LOGINTudo começou porque eu abri a janela para tomar um pouco de ar e, por isso, a queridinha do meu marido acabou ficando resfriada. Enfurecido, meu marido ordenou que me amarrassem no porão, mesmo eu estando grávida. — Não pense que, por estar esperando um filho meu, vai poder maltratar a Mariana. Se um único fio de cabelo dela se arruinar, você vai pagar cem vezes por isso! Eu tremia de frio e chorava, implorando e batendo a cabeça no chão. Prometia me redimir com Mariana, cuidar dela com devoção e jurava nunca mais permitir que sofresse qualquer dano. Mas ele, frio, mandou fechar a porta do porão, dizendo que era para me dar uma lição que eu jamais esqueceria. Uma semana depois, Mariana se recuperou do resfriado, e então ele finalmente lembrou de mim, presa no porão. — Fernanda, você realmente reconhece seus erros? Se prometer que vai imediatamente se desculpar de joelhos com a Mariana, eu prometo deixar você ir. Mas ele não sabia que, no porão, eu já estava rígida. Até mesmo o filho que ele tanto prezava não tinha mais nenhum sinal de vida.
View MoreEu flutuava no ar, observando o corpo de Matheus ser levado, sem sentir a menor emoção. Não havia ódio, nem rancor; era como se eu estivesse assistindo ao fim da vida de um completo desconhecido.Antes, eu pensava que o odiaria para sempre. Odiaria sua indiferença no porão, odiaria o fato de ter tirado a vida do nosso filho, odiaria que ele, cegado por Mariana, me ferisse repetidas vezes.Mas ali, já na forma de alma, olhando para ele usando toda a vida para se redimir, vendo o Presidente Matheus, cheio de vigor, se transformar em um velho cansado e desolado, aquele ódio se dissipou como fumaça levada pelo vento, desaparecendo aos poucos.Não era perdão; era simplesmente que não valia a pena. Eu já o amei com toda intensidade, entreguei tudo por ele, e ainda assim ele pisou no meu amor, destruiu minha dignidade. Esse amor, congelado no frio e na desesperança do porão, se partiu em mil pedaços e jamais poderia ser reconstruído.Foi então que ouvi uma voz familiar. Eram meus pais, vestid
O vento de outono rodopiava entre as folhas secas. Elas dançavam diante do túmulo antes de caírem suavemente sobre os ombros de Matheus.Ele se apoiava em uma bengala de madeira polida pelo tempo, cujo cabo trazia desenhos agora apagados, assim como ele próprio, envelhecido e frágil pelo desgaste dos anos.Nos últimos anos, ele praticamente morava diante do meu túmulo. Ao lado da lápide havia um cobertor de lã desbotado, sobre o qual repousava o incensário que eu tanto gostava em vida.As cinzas já estavam frias há muito tempo, e só ocasionalmente ele acendia um incenso, observando a fumaça se dispersar lentamente com o vento.Seus cabelos eram totalmente brancos, ralos, grudados ao couro cabeludo cinza-azulado. As rugas nos cantos dos olhos eram profundas como sulcos, comprimindo aqueles olhos que antes eram tão agudos, deixando apenas um brilho turvo.Sempre que se sentava, precisava se apoiar na lápide por um bom tempo. Os acessos de tosse que vinham de seu peito soavam como um fole
Mariana estava presa no porão, sofrendo de todas as formas possíveis. O frio, a fome e o medo consumiam lentamente a sua vontade de viver. Pela primeira vez, ela experimentava a mesma dor que eu senti naquele lugar gelado.Ela começou a se arrepender de tudo que havia feito. Se não fosse pelo ciúme que sentia de mim e se não tivesse me armado tantas armadilhas, nada disso teria acontecido.Mas agora era tarde demais para qualquer arrependimento. Matheus não tinha intenção de poupá-la. Todos os dias, apenas permitia que os empregados levassem uma pequena porção de comida e água, deixando-a agonizar naquele frio implacável.Mariana tentou implorar por clemência a Matheus, mas ele jamais a ouviu. Em seu coração, só havia culpa por minha causa e ódio por Mariana.Alguns dias depois, os empregados encontraram Mariana sem vida. Seu corpo estava rígido, e no rosto ainda permanecia a expressão de terror.Ao receber a notícia, Matheus não demonstrou reação alguma. Para ele, a morte de Mariana a
Matheus foi até o meu túmulo. Na lápide, havia uma foto minha sorrindo suavemente, mas aquele sorriso era como uma lâmina que o atravessava até a alma.Ele colocou o pequeno corpo do nosso filho junto a mim. Embora ainda não tivesse nome, nem sequer tivesse chegado a sentir o calor deste mundo, ele ainda assim era seu filho.— Fernanda, me perdoe. — Matheus se ajoelhou diante do túmulo, lágrimas rolando sem parar. — Eu sei que agora é tarde demais para qualquer coisa. Eu não deveria ter deixado a Mariana me cegar, não deveria ter sido tão cruel com você, não deveria ter matado nosso filho.Matheus chorava enquanto dizia:— Já tranquei a Mariana no porão, para que ela pague por você e pelo nosso filho. Eu sei que isso está longe de reparar o que eu te fiz, mas é tudo o que posso fazer. Fernanda, se você soubesse disso lá do outro lado, conseguiria me perdoar? Eu realmente me arrependo, eu realmente sinto falta de você e do nosso filho.Ele permaneceu ajoelhado ali, do nascer ao pôr do s












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