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Capítulo 5

Penulis: Montanha Rio
Ponto de Vista de Xavier

"Lily tem um exame pré-natal amanhã às 9h. Você vai acompanhá-la. Além disso, faça um exame você também."

A mensagem havia sido enviada há muito tempo, mas continuava sem ser lida. Eu não fiquei nem um pouco surpreso por ela não querer ver minhas mensagens.

No entanto, o que eu não esperava era que Clara me bloqueasse.

Ela simplesmente desapareceu assim, de forma decisiva e resoluta, como um cadeado que jamais se abriria para mim novamente.

Na manhã seguinte, a sala do curandeiro estava tomada pelo aroma de ervas. Lily segurava meu braço com força, a voz trêmula.

— Xavier, nosso filhote está bem?

Assenti, tentando manter o tom calmo.

— O curandeiro disse que o filhote é forte. Parece ansioso para nascer.

Lily soltou um suspiro de alívio.

— Graças à Deusa da Lua. Você parecia péssimo desde ontem à noite. Pensei que algo tivesse acontecido.

Algo tinha acontecido.

Eu não conseguia esquecer a expressão de Clara.

Ela estava deitada no chão, lutando para respirar, mas não gritou, não demonstrou decepção e sequer chamou por minha ajuda.

Era como se ela já soubesse que eu não a escolheria.

Talvez esse fosse meu castigo por ter salvado Lily primeiro. Quando levei Lily até a cabana de cura e voltei para procurar Clara, ela já tinha desaparecido.

Depois do almoço com Lily, mandei-a de volta para a propriedade e segui direto para o salão do conselho.

— Alfa, seu pai voltou. Amanhã é o aniversário dele — meu Beta, Marcus Duskbane, me apresentou o relatório.

Fiquei surpreso. Eu realmente havia esquecido que amanhã era o 60º aniversário do meu pai.

Mantive a compostura.

— Eu sei. Prepare um presente para mim.

Meus passos continuaram firmes, mas algo dentro de mim começou a me incomodar. Inquietação, opressão e uma sensação de algo errado prestes a transbordar.

Clara nunca tinha perdido o aniversário do meu pai. Todas as vezes, ela preparava cuidadosamente dois presentes: o dela e o meu.

No entanto, desta vez, ela não foi à sala de tratamento. Também não voltou para a propriedade.

Ela não entrou em contato com nenhum amigo, e ninguém da alcateia conseguiu captar seu cheiro. Ela simplesmente evaporou do nosso mundo.

Para onde ela tinha ido?

Eu não fazia ideia de como ela escapou bem debaixo do meu nariz.

Virei-me novamente para Marcus.

— Vá comprar algumas roupas e sapatos da última moda.

— Para a Sra. Shaw?

Fiz uma pausa.

— Envie para o apartamento onde Clara costumava morar.

Se Clara tivesse fugido de casa, só poderia ter ido para aquele apartamento.

Mas… e se ela não estivesse lá?

Só de pensar nisso, meu peito se rasgava de dor, como no dia do incêndio.

O cheiro que pertencia apenas a ela estava desaparecendo pouco a pouco dos sentidos do meu lobo.

Meu lobo continuava me questionando:

"E se ela estiver gravemente ferida e à beira da morte? Ou pior, e se ela realmente tiver partido?"

Uma semana depois, voltei para casa após uma reunião. Já era tarde da noite.

Sob a luz suave, uma figura estava encolhida no sofá de seda. Aquela postura era tão familiar que me fez prender a respiração por um instante.

— Clara — eu disse suavemente, com um sorriso. — Eu disse que voltaria. Você não precisa…

A loba virou o rosto, e eu congelei. Era Lily, não Clara.

— Alfa, a Clara não voltou há tanto tempo. Ela está brava comigo? Talvez eu devesse me mudar?

Ela levantou o olhar, os olhos avermelhados. Suspirei, estendi a mão para acariciar suavemente seus cabelos e depositei um beijo em sua testa.

Era apenas para confortá-la.

— Não pense demais. Seu humor afeta o filhote.

Hesitei por um momento antes de finalmente dizer as palavras que eu detestava mesmo enquanto saíam da minha boca:

— Esta é a sua casa agora, e a casa do filhote também. Quer a Clara goste ou não.

Lily sorriu. Eu sabia que era exatamente isso que ela estava esperando ouvir.

Naquela noite, fiquei sozinho na varanda, de robe, servindo-me de uma taça de vinho do luar.

Eu não bebia esse vinho havia muito tempo. A última vez tinha sido na minha cerimônia de vínculo com Clara.

O vento soprou, e a luz das estrelas refletida no vinho cintilou como algum tipo de contagem regressiva.

Peguei o celular e encontrei o nome de Clara. Fiquei encarando a tela, com inúmeras coisas que eu queria dizer presas na garganta.

No fim, enviei apenas uma mensagem.

[Clara, amanhã é o aniversário de 60 anos do meu pai. É melhor você aparecer no horário.]

Esperei por muito tempo, e ainda assim não houve resposta. O vento ficou mais frio.

O banquete de aniversário 60 anos do meu pai foi extravagantemente luxuoso.

Entrei com Lily apoiada em meu braço. Sua barriga já começava a aparecer levemente, atraindo todos os olhares no salão.

Sussurros se espalharam pela multidão, mas nada disso importava. Ninguém ousava questionar o seu Alfa.

Somente quando meu pai, o antigo Alfa, entrou é que soltei a mão de Lily.

Meu pai sempre gostou de Clara como minha Luna. Ele desaprovava que eu passasse tempo com uma loba Ômega.

— Onde está a Clara? — meu pai me perguntou diretamente.

— Ela está preparando seu presente. Ela chegará em breve — respondi com naturalidade, quase me convencendo.

Meu pai me lançou um olhar longo e significativo, mas não disse nada.

Duas horas se passaram. A cerimônia de entrega dos presentes estava prestes a começar, e ainda não havia sinal de Clara.

Tentei parecer despreocupado, mas continuava lançando olhares para a entrada.

Onde ela estava?

Eu estava prestes a sair para fazer uma ligação quando um lobo entregador entrou, carregando três caixas de presente.

O olhar do mensageiro alternava entre mim e meu pai, sem saber a quem entregar.

— Estes são da Sra. Lachmann. O destinatário consta como o pai do Xavier.

No instante em que ouvi o nome dela, meu coração disparou.

Limpei a garganta.

— Eu sou o Xavier. Entregue a mim.

O mensageiro hesitou.

— Mas ela disse que precisam ser entregues diretamente ao seu pai.

Dei um passo para trás, a voz fria.

— Então faça como ela disse.

Meu pai conversava com outro ancião quando a voz do mensageiro chamou sua atenção.

— Senhor, estes são da Srta. Lachmann. Ela lhe deseja um feliz aniversário.

Meu pai pareceu surpreso.

— Onde ela está? Por que não entregou pessoalmente?

O mensageiro balançou a cabeça suavemente.

— Sinto muito, senhor. Fui apenas instruído a entregar isto ao senhor. Não sei onde ela está agora.

Os olhos do meu pai se encheram de confusão, mas ele abriu os presentes mesmo assim.

O primeiro presente revelou um manto primorosamente bordado, com linhas de orações de bênção costuradas nele, desejando longevidade.

Clara tinha feito aquilo com as próprias mãos. Eu a tinha visto trabalhar nele à luz da lamparina até tarde da noite.

O segundo presente era uma coroa de Luna, o símbolo de vínculo que eu havia dado a ela.

Meu peito se apertou. O que significava ela devolver isso agora?

Antes que a terceira caixa pudesse ser aberta, eu já não consegui me conter. Estendi a mão e arranquei a caixa das mãos do meu pai.

No instante em que rasguei o embrulho, meu sangue gelou.

Dentro havia dois documentos.
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