INICIAR SESIÓNGiulia
Idiota.
Era exatamente isso que Danilo era.
Ele não respondeu minha mensagem. Não ligou. Não fez absolutamente nada. E, por algum motivo, aquilo estava me irritando muito mais do que eu gostaria de admitir.
Quem ele pensava que era?
Eu também não queria esse casamento. Então por que parecia que eu era a única lidando com todos os detalhes?
Se aquilo já era um reflexo de como seria nosso casamento, então nós definitivamente tínhamos começado mal.
Muito mal.
— O que foi, Giulia? Por que essa cara? — perguntou Georgina, me observando do outro lado da cama.
Suspirei.
— Nada… eu precisava falar algumas coisas com Danilo sobre o casamento, mas ele não respondeu minha mensagem.
Ela deu de ombros.
— Talvez ele esteja ocupado.
Ergui uma sobrancelha.
— Por dois dias?
Balancei a cabeça, irritada.
Eu duvidava muito que ele estivesse ocupado esse tempo todo. Parecia muito mais que simplesmente não queria falar comigo.
— Idiota — murmurei novamente.
Georgina mudou de assunto com a mesma facilidade de sempre.
— Giulia… você já pensou na sua noite de núpcias? — perguntou ela de repente, animada. — Precisamos sair para comprar lingerie, camisolas…
Fiz uma careta.
— Eu já tenho várias.
Ela revirou os olhos dramaticamente.
— Não seja chata, Giulia. Você precisa de algo mais sensual. Vermelho, preto, rendas, transparência… não esses pijamas com desenhos que você usa.
Torci o nariz.
Mas, no fundo, ela tinha razão.
Minhas roupas íntimas eram… normais. Confortáveis. Nada realmente especial.
E eu sabia que algumas peças mais bonitas poderiam me fazer sentir melhor. Mais confiante. Para mim mesma e para o meu marido.
Meu marido.
A palavra apareceu na minha mente de repente, e fiquei em silêncio por um instante.
Porque, naquele momento, algo que eu estava evitando pensar finalmente se tornou claro.
Eu iria me casar com Danilo.
Dividiríamos a mesma casa.
A mesma cama.
E isso significava que, mais cedo ou mais tarde… eu teria que dormir com ele.
Teríamos que transar.
Senti um leve frio no estômago.
Eu estava preparada para aquilo?
O que eu estava pensando… casais dormem juntos. Era normal. Era esperado.
Mesmo assim, a ideia de dividir aquele momento com um homem que eu mal conhecia me deixava estranhamente nervosa.
— Então, Giulia? — insistiu Georgina, me tirando dos meus pensamentos. — Quando vamos?
Respirei fundo.
— Sim… claro. Podemos ir amanhã.
Ela sorriu imediatamente, animada.
Mas enquanto Georgina já começava a falar sobre lojas e cores, eu percebi que um novo sentimento estava crescendo dentro de mim.
E não era mais irritação com Danilo.
Era nervosismo.
Muito nervosismo.
No dia seguinte, lá estávamos nós dentro de uma loja enorme de lingeries.
Era uma daquelas lojas elegantes, com luz suave, espelhos por todos os lados e manequins usando peças que pareciam mais obras de arte do que roupas.
Eu sabia exatamente o que deveria comprar.
Mas, mesmo assim, nada parecia me agradar.
— Ai, Giulia, melhora essa cara — disse Georgina, segurando um conjunto de renda vermelha na frente do corpo e se olhando no espelho.
— Quero ver quando for você que estiver para casar — respondi, cruzando os braços.
Ela deu uma risadinha.
— Quando for a minha vez, vou escolher as camisolas mais curtas e transparentes possíveis.
Revirei os olhos, mas acabei sorrindo.
A verdade é que a loja tinha coisas realmente bonitas. Muito mais bonitas do que eu imaginava.
Depois de algum tempo andando entre as araras, comecei a escolher algumas peças.
E então mais algumas.
E mais algumas.
Quando percebi, já tinha separado uma quantidade absurda de coisas.
Conjuntos rendados.
Algumas camisolas delicadas.
Outras um pouco mais… ousadas.
Lingeries mais sensuais do que qualquer coisa que eu já tinha usado.
Confesso que um pensamento não saía da minha cabeça.
Eu iria me casar com Danilo.
E isso significava que, mais cedo ou mais tarde, eu teria que dormir com ele.
A ideia ainda me deixava estranhamente inquieta.
Danilo provavelmente já tinha ficado com várias mulheres. Homens como ele sempre tinham.
O mundo era cruel nesse sentido.
Enquanto os homens podiam fazer o que quisessem, sem julgamentos, as mulheres eram ensinadas a ser discretas, cuidadosas… quase inocentes.
Ele provavelmente sabia muitas coisas.
E eu… praticamente nada.
Voltamos para casa com várias sacolas e senti o olhar de Marco sobre mim.
Observando.
Seus olhos passaram rapidamente pelas sacolas nas minhas mãos, e eu tive certeza de que ele imaginou exatamente o que havia dentro delas.
Ele me encarou o resto do dia inteiro.
E, para minha surpresa, uma pequena parte de mim ficou satisfeita ao perceber a irritação no olhar dele.
Só para ele perceber o que tinha perdido.
Naquela noite, depois do banho, fiquei alguns minutos parada em frente ao espelho do meu quarto.
Observei meu corpo com calma.
Meus seios não eram grandes, mas eram bonitos. Proporcionais.
Minhas pernas eram fortes, grossas na medida certa.
E minha bunda… bem, eu sempre achei que ela era bonita.
Nunca tive problemas com meu corpo.
Mas agora que alguém realmente iria me ver nua… senti uma pequena pontada de insegurança.
Respirei fundo.
Eu me achava bonita.
Não ia deixar meus próprios pensamentos me sabotarem.
Uma semana passou.
E Danilo continuava sem responder minha mensagem.
Nenhuma ligação.
Nenhuma resposta.
Nada.
Comecei a pensar se deveria tentar novamente ou simplesmente esquecer o assunto.
Mas se eu teria que lidar com aquele casamento, então ele também teria.
Já passava das dez da noite quando decidi que tentaria mais uma vez.
Peguei o celular e digitei.
“Boa noite, Danilo. Já que você não se importou em responder minha última mensagem, estou te mandando outra. Nosso casamento está próximo e preciso de você para algumas coisas.”
Li a mensagem duas vezes.
Depois mais uma.
Então respirei fundo…
E enviei.
Dez minutos depois, meu celular começou a tocar.
Olhei para a tela.
O número era dele.
Danilo.
Fiquei alguns segundos apenas encarando o aparelho, como se aquilo fosse alguma espécie de armadilha. O coração acelerou um pouco mais do que eu gostaria de admitir.
Respirei fundo e atendi.
— Alô — falei, tentando parecer tranquila.
Do outro lado da linha houve um pequeno silêncio antes de ele responder.
— Então quer dizer que eu não me importei em responder sua mensagem?
A voz de Danilo era baixa, firme… e havia um leve tom de provocação nela.
Fechei os olhos por um instante.
Claro.
Ele tinha decidido ligar justamente por causa daquilo.
— Você demorou uma semana — respondi, mantendo a voz calma. — Acho que minha conclusão não foi tão absurda assim.
Outro pequeno silêncio.
— Eu estava ocupado.
Revirei os olhos, mesmo sabendo que ele não podia ver.
— Ocupado por sete dias?
— Sim.
Suspirei.
— Bom, então fico feliz que finalmente tenha encontrado alguns minutos na sua agenda para falar com a sua noiva.
Dessa vez ele soltou uma pequena risada.
Baixa.
Quase divertida.
— Você sempre é tão… direta assim, Giulia?
— Só quando me ignoram.
— Eu não estava te ignorando.
— Claro que não — respondi, com ironia. — Você apenas leu minha mensagem e decidiu responder uma semana depois.
Houve um breve silêncio.
— Você queria falar sobre o casamento — disse ele, finalmente voltando ao assunto. — O que precisa?
— Precisamos decidir algumas coisas sobre a recepção. Comida, principalmente. Eu imaginei que talvez você tivesse alguma preferência ou quisesse fazer uma degustação.
— Não tenho.
Franzi a testa.
— Nenhuma?
— Nenhuma.
— Danilo, é o nosso casamento.
— Exatamente — respondeu ele com naturalidade. — Então escolha o que quiser.
Respirei fundo, tentando manter a paciência.
— Você não vai opinar em absolutamente nada?
— Não vejo necessidade.
Balancei a cabeça, irritada.
— Impressionante.
— O que foi agora?
— Nada… — murmurei. — Só estou percebendo que vamos nos dar muito bem nesse casamento.
Dessa vez a risada dele veio mais clara.
— Nós dois sabemos que esse casamento não é exatamente sobre nos darmos bem, Giulia.
Fiquei em silêncio por um instante.
Porque, pela primeira vez, ele tinha dito aquilo em voz alta.
E a verdade era que eu pensava exatamente a mesma coisa.
GiuliaDanilo tomou minha boca em um beijo feroz, daqueles que me faziam esquecer qualquer pensamento que não fosse ele. E como eu adorava aquilo!Enquanto sua boca se ocupava da minha, uma de suas mãos percorreu meu corpo sem qualquer cerimônia, deslizando pela minha cintura e parando por um instante em meu quadril. Sorri contra seus lábios, sentindo um arrepio percorrer minha pele quando ele se afastou apenas o suficiente para beijar meu rosto.Depois, desceu para o meu pescoço.Inclinei a cabeça, oferecendo-lhe mais espaço, e meus dedos se perderam em seus cabelos enquanto ele espalhava beijos pela minha pele. Danilo parecia determinado a não deixar nenhum vestígio do batom intacto, e eu já não tinha a menor intenção de reclamar.Seus lábios continuaram descendo, devagar, até que ele se afastou de mim e se ajoelhou diante dos meus olhos.— Não sabia que um Don se ajoelhava — murmurei.— Por você, sempre — respondeu.Danilo levantou a barra do meu vestido e colocou minha perna esque
DaniloO jantar foi maravilhoso. Estávamos todos reunidos, conversando e rindo, e, por algumas horas, minha casa parecia apenas uma casa de família, não a residência de um Don.Viviana, para minha surpresa, se deu muito bem com os pais de Giulia. Henrico parecia satisfeito com a companhia dela, enquanto Vittoria a tratava com a mesma gentileza com que acolhia todos naquela noite. Paolo e Georgina, por outro lado, estavam fazendo um trabalho admirável ao fingirem que se suportavam. Se eu não conhecesse meu irmão e não tivesse percebido o modo como Georgina evitava olhar para ele, talvez até acreditasse naquela encenação.Mas não era problema meu. Pelo menos, não naquela noite.Mais tarde, quando os fogos começaram a iluminar o céu, encontrei meu lugar ao lado da mulher que eu amava. Giulia estava de costas contra meu peito, e meus braços envolviam sua cintura enquanto observamos as luzes coloridas explodirem acima de nós. Enterrei o rosto em seus cabelos, respirando seu perfume, e sen
DaniloO sorriso desapareceu do rosto dele por um segundo. Paolo olhou na direção de Georgina, que conversava com nossos pais, e soltou um suspiro.— Ela deve estar contando para eles o quanto sou um marido desgraçado.— Agora você vai saber como me sinto todas as vezes que os visito e Giulia começa a chorar, como se eu a maltratasse dentro de casa.Paolo soltou uma risada sem humor.— Eles nos obrigaram a casar. A culpa é deles.— Você teria que se casar de qualquer jeito, e eu sei que gosta dela. Então, resolve logo essa merda.Ele fechou a expressão
Giulia— Você está linda, meu amor — disse meu pai, sentando-se ao meu lado no sofá.Sorri e me aconcheguei um pouco mais perto dele. A verdade era que eu queria deitar no colo do meu pai e chorar. Não por estar triste, exatamente, mas porque, às vezes, tudo o que eu precisava era deixar de ser uma mulher adulta e voltar a ser apenas a filhinha dele.Queria sentir seus dedos acariciando meus cabelos, ouvir que estava tudo bem e descansar por alguns minutos sem precisar me preocupar com nada.Mas eu tinha acabado de me arrumar, minha maquiagem estava impecável e meu cabelo havia ficado exatamente como eu queria. Não pretendia estragar tudo antes mesmo de o jantar começar.Deixaria aquele momento para quando meus pais fossem embora. Então, talvez, eu pudesse me permitir desabar um pouquinho no colo dele, como fazia quando era mais nova.Meu pai passou o braço pelos meus ombros e beijou minha testa, como se tivesse entendido meus pensamentos sem que eu precisasse dizer uma palavra. Sorri
GiuliaQuando finalmente terminamos, subimos para nos arrumar.Eu estava prestes a entrar no banheiro quando Danilo segurou minha mão.— Que tal tomarmos banho juntos?Olhei para ele com um sorriso que respondeu à pergunta antes mesmo que eu abrisse a boca.Desde o fim da gestação, não tínhamos compartilhado um banho daquela maneira. Entre o desconforto dos últimos meses de gravidez, o nascimento de Augusto e a rotina cansativa que se instalara em nossa casa, havíamos perdido alguns desses pequenos momentos de intimidade.E eu sentia falta deles.— Sim — respondi, aproximando-me para beijá-lo.Pouco depois, a água quente escorria sobre nossos corpos, enquanto permanecíamos abraçados, sem pressa para fazer qualquer outra coisa. Encostei o rosto no peito dele e senti seus braços me envolverem. Por alguns instantes, não pensei na ceia, nos convidados ou em todas as tarefas que ainda precisávamos concluir. Éramos apenas Danilo e eu, aproveitando a tranquilidade de estarmos juntos.Ele apo
GiuliaDurante aquela semana, dediquei boa parte dos meus dias à decoração de Natal. Queria que a casa estivesse bonita e acolhedora para receber minha família, e Romero acabou se tornando meu ajudante, mesmo que não tivesse exatamente se oferecido para a tarefa.Eu já gostava dele antes, mas, depois do nascimento de Augusto, meu carinho havia ganhado uma nova dimensão. Talvez, para ele, tivesse sido apenas mais um dia de trabalho, mas, para mim, significava muito mais.Enquanto ele desenrolava um dos fios de luzes que pretendíamos colocar na sala, aproveitei a oportunidade para tocar no assunto.— Quero que você venha para o jantar de Natal.Romero ergueu os olhos para mim, parecendo não entender de imediato.— Não precisa se incomodar, senhora Giulia.— Primeiro, não me chame de senhora. Já conversamos sobre isso. — Apontei um dedo para ele, tentando parecer séria. — Segundo, não é incômodo nenhum. Quero você e Viviana aqui com a gente.Ele voltou a olhar para as luzes em suas mãos.







