FAZER LOGINAs lágrimas escaparam pelos cantos dos olhos de Aria. Gemeu baixinho, sentindo a dor na mandíbula e na barriga ao mesmo tempo. Será que Jayden não sentia nem um pouco de pena dela? Ela tinha acabado de dar à luz o primeiro filho deles. Mas Aria estava errada ao esperar compaixão de um homem como ele. Jamais a obteria.
— Você é uma mulher que não tem a menor ideia de onde está pisando! — soltou Jayden, tirando a mão da mandíbula de Aria com brutalidade. Sentia que estava perdendo tempo lidando com ela. Jayden foi pegar o seu casaco e as chaves do carro. — Me dá o divórcio, Jayden! O grito de Aria fez Jayden parar novamente. Ele se virou, arqueando uma sobrancelha. — Farei isso com o maior prazer — disse Jayden com uma expressão de alegria, como se essas fossem as palavras que mais esteve esperando ouvir da boca de Aria. O peito da mulher palpitou com uma dor ainda mais agonizante. Eles iriam realmente se separar assim? — Sim. É o melhor — disse Aria, abaixando o olhar para esconder o sofrimento que parecia estar matando-a lentamente. — Mas antes disso, você não deveria pensar também na sua família? Pela segunda vez, Aria levantou os olhos. Estava confusa. O que aquele homem queriam dizer? — Se nos divorciarmos agora, eles vão perder tudo, porque os negócios do seu pai agora estão sob o controle da minha empresa — disparou Jayden, fazendo Aria estremecer imediatamente. Jayden vestiu o paletó enquanto se aproximava novamente da cama do hospital. Inclinou-se ligeiramente para que seu rosto ficasse bem em frente ao de Aria. — E mais uma coisa: o seu pai não tem histórico de uma doença cardíaca bastante grave? — perguntou Jayden, jogando sua cartada principal. — Será que ele vai aguentar a notícia de que a sua amada filha, que acabou de dar à luz, vai se divorciar do marido? — continuou Jayden. Aria fechou os punhos com força. Por que Jayden conhecia e manipulava tanto as suas fraquezas? Enquanto isso, ela não tinha nada. O que devia fazer agora? Seu coração se recusava terminantemente a continuar suportando o casamento com Jayden. Doía demais. Mas também não podia ver sua família ser destruída, e muito menos se arriscar a perder o pai. Só de imaginar, sentia um aperto no peito, como se estivessem lhe arrancando o oxigênio à força. — E então? Ainda quer se divorciar de mim? — perguntou Jayden. Seu rosto refletia pura satisfação ao ver que tinha deixado Aria sem palavras. — Seu desgraçado! — xingou Aria como única resposta. Jayden deu uma risadinha leve e se ergueu após depositar um breve beijo na testa da mulher. — Vou considerar isso como um não — disse ele, e logo se afastou, deixando Aria lutando contra uma tempestade de sentimentos conflitantes. — Não vou deixar você ir embora tão fácil, Aria Kates. Primeiro você tem que pagar por tudo — murmurou Jayden com um tom vingativo após fechar a porta do quarto. Olhou para Aria através da pequena janela antes de ir embora definitivamente. --- Aria fingiu o sorriso mais despreocupado do mundo quando seus pais e os de Jayden chegaram para uma visita. Eles pareciam radiantes de felicidade, embora só pudessem ver o bebê através do vidro transparente. O pequeno ainda estava na incubadora; até mesmo Aria estava proibida de se aproximar demais. Não importava. A única coisa que contava era saber que aquela criaturinha estava bem e que o perigo real já tinha passado, embora ainda precisasse de cuidados intensivos. — Ele é lindo — disse Elvis, o pai de Jayden, abraçando o filho com orgulho. Seu sorriso era o reflexo vivo de uma alegria incontida. E como não estar, se o neto com quem tanto tinha sonhado já estava aqui. Morria de vontade de carregá-lo no colo. — Com certeza. É meu filho e também seu neto — respondeu Jayden, juntando-se aos elogios e provocando risos em todos os presentes. — Jayden, Aria, vocês já têm um nome para esse boneco? — perguntou Anne, a mãe de Aria, contagiada pelo entusiasmo dos outros. Jayden e Aria, que continuava na cadeira de rodas, se olharam. Desde aquele dia em que ele foi embora, não tinha voltado a pisar no hospital. Esteve ocupado demais com Elena e com seus negócios. Levara dois dias para aparecer, e só o fizera porque viera com os pais e não tinha uma desculpa válida para faltar. Não tinham tido tempo de discutir nomes. Aria chegou a pensar que ele nem se importava, então ela mesma vinha pensando no assunto, embora ainda não tivesse encontrado o nome perfeito. — Claro que sim. A resposta de Jayden deixou Aria desconcertada. Quer dizer que o sujeito já tinha um nome pronto? — Juan Matthew — sentenciou Jayden, sem tirar os olhos do bebê. Sentia que esse nome caía como uma luva no seu pequeno. — Nossa! É um nome lindo, Jayden — exclamou Jane, a mãe dele. Todos assentiram, satisfeitos com a escolha, exceto Aria. Ela cravou o olhar em Jayden, queimando por dentro. *"Eu é que deveria ter dado o nome ao meu filho, e não esse desgraçado"*, gritou em sua mente. Ficava doente só de ver ele se tomar essa liberdade, embora não pudesse negar que ele era o pai e tinha os seus direitos. Mas, depois de tudo o que ele tinha feito, Aria sentia que ele não tinha direito a nada. Que a chamassem de egoísta se quisessem; ela mesma admitia.Para o Hans, a verdade é que não importava nem um pouco. Pelo contrário, isso só significava que veria a Aria com mais frequência, que era precisamente o que tanto ansiava: passar tempo com a mulher que amava. Embora por enquanto a relação deles não passasse de uma simples amizade, ele não tinha pressa; iria devagar, passo a passo, para ganhar o coração de Aria e fazer com que ela também começasse a sentir algo por ele.— Muito obrigada mesmo — disse Aria com total sinceridade.— Você não tem nada que agradecer. O que quer que seja por você, Aria — respondeu Hans, conseguindo tirar um sorriso dela.— A propósito... Há alguns dias uma garota se aproximou de mim — comentou Aria, como quem não quer nada.— Quem?— Disse que se chamava Viona.Uma ruga se formou na testa de Hans. Ele ficou completamente desconcertado, perguntando-se o que diabos Viona fazia procurando por ela.Espere um momento...Por acaso a tal amiga de quem Viona tinha falado naquele dia era a Aria? Mas como diabos ela
Jayden fez uma careta sutil. O envelope que tinha na mão tornou-se o alvo de toda a frustração que vinha se acumulando em sua cabeça; apertou as bordas com raiva até deixá-lo completamente amassado e deformado.— Então durante todo esse tempo esse maldito jogo foi o seu plano? — perguntou Jayden, cravando em Aria um olhar indecifrável.— Sim, tudo isso foi o meu plano. Porque só assim pude saber o que diabos eu tinha que fazer — soltou Aria, puxando o ar antes de continuar. — Tal como você mesmo disse, você só está me usando, e assim que eu não servir para mais nada, você vai me mandar para o diabo. Por acaso não é assim?Doloroso. Era exatamente assim que Aria se sentia. Por mais que Jayden tivesse esfregado isso na cara dela um monte de vezes, ainda lhe doía até a alma toda vez que se lembrava. Talvez porque, bem no fundo, Aria tivesse considerado a opção de ficar ao lado dele, mesmo sabendo perfeitamente que o casamento deles estava podre.— E então o que vai acontecer com o Juan?
Hans ficou completamente congelado no lugar. Tentou decifrar as verdadeiras intenções de Aria e, quando finalmente ligou os pontos, cravou nela um olhar fixo e penetrante.— Você está tentando colocar o Jayden à prova? — perguntou Hans, querendo se certificar de que sua suspeita estava correta.— Exatamente, Hans. Você melhor do que ninguém sabe o quanto continuo indecisa em relação ao meu futuro, não é? Esta é a única maldita maneira que tenho para saber se devo ficar ao lado dele ou mandá-lo para o diabo de uma vez por todas — confessou Aria com um sorriso amargo.Para Hans, realmente não entrava na cabeça por que Aria continuava apegada à ideia de ficar com Jayden. Sim, claro que sabia os motivos dela porque ela mesma lhe confiara, mas, a seu ver, essa razão não justificava aguentar tanta merda por tanto tempo. Não lhe parecia justo nem um pouco.Na verdade, não era apenas Hans; Aria se sentia exatamente igual de frustrada. Mas esta era, sem dúvida, a última oportunidade. Aria não
— Meu Deus, Jayden! — soltou Aria entrando em pânico, porque não só o copo tinha se feito em pedaços, mas o corpo de Jayden também tinha vindo abaixo. E o pior de tudo foi que ele caiu direto sobre os vidros quebrados, fazendo com que se cortasse em várias partes do corpo e começasse a sangrar.Fazendo das tripas coração e usando toda a força que pôde reunir, Aria conseguiu levantar Jayden e levá-lo de volta para a cama. Sabe-se lá de onde diabos ela tirou forças para carregá-lo sozinha.— Ai! — queixou-se Jayden, fazendo uma careta de dor ao sentir os ferimentos no braço, o qual tinha usado como apoio para evitar que o corpo todo se estancasse contra os vidros.— Ei! Dá para saber por que diabos você fez isso? Que idiota você é! Olha o seu braço, como você o deixou! Nem a febre passou e agora você vem com essa para piorar tudo! — ralhou Aria, furiosa. Mas Jayden, em vez de se assustar com os gritos, esboçou um sorriso.— Tara, entre agora!— Sim, senhora. — Os olhos de Tara se arrega
Aria respirou fundo antes de limpar o suor das têmporas de Jayden. Em seguida, colocou o pano úmido na testa de seu marido. Já se preparava para se levantar e ir embora, mas a mão de Jayden a reteve, agarrando-a com força.— O que foi? — perguntou Aria.— Quero dormir no meu quarto — suplicou Jayden com os olhos entreabertos pelo cansaço.— Espere as empregadas chegarem. Eu sozinha não consigo carregar você até lá — respondeu Aria, fazendo-o resmungar. — Deveria ter entrado direto no seu quarto enquanto ainda conseguia ficar de pé, em vez de ficar jogado aqui — ralhou com ele.— E como diabos você queria que eu entrasse no meu quarto se ontem à noite você trancou a porta por dentro? — reclamou Jayden, fazendo um bico, como se estivesse ressentido com ela.— O quê? — Aria rolou os olhos com fastio. — Nesta casa sobram quartos, Jayden. Você pode escolher o que bem entender para dormir — soltou, sem se deixar comover.Jayden abriu os olhos, embora os sentisse pesadíssimos, e puxou a mão
Aria sorriu com ternura enquanto acariciava suavemente o rosto de Juan, que estava profundamente adormecido. O pequeno descansava placidamente sobre o peito de Aria; parecia gostar enormemente de ficar ali, escutando as batidas do coração de sua mãe. Talvez isso lembrasse a Juan o seu tempo no ventre, e Aria estava saboreando ao máximo aquele momento.De repente, um clarão de luz fora da janela lhe chamou a atenção. Casualmente, ela estava sentada em uma poltrona perto do janelão. Revelou-se ser um carro, e Aria o reconheceu bem demais.A mulher correu para o seu quarto para deitar Juan direito e cobri-lo antes de voltar à sala. Ao chegar, seus olhos escuros se depararam com Jayden, que estava de pé, com as roupas encharcadas, o rosto machucado e o olhar cravado nela. Lá fora caía uma tempestade terrível e parecia que o homem tinha se esquecido de levar um guarda-chuva.— Jayden, o que você está fazendo aqui? — perguntou Aria. Ela realmente não esperava que ele voltasse tão cedo para







