Compartilhar

8. O SEGREDO DE SERENA

last update Data de publicação: 2026-08-26 03:54:29

— A chave para destruir seu próprio reino?

A voz de Lívia saiu baixa, mas firme. Serena não respondeu. Dante, porém, deu um passo à frente.

— Explique.

— Não aqui.

— Você não está em posição de exigir nada.

Serena sorriu.

— E você continua acreditando que pode controlar tudo, Dante.

Os olhos do Alfa se estreitaram.

— Você sabe meu nome.

— Sei muito mais do que isso.

Lívia olhou de um para o outro.

— Alguém pode, por favor, me explicar o que está acontecendo?

Dante se virou para ela.

— Fique atrás de mim.

— Não.

— Lívia.

— Estou cansada de ouvir isso.

Ela apertou Aurora contra o peito.

— Todo mundo sabe alguma coisa sobre mim, menos eu.

Serena observou-a em silêncio. Então disse:

— Sua mãe sabia que esse dia chegaria.

Lívia sentiu um aperto no peito.

— Você realmente conheceu minha mãe?

— Sim.

— Quando?

— Antes de você nascer.

— E por que nunca apareceu?

Serena baixou os olhos.

— Porque sua mãe me pediu para desaparecer.

Lívia engoliu em seco.

— Por quê?

Serena respirou fundo.

— Porque ela descobriu que alguém dentro da própria ordem dos Caçadores havia traído todos eles.

Dante ficou imóvel.

— Um traidor?

— Não apenas um traidor.

Serena olhou para ele.

— Alguém que entregou os nomes dos últimos Caçadores aos inimigos.

Lívia sentiu as pernas enfraquecerem.

— Meu pai...

Serena assentiu.

— Seu pai estava entre os primeiros que foram encontrados.

Lívia apertou os olhos. Durante anos, acreditara que o pai havia morrido em um acidente. Sua mãe nunca lhe contara a verdade.

— Quem fez isso?

Serena hesitou.

— Ainda não sabemos.

Dante cruzou os braços.

— Você veio até aqui apenas para contar uma história antiga?

— Não.

Serena olhou para Aurora.

— Vim porque o nascimento dela mudou tudo.

A menina começou a se mexer nos braços de Lívia. Seus olhos dourados se abriram. Serena recuou um passo.

— Ela já despertou.

Dante percebeu.

— O que significa isso?

— Significa que a profecia começou.

— Que profecia?

Serena respondeu:

— A profecia da criança nascida do sangue do Alfa e do sangue do Caçador.

Lívia ficou em silêncio.

— Eu não sou uma Caçadora.

Serena olhou diretamente para ela.

— Não. Você é algo que nem mesmo os antigos Caçadores conseguiram compreender.

Dante franziu a testa.

— O que ela é?

Serena abriu a boca para responder. Um disparo ecoou. Ela caiu.

— Serena!

Lívia gritou. Dante imediatamente se colocou à frente dela. Rafael correu até Serena.

— Ela foi atingida!

Dante olhou para o túnel.

— Todos para trás!

Outro disparo. A bala atingiu a parede. Dante avançou pela escuridão. Seu corpo se moveu rapidamente. Lívia ficou com Aurora protegida atrás de Rafael.

— Ela está viva? — perguntou.

Rafael verificou Serena.

— Sim.

Serena abriu os olhos com dificuldade.

— Não deixem...

— O quê?

— Não deixem que levem o medalhão.

Lívia olhou para o objeto. Ainda estava em seu bolso.

— Por quê?

Serena tentou se levantar.

— Porque ele não é apenas um símbolo.

— Então o que é?

Serena encarou Aurora.

— É uma chave.

Antes que pudesse dizer mais, ouviu-se um grito vindo do outro lado do túnel. Dante voltou. Trazia um homem desacordado.

Jogou-o no chão.

— Peguei um.

Rafael se aproximou.

— Ele estava sozinho?

— Não.

Dante olhou para Lívia.

— Existem outros.

O homem no chão começou a rir. Dante se abaixou.

— Quem mandou vocês?

Nenhuma resposta.

— Fale.

O homem abriu os olhos.

— Você está fazendo as perguntas erradas.

Dante segurou sua camisa.

— Então me dê a resposta certa.

O homem olhou para Lívia.

— Ela não deveria ter sobrevivido.

Lívia sentiu um arrepio.

— Do que ele está falando?

O homem continuou:

— Sua mãe deveria ter levado o segredo para o túmulo.

Dante ficou imóvel.

— Qual segredo?

O homem sorriu.

— Pergunte a ela.

— Ela não sabe.

O sorriso desapareceu.

— Então você está mais perdido do que imaginávamos.

Dante estreitou os olhos.

— Quem é seu líder?

O homem permaneceu em silêncio. Dante percebeu algo em seu pescoço. Uma pequena tatuagem. O mesmo símbolo dos Caçadores. Mas invertido.

— Uma ordem corrompida — murmurou.

Serena, ainda ferida, ouviu.

— Não.

Todos olharam para ela. Ela respirou com dificuldade.

— Não é uma ordem corrompida.

Dante se aproximou.

— Então o que é?

Serena respondeu:

— São os filhos dos Caçadores que escolheram servir aos inimigos.

Lívia sentiu o coração acelerar.

— Existem outros?

— Poucos.

— E eles querem Aurora?

Serena balançou a cabeça.

— Não apenas Aurora.

Seu olhar se voltou para Lívia.

— Eles querem você.

O silêncio foi absoluto.

— Por quê? — perguntou Lívia.

Serena fechou os olhos por um instante.

— Porque seu sangue carrega algo que foi escondido durante gerações.

Dante se aproximou.

— O quê?

Serena olhou para ele.

— O poder de controlar o vínculo entre lobos e humanos.

Dante ficou rígido.

— Isso é impossível.

— É por isso que todos têm medo dela.

Lívia balançou a cabeça.

— Eu não tenho poder nenhum.

Serena sorriu tristemente.

— Ainda não.

Aurora começou a chorar. Lívia a embalou. Então o choro cessou. Uma luz dourada surgiu novamente ao redor da menina.

Dessa vez, porém, a luz não desapareceu. Ela se espalhou pelo pequeno medalhão. O objeto começou a vibrar. Dante deu um passo para trás. Serena arregalou os olhos.

— Não...

O medalhão se abriu sozinho. Dentro havia uma pequena fotografia. Lívia pegou. Era uma fotografia antiga de sua mãe. Mas havia algo escrito atrás. Ela virou. Seu rosto perdeu a cor.

“Quando Aurora nascer, procure a Floresta Negra.”

Dante tomou a fotografia.

— Floresta Negra?

Serena fechou os olhos.

— É onde tudo começou.

— O quê?

Serena encarou Dante.

— A guerra entre os Caçadores e os lobos.

Dante permaneceu em silêncio. Serena continuou:

— E é lá que vocês encontrarão a única pessoa que conhece a verdade sobre a mãe de Lívia.

Lívia sentiu as lágrimas surgirem.

— Quem?

Serena respondeu:

— Sua avó.

Lívia ficou imóvel.

— Minha... avó?

— Ela está viva.

O mundo pareceu parar. Sua mãe havia mentido. Seu pai não havia morrido em um acidente. Existiam Caçadores vivos.

E, em algum lugar da Floresta Negra, uma mulher que Lívia acreditava estar morta conhecia toda a verdade sobre sua família.

Dante olhou para ela.

— Vamos para a Floresta Negra.

Lívia apertou Aurora contra o peito. Pela primeira vez, não sentiu medo. Sentiu determinação.

— Sim.

Mas ninguém percebeu que, muito longe dali, uma mulher idosa abriu os olhos dentro de uma cabana cercada pela floresta. Ela olhou para a lua e sorriu.

— Finalmente.

Sobre a mesa diante dela havia um retrato antigo de Lívia. Ao lado, uma fotografia de Aurora. E uma única frase escrita em vermelho:

“O Alfa encontrou a última Caçadora.”

A mulher fechou os olhos.

— Agora a verdadeira guerra pode começar.

Continue a ler este livro gratuitamente
Escaneie o código para baixar o App

Último capítulo

  • GRÁVIDA DO ALFA POR UM ERRO   50. EPÍLOGO - O QUARTO SIMBOLO - PARTE 2

    De volta à cidade, Elara acordou durante a madrugada.Sentou-se na cama.Sentia alguém chamando por ela.Não era Aurora.Não era Lyra.Não era Lívia.Era outra coisa.Uma presença.Ela levantou-se e caminhou até a janela.No vidro apareceu lentamente uma marca negra.Elara tocou.Uma voz sussurrou:— Você não deveria ter sobrevivido.Elara recuou.— Quem está aí?A voz respondeu:— Aquele que nasceu antes de vocês.Elara ficou imóvel.— Antes?A marca desapareceu.Então outra frase apareceu no vidro:“A quarta herdeira não é uma criança.”Elara arregalou os olhos.— Então quem é?Nenhuma resposta.Apenas uma última palavra surgiu no vidro.“Procure.”Elara correu até a porta.Mas antes que pudesse sair, Aurora apareceu no corredor.— Elara?Lyra veio logo atrás.— O que aconteceu?Elara olhou para as duas.Seu rosto estava pálido.— Nós não somos as primeiras.Lyra ficou imóvel.— O que você quer dizer?Elara apontou para a janela.A marca negra havia desaparecido.— Existe alguém ant

  • GRÁVIDA DO ALFA POR UM ERRO   49. EPÍLOGO - O QUARTO SIMBOLO- PARTE 1

    Três meses haviam se passado desde a abertura do Santuário Original.Pela primeira vez em muitos anos, a cidade dos Caçadores estava em paz.Os muros haviam sido reconstruídos.As antigas diferenças entre lobos e humanos começavam, lentamente, a desaparecer.E, no centro de tudo, três meninas cresciam juntas.Aurora.Lyra.E Elara.Elara.Esse havia sido o nome escolhido pela própria menina.Um nome que, segundo Gabriel, significava algo próximo de luz e mistério.Ela gostava.Talvez porque sua vida inteira tivesse sido cercada pelos dois.Mistério.E escuridão.Agora, porém, ela finalmente tinha uma família.***Lívia observava as três brincando no jardim.Aurora corria atrás de Lyra, enquanto Elara permanecia alguns passos atrás, rindo.Era estranho pensar que, meses antes, nenhuma delas sabia da existência das outras.Aurora crescera acreditando que era filha única.Lyra passara anos acreditando que estava sozinha.E Elara sequer possuía um nome.Agora eram inseparáveis.Dante apro

  • GRÁVIDA DO ALFA POR UM ERRO   48. A ESCOLHA DAS TRÊS HERDEIRAS - PARTE 2

    As meninas se olharam.— Aurora — disse Lyra.— Lyra — respondeu Aurora.A terceira menina respirou fundo.— Eu não quero perder nenhuma de vocês.Lívia se ajoelhou diante delas.— Então não escolham entre vocês.As três olharam para ela.— Escolham umas às outras.Dante percebeu primeiro.— Lívia...Ela se levantou.— A magia quer que elas escolham um lado.Gabriel assentiu.— Porque é assim que a guerra continua.Lívia segurou as mãos das três.— Então elas não vão escolher um lado.Os três símbolos começaram a se unir.Serena recuou.— Não!Uma enorme luz tomou o templo.Lyra gritou.Aurora fechou os olhos.A terceira menina segurou as mãos das irmãs.A energia percorreu o templo.As correntes de Gabriel começaram a desaparecer.A marca da Lua Negra que estava gravada nas paredes começou a rachar.Serena caiu de joelhos.— Vocês não entendem!Lívia respondeu:— Talvez não.Olhou para as três meninas.— Mas entendemos que ninguém deve ser obrigado a escolher entre aqueles que ama.*

  • GRÁVIDA DO ALFA POR UM ERRO   47. A ESCOLHA DAS TRÊS HERDEIRAS - PARTE 1

    A porta se abriu completamente.Do outro lado não havia apenas escuridão.Havia silêncio.Um silêncio tão profundo que parecia engolir até mesmo o som da respiração.Lívia permaneceu parada diante da entrada.A voz de seu pai ainda ecoava em sua mente.“Se você abrir essa porta, a guerra que começou há vinte anos finalmente terminará.”Ela olhou para Aurora.Depois para Lyra.E finalmente para a terceira menina.As três estavam juntas.Pela primeira vez.Depois de tantos anos de separação.— Eu vou entrar — disse Lívia.Dante segurou sua mão.— Então eu vou com você.Lívia olhou para ele.— Pode ser perigoso.— Depois de tudo que enfrentamos, você realmente acha que vou deixar você entrar sozinha?Um pequeno sorriso apareceu no rosto dela.— Não.Dante apertou sua mão.— Nunca.As três meninas atravessaram a porta.E a escuridão as envolveu.***Quando Lívia abriu os olhos, não estava mais na montanha.Estava em um lugar impossível.O céu era prateado.Não havia sol.Nem lua.Ao redor

  • GRÁVIDA DO ALFA POR UM ERRO   46. A MULHER DA LUA NEGRA - PARTE 2

    Do lado de fora, uma voz ecoou.— Helena!Ela fechou os olhos.— Eles chegaram.A voz continuou:— Entregue as crianças e ninguém precisará morrer.Dante respondeu:— Venha buscá-las.Um silêncio.Então uma mulher entrou na caverna.Ela usava um longo manto negro.No pescoço carregava um símbolo de lua.Seus olhos estavam fixos na terceira herdeira.A menina recuou.— Não...A mulher sorriu.— Minha pequena.— Não chega perto de mim.— Depois de tantos anos, ainda tem medo?Lívia se colocou entre as duas.— Quem é você?A mulher olhou para ela.— Você deve ser Lívia.— Como sabe meu nome?— Eu conheci seu pai.Lívia ficou imóvel.— Quem é você?A mulher sorriu.— Meu nome é Serena.Clara deu um passo para trás.— Serena Valen...Dante olhou para Clara.— Você conhece esse nome?Clara respondeu:— Todos acreditavam que ela estava morta.Serena riu.— Todos acreditavam errado.***Lívia não tirava os olhos dela.— O que você quer?Serena respondeu:— Quero recuperar aquilo que pertence

  • GRÁVIDA DO ALFA POR UM ERRO   45. A MULHER DA LUA NEGRA - PARTE 1

    A risada ecoou pela caverna.Lenta.Baixa.Assustadoramente tranquila.A terceira herdeira apertou a mão de Lívia.— É ela.Lívia olhou para a passagem.— Quem?A menina engoliu em seco.— A mulher que me criou.Dante levantou a espada.— Todos para trás.Rafael posicionou-se ao lado dele.Lyra puxou Aurora para perto.Elias permaneceu imóvel.Clara, porém, parecia ter visto um fantasma.— Não...Lívia olhou para a mãe.— Você conhece essa mulher.Clara não respondeu.— Mãe!— Conheço.A voz de Clara saiu quase sem força.— Quem é ela?Clara respirou fundo.— Helena.Todos olharam para a mulher que estava atrás deles.A mesma Helena que os havia recebido na cidade.A mesma mulher que havia dito esperar pelas três herdeiras durante vinte anos.Lívia virou-se lentamente.— Helena?A mulher não respondeu.Apenas fechou os olhos.Quando os abriu novamente, não havia mais medo em seu rosto.Havia determinação.— Eu sinto muito.Dante avançou.— Você nos enganou.Helena recuou.— Eu precisa

Mais capítulos
Explore e leia bons romances gratuitamente
Acesso gratuito a um vasto número de bons romances no app GoodNovel. Baixe os livros que você gosta e leia em qualquer lugar e a qualquer hora.
Leia livros gratuitamente no app
ESCANEIE O CÓDIGO PARA LER NO APP
DMCA.com Protection Status