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Capítulo 4 - Entre Véus e Cicatrizes ( Parte 2)

Autor: Monalisa
last update Fecha de publicación: 2026-08-03 22:38:22

Enquanto Elara terminava de prender os últimos fios do penteado, Zara abriu cuidadosamente a caixa de madeira que Kiara havia trazido.

Lá dentro, repousavam as peças que completariam o traje cerimonial.

Todas permaneceram em silêncio por um instante.

Nem mesmo Zara encontrou uma brincadeira.

Era impossível.

A beleza daquelas peças tirava o fôlego.

Kiara retirou primeiro o vestido.

O tecido branco parecia tão leve que quase flutuava entre seus braços.

Longas mangas de tule transparente desciam até os punhos, onde delicados bordados prateados desenhavam pequenas fases da lua.

A cintura era marcada por um fino bordado em fios de prata.

A saia caía em camadas suaves, formando um movimento delicado que lembrava névoa espalhando-se sobre um lago.

Não havia excesso de brilho.

Não havia pedras espalhadas por todo o vestido.

A beleza estava justamente na simplicidade.

Elegante.

Imponente.

Quase etérea.

— É lindo… — murmurou Mia.

— Você ainda não viu tudo. — Zara sorriu.

Ela retirou outra pequena caixa.

Dentro dela repousava um delicado circlete de prata.

No centro havia uma pedra da lua esbranquiçada, cercada por pequenos cristais que refletiam a luz da manhã.

Elara sorriu.

— Isso pertenceu a uma antiga Luna.

Mia passou os dedos sobre a joia.

— É perfeito.

Kiara levantou outro pequeno embrulho.

— E este…

Ela sorriu.

— É para combinar com o colar.

Mia abriu o tecido.

Brincos pequenos em formato de lua crescente.

Uma pulseira fina de prata.

Tudo parecia ter sido feito para complementar o pingente que Maelis lhe deixara.

— A Luna pensou em cada detalhe. — comentou Elara.

Mia sorriu discretamente.

— Ela sempre pensa.

As três começaram a ajudá-la a vestir o traje.

O tecido deslizou sobre sua pele com delicadeza.

Elara ajustou o corpete.

Kiara organizou cuidadosamente as camadas da saia.

Enquanto isso, Zara caminhava ao redor da amiga, analisando tudo como se fosse uma artista diante da própria obra.

— Ainda falta alguma coisa.

Elara estreitou os olhos.

De repente, sorriu.

Aproximou-se de Mia.

Retirou delicadamente o colar de lua de dentro do vestido.

— Pronto.

Agora sim.

— Mamãe ia brigar comigo se eu escondesse isso.

As quatro sorriram.

Elara posicionou o circlete sobre a cabeça da irmã.

Os cabelos dourados ficaram parcialmente presos, enquanto o restante caía em ondas suaves pelas costas.

Quando terminou, deu um passo para trás.

Kiara fez o mesmo.

Zara levou as duas mãos até a boca.

Nenhuma delas falou.

Mia olhou de uma para a outra.

— O quê?

Foi Kiara quem rompeu o silêncio.

Os olhos brilhavam.

— Você está…

Ela sorriu.

— Linda.

Elara respirou fundo.

— Não.

Linda é pouco.

Zara assentiu imediatamente.

— Parece que nasceu para usar essas roupas.

Mia desviou o olhar para o grande espelho diante da penteadeira.

Por um instante…

Nem ela reconheceu o próprio reflexo.

A garota que durante anos acreditara ser apenas uma sem-lua havia desaparecido.

No lugar dela…

Havia uma mulher.

Uma Luna.

Mesmo assim…

Seu sorriso desapareceu quase tão rápido quanto surgiu.

— Não importa.

As três voltaram a olhá-la.

— Ian nunca vai me perdoar.

O quarto mergulhou no silêncio.

Foi Zara quem caminhou até ela.

— Você realmente acredita nisso?

Mia manteve os olhos fixos no espelho.

— Eu sei que sim.

— Ian era completamente louco por você.

Antes mesmo de descobrir quem você era.

Antes da profecia.

Antes de qualquer coisa.

Isso não desaparece de uma hora para outra.

Mia sorriu sem alegria.

— Já desapareceu.

Desde que ele descobriu que escondi a verdade durante todos aqueles anos…

Tudo acabou.

Elara aproximou-se.

Segurou delicadamente a mão da irmã.

— Não acabou.

Mia ergueu os olhos.

— Às vezes…

As pessoas precisam de tempo para lidar com uma dor muito grande.

Vínculos também se machucam.

Mas podem ser reconstruídos.

Ela apertou levemente sua mão.

— Só não acontece de um dia para o outro.

Mia respirou fundo.

Queria acreditar.

Mas toda vez que fechava os olhos…

Ainda conseguia sentir o vazio deixado pela rejeição.

Foi Zara quem decidiu que aquele assunto já durara tempo demais.

Bateu uma palma.

— Chega.

Hoje ninguém vai chorar.

Kiara riu.

— Zara…

— O quê?

Ela cruzou os braços.

— Passei um mês inteiro vendo vocês duas deprimidas.

Hoje não.

Hoje é dia de casamento.

Elara arqueou uma sobrancelha.

— Falou a especialista no assunto.

— Ainda vou ser.

Kiara soltou uma risada.

— Pelo menos agora eu posso dar dicas.

Zara sorriu maliciosamente.

— Ah…

Disso eu não duvido.

Kiara corou imediatamente.

— Zara!

— O quê?

— Nada!

Elara não conseguiu conter a risada.

— Confessa.

Você está com essa cara boa desde que casou.

Kiara cobriu o rosto com as mãos.

— Vocês são impossíveis.

— Ainda bem que aceitei o convite do professor Aurelin para ficar na casa dele. — comentou Elara, tentando parecer séria.

— Por quê? — perguntou Mia, já sorrindo.

Elara olhou para Kiara.

Depois para Zara.

— Porque eu gosto muito dos dois…

Mas também gosto de dormir.

Zara levou alguns segundos para entender.

Quando entendeu…

Começou a gargalhar.

— Eu sabia!

Kiara arregalou os olhos.

— Elara!

— O quê?

Ela deu de ombros, tentando esconder o riso.

— A casa não é tão grande assim.

Kiara enterrou o rosto nas próprias mãos.

— Eu nunca mais vou olhar para vocês.

— Vai, sim. — Zara respondeu entre risadas.

— Mas, antes disso…

Ela caminhou até Mia.

Segurou delicadamente suas mãos.

O sorriso divertido deu lugar a um olhar cheio de carinho.

— Independente do que acontecer lá fora…

Nunca esqueça quem você é.

Você não é só a Loba Branca.

Você é nossa Mia.

Os olhos de Mia se encheram de lágrimas.

Dessa vez…

Ela não tentou escondê-las.

As quatro se abraçaram demoradamente.

Como se aquele abraço pudesse protegê-las de tudo o que as esperava do lado de fora.

Três batidas firmes ecoaram na porta.

O silêncio voltou imediatamente.

— Luna Mia.

A voz de um dos guardas atravessou a madeira.

— Está na hora.

Mia respirou fundo.

Olhou uma última vez para o espelho.

Depois para as pessoas que amava.

E, pela primeira vez naquela manhã…

Encontrou coragem para dar o primeiro passo em direção ao destino que a aguardava.

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