FAZER LOGINEra isso, eu estava completamente lascada, tinha chegado no fundo do poço e não sabia como ia sair. Minha demissão seria o meu fim, mas aquele velho desgraçado tinha que arrumar uma desculpa para me colocar para fora do hospital, só porque não aceitei suas cantadas nojentas.
Eu não era a pura e recatada, mas quando eu digo não é não e ponto final. Não me interessa se ele é o rei da porra do mundo, o dono do hospital ou do inferno, nenhum homem me tocaria contra a minha vontade.
Mas agora tudo o que passava na minha mente é que eu não podia ficar sem emprego, com a casa hipotecada, um adolescente, uma senhora de idade, o carro quebrado, sem falar nas contas do dia a dia. Meu irmão e Nona contavam comigo, eu não podia decepcioná-los.
— E agora, o que eu vou fazer, Kate? — reclamei com minha amiga enquanto juntava todas as minhas tralhas que estavam jogadas pelo hospital. — Ai meu Deus, vou enlouquecer assim! Vou ter que vender meu corpo pra pagar as contas desse jeito.
— Sabe que posso te indicar para o amigo do John. — ela disse abrindo um sorriso diabólico.
— Ahh claro, o velho maluco que grita com todo mundo e manda todas as enfermeiras embora em dois dias? — apontei os fatos, pelo menos cinco enfermeiras já tinham tentado ficar com esse trabalho, mas o homem simplesmente torna impossível. — Fala sério Kate, preciso de uma solução de verdade.
— Mas eu estou falando sério, Mona. O pagamento é ótimo, você vai ficar na casa dele o dia inteiro, ajudar nas sessões de fisioterapia, garantir que ele coma, saia da cama, tome um sol. — ela deu de ombros como se não fosse nada. — Não é tão difícil assim, o homem está em uma cadeira de rodas, que trabalho ele vai te dar?
— Quer mesmo que eu diga? Ele colocou cinco garotas aqui do hospital para correr.
— Isso faz parte amiga, chefes escrotos têm em todo lugar. — ela se levantou da cadeira e me estendeu o celular mostrando o contato. — Você só precisa escolher qual vai ser, um que você pode ignorar as grosserias e deixar trancado em um quarto, ou o que vai te perseguir pelo hospital e te demitir na primeira chance.
Olhei para a cara da minha amiga, o olhar presunçoso com aquele sorriso perfeitamente alinhado e branco, contrastando com a pele negra. Kate era um tremendo de um mulherão e sabia muito bem disso, por isso não se abateu com minha expressão de desgosto, apenas continuou com o celular estendido.
— Ok! Está bem, eu vou tentar. — me dei por vencida e anotei o número. — Mas se esse cara chutar minha bunda eu juro que vai sobrar pra você!
— Tenho certeza que você vai descobrir como dobrar o Luke. — Kate se sentou com um sorriso esquisito, como se estivesse tramando algo.
Mas eu não tinha tempo para isso agora, precisava ir embora e falar o mais rápido com esse tal de John, que aparentemente era o responsável pelo velho ranzinza. Ainda tinha que dar a má notícia a Nona, mas se tudo desse certo ainda hoje eu teria um novo emprego.
Sai do hospital direto para o ponto de ônibus carregando a sacola enorme com tudo o que costumava deixar ali no hospital, o lugar onde trabalhei desde que me formei, onde dei meu sangue para fazer uma carreira e ser reconhecida, minha segunda casa.
Mas bastou mudarem o chefe para que meus problemas começassem. Para ele, eu era nova demais, burra demais, bonita demais. Tudo em mim era um problema para ele, até que o babaca começou a jogar cantadas nojentas sobre como eu estaria melhor na cama dele, que seria um ótimo médico e mediria minha pressão de todas as formas, como eu melhoraria se ficasse um tempo embaixo dele, entre outras coisas de revirar o estômago.
Infelizmente não consegui me livrar dele, mesmo denunciando para a direção do hospital por assédio. A resposta que tive foi que eram apenas piadas entre amigos e nada mais.
— Piadas entre amigos minha bunda. — resmunguei para mim mesma, mas as pessoas no ponto de ônibus me ouviram e me olharam como se eu fosse maluca.
Talvez eu fosse mesmo, depois de tudo não me surpreenderia se acabasse em uma camisa de força.
Eu tentava ser sempre positiva, era isso o que me mantinha de pé na vida, o que não me deixava me abater, mas nos últimos meses não tinha sido fácil. Ouvir as palavras "está demitida" hoje, acabou comigo e com qualquer animação. Foi um verdadeiro golpe inesperado.
Passei o caminho todo até em casa remoendo esse assunto, quando cheguei só queria me deitar e me enrolar na cama.
— Oi menina! — Nona exclamou correndo até a porta da frente quando eu entrei. — O que aconteceu que está aqui tão cedo?
— Adivinha Nona? — soltei, jogando minha bolsa na entrada e me livrando dos sapatos. — Aquele verme me demitiu, tanto fez que finalmente conseguiu acabar com meu trabalho.
— Aí meu amor, sinto muito. — ela não se segurou em me abraçar, mesmo com a roupa do hospital ela me apertou tentando me acalmar. — Nós vamos dar um jeito, não se preocupe.
— Eu já consegui um emprego, Nona! Arrumei um emprego que com toda certeza vai ser bem melhor pra mim. — afirmei para ela e vi um sorriso radiante surgir no rosto rechonchudo da mulher.
No caminho para casa, eu tinha ligado e falado com o responsável pelo paciente, John me disse que eu podia ir até lá amanhã cedo mesmo, que o emprego era meu.
Eu não pude ficar mais feliz e com o sorriso de Nona eu sabia que não importava o que o velhote fosse fazer, eu ia manter aquele trabalho.
— Então temos muito o que comemorar e não lamentar, com toda certeza foi para o bem essa demissão. — ela esfregou meus braços de forma carinhosa e se afastou. — Vou preparar um prato pra você, deve estar com fome.
E então sumiu no corredor indo para a cozinha. Aquela mulher tinha ficado na nossa vida depois que meus pais morreram, ela não tinha nenhuma obrigação, mas quando soube que não tínhamos nenhum parente vivo não hesitou em nos adotar e cuidar de nós por todos esses anos.
Por isso eu faria qualquer coisa para ficar nesse novo emprego, não ia desapontá-la. Aquele tal de Luke poderia me irritar, gritar, me xingar e espernear, mas eu não ia desistir, ia me apegar a esse trabalho como se fosse meu bote salva-vidas.
No dia seguinte eu acordei cedo, tomei um banho e me arrumei antes de sair. A casa não era tão longe da minha e eu agradeci por isso, um caminho rápido de carro, eu poderia até mesmo ir de bicicleta, essa era mais uma vantagem para que eu quisesse esse emprego.
Quando cheguei na frente da casa do precisei bater uma vez, me surpreendi com o tamanho do lugar, mas tudo se desfez quando a porta se abriu rapidamente.
— Oi! Você deve ser a Monalisa. — o homem alto e forte passou para o lado me dando espaço para entrar. — Pode vir, Luke está nos fundos tomando sol.
— Oi, você é o filho dele? Mora aqui? Queria saber mais sobre o trabalho, como vai funcionar. — perguntei indo atrás dele, que andava a passos largos atravessando a casa.
— Ele pode te esclarecer tudo, mas filho? Acho que está confundindo. Tem certeza que veio a casa certa? — ele questionou parando em frente à porta de vidro que dava para um jardim.
— Tenho certeza que estou no lugar certo. Você é o John, amigo da Kate, que foi quem me indicou o trabalho para cuidar de um idoso chamado Luke.
O homem começou a rir e eu olhei em volta confusa, sem entender qual era a graça ali e qual seria a confusão que eu tinha feito. Só esperava que não tivessem arrumado outra pessoa.
— Eu sou o John e Kate é minha amiga, essa é a casa de Luke, mas não há nenhum idoso aqui. — ele passou para o outro lado da porta e eu o acompanhei antes que apontasse para o homem na cadeira de rodas. — Aquele é o Luke!
Semicerrei meus olhos querendo enxergar melhor e eu precisei respirar fundo quando me dei conta do corpo musculoso, bronzeado, os braços fortes e o peitoral largo brilhavam contra o sol, até mesmo as pernas dele eram torneadas e firmes.
O rosto estava inclinado para trás, mas eu conseguia ver a barba loira, assim como os cabelos dele que pareciam tão macios. E me deu uma vontade maluca de descobrir como seria os olhos dele, mas estavam fechados me impedindo de descobrir isso.
— Esse... Esse é o homem que eu vou ter que cuidar? — perguntei quase perdendo o fôlego.
Meu Deus eu ia ter que dar banho naquele homem, ajudá-lo a se vestir, se secar? Deus me ajude e não me deixe cair em tentação, porque com toda certeza se isso acontecesse eu ia cair e quicar naquele colo!
Monalisa (dois anos depois do casamento)Eu estava deitada na espreguiçadeira, aproveitando o sol enquanto mantinha o olho em Liam brincando na área coberta. Nem conseguia acreditar que o tempo tinha passado tão rápido, dois anos que nosso pequeno milagre veio ao mundo enchendo nossas vidas de mais amor e alegria.O parto em casa foi a experiência mais emocionante e dolorosa que eu já tive. Mesmo que fosse eu sentindo dor ali naquela banheira era Luke quem estava passando mal, pálido como um papel pronto para desmaiar.Por sorte ele não teve tempo disso, nosso Liam foi rápido em chegar ao mundo, já mostrando que poderia ter puxado a beleza do pai, mas o gênio era completamente da mãe.Como eu já esperava Luke era um ótimo pai, sempre atencioso e paciente, fazendo de tudo ao seu alcance, e até além dele, só para poder passar mais tempo conosco.Se alguém me disse que tanta coisa assim iria acontecer eu não acreditaria, eu encontrei o homem da minha vida, me casei com ele e ainda tive u
Dois meses depoisEu estava no altar, em baixo do arco esperando ansioso a chegada de Lisa, o salão de festas a minha frente estava preenchido por nossos amigos e familiares, ao meu lado nossos três padrinhos e madrinhas já estavam posicionados.Sequei minhas mãos na calça pelo que pareceu ser a milésima vez desde que cheguei ali, o nervosismo estava acabando comigo de uma forma que eu não esperava.— Calma garanhão, ela já está chegando. — Kevin sussurrou ao meu lado, me fazendo olhar para os três patetas ali.Ele, Alejandro e Benjamin estavam lado a lado, sorrindo da minha situação. Em minha defesa eu nunca tinha imaginado na vida que um dia me casaria, bem diferente deles.— Calem a boca! — Magie murmurou do outro lado, junto dela estavam Kate, a amiga responsável por levar Lisa até minha casa e Ava.Depois do ultimato todos ficaram quietos voltando a atenção para o corredor onde a música começou a tocar e Lisa apareceu no fim do caminho de pétalas brancas que a levariam até a mim.
Aquele pesadelo tinha finalmente acabado, nós tínhamos conseguido. Eu, bebê, Ava, Luke, todos estávamos bem e em segurança e isso era tudo o que eu podia querer.— É melhor preparar vocês duas, porque a casa vai estar lotada já que todos vieram dar um apoio e ficar unidos enquanto esperavam notícias. — Luke avisou quando o tal de Alex estacionava o carro na frente da nossa casa. — Mas se quiserem posso mandar todo mundo embora.Eu olhei para Ava ao meu lado e segurei a mão dela, esperando uma resposta. Ela ainda estava abalada com o fato de ver todos aqueles corpos e a mãe sendo baleada.Kevin tinha acertado quando disse que Karen sobreviveria, a bala tinha atravessado e não acertou nenhum órgão como ele tinha afirmado, mas ela continuaria internada por alguns dias.— Vamos nessa. — foi a resposta dela abrindo um pequeno sorriso. Mas bastou um grito vindo da porta de casa para iluminar o rosto dela.— Ava! — eu olhei para a entrada a tempo de ver a garota correndo até nós com os cabel
Jane só teve tempo de abrir a boca antes que uma bala se cravasse em sua testa, a levando para o chão bem ao lado da minha mãe. Não vi de onde o tiro com tanta precisão veio, mas sabia que tinha sido Kevin.— Ai meu Deus! Não, não, não! Isso não pode estar acontecendo! — Ava se arrastou como conseguiu até estar perto da nossa mãe. — Você não pode morrer assim, tem muito o que explicar. Muita coisa para pagar!Ela gritava parecendo estar brigando, mas a verdade estava nos olhos transbordando em lágrimas enquanto sacudia a nossa mãe e aquilo me quebrou por dentro, por mais raiva que ela pudesse sentir de Karen não desejávamos aquele fim.— Chama uma ambulância! — gritei com Cris enquanto corri até Lisa, a peguei no colo sem pensar duas vezes, só queria tirá-la dali e poder olhá-la em outro lugar, longe de toda aquela sujeira e o cheiro pútrido. — Você está bem amor? Está machucada?Passei minhas mãos em volta dela freneticamente, procurando por machucados enquanto arrancava as fitas de
— Vamos logo com isso, não vim até aqui para ter que ver essa sua cara de merda. — falei trincando os dentes e me forçando a manter a calma, mesmo que minha vontade fosse de quebrá-lo na porrada. — Onde estão minha mulher e minha irmã?Kevin tinha dito que eu precisava manter a cabeça focada nas minhas prioridades, mas após ver tudo aquilo eu não podia sair dali e não tentar tirá-la daquela vida outra vez.— Está pensando que é assim? Onde está a nossa grana? Não vamos deixar as duas fedelhas vivas de graça. — ele olhou em volta, como se quisesse se certificar de que ninguém ouviria. — Sua outra namoradinha nos ofereceu a mesma quantia para entregar Monalisa e o bebê em pedacinhos.— O quê? — questionei quase sem voz, com o bolo que havia se formado em minha garganta, me impedindo de formar uma frase sequer.— É parece que você tem um fraco por mulheres de jaleco, não é? — o desgraçado sorriu e chegou ainda mais perto de mim, parecendo se divertir com meu desespero. — Sua mãe foi pro
Patrick tinha acabado de retornar com o dinheiro e um dos homens de Cris já estava de guarda no lugar, acompanhando a movimentação e nos mantendo informados, agora era nossa hora de ir até Karen. Eu estava agradecido, pois, tinham sido as horas mais difíceis da minha vida.— Nós vamos com você! — Alejandro afirmou enquanto colocávamos as malas de dinheiro no porta mala.— Não mesmo, você e Patrick vão ficar aqui em segurança. A última coisa que precisamos é de mais pessoas correndo risco! — foi Cris quem deu a ordem. — Alex vai ao volante porque precisamos de alguém de prontidão para nos tirar de lá, enquanto isso vocês esperam.Ainda era difícil acreditar que Jane estaria envolvida nisso, a ideia de alguém cometendo uma loucura por minha causa não fazia sentido para mim, ainda mais uma pessoa que eu não tinha nenhuma ligação há anos e agora decidia pagar pessoas para invadir minha casa, sequestrando minha mulher e minha irmã, eu não conseguia entender.Mas assim que Kevin invadiu a v







