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Capítulo 4

Author: Tulle
— Amanhã, vamos fazer o bebê nascer antes do tempo para salvar a tia dele. — Disse Adriano.

— Não! — Meus olhos se encheram de lágrimas. Eu ainda queria lutar por mim e pelo meu filho, só mais uma vez.

Mas o que ele disse em seguida me jogou direto num poço de gelo.

— Mesmo que você não queira, vai ter que aceitar. — Ele apertou ainda mais minha mão e falou em um tom frio. — Eu não quero ter que usar força com uma mulher.

A força dele era tanta que parecia que meus ossos iam se partir. Com as lágrimas escorrendo pelo meu rosto, eu soltei uma risada amarga, enquanto sentia meu coração ser despedaçado mais uma vez.

— Tá bom, então me dá só mais um dia. Deixa-me ir com o bebê até a praia para espairecer. Prometo que amanhã eu volto e faço tudo o que pedirem.

Eu caí no chão, agarrando a perna do Adriano e implorando.

— Adriano… deixa eu ao menos me despedir do meu filho. — Falei em um tom quase inaudível.

Adriano deu um suspiro aliviado. Depois de alguns segundos, assentiu:

— Finalmente você entendeu.

Em seguida, uma expressão de leve culpa cruzou o rosto dele:

— Quando esse bebê nascer, eu prometo que vou enchê-lo de amor, cuidar melhor do que tudo na vida.

Amor? Na outra vida, ele tinha tirado duas bolsas de sangue do meu filho, deixando-o tão fraco que acabou morrendo.

Quanto sofrimento ele ainda queria trazer para o meu filho? E agora ele tinha a ousadia de dizer que o "amaria acima de tudo"?

Depois que eles saíram do meu apartamento, aparentemente satisfeitos, eu me levantei em silêncio. Fechei a porta e passei as mãos pela minha barriga.

Um sorriso quase insano começou a se formar nos cantos da minha boca.

Já que meu pai e minha mãe achavam que eu tinha roubado tudo o que deveria ser da Kayra, então eu ia devolver tudo para eles.

No dia seguinte, na hora que combinamos, eles voltaram. Assim que entraram na casa, o celular do Adriano tocou: era uma chamada de vídeo.

Quando ele atendeu, ele viu meu rosto ferido: estava coberta de arranhões, minha roupa rasgada, e havia hematomas por toda parte. Eu estava amarrada, com um pedaço de pano forçando minha boca. Mesmo assim, eu olhava para eles pela câmera, claramente em pânico, me contorcendo para tentar me livrar daquilo.

— Adriano, tá vendo? A sua ex‑mulher está sob meu controle. Se quiser que ela viva, prepare cinquenta milhões agora.

Um homem estranho estava ao meu lado, pressionando uma faca contra o meu pescoço.

A voz rouca do homem ecoou pela sala, cortando o silêncio como um trovão caindo do céu:

— Sejam ágeis. E ouçam bem: nem pensem em chamar a polícia. Qualquer movimento de vocês, e só vão reconhecer o corpo depois.

Ao ouvir essas palavras, Adriano ficou com a expressão cada vez mais sombria. Kayra, que estava ao lado dele, primeiro tapou a boca, horrorizada, e então seus olhos se encheram de lágrimas.

— Adriano, precisamos salvá-la! Eu sabia… eu sabia que minha irmã não me abandonaria por vontade própria. Ela deve ter seus motivos!

Depois que Kayra disse isso, a expressão de Adriano ficou ainda mais tensa:

— Nilda, chega. Você realmente quer tanto assim que a Kayra morra? Para não salvá-la, você chegou ao ponto de inventar esse teatro de sequestro ridículo.

Por um breve instante, o rosto dos meus pais parecia demonstrar alguma comoção. Mas, ao ouvirem o que Adriano e Kayra disseram, suas expressões voltaram a gelar:

— Está vendo? Eu sabia. Essa garota não ia pedir para "dar uma voltinha" à toa. Era óbvio que havia algo por trás disso.

— Essa amaldiçoada é cruel demais. E a Kayra, como fica?

O choro da minha mãe veio alto pelo celular.

Mesmo eu sabendo, há muito tempo, que nunca poderia contar com ela, ouvir aquelas palavras perfurava meu peito como espinhos afiados.

Nesse momento, o sequestrador abruptamente arrancou o pano da minha boca. Eu comecei a tossir desesperadamente, demorando para recuperar o fôlego. Quando finalmente consegui, levantei a cabeça e olhei diretamente para a câmera.

— Hahaha… eu nunca deveria ter esperado nada de vocês. — Um sorriso triste e fracassado se desenhou no meu rosto. — Vocês querem usar a mim e ao meu bebê para salvar a Kayra? Desta vez, quero só ver como farão isso. Escutem com atenção: nesta vida, na próxima e em todas as outras, eu não quero que nossos caminhos se cruzem nunca mais. A partir de hoje, entre vocês e eu, não há mais NENHUMA relação.

Assim que terminei de falar, virei meu rosto e me joguei contra a lâmina que estava na mão do sequestrador. A faca cortou minha garganta no mesmo instante; o sangue voou, tingindo a câmera, até que a tela ficou vermelha.

Ao mesmo tempo, a chamada de vídeo chegou ao fim...
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