INICIAR SESIÓNA clareira ficava a poucos metros da cabana. Dante levou Lívia até lá. Rafael e outros dois homens permaneciam próximos.— Concentre-se — disse Dante.Lívia fechou os olhos.— No quê?— Na sua respiração.— Isso parece fácil.— Não é.Ela respirou fundo.— E agora?— Pense em Aurora.Lívia fez isso. Imediatamente sentiu calor no peito. A marca em seu pulso começou a brilhar. Dante observou atentamente.— Não lute contra a sensação.— Parece que alguma coisa está tentando sair de mim.— Deixe.Lívia respirou novamente. A luz aumentou. Então uma onda de energia atravessou a clareira. As árvores estremeceram. Rafael recuou.— Alfa!Dante permaneceu firme.— Não se aproxime.Lívia abriu os olhos. Eles estavam diferentes. Por alguns segundos, um brilho dourado cercou suas pupilas.— Dante...— Estou aqui.— Eu consigo sentir vocês.— Quem?Ela virou-se para a floresta.— Os lobos.Dante ficou imóvel.— Quantos?Lívia fechou os olhos.— Muitos.— Onde?Ela apontou.— Ali.Dante olhou. Nada.
Lívia passou a noite olhando para a marca em sua mão. A lua desenhada sobre sua pele parecia pequena demais para carregar tudo aquilo que representava.Ela havia passado trinta e dois anos acreditando que era uma mulher comum. Agora sabia que não era. Era descendente de uma linhagem que existia antes mesmo de Dante nascer. Uma linhagem que havia sido perseguida, escondida e quase exterminada. E, de alguma forma, seu sangue estava ligado ao de Dante. E a pior parte era que ela ainda não sabia o que aquilo significava.Aurora dormia tranquilamente no berço improvisado ao lado da cama. Lívia aproximou-se e tocou delicadamente sua pequena mão.— Tudo isso por sua causa, minha pequena.Aurora abriu os olhos. Dourados. Lívia sorriu.— Não. Não é culpa sua.A menina segurou o dedo da mãe. Então a marca na mão de Lívia brilhou. Ela congelou. O brilho passou rapidamente de sua pele para os dedos de Aurora. Por um segundo, uma imagem apareceu diante de seus olhos.Uma floresta.Uma mulher corre
Na cabana, Lívia permanecia diante da janela. A floresta estava silenciosa. Mas, depois de tudo o que havia descoberto, ela já não confiava naquele silêncio. Cada sombra parecia esconder alguma coisa. Cada ruído parecia carregar uma ameaça.Aurora dormia tranquilamente no pequeno berço. Lívia observou a filha. A menina parecia tão pequena. Tão inocente. Era difícil acreditar que dentro daquele pequeno corpo existia uma força capaz de despertar símbolos antigos e provocar mudanças que ninguém conseguia explicar.Lívia levou a mão ao peito. Ainda sentia o peso de tudo o que descobrira. Sua origem. Sua linhagem. Os Caçadores. A profecia. E agora havia Dante. Ela sentiu a presença dele atrás de si.— Você está pensando demais.Lívia não se virou.— Talvez eu tenha
Longe da cabana onde Lívia tentava entender as mudanças que aconteciam em sua vida, uma pequena fogueira ardia no meio de uma clareira escondida entre árvores antigas. As chamas iluminavam apenas parte do rosto do homem que estava sentado diante delas.Gabriel.Ele permanecia imóvel, observando o fogo. Não parecia preocupado. Não parecia com medo. Pelo contrário. Havia satisfação em seu olhar. Como se alguma coisa que esperava há muito tempo finalmente estivesse acontecendo.Gabriel não se virou.— Você demorou.Passos lentos se aproximaram. Um homem encapuzado surgiu entre as árvores. Seu rosto permanecia escondido pela sombra do capuz. Ele parou a poucos metros da fogueira.— Eles descobriram a verdade?Gabriel sorriu.— Ainda não.O homem pareceu aliviado.— Tem certeza?— Tenho.Gabriel pegou um pedaço de madeira e mexeu nas brasas.— Lívia descobriu apenas uma parte do que está acontecendo. Sabe que sua origem não é comum. Sabe que existe algo diferente em seu sangue. Mas ainda n
Lívia não dormiu naquela noite. Como poderia? Em menos de uma semana, sua vida havia se transformado em algo que parecia pertencer a um pesadelo. Sua filha era descendente de duas linhagens poderosas. Sua mãe havia escondido a verdade. Seu pai não morrera em um acidente. Sua avó estava viva. E um homem que todos acreditavam morto havia aparecido para reivindicar um papel naquilo tudo.Mas havia uma coisa que a incomodava mais do que todas as outras. Dante. Ela estava sentada diante da lareira quando ouviu seus passos.— Não conseguiu dormir? Perguntou ele.— Não.Dante permaneceu junto à porta.— Eu também não.Lívia levantou os olhos.— Quero respostas.— Eu sei.— Não. Você não sabe.Ela se levantou.— Passei minha vida inteira acreditando em uma mentira. Agora descobri que minha mãe escondeu minha origem, que existem pessoas querendo me encontrar e que minha filha pode ter algum tipo de poder.Dante permaneceu calado.— E você ainda está escondendo alguma coisa de mim.Ele desviou
— Dante.Aquela voz atravessou a cabana. O Alfa Supremo ficou imóvel. Lívia percebeu imediatamente que havia algo errado. Dante conhecia aquele homem. E, pela primeira vez desde que o conhecera, ela viu medo em seus olhos.— Quem é ele? — perguntou.Dante não respondeu. A porta se abriu completamente. Um homem entrou.Era alto, elegante e tinha cabelos escuros marcados por alguns fios grisalhos. Seu rosto carregava as marcas do tempo, mas seus olhos eram frios e atentos.Ele sorriu.— Quanto tempo, sobrinho.Lívia olhou para Dante.— Sobrinho?Dante deu um passo à frente.— Você morreu.O homem soltou uma pequena risada.— Foi exatamente isso que todos precisavam acreditar.A avó de Lívia se colocou ao lado da neta.— Gabriel.O sorriso do homem desapareceu.— Ainda viva, Helena?— Infelizmente para você.Gabriel olhou para Aurora. Seu semblante mudou.— Então é verdade.Dante ficou na frente da criança.— Não se aproxime.— Você não entende o que aquela menina representa.— Ela é min







