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Capítulo 2

Auteur: Pequena Estrela
Em cima da mesa de cabeceira estava um café da manhã simples. Ele sempre achava que, não importava o quanto eu ficasse brava, bastava fazer algo para me agradar que eu acabava cedendo e fazendo as pazes com ele. Aquilo já tinha virado uma certeza absoluta na cabeça dele.

Talvez eu realmente tivesse sido tolerante demais com ele todos esses anos, a ponto de ele achar tudo normal, garantido, sem precisar valorizar.

Eu não dei atenção para ele e me levantei direto para me vestir. O rosto de Osvaldo ficou levemente tenso.

— Se fosse a Jéssica, eu nem consigo imaginar o quanto ela ficaria feliz.

Ele pegou o café da manhã e começou a comer, como se estivesse tudo bem. Em algum ponto do caminho, Osvaldo tinha passado a acreditar que eu não vivia sem ele. Na cabeça dele, qualquer coisa que eu fizesse não passava de birra, de ciúme, de disputa com Jéssica pela atenção dele.

Nos últimos anos, eu tinha ficado completamente presa a ele.

Era até ridículo. Ainda bem que, dali em diante, eu não ia mais ser assim.

...

Quando o efeito da anestesia passou, eu fiquei deitada sozinha na maca do hospital. Eu olhei para os lados e vi que todas as outras mulheres tinham alguém ao lado.

Nos momentos em que elas estavam mais frágeis, sempre tinha alguém ali, falando baixinho palavras de consolo, levando água, ajeitando travesseiro. Eu, por outro lado, até para ir ao banheiro eu só podia contar comigo mesma, suportando a dor no baixo-ventre e caminhando sozinha, cambaleante.

Quando eu me arrastava pelo corredor, o meu celular em cima da mesinha começou a tocar. Quando eu consegui voltar até ele, a chamada estava prestes a cair. Assim que eu atendi, a voz do meu gerente veio aos gritos:

— Nilda, onde diabos você se enfiou? Eu já tinha te avisado: você tinha meia hora para aparecer na empresa. O Sr. Osvaldo acabou de fazer uma vistoria e, na empresa inteira, a única pessoa faltando era você. Por sua causa, a diretoria cortou o bônus do setor inteiro. Se você não pisar aqui em trinta minutos, ele vai cancelar todas as folgas do mês para todo mundo.

Eu ouvi a voz dele do outro lado da linha e senti um vazio gelado no peito.

Osvaldo, um dia, tinha dito que queria me ver todos os dias e, por isso, tinha me colocado para trabalhar na empresa dele. Mas, em todos aqueles anos, com tanta gente circulando pelos corredores, ninguém ali sabia quem eu realmente era para ele. Quanto ao que ele estava fazendo naquele dia, aquilo já não dizia mais respeito a mim.

Eu respondi com calma:

— Eu me demito.

Do outro lado, o gerente ficou em silêncio por um segundo e, em seguida, explodiu ainda mais:

— Nilda, você acha que é quem, hein? Achava que era a Srta. Jéssica? Achava que tinha algum tipo de intimidade com o Sr. Osvaldo? Agora você está fazendo pose de estrela? Eu já vou avisando: hoje você vai voltar para cá nem que seja arrastada. Se você insistir em se demitir, eu garanto que vou segurar a sua saída por pelo menos um ano.

Para conseguir me livrar daquilo de uma vez, eu voltei para a empresa mesmo quase sem forças.

— O Sr. Osvaldo finalmente assumiu o namoro com a Srta. Jéssica.

Assim que eu entrei, eu ouvi as conversas animadas dos colegas.

— Hoje, quando o Sr. Osvaldo passou pelos setores na vistoria, ele ficou o tempo todo com o braço em volta da Srta. Jéssica.

— Muito fofo. História de amor perfeita: o chefe frio e poderoso e a assistente doce.

Nesse momento, um colega se adiantou, empolgado:

— Eu ainda tenho uma notícia melhor.

Todos os olhares se voltaram para ele.

— Que notícia?

— Fala logo, não enrola!

O colega pigarreou, fazendo suspense:

— O Sr. Osvaldo vai se casar. O casamento vai ser daqui a alguns dias.

Um burburinho correu pela sala.

— Então era por isso que, esses dias, o Sr. Osvaldo viajou a trabalho com a Srta. Jéssica.

— Vocês não viram o Instagram da Srta. Jéssica? Eles foram fazer lua de mel antecipada!

...

Ficava claro que Osvaldo tinha feito tudo de propósito. Ele tinha feito questão de me mandar voltar para a empresa, só para eu ver aquilo, sentir ciúmes, ficar arrasada. Ele queria que eu perdesse a cabeça e fosse atrás dele fazer escândalo.

Depois, ele ia fazer o que sempre fazia: me abraçar, falar meia dúzia de palavras doces e "resolver" tudo.

Só que, agora, eu já não amava mais ele. Eu escrevi em silêncio a minha carta de demissão.

O meu gerente direto assinou sem pensar duas vezes:

— Melhor assim. Com você indo embora, eu nem vou precisar quebrar a cabeça para decidir se te levo ou não para a festa de aniversário da Srta. Jéssica, depois de amanhã.

Ele se levantou, bateu palmas para chamar a atenção de todos e anunciou:

— Depois de amanhã, todo mundo vai estar de folga. O Sr. Osvaldo convidou todos os funcionários para o aniversário da Srta. Jéssica.

A minha mão tremeu quando eu peguei o termo de rescisão. Depois de amanhã seria o dia em que eu tinha sonhado me casar. Eu tinha achado que já não sentia mais dor nenhuma, mas, naquele momento, o peito ainda latejava como se alguém estivesse cortando meu coração com uma faca.
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