelical faz meu coração palpitar tão desesperado que preciso me segurar para não correr até ela e girá-la em meus braços. Tudo some e se silencia à minha volta. Só vejo Alba andando para mim, enraizando-se dentro do meu coraç
☆《ALGUNS MESES DEPOIS》☆●●ALBA●●Acordo no meio da madrugada sentindo a minha barriga roncar de fome e uma vontade louca de fazer xixi. Uso o banheiro às pressas e desço as escadas, estranhando o fato de eu nunca me sentir assim. Abro a geladeira, pego o restante do bolo que sobrou do aniversário do papai no dia anterior e coloco um pedaço generoso no prato. Minha boca fica aguada quando corto a massa fofinha e o recheio de chocolate escorre um pouquinho da colher, fazendo-me passar a língua nos lábios em ânsia. Coloco o primeiro pedaço na boca e pareço estar comendo o céu. A sensação é indescritível.Como uma garfada atrás da outra, como se eu não me alimentasse há dias e essa fosse a única comida disponível no mundo. Concentrada em atacar o bolo, não percebo quando mamãe aparece na cozinha e senta-se do meu lado. O susto é tamanho que quase caio da cadeira.—Filha, tá tudo bem? — pergunta com as sobrancelhas franzidas.—Sim, mamãe, por quê?Ela olha para mim e em seguida para
☆《Semanas depois》☆Um coro de aplausos agita o grande auditório da Ferrer quando Alba termina o seu discurso sobre a preservação das tartarugas marinhas.Os empresários, donos do resort, sorriem satisfeitos. Um deles caminha até ela para parabenizá-la pelo grandioso discurso, no qual Alba apresentou ideias e soluções plausíveis que satisfazem ambos os lados. Orgulhoso, também sigo na sua direção e a enlaço pela cintura, sentindo meu peito inflado.—Parabéns, senhorita — diz o homem gorducho e careca, apertando a mão da minha menina. — Foi uma grandiosa palestra.—Obrigada! — Alba sorri, confiante. — Agradeço muito pela oportunidade e a confiança dada a mim.—Estou impressionado. Foi genial a sua ideia de usarmos a temporada de desova das tartarugas marinhas para atrairmos turistas para o resort. Será com imenso prazer que investirei nessa nova etapa do projeto, criando um centro de preservação e conservação naquele local.—Não sabe o quanto isso me deixa feliz, senhor.Ele s
☆《Alguns dias depois》☆O sol brilha com toda a sua força quando chego no hospital, trazendo comigo um buquê de rosas brancas e algo especial que minha mãe me entregou na noite em que Alba foi baleada.Respiro aliviado por saber que Marta foi presa após ter sido pega no aeroporto internacional, tentando fugir do país. Assim que dei o meu depoimento sobre o que aconteceu naquela noite e entreguei para a polícia as mensagens dela, junto com algumas das fotos que ela havia tirado, automaticamente a mulher passou a ser a principal suspeita do atentado. A partir de então, não foi difícil juntar as peças do quebra-cabeça.A arma usada no crime foi encontrada escondida dentro de um vaso de plantas no seu apartamento, contendo as suas digitais, e, se ainda não bastasse, foi encontrado mais de dois quilos de cocaína entre os seus pertences, o que deixou explícito o seu envolvimento com coisas ilícitas. Na delegacia, Marta confessou ter se aproximado do amigo de Alba para adquirir informações.
Corro o mais rápido que consigo na sua direção, o vento chicoteando-me o rosto, fazendo as feridas arderem como nunca. Antes de alcançá-la, tenho o ímpeto de me virar Então, vejo a silhueta de alguém se afastando no meio da multidão.Não consigo ver com nitidez, mas percebo que é uma mulher. O porte físico e a mensagem que recebi mais cedo não me deixam dúvidas. É a Marta. Maldição!Fecho os meus punhos, agoniado, e continuo correndo na direção de Alba. Vejo sua mãe ajoelhando-se desesperada ao seu lado, e logo depois Ignacio. Aproximo-me e caio de joelhos no chão quando vejo o líquido vermelho escorrendo do seu peito e pintando o asfalto. Olho para o seu rosto pálido, inconsciente, e desejo ser eu no seu lugar, sentindo a dor que ela sentiu antes de desmaiar.—Alba, minha princesa… — Toco a sua testa, trêmulo, retirando algumas mechas de cabelo do seu rosto, e é quando vejo um corte profundo na sua testa. O sangue mina do ferimento e escorre na minha mão, dando a entender que ela







