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Capítulo 06

last update Fecha de publicación: 2026-03-13 03:42:10

Danilo

Eu estava terminando de revisar alguns documentos quando o celular vibrou sobre a mesa.

Ignorei na primeira vez.

Provavelmente era Paolo mandando alguma coisa idiota ou meu pai perguntando mais algum detalhe inútil sobre o casamento.

Mas o celular vibrou novamente.

Peguei o aparelho sem muita pressa e olhei a tela.

Giulia.

Franzi levemente a testa.

Então lembrei.

A mensagem que ela havia mandado dias atrás.

Na verdade… uma semana atrás.

Eu tinha visto a mensagem naquela noite, mas simplesmente deixei para depois. Não estava com a menor vontade de discutir flores, toalhas de mesa ou qualquer outro detalhe que normalmente vinha junto com casamentos.

Para mim aquilo tudo era desnecessário.

Mas aparentemente Giulia não tinha desistido.

Abri a mensagem.

Boa noite Danilo, já que você não se importou em responder minha última mensagem, estou te mandando outra. Nosso casamento está próximo e preciso de você para algumas coisas.

Sorri de lado.

Então quer dizer que eu não me importei?

Interessante.

Fiquei olhando a mensagem por alguns segundos antes de bloquear a tela novamente.

Eu poderia simplesmente ignorar outra vez.

Mas algo na forma como ela escreveu… direto, quase irritado… me fez pegar o celular novamente.

Resolvi ligar.

Ela demorou alguns segundos para atender.

Tempo suficiente para imaginar que provavelmente estava olhando para a tela e decidindo se falava comigo ou não.

Quando finalmente atendeu, a voz dela veio cautelosa.

— Alô.

Inclinei levemente a cabeça, apoiando o celular no ouvido.

— Então quer dizer que eu não me importei em responder sua mensagem?

Houve um pequeno silêncio.

Depois ela respondeu, firme:

— Você demorou uma semana.

Sorri.

A irritação dela era evidente.

— Eu estava ocupado — respondi.

— Por sete dias?

A pergunta veio rápido.

Direta.

Interessante.

Encostei nas costas da cadeira, relaxando um pouco.

— Você sempre é assim… tão impaciente?

— Só quando me ignoram.

Quase ri.

Ela estava claramente irritada, mas ainda assim tentava manter o controle da conversa.

Gostei disso.

— Você disse que precisava de mim para algumas coisas — falei finalmente. — O que exatamente?

— Precisamos decidir algumas coisas da recepção. Principalmente a comida.

Claro.

Comida.

Exatamente o tipo de conversa que eu queria evitar.

— Escolha o que quiser.

Do outro lado da linha houve um pequeno silêncio.

— Danilo… é o nosso casamento.

— Sim.

— Então você não vai opinar em absolutamente nada?

Havia uma mistura curiosa na voz dela.

Irritação.

E algo mais.

Talvez incredulidade.

Passei a mão no queixo, pensando por um instante.

Eu realmente não me importava com o que seria servido naquele dia.

Mas, pela primeira vez desde que aquele casamento foi decidido, eu estava conversando com Giulia de verdade.

E ela definitivamente não era entediante.

— O que você quer que eu faça? — perguntei.

— Vamos fazer uma degustação no hotel essa semana.

Degustação.

Aquilo soava absurdamente formal para algo tão simples.

Mas a irritação dela era quase divertida.

Fiquei em silêncio por alguns segundos.

— Certo.

Ela pareceu surpresa.

— Certo?

— Sim. Podemos fazer essa degustação.

Outro pequeno silêncio.

— Achei que você não se interessava por nada disso.

Sorri levemente, olhando pela janela do escritório.

— Não me interesso.

— Então por que aceitou?

Pensei por um segundo antes de responder.

— Porque você parece muito irritada comigo, Giulia.

Ela ficou em silêncio.

— E eu achei que talvez fosse interessante resolver isso pessoalmente.

Outro silêncio.

Mas dessa vez eu tinha quase certeza de que ela estava ainda mais irritada.

E, por algum motivo, isso me fez sorrir.

Eu praticamente não sabia nada sobre ela.

Procurei o nome de Giulia Giordano algumas vezes, mas não havia quase nada na internet. Nenhuma rede social ativa, nenhuma foto em festas, nenhum rastro do tipo de vida que muitas mulheres do nosso meio gostavam de mostrar.

O pouco que eu sabia me fez imaginar algo bem específico.

Uma mulher criada dentro de casa.

Recatada.

Provavelmente chata.

Mas a conversa ao telefone… mudou um pouco essa impressão.

Havia algo na forma direta como ela falava, na irritação clara quando achava que eu estava sendo um idiota. Aquilo não combinava muito com a imagem de uma mulher completamente passiva.

Na verdade, desde o dia em que ela disse que queria continuar a faculdade, uma pequena curiosidade surgiu.

E agora, estranhamente, eu realmente queria ir naquela degustação.

Queria conhecer um pouco mais sobre Giulia Giordano.

Uma semana depois, eu estava parado do lado de fora do restaurante do hotel onde aconteceria a degustação.

Sabia muito bem que existiam regras. Não era apropriado ficar sozinho com ela, principalmente agora que o casamento estava tão perto.

Então levei Paolo comigo.

Ele encostou no carro, olhando o movimento da rua.

— Então quer dizer que finalmente vai ajudar a organizar seu casamento? — disse ele com um sorriso provocador.

— Cala a boca — respondi sem olhar para ele. — Pelo menos vamos comer uma comida boa.

Ou pelo menos era o que eu esperava.

Alguns minutos depois, um carro parou em frente ao hotel.

Giulia saiu primeiro.

As duas vezes que eu tinha visto ela antes, estava com os cabelos soltos, vestidos elegantes… parecendo uma daquelas mulheres perfeitas que vivem dentro de casas enormes e jardins impecáveis.

Hoje ela estava… diferente.

Calça jeans.

Camiseta básica.

Cabelo preso em um rabo de cavalo.

Praticamente sem maquiagem.

E, ainda assim… estava linda.

Simples.

Natural.

Mas muito bonita.

Percebi que estava olhando um pouco mais do que deveria quando ela se aproximou.

— O que foi? — perguntou, erguendo uma sobrancelha.

Afastei o olhar com naturalidade.

— Nada. Podemos ir?

— Sim — respondeu ela.

Assim como eu havia levado Paolo, ela trouxe Georgina, a irmã.

E Paolo, como sempre, não era exatamente discreto.

Ele olhou para Georgina mais vezes do que o necessário, e eu já sabia que aquilo ainda ia causar algum problema.

Entramos no restaurante, onde o responsável pelo buffet começou uma longa apresentação sobre as opções de pratos.

Carnes.

Massas.

Entradas.

Sobremesas.

Eu estava achando tudo aquilo uma enorme perda de tempo.

E, pelo jeito, Giulia também.

Ela parecia estar ouvindo apenas metade do que o homem dizia.

Até que chegamos na parte das sobremesas.

Giulia pegou uma pequena colher e provou um doce de chocolate.

— Hum… que delícia — disse, quase distraída.

Por algum motivo, aquela cena me fez parar por um segundo.

Fiquei apenas observando.

Ela parecia… genuinamente feliz com aquele doce.

— Você parece gostar bastante de doces, Giulia — disse Paolo, com aquele sorriso torto de sempre.

Ela se recompôs rapidamente.

— Não tanto assim.

Apesar de toda a formalidade da degustação, a tarde acabou sendo melhor do que eu imaginava.

A comida estava realmente boa.

E a companhia de Giulia e Georgina… definitivamente não era ruim.

Foi uma tarde interessante.

Depois que nos despedimos das duas, Paolo não perdeu tempo.

— Caramba… minha futura cunhada estava um espetáculo com aquela roupa — disse ele, animado. — Não parecia nada com aquela moça recatada do noivado.

Revirei os olhos.

Mas ele não tinha terminado.

— E a irmã dela… talvez eu também devesse fazer uma proposta de casamento.

Soltei um suspiro.

— Não seja idiota, Paolo.

Ele riu.

— Ué, só você pode se divertir e eu não? Você vai ter uma beleza daquela na sua cama e eu vou ficar sem nada?

Fiquei em silêncio por um momento.

Na minha cama…

Paolo falava como se aquilo fosse inevitável.

Mas a verdade era outra.

Ele não fazia ideia.

Eu não tinha interesse nenhum em levar Giulia para a cama.

Na verdade, quanto mais distância existisse entre nós… melhor.

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