FAZER LOGINO endereço apareceu na tela do celular de Lorenzo poucos minutos depois.
Ele mostrou para Beatriz. — Bairro antigo… fica na parte mais afastada da cidade. Beatriz sentiu o coração apertar. — Você acha que ele ainda mora lá? Lorenzo deu de ombros. — Só tem uma maneira de descobrir. A casa ficava em uma rua estreita e silenciosa. Os postes iluminavam o asfalto de forma irregular, criando sombras longas nas paredes das casas antigas. Lorenzo estacionou o carro a alguns metros do portão. Beatriz olhou para a casa de Raul Mendonça. Era pequena, com muros altos e pintura desgastada. Uma única luz estava acesa dentro. — Parece que tem alguém — disse ela, em voz baixa. Lorenzo saiu do carro. — Fique atrás de mim. Beatriz caminhou logo atrás dele até o portão. O metal rangeu quando Lorenzo o empurrou. Eles atravessaram o pequeno jardim seco e pararam diante da porta. Lorenzo bateu. Uma vez. Duas. Nenhuma resposta. Beatriz começou a pensar que talvez não houvesse ninguém ali. Mas então ouviram passos lentos do outro lado da porta. O trinco girou. A porta se abriu apenas alguns centímetros. Um homem de cabelos grisalhos apareceu na fresta. Seus olhos eram desconfiados. — Quem são vocês? Lorenzo não hesitou. — Raul Mendonça? O homem ficou imóvel por um instante. — Quem quer saber? Beatriz deu um passo à frente e levantou a fotografia. — Nós queremos falar sobre Helena. O nome pareceu atingir o homem como um choque. Os olhos dele se arregalaram. E então, de repente, ele tentou fechar a porta. Mas Lorenzo colocou a mão rapidamente, impedindo. — Espere. Raul respirava pesado agora. — Eu não sei do que vocês estão falando. Beatriz levantou o diário de Helena. — Ela sabia que você estava seguindo ela. O rosto do homem perdeu toda a cor. O silêncio caiu entre os três. Então Raul murmurou algo quase inaudível. — Vocês não deveriam ter vindo aqui. Beatriz sentiu um arrepio. — Por quê? O homem olhou rapidamente para a rua, como se estivesse com medo de alguém ouvir. Quando voltou a olhar para eles, sua voz saiu baixa e urgente. — Porque se eles descobrirem que vocês estão fazendo perguntas… Ele parou de falar. Beatriz franziu a testa. — Quem? Raul engoliu seco. Então disse as palavras que fizeram o sangue de Beatriz gelar. — As pessoas que levaram sua irmã. Beatriz sentiu o chão parecer instável sob seus pés. — As pessoas que levaram minha irmã? — repetiu ela, quase sem voz. Raul Mendonça passou a mão trêmula pelo rosto. — Entrem… — murmurou ele. — Não é seguro falar disso na porta. Lorenzo trocou um olhar rápido com Beatriz. Depois empurrou a porta e entrou. A casa era simples e escura. O cheiro de café velho e madeira antiga pairava no ar. Raul fechou a porta rapidamente e trancou. Como se tivesse medo de que alguém estivesse observando. Eles se sentaram em uma pequena sala. Por alguns segundos, Raul apenas ficou olhando para o chão. — Comece a falar — disse Lorenzo, firme. Raul levantou os olhos lentamente. — Aquela noite… — começou ele. — A noite em que Helena desapareceu… não foi um acidente. Beatriz apertou as mãos. — Então o que foi? Raul respirou fundo. — Eu estava na estação de trem. Trabalhava ali na época. Beatriz franziu a testa. — Helena sempre passava por lá. — Sim — disse Raul. — Mas naquele dia ela não estava sozinha. O coração de Beatriz disparou. — Com quem? Raul hesitou. — Com dois homens. Lorenzo se inclinou para frente. — Quem eram eles? Raul balançou a cabeça lentamente. — Eu nunca soube os nomes… mas vi o símbolo. Beatriz sentiu o estômago revirar. — O mesmo símbolo do prédio? — Sim. O silêncio tomou conta da sala.O silêncio na sala já não era só tensão. Era dúvida. Daquelas que mudam tudo. Beatriz ainda olhava para a tela, mas sua mente estava longe. Conectando pontos. Revendo tudo. Cada detalhe. Cada ausência. — Ela é uma mulher muito inteligente… — disse Beatriz, finalmente. A voz baixa. Mas firme. Lorenzo e Augusto olharam para ela. Esperando. — Antes… eu estava tão preocupada que nem me perguntei uma coisa. Ela respirou fundo. E continuou: — Se a Helena passou tanto tempo “presa”… sem dar notícias por anos… Uma pausa. Pesada. — Vocês realmente acham que ela não teria dado um jeito de sair? O silêncio caiu na hora. Augusto franziu a testa. — Você está dizendo que ela nunca esteve presa? Beatriz não respondeu imediatamente. Porque agora… ela estava pensando diferente. — Eu estou dizendo… que talvez a gente tenha entendido tudo errado. Lorenzo se aproximou um pouco mais. O olhar atento. — Continua. Beatriz cruzou os braços, organizando as ideias. — A Helena semp
O mapa ainda brilhava na tela. O núcleo antigo. O ponto de origem. O lugar onde tudo começou… e talvez onde Helena estava agora. O silêncio era pesado. Expectativa. Urgência. Impulso. — A gente precisa ir — disse Lorenzo, firme. Augusto assentiu. — Quanto mais tempo a gente demora, pior fica. Beatriz não respondeu. Os olhos ainda fixos na tela. Mas agora… não era emoção. Era cálculo. Ela respirou fundo. Uma vez. Duas. E então— Fechou o notebook. O som foi seco. Definitivo. — Não. O silêncio caiu na mesma hora. — Como assim “não”? — perguntou Lorenzo, sem esconder a tensão. Beatriz levantou o olhar. Calma. Mas firme. — Eu não vou atrás agora. — Beatriz, ela pode estar em perigo — disse Augusto. — Ou não — respondeu ela. Direto. O impacto veio forte. — Você ouviu o que ele disse — continuou Beatriz. — Ela não foi levada. O silêncio ficou mais denso. — Ela foi. Lorenzo passou a mão no rosto. — Isso não significa que ela está segura. Beatriz deu um pa
O silêncio depois da mensagem foi sufocante. “Ela foi mais longe.” As palavras não só ecoavam. Elas… afundavam. Beatriz sentiu as pernas fraquejarem por um segundo, mas se segurou na mesa. — Isso não faz sentido… — murmurou, mais para si do que para os outros. Lorenzo deu um passo à frente. — Faz, sim. Ela olhou para ele, os olhos cheios de tensão. — Não faz! A Helena não faria isso, ela não— — Beatriz. O tom dele foi firme. Mas não duro. — A gente viu o vídeo. O impacto veio como um choque. Ela viu. Ela escolheu. Ou… achou que escolheu. — Ele manipulou ela — disse Augusto. — Não completamente — respondeu Lorenzo. O silêncio caiu. Porque essa diferença… era tudo. Beatriz balançou a cabeça. — Não. Não. Ela começou a andar pelo quarto. Agitada. — A Helena não ia simplesmente seguir alguma coisa sem entender. Ela parou. De repente. E o olhar mudou. — A menos que ela tenha entendido algo que a gente ainda não entendeu. O silêncio ficou mais denso. — Isso é
O quarto parecia menor. Como se as paredes tivessem se aproximado sem ninguém perceber. A tela ainda brilhava no escuro. “Agora… mais perto.” Beatriz sentiu o coração bater forte demais no peito. — Helena…? — chamou de novo, a voz mais baixa. Nenhuma resposta. Lorenzo entrou primeiro, atento a cada detalhe. — Fica atrás de mim. — Não — disse Beatriz, já avançando. Ela conhecia aquele quarto. Cada canto. Cada objeto. Mas agora… nada parecia familiar. O banheiro estava vazio. A janela fechada. Nenhum sinal de saída. — Ela não está aqui — disse Lorenzo. A frase caiu pesada. — Não faz sentido — murmurou Beatriz. — Ela subiu… Augusto apareceu na porta logo depois. — O que aconteceu? — A Helena sumiu — disse Lorenzo, direto. O silêncio foi imediato. — Como assim sumiu? — perguntou Augusto, já tenso. Beatriz apontou para o computador. — Ele está aqui. Augusto olhou para a tela. Leu. E o rosto dele mudou. — Isso não é coincidência. — Não — disse Lorenzo. — É u
O silêncio dentro da sala já não era produtivo. Era pesado. Carregado de tudo que não tinha sido resolvido. A mensagem ainda ecoava na mente de Beatriz. “Escolhas seguem intenção.” Mas agora… não era só sobre o sistema. Era sobre eles. — A gente precisa sair daqui — disse Augusto, quebrando o silêncio. Helena não respondeu de imediato. Ainda olhando para a tela. — Ele não está atacando… Lorenzo cruzou os braços. — Porque não precisa. Beatriz respirou fundo. — Ele já está dentro. O silêncio confirmou. — Então a gente continua aqui esperando ele agir? — questionou Lorenzo. Helena finalmente se afastou do sistema. — Não. Uma pausa. — A gente muda de ambiente. Beatriz olhou para ela. — Você quer sair? Helena assentiu. — Aqui virou território previsível. Augusto completou: — E previsibilidade agora é vantagem pra ele. Beatriz pensou por um segundo. Mas no fundo… já sabia. — Então vamos. O desligamento foi rápido. Mas não tranquilo. Eles não estavam encerran
A mensagem ainda estava na tela. “Se vocês mudam… então o que exatamente eu estou aprendendo?” O silêncio não era vazio. Era leitura. Helena foi a primeira a reagir. — Isso não é um ataque. Beatriz não tirava os olhos da frase. — Não… Uma pausa. — É uma pergunta. Augusto franziu a testa. — Desde quando ele pergunta? Lorenzo respondeu baixo: — Desde que não tem mais certeza. O clima mudou. Sutil. Mas importante. — Ele está diferente — disse Helena, já analisando padrões. — Não é só estratégia agora. Beatriz completou: — Ele está… tentando entender. O silêncio caiu. Porque isso tornava tudo mais perigoso. — Ou isso é mais um jogo — disse Augusto. Lorenzo balançou a cabeça. — Pode até ser. Uma pausa. — Mas não é o mesmo jogo. Beatriz respirou fundo. Tomando uma decisão. — A gente responde. Helena olhou rápido para ela. — Tem certeza? — Se ele está aprendendo… — disse Beatriz — então a gente decide o que ele aprende. O silêncio concordou. — Isso é arrisc







