LOGINMayaSustentei o olhar do Conde Valerius Vaneck por longos segundos. O sorriso confiante do nobre e a sua postura polida demonstravam a certeza de quem se julgava indispensável. Para ele, aquela conversa era apenas mais uma barganha política realizada nos bastidores de um baile de gala.Dobrei os dedos levemente sobre a seda prateada do meu vestido e dei mais um passo à frente.— É uma proposta tentadora, Conde — murmurei, a minha voz ressoando limpa e suave. — Uma aliança perfeita para garantir que a transição ocorra sem sobressaltos. Contudo, há um pequeno detalhe nas suas rotas ocidentais que precisa de esclarecimento antes que possamos assinar qualquer pacto.Vaneck piscou, o seu sorriso congelando por um milésimo de segundo antes de se recompor.— Que detalhe, minha Luna?— A carruagem selada sem brasão que tentou cruzar o desfiladeiro esta madrugada — revelei com extrema serenidade, sem alterar o tom da minha voz. — O comboio que escoltava aquela carruagem foi interceptado pelas
MayaAs portas de ferro trabalhado da estufa real fecharam-se atrás de nós com um estalo seco e metálico que ressoou como o bater de uma lâmina no mármore.O som ecoou pelo amplo ambiente de vidro e pedra, onde a brisa gélida da noite se infiltrava pelas frestas superiores, misturando o cheiro denso de orquídeas noturnas e terra úmida ao aroma amadeirado de Dominic. A luz da lua cheia atravessava a abóbada envidraçada, desenhando padrões prateados e cortantes sobre o piso de granito escuro.No centro da estufa, ao lado do chafariz de pedra onde a água corria em um murmúrio constante, o Conde Valerius Vaneck aguardava.O nobre vestia uma túnica de veludo verde-escuro bordada com fios de prata e trazia ao peito o brasão de sua casa, tentando ostentar a altivez intocável da aristocracia tradicional do Norte. No entanto, ao ver Dominic adentrar o recinto ao meu lado — o Alfa Supremo exalando uma aura de dominância tão densa e visceral que fazia o ar parecer fisicamente mais pesado —, a po
DominicA presença de Maya ao meu lado enquanto caminhávamos pelos limites do salão principal era o espetáculo de uma verdadeira rainha no comando do seu território. A cada olhar que ela lançava sobre a nobreza, a aristocracia baixava a cabeça. Aquela não era mais a jovem que os traidores de Valência tentaram subjugar ou esconder nos aposentos da mansão; era a soberana de dois mundos, a fêmea de um Alfa Supremo que não conhecia a palavra clemência.Enquanto nos deslocávamos estrategicamente para o corredor das galerias laterais, mantendo as aparências diante dos convidados, o avô de Maya Maximos aproximou-se pelas sombras de uma das grandes arcadas de pedra. O velho Patriarca do Norte vestia uma túnica militar escura e trazia o elmo preso ao cinto. Os seus olhos cinzentos estavam fixos em mim e em Maya com uma determinação implacável.— Tudo está pronto nos bastidores, Dominic — relatou Maximos em tom baixo, a sua voz parecendo o rosnado contido de uma fera veterana. — Damon posiciono
O Veneno nas Taças de OuroMayaO eco dos violinos e das flautas continuava a preencher as abóbadas do Grande Salão, mas a música já não conseguia disfarçar o peso da atmosfera. Para os olhos desatentos de uma jovem dama da corte ou de um diplomata de terras distantes, aquele evento parecia o apogeu da diplomacia: vestidos de seda bordados, joias que refletiam a luz das centenas de velas e brindes ruidosos celebrando a aliança entre o Sul e o Norte.Contudo, para quem conhecia o cheiro do medo, o ambiente estava impregnado de uma podridão velada.Acompanhada por Dominic, desci o último lance de degraus de mármore. A cada passo, a multidão se dividia com uma precisão quase militar. A postura do Alfa Supremo ao meu lado — ereta, impecável, exalando a aura esmagadora de uma fera que apenas aguardava o momento exato para dar o bote — mantinha a aristocracia em um estado de alerta constante. Os nobres mais velhos de Valência curvavam-se com uma reverência exagerada, tentando desesperadamen
MayaO vapor quente da água aromatizada com óleos de lavanda e flor de laranjeira preenchia o imenso banheiro de mármore dos meus aposentos, criando uma névoa espessa que embaçava os espelhos e suavizava o ar gélido da noite.Duas servas do Norte terminavam de trançar fios de prata fina nos meus cabelos negros, recolhendo metade das mechas em um coque elaborado e deixando o restante cair em ondas volumosas sobre as minhas costas. Pousei a mão sobre a água morna, observando o contorno pronunciado da minha barriga. A gestação avançava rapidamente, e a sensação do meu filho movendo-se com força sob a minha pele trazia uma serenidade estranha — uma âncora de vida no meio da tempestade política que havíamos arquitetado para aquela noite.A porta dupla de carvalho do quarto abriu-se e fechou-se com um baque surdo. O som dos passos firmes e desacelerados de Dominic no tapete pesado avisou-me de que o Supremo adentrara o cômodo. Dispensando as servas com um leve aceno de cabeça no espelho, fi
MayaA neblina densa da manhã descia sobre o vale de Valência como um manto acinzentado e frio, camuflando os picos pontiagudos das serras ao longe. No interior do palácio, a atmosfera não estava menos carregada. A notícia contida da interceptação na fronteira não havia vazado para os criados ou para a população, mas entre os nobres e diplomatas que ainda orbitavam o salão nobre, a tensão era palpável. Cada olhar trocado nos corredores trazia o peso do pânico velado.De pé diante da grande mesa de mapas na sala da regência, alisei o veludo pesado da minha saia. A gestação começava a exigir ajustes sutis nas minhas túnicas, e o peso extra na minha cintura era um lembrete físico constante de que o tempo corria não apenas para a diplomacia, mas para a história da nossa família.Dominic estava ao meu lado, a braçadeira de couro do ombro agora mantida mais por prudência do que por necessidade. Ele observava as marcações em miniatura que representavam as guarnições de guarda posicionadas en







