FAZER LOGINEu estava preso naquela maldita cadeira há muitos meses e odiava cada um dos dias. Primeiro, eu não quis sair da cama; neguei que aquilo estivesse acontecendo comigo; preferia mil vezes que aqueles desgraçados tivessem me matado, porque ao menos eu não estaria tão miserável assim.
Trabalhar sempre foi algo importante para mim. Depois dos meus irmãos, o trabalho era o que me dava um propósito, uma noção de que eu não era um merdinha qualquer. Mas agora eu estava na pior situação da minha vida, sem poder andar, sem poder trabalhar, sem poder fazer absolutamente porra nenhuma!
— Está com pressa, gatinha? — gritei sorrindo quando vi Magie correndo para o banheiro. A música ressoava pela casa, e mesmo que fizesse poucas semanas que eu estivesse morando ali com ela, a nossa sincronia parecia de anos.
— PUTA QUE PARIU! — a loirinha gritou assustada, levando a mão ao peito. — Não tem o que fazer não?
— Não, monitorar seu banho é muito melhor. Acho que vou sair para jantar com o pessoal. Deixar vocês mais à vontade. — falei a seguindo e parando na porta do seu quarto.
— Está me pedindo permissão? — ela perguntou debochando, abrindo uma fresta e colocando a cabeça para fora.
— Estou me certificando de que vai sobreviver sem a minha beleza por uma noite.
Magie abriu um sorriso e empurrou meu ombro me afastando um pouco. E por mais que estivesse adorando nossa convivência, eu queria muito que ela e meu melhor amigo se acertassem essa noite. Eles mereciam isso, assim como o bebê na barriga dela.
— Você é um ótimo irmão, sabia? Está até me fazendo pensar que ter sido filha única foi uma bosta.
— Awnn vem aqui, loirinha. Eu te adoro como minha irmã. — puxei a cabeça dela para baixo do meu braço, antes de bagunçar os cabelos que ela tinha acabado de pentear.
— Meu cabelo, Luke! — os dedos finos alcançaram minhas costelas me fazendo cócegas, sabendo ser o jeito mais rápido de me derrotar. — Esquece, já não te quero mais como irmão!
Então eu ouvi um barulho do lado de fora, apesar da música alta e das nossas risadas, eu claramente tinha conseguido escutar o som de passos. Magie tocou meu braço, mas meu corpo todo estava tenso e os ouvidos apurados apenas para tentar ouvir melhor.
Me virei para ela, colocando um dedo sobre os lábios, pedindo para que ela continuasse quieta. Peguei meu celular no bolso e deslizei o dedo na tela, fazendo a música cessar, colocando um fim no elemento surpresa dos invasores e no mesmo momento os passos soaram mais alto.
Os olhos de Magie se arregalaram e eu soube que ela tinha escutado e entendido o que estava acontecendo.
— Entre no quarto e tranque a porta. — sussurrei já segurando nos ombros frágeis e a empurrando para dentro do quarto.
— O que vai fazer? Vem comigo? — ela perguntou em desespero, e eu quase cogitei a ideia por ver seus olhos assustados, mas eu precisava ganhar tempo, o quarto não era um bom esconderijo, não demoraria até nos encontrarem ali.
— Entre e se esconda! Vou chamar a polícia e pegar a arma, já venho.
Corri até meu quarto, me recriminando por deixar a arma no guarda-roupa, se tivesse com ela em mãos, eu poderia ir direto para o quarto com Magie e protegê-la lá. Mas eu não esperava um ataque, por isso não estava preparado. Na verdade, nem tinha ideia de quem poderia estar invadindo a casa: ladrões, alguém a mando do ex-marido dela, ainda tinha a família rica dela.
Eu saí do quarto, destravando a pistola no mesmo instante que a porta foi arrebentada com uma pancada. Não esperei um segundo, já fui atirando e me desviando para o corredor para me proteger das balas que vinham do lado deles. Vi um corpo caindo no chão, mas ainda não era suficiente, tinham muito mais deles ali.
— Seu desgraçado! VOCÊ VAI MORRER POR MATAR MEU IRMÃO! — um deles gritou, e eu me desviei tentando fazer a mira certeira antes que ficasse sem munição. Mas antes que as balas saíssem da arma a janela foi espatifada, um homem pulou entrando em casa e acertando meu corpo com os pés. Minha arma voou para longe com a força, assim como meu corpo cambaleou para trás.
Eu tinha sido encurralado, os homens portando armas bem maiores do que a minha e claramente com um treinamento tático.
— Agora você me paga! — um deles parou na minha frente e acertou um soco em meu queixo, jogando minha cabeça para o lado antes de me dar outro na boca do estômago.
Um dos outros homens foi até o quarto de Magie, seguindo pelo corredor, e eu consegui ouvir a porta sendo aberta, bem antes de acertarem um chute na parte de trás do meu joelho, me fazendo cair no chão.
A joelhada certeira no meu nariz veio logo em seguida, enchendo minha visão de estrelas, enquanto meu corpo tentava assimilar a dor.
— Não é tão fodão agora sem a arma, não é, bonitão? — ouvi um deles debochar, enquanto o outro puxava meu cabelo e dava dois socos em meu rosto.
— ACHEI A VADIA! — ouvi o grito dela e o som estridente que Magie soltou, fazendo meu sangue ferver.
Me debati, tentando me livrar do agarre dos outros e poder brigar por ela, defender a minha amiga e o seu bebê. Mas senti algo pesado bater em minha nuca, me deixando tonto e prestes a desmaiar.
— E o que a gente faz com o cara lá na sala?
— Mata! Ele não tem nenhuma serventia.
Foi a conversa confusa que ouvi enquanto tentava me concentrar em avistar Magie.
— NÃO! SEU DESGRAÇADO! — ouvi o grito dela e aquilo me impulsionou ainda mais a lutar contra minha tontura.
Mas não consegui nem ao menos sair do lugar. Não demorou para saírem do quarto a arrastando enquanto seguravam uma arma apontada para a cabeça dela.
— Me desculpa, loirinha. — sussurrei no instante em que nossos olhares se cruzaram. Magie estava grávida, a última coisa que ela precisava agora era toda essa merda.
— Não é culpa sua! — ela tentou me garantir, mas a culpa já me invadia. — Não desisti, a gente vai sair dessa! — então acertaram a cabeça dela e Magie tombou nos braços do homem.
— Mata ele e sai! — foi a ordem do homem que segurava a loirinha, então todos começaram a sair, um por um, deixando a casa.
Assim que meus braços estavam soltos, meus olhos focaram na arma, eu só precisava ser rápido para alcançá-la. Encarei o único homem que havia sobrado e aproveitei o instante que ele se distraiu olhando para a porta e corri até minha arma.
Foi então que ouvi os disparos e a força acertando meu corpo, me fazendo cair de cara no chão. Eu não tinha entendido como ele conseguiu ser mais rápido, ou onde eu havia sido atingido, mas conseguia sentir o líquido quente escorrendo por meu peito e não nas minhas costas.
Não demorou para que o frio começasse a se espalhar por meu corpo e eu sabia que deveria ser forte e aguentar até que a ajuda chegasse, mas o cansaço e o frio me dominaram aos poucos.
Eu ia morrer ali, ia morrer naquele chão depois de não ter conseguido salvar a vida da minha amiga e do seu bebê. Eu era o culpado por levarem Magie, e foi com isso em mente que apaguei e não vi mais nada.
Monalisa (dois anos depois do casamento)Eu estava deitada na espreguiçadeira, aproveitando o sol enquanto mantinha o olho em Liam brincando na área coberta. Nem conseguia acreditar que o tempo tinha passado tão rápido, dois anos que nosso pequeno milagre veio ao mundo enchendo nossas vidas de mais amor e alegria.O parto em casa foi a experiência mais emocionante e dolorosa que eu já tive. Mesmo que fosse eu sentindo dor ali naquela banheira era Luke quem estava passando mal, pálido como um papel pronto para desmaiar.Por sorte ele não teve tempo disso, nosso Liam foi rápido em chegar ao mundo, já mostrando que poderia ter puxado a beleza do pai, mas o gênio era completamente da mãe.Como eu já esperava Luke era um ótimo pai, sempre atencioso e paciente, fazendo de tudo ao seu alcance, e até além dele, só para poder passar mais tempo conosco.Se alguém me disse que tanta coisa assim iria acontecer eu não acreditaria, eu encontrei o homem da minha vida, me casei com ele e ainda tive u
Dois meses depoisEu estava no altar, em baixo do arco esperando ansioso a chegada de Lisa, o salão de festas a minha frente estava preenchido por nossos amigos e familiares, ao meu lado nossos três padrinhos e madrinhas já estavam posicionados.Sequei minhas mãos na calça pelo que pareceu ser a milésima vez desde que cheguei ali, o nervosismo estava acabando comigo de uma forma que eu não esperava.— Calma garanhão, ela já está chegando. — Kevin sussurrou ao meu lado, me fazendo olhar para os três patetas ali.Ele, Alejandro e Benjamin estavam lado a lado, sorrindo da minha situação. Em minha defesa eu nunca tinha imaginado na vida que um dia me casaria, bem diferente deles.— Calem a boca! — Magie murmurou do outro lado, junto dela estavam Kate, a amiga responsável por levar Lisa até minha casa e Ava.Depois do ultimato todos ficaram quietos voltando a atenção para o corredor onde a música começou a tocar e Lisa apareceu no fim do caminho de pétalas brancas que a levariam até a mim.
Aquele pesadelo tinha finalmente acabado, nós tínhamos conseguido. Eu, bebê, Ava, Luke, todos estávamos bem e em segurança e isso era tudo o que eu podia querer.— É melhor preparar vocês duas, porque a casa vai estar lotada já que todos vieram dar um apoio e ficar unidos enquanto esperavam notícias. — Luke avisou quando o tal de Alex estacionava o carro na frente da nossa casa. — Mas se quiserem posso mandar todo mundo embora.Eu olhei para Ava ao meu lado e segurei a mão dela, esperando uma resposta. Ela ainda estava abalada com o fato de ver todos aqueles corpos e a mãe sendo baleada.Kevin tinha acertado quando disse que Karen sobreviveria, a bala tinha atravessado e não acertou nenhum órgão como ele tinha afirmado, mas ela continuaria internada por alguns dias.— Vamos nessa. — foi a resposta dela abrindo um pequeno sorriso. Mas bastou um grito vindo da porta de casa para iluminar o rosto dela.— Ava! — eu olhei para a entrada a tempo de ver a garota correndo até nós com os cabel
Jane só teve tempo de abrir a boca antes que uma bala se cravasse em sua testa, a levando para o chão bem ao lado da minha mãe. Não vi de onde o tiro com tanta precisão veio, mas sabia que tinha sido Kevin.— Ai meu Deus! Não, não, não! Isso não pode estar acontecendo! — Ava se arrastou como conseguiu até estar perto da nossa mãe. — Você não pode morrer assim, tem muito o que explicar. Muita coisa para pagar!Ela gritava parecendo estar brigando, mas a verdade estava nos olhos transbordando em lágrimas enquanto sacudia a nossa mãe e aquilo me quebrou por dentro, por mais raiva que ela pudesse sentir de Karen não desejávamos aquele fim.— Chama uma ambulância! — gritei com Cris enquanto corri até Lisa, a peguei no colo sem pensar duas vezes, só queria tirá-la dali e poder olhá-la em outro lugar, longe de toda aquela sujeira e o cheiro pútrido. — Você está bem amor? Está machucada?Passei minhas mãos em volta dela freneticamente, procurando por machucados enquanto arrancava as fitas de
— Vamos logo com isso, não vim até aqui para ter que ver essa sua cara de merda. — falei trincando os dentes e me forçando a manter a calma, mesmo que minha vontade fosse de quebrá-lo na porrada. — Onde estão minha mulher e minha irmã?Kevin tinha dito que eu precisava manter a cabeça focada nas minhas prioridades, mas após ver tudo aquilo eu não podia sair dali e não tentar tirá-la daquela vida outra vez.— Está pensando que é assim? Onde está a nossa grana? Não vamos deixar as duas fedelhas vivas de graça. — ele olhou em volta, como se quisesse se certificar de que ninguém ouviria. — Sua outra namoradinha nos ofereceu a mesma quantia para entregar Monalisa e o bebê em pedacinhos.— O quê? — questionei quase sem voz, com o bolo que havia se formado em minha garganta, me impedindo de formar uma frase sequer.— É parece que você tem um fraco por mulheres de jaleco, não é? — o desgraçado sorriu e chegou ainda mais perto de mim, parecendo se divertir com meu desespero. — Sua mãe foi pro
Patrick tinha acabado de retornar com o dinheiro e um dos homens de Cris já estava de guarda no lugar, acompanhando a movimentação e nos mantendo informados, agora era nossa hora de ir até Karen. Eu estava agradecido, pois, tinham sido as horas mais difíceis da minha vida.— Nós vamos com você! — Alejandro afirmou enquanto colocávamos as malas de dinheiro no porta mala.— Não mesmo, você e Patrick vão ficar aqui em segurança. A última coisa que precisamos é de mais pessoas correndo risco! — foi Cris quem deu a ordem. — Alex vai ao volante porque precisamos de alguém de prontidão para nos tirar de lá, enquanto isso vocês esperam.Ainda era difícil acreditar que Jane estaria envolvida nisso, a ideia de alguém cometendo uma loucura por minha causa não fazia sentido para mim, ainda mais uma pessoa que eu não tinha nenhuma ligação há anos e agora decidia pagar pessoas para invadir minha casa, sequestrando minha mulher e minha irmã, eu não conseguia entender.Mas assim que Kevin invadiu a v







