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9. A MULHER DA FLORESTA

Penulis: Fátima Souza
last update Tanggal publikasi: 2026-08-28 05:02:03

A viagem começou antes do amanhecer. Lívia estava sentada no banco traseiro, com Aurora adormecida em seus braços. Pela janela, a paisagem desaparecia rapidamente sob a neblina.

Ela não conseguia parar de pensar naquilo que ouvira. Sua avó estava viva. Durante toda a sua vida, acreditara que não tinha mais ninguém. Agora descobria que sua mãe havia escondido uma família inteira. E, pior, que essa família estava ligada a uma guerra entre humanos e lobos.

Lívia olhou para Dante pelo retrovisor. Ele dirigia em silêncio.

— Você sabia que minha avó poderia estar viva?

— Não.

— Mas reconheceu a Floresta Negra.

— Conheço as histórias.

— Que histórias?

Dante demorou a responder.

— A Floresta Negra era território neutro.

— Entre quem?

— Entre os Caçadores e os lobos.

Lívia apertou Aurora contra o peito.

— Então minha família realmente caçava pessoas como você.

Dante encontrou o olhar dela pelo espelho.

— Sim.

— E você ainda quer me proteger?

— Sim.

A resposta foi imediata. Lívia ficou em silêncio.

— Por quê?

Dante voltou os olhos para a estrada.

— Porque você não é responsável pelo que seus antepassados fizeram.

— E se eu for perigosa?

— Então eu vou descobrir.

— E se descobrir que sou?

Ele respondeu sem hesitar:

— Ainda assim, vou proteger você.

O coração de Lívia acelerou.

Ela não sabia por que aquelas palavras tinham mexido tanto com ela. Talvez porque, pela primeira vez desde o nascimento de Aurora, alguém não estivesse tentando decidir seu destino por ela.

Dante apenas parecia disposto a permanecer ao seu lado.

***

Horas depois, a estrada terminou. A floresta começava diante deles. Árvores enormes cobriam o céu. Uma névoa espessa escondia o caminho. Dante desligou o motor.

— A partir daqui, vamos a pé.

Rafael abriu a porta.

— É seguro?

Dante olhou para a floresta.

— Não.

Lívia desceu.

— Ótimo.

Dante a encarou.

— Você está ficando parecida comigo.

— Espero que não.

Pela primeira vez, ele sorriu. Foi rápido. Mas Lívia viu.

***

A caminhada durou quase uma hora. Aurora permanecia tranquila. Estranhamente tranquila. Em determinado momento, Lívia parou.

— Esperem.

Dante virou-se.

— O que foi?

Ela olhou para a floresta.

— Ouviram?

Rafael franziu a testa.

— O quê?

Lívia permaneceu imóvel. Havia um som distante. Uma espécie de batida. Como madeira sendo golpeada. Uma vez. Duas. Três.

— Ali.

Dante olhou na direção indicada.

— Não estou ouvindo nada.

— Eu estou.

Ela começou a caminhar. Dante segurou seu braço.

— Não vá sozinha.

Lívia olhou para a mão dele. Dante soltou imediatamente.

— Desculpe.

Ela assentiu. Continuaram juntos. Poucos minutos depois, encontraram uma árvore enorme. Em seu tronco havia o símbolo dos Caçadores. Lívia passou os dedos sobre a marca. No instante em que tocou a madeira, uma dor atravessou sua cabeça. Ela caiu de joelhos.

— Lívia!

Dante a segurou. Imagens começaram a surgir. Uma mulher correndo pela floresta. Um homem ferido. Uma criança sendo carregada. E sua mãe. Muito jovem. Segurando um bebê. Lívia. Ela abriu os olhos assustada.

— Minha mãe esteve aqui.

Dante ficou sério.

— O que você viu?

— Não sei.

— Tente lembrar.

Lívia fechou os olhos. Outra imagem surgiu. Sua mãe entregando o bebê a uma mulher idosa. A mesma mulher da fotografia. Então ouviu uma frase.

“Um dia ela voltará.”

Lívia abriu os olhos.

— Minha avó me recebeu aqui.

Dante olhou para a floresta.

— Então estamos perto.

***

A cabana apareceu entre as árvores. Era pequena e antiga. Nenhuma fumaça saía da chaminé. Dante levantou a mão, ordenando que todos parassem.

— Fiquem aqui.

Lívia balançou a cabeça.

— Não.

— É perigoso.

— Essa mulher é minha avó.

Dante olhou para ela.

— Justamente por isso.

Lívia respirou fundo.

— Eu vou.

Dante a acompanhou. Quando chegaram à porta, ela se abriu. Sozinha. Lívia congelou. Uma voz feminina veio de dentro.

— Entre, minha filha.

O coração dela disparou. Ela entrou. Uma mulher idosa estava sentada diante da lareira. Cabelos completamente brancos. Olhos ainda fortes. E a mesma marca de meia-lua no pulso.

Lívia parou.

— Você...

A mulher levantou-se lentamente.

— Demorou muito.

Lívia sentiu as lágrimas escorrerem.

— Você é minha avó?

A mulher assentiu.

— Sou.

— Minha mãe disse que você morreu.

— Sua mãe precisava que você acreditasse nisso.

Lívia aproximou-se.

— Por quê?

A mulher olhou para Aurora. Sua expressão mudou.

— Porque, quando você nasceu, todos começaram a procurar por você.

Dante entrou na cabana. A mulher imediatamente o encarou. Seu rosto endureceu.

— Você trouxe um Alfa para minha casa.

Dante não recuou.

— Ela está sob minha proteção.

— Não preciso da sua proteção.

— Talvez não.

A mulher olhou para ele.

— Mas sua filha precisa.

Dante ficou em silêncio.

A avó de Lívia aproximou-se de Aurora. A criança abriu os olhos. A mulher empalideceu.

— Os olhos...

Lívia percebeu.

— O que tem os olhos dela?

A mulher tocou delicadamente o rosto da menina.

— Exatamente como a profecia dizia.

Dante franziu a testa.

— Que profecia?

A mulher levantou os olhos.

— A criança que nascesse da união entre um Alfa e uma descendente dos Caçadores seria capaz de encerrar a guerra.

Lívia ficou imóvel.

— União?

Ela olhou para Dante.

— Você está dizendo que eu e ele...

A mulher assentiu.

— Não foi um acidente.

O silêncio caiu sobre a cabana. Lívia sentiu o coração disparar.

— O quê?

A mulher continuou:

— A fertilização não aconteceu por acaso.

Dante ficou rígido.

— Explique.

— Alguém colocou o material genético de Dante no procedimento de Lívia deliberadamente.

Lívia recuou.

— Então alguém planejou minha gravidez?

— Sim.

Dante fechou as mãos.

— Quem?

A mulher olhou para ele.

— A mesma pessoa que passou décadas procurando a última descendente dos Caçadores.

— Quem?

Ela hesitou. Então respondeu:

— O irmão do antigo Alfa.

Dante ficou completamente imóvel.

— Isso é impossível.

— Você acreditou que ele morreu há vinte anos.

Dante encarou a mulher.

— Ele morreu.

— Não.

Ela deu um passo à frente.

— Ele sobreviveu.

Lívia sentiu um frio percorrer o corpo.

— Quem é ele?

A mulher olhou diretamente para Dante.

— Seu maior inimigo.

Uma batida forte veio da porta. Todos se viraram. Outra batida. Dante imediatamente se colocou diante de Lívia e Aurora. A avó dela empalideceu.

— Ele encontrou vocês.

Dante levou a mão à arma.

— Quem?

A velha olhou para a porta.

— O homem que todos acreditavam estar morto.

A porta começou a se abrir lentamente. E uma voz masculina ecoou do lado de fora:

— Dante.

O Alfa ficou imóvel. Porque conhecia aquela voz. E fazia vinte anos que acreditava que seu dono estava morto.

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