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Capítulo 3

Penulis: Montanha Rio
Eu estava deitada na cama do hospital, meu corpo tão fraco que parecia ter sido esvaziado.

Os passos do Dr. Johnson ecoavam ao meu redor, mas eu não ouvia nada. Era como se todo o som tivesse desaparecido. Era um silêncio que apenas uma mãe que perdeu seu filhote poderia compreender.

Esse silêncio foi quebrado por uma mensagem. Alguém da rede interna da alcateia me enviou um vídeo.

Xavier ria com confiança em um banquete, o braço envolvido na cintura de Lily enquanto sussurrava algo em seu ouvido. Ela riu alto e se aninhou em seus braços. As luzes refletiam em seus rostos, como se fossem o par predestinado.

No dia da minha alta, Xavier não veio me buscar. Nem mesmo o membro de menor patente da alcateia apareceu.

Carreguei a velha bolsa de pano que o hospital me deu e enfrentei o vento frio sozinha.

Naquele momento, eu realmente entendi. Para eles, eu não era nada.

Eu não queria voltar à propriedade do Alfa. O ar lá cheirava a humilhação.

No entanto, eu não tinha escolha. Meus documentos de identificação, papéis e até meus cartões bancários ainda estavam lá.

Ainda assim, o destino foi cruel. No corredor fora do meu quarto, eu os vi novamente.

Lily sorria livremente, seu vestido branco fazendo sua pele parecer brilhar. Xavier estava ao lado dela, a mão firme em sua cintura, a postura dolorosamente íntima.

Uma enfermeira que passava riu e brincou:

— Alfa, sua Luna parece radiante hoje.

Quase engasguei.

Mesmo assim, não a corrigi. Não havia sentido. Se ela quisesse aquele título, podia ficar com ele.

Virei-me para ir embora, mas fui interrompida por uma voz familiar.

— Clara? O que você está fazendo aqui? Está me seguindo?

No instante em que ele falou, meus pés congelaram no lugar, como se estivessem presos por correntes invisíveis. Respirei fundo e me virei.

— Não estou seguindo você — disse friamente. — Acabei de receber alta. Não sabia que você estaria aqui.

Ele estreitou os olhos, prestes a dizer algo, mas Lily falou primeiro, entrelaçando suavemente o braço no dele.

— Querido, deixe ela voltar conosco. Ela doou sangue para mim. Pelo menos isso deveríamos fazer por ela.

Uma risada fria quase escapou de mim.

Xavier ergueu a mão e colocou uma mecha de cabelo atrás da orelha dela.

— Você é gentil demais.

Então ele se virou para mim.

— Entre no carro.

Eu não recusei. Precisava de uma oportunidade para pegar minha bagagem.

O ar no banco de trás estava estranhamente silencioso, até que meus olhos foram atingidos por uma peça de lingerie de renda.

Ela estava amassada e jogada no assento, manchada por uma marca branca. Era de Lily.

Lily também percebeu, mas não demonstrou nenhum constrangimento. Ela se virou e sorriu para mim.

— Meu Deus, esqueci de limpar. Nós ficamos um pouco selvagens no banco de trás na semana passada, não foi, querido?

Xavier riu preguiçosamente.

— Seus gemidos quase chamaram a atenção dos transeuntes.

Eles flertavam na minha frente como se eu não existisse. Cada palavra raspava minha carne como uma lâmina. Minhas unhas cravaram profundamente nas palmas das mãos, mas eu não fiz som algum.

Abaixei a cabeça e abri meu celular. A tela se acendeu com um e-mail criptografado.

[Clara, aqui está sua nova passagem aérea. Espero que você consiga desta vez. É hoje à noite, às 21h.]

Sorri levemente, sentindo pela primeira vez uma sensação de estar viva.

Respondi:

[Obrigada. Sinto muito ter perdido o último voo, mas desta vez não vou perder.]

Quase imediatamente, uma nova mensagem chegou.

[O que aconteceu? Você precisa da minha ajuda?]

Meu dedo pairou sobre o teclado. Se eu lhe contasse o que havia passado, isso provavelmente provocaria uma guerra imediatamente. No entanto, eu queria vingança com as minhas próprias mãos.

[Eu conto depois que sair daqui. Agora não é o momento certo.]

De repente, Xavier se virou e me encarou, como se buscasse sentir minha presença.

— Clara, o que você está olhando? Você está grudada no celular desde que entrou no carro. Com quem você está conversando?

Nem sequer levantei os olhos.

— Só checando a previsão do tempo.

Ele claramente não acreditou. Estendeu a mão e arrancou meu celular.

A luz da tela se refletiu em seus olhos frios.

— Qual é a senha?

— O dia em que confirmamos que éramos companheiros predestinados — respondi diretamente, com um tom calmo, quase frio.

A expressão dele escureceu. Ele tentou uma vez, depois outra. Na terceira tentativa, um aviso apareceu e a tela bloqueou.

Lily se inclinou com uma risadinha leve, a voz enjoativamente doce.

— Esquece, Alfa. Ela não tem amigos. Para que mais ela usaria o celular além de checar o tempo para não ficar encharcada como um rato afogado?

— Ou talvez ela tenha se sentido negligenciada nesses últimos dias e encontrado outro lobisomem lá fora. Ela só não quer te contar.

— Cale a boca! — Xavier disse entre dentes.

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