Beranda / Romance / Fui Embora, e Desapareci com O Filho do Magnata / Capítulo 3 — A Mulher Que Ele Escondia

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Capítulo 3 — A Mulher Que Ele Escondia

Penulis: Eva Belmont
last update Tanggal publikasi: 2026-09-28 20:34:16

Clara dirigiu por quase uma hora sem perceber para onde estava indo.

As ruas passavam pelas janelas do carro, iluminadas pelos postes e pelos faróis dos outros veículos, mas sua atenção estava presa às palavras que continuavam se repetindo dentro da cabeça.

“Clara está aqui.”

“Ela sempre está.”

“Ela não pode descobrir agora.”

“Depois eu resolvo tudo.”

Depois.

Aquela palavra doía mais do que deveria.

Porque Adrian havia falado sobre o casamento como se fosse um problema administrativo.

Algo que poderia ser resolvido quando fosse conveniente.

Clara apertou o volante.

Seis anos.

Seis anos de casamento.

Seis anos dividindo uma casa, planos, viagens, decisões, dificuldades e vitórias.

E, ainda assim, aparentemente existia uma parte da vida de Adrian da qual ela não fazia ideia.

Uma mulher.

Uma relação.

Segredos.

Clara estacionou em frente a um pequeno café que ainda estava aberto.

Desligou o motor.

Permaneceu dentro do carro por alguns minutos.

Seu celular vibrava sem parar.

Adrian.

Ela olhou para a tela.

Uma chamada.

Depois outra.

Uma mensagem.

“Clara, onde você está?”

Ela não respondeu.

Outra mensagem apareceu.

“Por que você saiu?”

Clara respirou fundo.

O homem que estava procurando por ela naquele momento era o mesmo que, poucos minutos antes, conversava escondido com outra mulher.

Ela colocou o celular no banco do passageiro.

Não atenderia.

Não naquela noite.

Entrou no café e escolheu uma mesa afastada.

Pediu apenas água.

A atendente olhou para ela algumas vezes, talvez percebendo que havia algo errado.

Clara não se importou.

Abriu a bolsa.

O pequeno teste de gravidez ainda estava ali.

Ela o retirou.

Colocou sobre a mesa.

Ficou olhando para as duas linhas.

— Meu Deus...

Sua voz saiu quase sem som.

A mão tremeu.

Não pela gravidez.

Pelo futuro.

Até algumas horas atrás, Clara imaginava contar a Adrian aquela notícia e vê-lo sorrir.

Agora não sabia sequer se deveria permitir que ele soubesse.

Uma lágrima escorreu.

Ela limpou rapidamente.

Não queria chorar.

Não naquele lugar.

Não por ele.

Clara pegou o celular novamente.

Abriu o contato de sua melhor amiga, Sofia.

Digitou:

“Você está acordada?”

A resposta veio quase imediatamente.

“Estou. Aconteceu alguma coisa?”

Clara ficou olhando para a tela.

Apagou.

Escreveu novamente.

“Preciso conversar com você.”

Sofia respondeu:

“Pode vir para minha casa.”

Clara guardou o teste.

Pagou a água que mal havia tocado e saiu.

Sofia abriu a porta ainda usando roupas de dormir.

Ao ver o rosto da amiga, imediatamente ficou séria.

— Clara?

Clara entrou.

Sofia fechou a porta.

— O que aconteceu?

Clara deixou a bolsa sobre o sofá.

Por alguns segundos, não conseguiu falar.

Sofia segurou suas mãos.

— Você está me assustando.

Clara respirou profundamente.

— Eu estou grávida.

Sofia ficou imóvel.

— O quê?

Clara sorriu entre lágrimas.

— Eu descobri ontem.

A expressão de Sofia mudou completamente.

— Clara...

Ela abraçou a amiga.

— Meu Deus! Você está grávida!

Clara fechou os olhos.

Durante alguns segundos, permitiu-se sentir felicidade.

— Eu queria contar ao Adrian no nosso aniversário de casamento.

Sofia se afastou.

— E por que você está aqui no meio da noite?

Clara ficou em silêncio.

Sofia entendeu que havia algo mais.

— O que aconteceu?

Clara contou.

Não todos os detalhes.

Mas o suficiente.

Falou sobre a mulher.

Sobre a conversa.

Sobre o modo como Adrian falava dela.

Sofia ouviu sem interromper.

Quando Clara terminou, a amiga permaneceu alguns segundos em silêncio.

— Você tem certeza de que era outra mulher?

— Eu ouvi.

— E ele falou sobre você.

— Falou.

— Você viu os dois juntos?

— Vi os dois indo para o mesmo lugar. Depois ouvi a conversa.

Sofia respirou fundo.

— Então não confronte ele ainda.

Clara ergueu os olhos.

— Eu não pretendia.

— Ótimo.

Sofia foi até a cozinha e pegou duas xícaras.

— Você precisa descobrir quem ela é.

— Eu sei.

— E precisa descobrir há quanto tempo isso acontece.

Clara ficou olhando para o chão.

— Eu também quero saber por que ele estava escondendo aquela empresa.

Sofia voltou para a sala.

— Que empresa?

Clara explicou sobre os documentos.

Sofia arregalou os olhos.

— Então existem duas coisas acontecendo.

— Talvez.

— Não. Clara, escuta. Você encontrou uma empresa estranha, ouviu Adrian falando que não queria que você descobrisse alguma coisa e depois encontrou uma mulher escondida com ele.

Clara permaneceu quieta.

— Pode existir uma ligação entre tudo isso.

Aquela possibilidade já havia passado por sua cabeça.

Mas ouvir outra pessoa dizer tornou tudo mais real.

— Eu não quero acreditar que ele seja capaz disso.

Sofia sentou-se ao lado dela.

— Você não precisa decidir hoje o que acredita.

Clara olhou para a amiga.

— O que eu preciso fazer?

— Descobrir a verdade.

Na manhã seguinte, Clara voltou para casa.

A casa estava silenciosa.

Adrian não havia dormido ali.

Ela subiu para o quarto e encontrou o celular dele sobre a mesa de cabeceira.

Clara parou.

O aparelho estava desbloqueado.

Ela não tocou.

Durante seis anos, nunca havia invadido a privacidade do marido.

Mas aquele não era mais um casamento baseado na mesma confiança.

Ela se aproximou.

O celular vibrou.

Uma mensagem apareceu na tela.

“Ontem você prometeu que falaria comigo.”

Clara sentiu o sangue gelar.

O número não estava salvo.

Ela não abriu a mensagem.

Não precisava.

Já sabia que havia alguém.

O aparelho vibrou novamente.

“Eu não quero continuar escondida.”

Clara fechou os olhos.

A mensagem desapareceu da tela.

Ela pegou o próprio celular e fotografou o número.

Depois colocou o telefone de Adrian exatamente onde estava.

Não queria deixar rastros.

Poucos minutos depois, ouviu a porta da garagem.

Adrian havia chegado.

Clara desceu.

Ele entrou na sala e encontrou a esposa parada perto da janela.

— Clara.

— Bom dia.

Adrian soltou o ar.

— Onde você estava?

— Na casa da Sofia.

— Você saiu sem dizer nada.

— Eu precisava ficar sozinha.

Ele se aproximou.

— Você ouviu alguma coisa ontem?

Clara sentiu o coração acelerar.

Mas manteve a expressão tranquila.

— O que eu deveria ter ouvido?

Adrian ficou olhando para ela.

— Nada.

— Então por que perguntou?

Ele desviou o olhar.

Clara percebeu.

— Você está escondendo alguma coisa de mim.

— Não estou.

— Está.

Adrian passou a mão pelos cabelos.

— Clara, eu tive uma noite complicada.

— Eu também.

— Podemos conversar depois?

— Claro.

Ela assentiu.

— Quando?

— Hoje à noite.

Clara quase sorriu.

— Tudo bem.

Adrian aproximou-se e tocou seu rosto.

O gesto era familiar.

Quase carinhoso.

Mas Clara não conseguiu sentir o mesmo.

— Eu amo você — ele disse.

A frase atingiu seu peito.

Ela queria acreditar.

Queria desesperadamente.

Mas agora aquela frase parecia ter perdido o significado.

— Eu também amo você.

Adrian beijou sua testa.

Depois subiu as escadas.

Clara permaneceu no mesmo lugar.

Assim que ele desapareceu, seu rosto mudou.

Ela pegou o celular.

Abriu o número fotografado.

Não sabia quem estava do outro lado.

Mas descobriria.

Naquela tarde, Clara começou uma investigação silenciosa.

Usou os próprios conhecimentos profissionais para pesquisar a empresa que aparecia nos documentos.

Encontrou registros públicos.

A empresa tinha poucos meses.

Poucos funcionários.

Nenhuma atividade compatível com o valor que receberia.

Ela continuou procurando.

Até encontrar um nome.

Isabela Montenegro.

Clara encarou a tela.

Aquele nome era familiar.

Muito familiar.

Abriu uma antiga pasta de documentos da empresa.

Encontrou uma fotografia.

Era ela.

Isabela havia trabalhado em uma das divisões do grupo durante quase um ano.

Clara lembrava-se dela.

Uma jovem inteligente, ambiciosa e extremamente próxima de alguns executivos.

Clara também lembrava de ter ajudado Isabela quando ela precisou de uma recomendação profissional.

Na época, acreditava estar apenas ajudando uma funcionária talentosa.

Agora, aquele favor parecia voltar para assombrá-la.

Clara abriu o perfil profissional de Isabela.

As informações eram escassas.

Mas havia uma fotografia recente.

Clara sentiu o estômago se contrair.

Era a mesma mulher do restaurante.

A mulher que estava com Adrian.

Ela recostou-se na cadeira.

Agora tinha um nome.

Isabela Montenegro.

E tinha outra coisa.

A empresa que Adrian estava tentando transferir dinheiro para estava registrada no nome dela.

Clara ficou olhando para a tela.

A traição já era dolorosa.

Mas aquilo significava algo muito maior.

Adrian não estava apenas mantendo uma amante.

Ele estava movimentando dinheiro.

Estava criando uma estrutura financeira em torno dela.

E queria que Clara assinasse os documentos.

Clara sentiu um frio percorrer o corpo.

Se tivesse assinado sem verificar...

Ela fechou os olhos.

Por pouco.

Muito pouco.

Pegou uma folha e começou a anotar tudo.

Data.

Nome.

Empresa.

Valores.

Documentos.

Mensagens.

Endereço.

Cada informação.

Não sabia ainda qual era o objetivo de Adrian.

Mas sabia que precisava se proteger.

E, naquele momento, uma ideia começou a nascer.

Se Adrian acreditava que ela ainda confiava nele, Clara não tinha motivo para destruir essa ilusão.

Pela primeira vez em seis anos, ela decidiu guardar algumas coisas apenas para si.

Inclusive a gravidez.

Inclusive o que acabara de descobrir.

Inclusive o plano que começava a tomar forma em sua cabeça.

Naquela noite, quando Adrian voltasse para casa e perguntasse se ela ainda o amava, Clara responderia exatamente aquilo que ele esperava ouvir.

Mas, enquanto ele acreditasse que sua esposa continuava a mesma mulher de sempre, Clara começaria a preparar sua saída.

E Adrian não perceberia nada.

Ainda.

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