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Capítulo 4

作者: Pequena Estrela
Eu ainda estava fraca demais. Eu dava poucos passos e já precisava sentar para descansar um pouco. Quando eu descia com dificuldade, Jéssica apareceu vindo do andar de cima. Ela estava toda produzida, chamativa, o corpo inteiro irradiando o frescor de uma juventude aparentemente inocente. E eu, pálida como um lençol, fraca como alguém à beira da morte.

Eu e ela tínhamos exatamente a mesma idade, mas eu parecia ter envelhecido décadas. Por causa do mesmo homem, o abismo entre nós tinha ficado imenso.

Jéssica veio direto até mim, sem a menor cerimônia:

— Ué, você ainda está aqui esperando o Sr. Osvaldo vir te acalmar? O Sr. Osvaldo já foi trabalhar. Se você tiver alguma coisa para falar, eu posso, com muita boa vontade, levar o recado para ele.

Eu lancei um olhar frio para ela. Eu não entendia por que até ela achava que eu só estava fazendo cena, buscando chamar a atenção de Osvaldo.

— E desde quando você é capaz de decidir alguma coisa por ele?

Eu falei com frieza, e Jéssica logo abriu um sorriso de triunfo:

— Claro que sou. Eu sou a assistente dele, sou a amante dele. No trabalho, no amor, na cama, eu dou conta de tudo. E você? Você não passa de uma incubadora.

Eu voltei a encarar ela com indiferença:

— Não vai demorar muito para aparecer alguém exatamente como você e te arrancar do lugar que você acha que já é seu.

Quando ouviu isso, Jéssica começou a gargalhar, como se tivesse escutado a melhor piada do mundo:

— Sabe qual é a maior diferença entre eu e você? Eu entendo que o Sr. Osvaldo não vai sofrer por falta de mulher, que ninguém fica com ele a vida toda. Só uma idiota como você ainda perde tempo sonhando em passar o resto da vida com o Sr. Osvaldo. Acorda, Nilda. Você é feia, tem o corpo todo sem graça e ainda vive em devaneios, sonhando acordada.

Eu deixei escapar um riso de desprezo. Teve um tempo em que uma mulher como Jéssica nem tinha coragem de levantar os olhos na minha frente. Eu tinha entregado tudo e, em troca, era aquilo que eu recebia. Talvez tenha sido justamente esse meu riso debochado que cutucou o orgulho dela.

— Nilda, para de se fazer de santa. No fim das contas, você também correu atrás de dinheiro, de status. Você não é melhor do que eu em nada. Agora o Osvaldo é meu. Você já foi eliminada do jogo.

Eu respondi com ironia:

— Então eu desejo que vocês vivam em perfeita harmonia e tenham muitos filhos.

Jéssica ainda ia retrucar quando a gente ouviu o barulho da porta se abrindo na entrada. O rosto dela mudou na hora; ela ficou nervosa e, de repente, agarrou a minha mão. No exato momento em que a porta se abriu, ela se jogou para trás.

Ela acabou caindo bem dentro do campo de visão de Osvaldo.

Eu, que já estava fraca, com aquele puxão acabei caindo no chão.

Osvaldo correu até nós. Ele passou direto por mim e foi primeiro levantar Jéssica.

Os olhos de Jéssica já estavam cheios de lágrimas:

— Nini, eu entendi. Eu vou embora agora.

A atuação dela era tão ruim que qualquer um perceberia as falhas. Mas o olhar de Osvaldo, em questão de segundos, se encheu de pena por ela e de raiva por mim:

— Nilda, peça desculpas.

Eu não respondi. Eu só forcei o corpo a se levantar, peguei a mala e fui em direção à saída.

Osvaldo perdeu a paciência e agarrou o meu braço com força:

— Você ficou surda, Nilda? Eu mandei você pedir desculpas. Faz besteira e depois quer sair fugindo. Nilda, você me decepcionou demais.

Eu me virei, rindo sem humor:

— Ela acabou de armar para cima de mim, e o senhor está mandando eu pedir desculpas.

Osvaldo explodiu de vez. O tapa que ele deu em mim estalou alto:

— Nilda, já chega. Você vai continuar com esse show? Você não quer mais casar, é isso?

Eu levantei a cabeça na mesma hora e encarei ele sem recuar um centímetro:

— Esse casamento pode muito bem não acontecer.

Os olhos de Osvaldo ficaram vermelhos, como se fossem lançar fogo:

— Nilda, você acha que é quem? Se não fosse porque você ainda estava grávida, eu não teria passado a mão na sua cabeça até agora. Mas, se você continuar usando essa criança para me chantagear, vai se arrepender.

Eu comecei a rir, com o rosto molhado de lágrimas. É, era essa a segurança dele desde o começo: a criança. O meu riso deixou Osvaldo um pouco desconcertado; por um segundo, eu vi o medo passar pelos olhos dele. No final, a expressão dele amoleceu, ficou mais suave. Ele deu um passo na minha direção, pronto para falar alguma coisa, mas eu o cortei.

— Não precisa, Osvaldo. O nosso filho já se foi. O senhor não precisa mais fingir que está me poupando.

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