Compartilhar

6: Tentação Proibida

Autor: Ella Ortiz
last update Data de publicação: 2026-05-09 21:05:01

Valentina passou a noite inteira em claro. Cada vez que fechava os olhos, via o rosto de Luis Fernando a centímetros do seu, o olhar escurecido de desejo e raiva. A parede que separava os quartos parecia fina demais. Ela quase conseguia sentir a presença dele do outro lado, como uma força magnética que a puxava e a repelia ao mesmo tempo.

— Eu não posso sentir isso — sussurrou para si mesma, encarando o teto. — Ele é tudo que eu desprezo. Arrogante. Cruel. Rico demais para entender meu mundo.

Mas o corpo traía a mente. O calor que havia subido pela sua pele na noite anterior ainda permanecia, latejando baixo na barriga. Ela se levantou cedo, tomou um banho frio longo e vestiu uma roupa mais simples: calça social preta e blusa de seda bege. Precisava parecer profissional. Inatingível.

Quando saiu do quarto, Luis Fernando já estava na sala de estar, terminando o café da manhã. Ele vestia uma camisa social cinza clara com as mangas dobradas até os antebraços, revelando veias e músculos definidos. O cabelo estava ligeiramente bagunçado, como se ele também não tivesse dormido bem.

— Bom dia — disse ele, sem olhar diretamente para ela. A voz estava rouca.

— Bom dia, senhor Bracho.

O silêncio foi constrangedor. Nenhum dos dois mencionou o que quase havia acontecido na noite anterior. Luis Fernando empurrou uma xícara de café na direção dela.

— Beba. Temos um dia cheio. Evento beneficente à noite. Você vai me acompanhar.

Valentina arregalou os olhos.

— Eu? Mas eu não tenho roupa adequada para esse tipo de evento...

— Já resolvi isso. Uma estilista virá em uma hora. Considere parte do trabalho.

Ela quis protestar, mas o olhar dele não deixava espaço para discussão. O dia seguiu em ritmo acelerado. Reuniões pela manhã, almoço com parceiros comerciais e, à tarde, Luis Fernando a surpreendeu ao pedir sua opinião sobre uma nova campanha publicitária. Pela primeira vez, ele ouviu sem interromper. Quando ela terminou de falar, ele assentiu devagar.

— Você tem boas ideias, Valentina. Pena que sua execução ainda seja amadora.

O elogio misturado com crítica doeu mais do que uma ofensa pura. Era como se ele soubesse exatamente onde apertar para desestabilizá-la.

Às cinco da tarde, a estilista chegou com três vestidos. Valentina experimentou todos no quarto. O escolhido por Luis Fernando foi um longo preto, elegante, com decote discreto nas costas e que marcava sutilmente sua silhueta. Quando ela saiu do quarto, ele estava de terno preto completo, devastadoramente bonito.

Ele parou no meio da sala, olhando-a fixamente. Seus olhos percorreram o corpo dela devagar, desde os pés com saltos altos até o rosto. Algo brilhou naquele olhar verde — fome.

— Serviu — disse ele, rouco. — Vamos.

O evento era em um salão luxuoso nos jardins de um hotel histórico de Guadalajara. Luzes suaves, música ao vivo, pessoas ricas e influentes circulando com taças de champanhe. Valentina se sentia completamente deslocada, mas Luis Fernando mantinha a mão em suas costas de forma possessiva enquanto a guiava pelo salão.

— Sorria e fique ao meu lado — murmurou ele perto do ouvido dela. O hálito quente causou arrepios.

Camila de la Fuente apareceu como um fantasma. Vestida em vermelho vivo, deslumbrante e venenosa. Ela se aproximou com um sorriso falso, ignorando Valentina completamente.

— Fernando, querido! Não esperava te ver aqui. Sozinho? — perguntou, lançando um olhar rápido e depreciativo para Valentina.

— Não estou sozinho — respondeu ele, seco, puxando Valentina um pouco mais para perto.

Camila riu, um som falso e cortante.

— Uma assistente? Sério? Você caiu tão baixo assim?

Valentina sentiu o sangue ferver. Antes que pudesse se controlar, respondeu:

— Assistente ou não, pelo menos não preciso me humilhar para chamar atenção dele.

O silêncio que se seguiu foi mortal. Luis Fernando apertou a mão na cintura dela, mas Valentina não soube se era para repreendê-la ou apoiá-la. Camila estreitou os olhos.

— Você vai se arrepender disso, garotinha.

Ela se afastou, furiosa. Luis Fernando puxou Valentina para um canto mais reservado do jardim, atrás de uma grande fonte iluminada.

— O que foi aquilo? — questionou ele, virando-a de frente para si. — Eu não te trouxe para brigar com minha ex-noiva.

— Ela me insultou primeiro! — rebateu Valentina, erguendo o queixo. — Ou você esperava que eu ficasse quieta enquanto ela me trata como lixo?

Os olhos dele escureceram. A luz suave da fonte dançava no rosto dele, tornando-o ainda mais atraente e perigoso. Ele deu um passo à frente, encurralando-a contra uma coluna de pedra.

— Você não sabe quando calar a boca, Valentina Morales. Isso vai te meter em encrenca.

— Talvez eu goste de encrenca — respondeu ela, sem saber de onde vinha aquela coragem.

Luis Fernando soltou uma risada baixa, quase selvagem. Ele colocou uma mão na coluna ao lado da cabeça dela, inclinando-se. Seus corpos quase se tocavam. O perfume dele misturado ao cheiro de jardim à noite era inebriante.

— Você me testa todos os dias — murmurou ele, o olhar fixo nos lábios dela. — Desde o momento em que derramou aquele café ridículo em mim. Você invadiu minha empresa, minha rotina... e agora minha cabeça.

Valentina sentia o coração prestes a explodir. A boca dele estava tão perto. Bastava inclinar um centímetro...

— Eu te odeio — sussurrou ela.

— Minta melhor — respondeu ele, rouco.

O polegar dele roçou de leve o queixo dela. O toque foi elétrico. Por um instante, pareceu que ele finalmente ia beijá-la. Os olhos de Luis Fernando estavam quase pretos de desejo. A respiração dele acelerou.

De repente, uma voz chamou do salão:

— Senhor Bracho! Precisamos de você para o discurso!

Luis Fernando fechou os olhos por um segundo, como se estivesse lutando contra si mesmo. Ele se afastou bruscamente, passando a mão pelo cabelo.

— Volte para o hotel — ordenou, a voz fria novamente. — Eu termino aqui sozinho.

Valentina ficou parada, tremendo, enquanto ele se afastava sem olhar para trás.

No caminho de volta para o hotel, sozinha no carro, ela encostou a testa no vidro frio. Lágrimas de frustração e confusão escorreram pelo seu rosto.

— Eu não posso... não posso sentir nada por ele — repetia para si mesma.

Mas era tarde. A linha entre ódio e desejo já havia sido cruzada.

Quando Luis Fernando voltou para a suíte, mais de uma hora depois, encontrou Valentina sentada no sofá da sala comum, ainda com o vestido preto. Ela não havia conseguido dormir.

Ele parou na porta, afrouxando a gravata. Os olhares se encontraram. Nenhum dos dois falou.

O ar estava carregado. Perigoso. Pronta para explodir.

Luis Fernando deu um passo à frente.

— Valentina...

Continue a ler este livro gratuitamente
Escaneie o código para baixar o App

Último capítulo

  • Grávida do Meu Chefe Arrogante   41: Protegendo

    Valentina observava a filha correr pelo jardim enquanto tomava café. Luis Fernando estava ajoelhado no gramado, deixando Isabella subir em suas costas como se fosse um cavalo. A risada da menina ecoava alto. Era linda. Quase perfeito. Mas Valentina não conseguia relaxar. — Você está pensando demais — disse Luis Fernando mais tarde, quando se aproximou por trás e a abraçou pela cintura. Ele beijou seu ombro nu. — Por que ainda tem essa ruga de preocupação na sua testa? Valentina virou-se nos braços dele. — Porque eu conheço você. Luis Fernando apertou a mandíbula. — Ela é minha filha, Valentina. Eu quero que ela tenha tudo. Por que está tão relutante, hum? — E eu quero que ela tenha uma infância normal, Luis Fernando — rebateu Valentina. — Não quero que nossa filha cresça achando que o mundo inteiro gira em torno do nome Bracho, entende? Luis Fernando segurou o queixo dela, obrigando-a a olhar para ele. — Mas ela é uma Bracho. Quero que mudem para cá hoje mesmo, Va

  • Grávida do Meu Chefe Arrogante   40: Mais Uma Chance

    Valentina acordou com o peso de um braço forte ao redor de sua cintura. Luis Fernando dormia profundamente ao seu lado, o rosto relaxado. Por alguns segundos, permitiu-se observar o homem que havia amado e temido tanto.Ele parecia exausto. As olheiras profundas revelavam noites mal dormidas. Mesmo dormindo, sua mão permanecia possessiva sobre ela, como se tivesse medo de que ela desaparecesse novamente.Valentina tentou se levantar devagar, mas ele apertou o braço.— Não vai embora — murmurou Luis Fernando, ainda de olhos fechados, a voz rouca de sono.— Eu só vou ver Isabella.Ele abriu os olhos verdes, ainda pesados, e a puxou para mais perto, encostando o nariz em seu pescoço.— Fica mais um pouco.Valentina suspirou, mas cedeu. Deixou que ele a abraçasse, sentindo o calor familiar do corpo dele contra o seu. Aquela sensação de pertencimento... era exatamente o que ela temia.— Como você dormiu? — perguntou ele, beijando seu ombro.— Pouco, pois fiquei pensando em como vamos fazer

  • Grávida do Meu Chefe Arrogante   39: A Família Perfeita

    A luz da tarde entrava pelas janelas enormes da mansão, iluminando o tapete onde Isabella brincava com o cavalinho de madeira antigo. Luis Fernando estava ajoelhado ao lado dela, completamente alheio ao mundo ao redor. Pela primeira vez em anos, o CEO implacável parecia humano.— Olha, papai! Ele corre! — exclamou Isabella, fazendo o brinquedo galopar pelo tapete.Luis Fernando riu, pegou outro cavalinho e começou a brincar com a filha, imitando sons de cascos. Isabella gargalhava, batendo palmas.Valentina observava tudo da porta da sala, com o coração apertado. Ver os dois juntos era ao mesmo tempo a coisa mais bonita e mais aterrorizante da sua vida. Isabella, que sempre perguntava sobre o pai, agora tinha um diante dela.— Ela gosta de você — murmurou Valentina, aproximando-se devagar.Luis Fernando ergueu o olhar. Seus olhos verdes estavam brilhantes, emocionados.— Ela é perfeita — disse ele, a voz embargada. — Tem seus cabelos, mas meus olhos. E esse temperamento... definitivam

  • Grávida do Meu Chefe Arrogante   38: Minha Família!

    Valentina não dormiu aquela noite. Ficou sentada na beira da cama de Isabella, observando a filha dormir tranquilamente com o ursinho apertado contra o peito. Cada respiração da menina era um lembrete do peso da decisão que havia tomado.— Amanhã você vai conhecer seu pai, meu amor — sussurrou ela, acariciando os cachinhos escuros. — E eu não sei se estou pronta para isso.Pela manhã, Valentina vestiu Isabella com cuidado. Escolheu um vestidinho amarelo que a menina adorava, prendeu os cabelos em duas marias-chiquinhas e tentou sorrir quando a filha perguntou:— Aonde vamos, mamãe?— Vamos encontrar uma pessoa muito importante. Alguém que ama você muito, mesmo sem te conhecer ainda.O trajeto até a mansão de Luis Fernando foi silencioso. Isabella olhava pela janela, animada com a aventura, enquanto Valentina lutava contra o pânico que crescia em seu peito. Quando o carro parou em frente aos portões imponentes, ela sentiu o estômago revirar.Luis Fernando esperava na porta principal. V

  • Grávida do Meu Chefe Arrogante   37: O Direito de um Pai

    O silêncio na sala era ensurdecedor. Luis Fernando ainda segurava Valentina pelos braços, os dedos cravados na pele dela como se tivesse medo de que ela desaparecesse novamente. Seus olhos verdes, antes frios como gelo, agora queimavam com uma mistura devastadora de fúria, dor e incredulidade.— Isabella... — repetiu ele, como se saborear o nome da filha doesse. — Eu tenho uma filha chamada Isabella. E passei mais de dois anos sem saber que ela existia.Valentina tentou se soltar, mas ele não permitiu. Lágrimas escorriam pelo rosto dela.— Me solta, Luis Fernando. Você está me machucando.Ele afrouxou o aperto imediatamente, mas não a soltou por completo. Em vez disso, puxou-a contra o peito, abraçando-a com uma força quase desesperada. Seu corpo tremia.— Como você pôde? — A voz dele saiu rouca, quebrada. — Como você teve coragem de esconder minha filha de mim? Eu procurei você por meses! Eu quase enlouqueci! E você estava grávida... carregando meu sangue... e escolheu me abandonar!

  • Grávida do Meu Chefe Arrogante   36: Ela é Minha Filha!

    Valentina mal conseguia se concentrar na tela do computador. A reunião havia terminado há quase uma hora, mas ela ainda sentia o calor da presença de Luis Fernando impregnado na sala. Ele havia questionado cada detalhe da campanha, aproximando-se dela mais do que o necessário, tocando seu ombro “sem querer”, olhando-a como se quisesse devorá-la e destruí-la ao mesmo tempo.Ela saiu da sede da Grupo Bracho com as pernas fracas e pegou um táxi direto para a creche. Quando Isabella a viu, correu com os bracinhos abertos.— Mamãe! Você demorou hoje!Valentina se ajoelhou e abraçou a filha com força, inalando o cheirinho doce de shampoo e inocência. Lágrimas ameaçaram cair, mas ela as segurou.— Desculpa, meu amor. Mamãe estava trabalhando muito.No caminho para casa, Isabella tagarelava sobre o dia na creche, os desenhos que fez e o amigo que caiu no playground. Valentina ouvia com o coração apertado. Cada palavra da filha era um lembrete doloroso do segredo que carregava.Assim que chega

Mais capítulos
Explore e leia bons romances gratuitamente
Acesso gratuito a um vasto número de bons romances no app GoodNovel. Baixe os livros que você gosta e leia em qualquer lugar e a qualquer hora.
Leia livros gratuitamente no app
ESCANEIE O CÓDIGO PARA LER NO APP
DMCA.com Protection Status