INICIAR SESIÓN📖 CAPÍTULO 255 — O nosso tempoNarradora: ElizaEu estava começando a desconfiar de que os relógios tinham alguma coisa pessoal contra mim. Durante a semana, as horas pareciam desaparecer entre uma revisão e outra, os minutos passavam depressa demais quando eu precisava terminar alguma coisa e, quando finalmente chegava o momento de descansar, descobria que já estava tarde. Minha mesa estava coberta de anotações, o computador parecia ter se tornado uma extensão do meu corpo e eu já tinha perdido a conta de quantas vezes havia lido a apresentação que levaria para o evento literário. Faltavam poucos dias para a viagem, e aquela mistura de ansiedade e felicidade continuava me acompanhando desde o momento em que aceitei o convite. Eu queria fazer tudo direito. Queria chegar preparada, conversar com outros escritores, conhecer leitores e aproveitar uma oportunidade que, até pouco tempo atrás, parecia distante demais para alguém como eu. Mas também queria encontrar Rafa, abraçá-lo sem pres
📖 CAPÍTULO 254 — A saudade tem vozNarrador: Rafa MontillaEu sempre achei que saudade fosse uma coisa fácil de administrar. Você sente falta de alguém, manda uma mensagem, escuta a voz da pessoa quando consegue e segue com a vida. Simples assim. Pelo menos era o que eu pensava antes de descobrir que existiam ausências que se espalhavam pela casa inteira, mesmo quando a pessoa nunca tinha morado oficialmente ali. Desde que Eliza começou a se preparar para o evento literário, nossos horários ficaram ainda mais complicados. Eu tinha treinos, reuniões, compromissos com o clube e partidas que exigiam cada gota da minha concentração. Ela, por outro lado, estava mergulhada em textos, anotações, apresentações e naquela ansiedade silenciosa de quem deseja muito uma oportunidade, mas ainda está aprendendo a acreditar que merece estar onde chegou. Nós dois estávamos felizes com o que acontecia em nossas vidas. Orgulhosos, inclusive. O problema era que a felicidade não impedia a saudade de apar
📖 CAPÍTULO 253 — Meu sonho também importaNarradora: ElizaEu nunca imaginei que algumas folhas de papel, um notebook e uma agenda pudessem me deixar tão nervosa.Minha mesa estava completamente tomada por anotações, rascunhos, livros e documentos relacionados ao evento literário. Havia uma lista de tarefas presa na parede, outra aberta na tela do computador e uma terceira escrita à mão em um caderno que eu carregava pela casa como se fosse a coisa mais importante do mundo. Em cima de tudo, uma caneca de café que eu já havia esquentado duas vezes e continuava esquecendo de beber.Eu estava oficialmente entrando na fase em que até respirar parecia uma atividade que precisava ser encaixada na programação.— Eliza, você precisa se organizar — murmurei para mim mesma, encarando a quantidade de coisas espalhadas diante de mim.Olhei para a agenda.Depois para o notebook.Depois para a agenda novamente.— Certo. Primeiro, revisar a apresentação. Depois, selecionar os trechos das histórias.
📖 CAPÍTULO 252 — O peso da camisaNarrador: Rafa MontillaEu sempre soube que vestir a camisa de um grande clube significava carregar muito mais do que um uniforme. Havia expectativas, cobranças, responsabilidades e milhares de pessoas que, de alguma maneira, acreditavam ter o direito de opinar sobre cada decisão que eu tomava dentro de campo. Quando as coisas davam certo, eu era tratado como um dos melhores. Quando davam errado, parecia que tudo o que eu havia construído até ali deixava de existir.O problema não era ouvir críticas. Eu sabia que elas faziam parte da profissão que escolhi. O problema era quando a pressão começava a acompanhar meus passos até o vestiário, entrava comigo no carro e continuava dentro da minha cabeça mesmo depois de eu chegar em casa.Naquela semana, eu estava sentindo o peso de cada uma dessas coisas.A temporada entrava em uma fase decisiva, com partidas importantes em sequência, treinamentos mais intensos e pouco espaço para erros. A comissão técnica
📖 CAPÍTULO 251 — Uma oportunidade inesperadaNarradora: ElizaEu estava tão concentrada na tela do notebook que demorei alguns segundos para perceber que meu celular estava tocando pela terceira vez sobre a mesa. Franzi a testa, afastei uma mecha de cabelo do rosto e estiquei o braço para alcançar o aparelho, já imaginando que fosse alguma mensagem sobre o trabalho. Nos últimos dias, minha rotina tinha sido uma mistura de prazos, revisões, ideias novas e aquela vontade constante de escrever mais uma página antes de finalmente descansar.Quando vi o e-mail aberto na tela do celular, porém, todo o cansaço pareceu desaparecer por alguns instantes.O remetente era de uma organização literária conhecida, responsável por promover encontros entre escritores, leitores, editoras e profissionais do mercado editorial. Eu conhecia o evento havia algum tempo. Já tinha acompanhado fotografias de edições anteriores, entrevistas com autores convidados e publicações de pessoas que eu admirava. Era o
📖 CAPÍTULO 250 — Continuamos escolhendo nósNarradora: ElizaEu costumava acreditar que a confiança era aquela sensação bonita de não ter dúvidas, de olhar para alguém e sentir que nada seria capaz de abalar a segurança construída entre duas pessoas. Imaginava que, quando encontrasse alguém com quem realmente valesse a pena ficar, os medos perderiam a força, as inseguranças deixariam de aparecer e amar se tornaria uma experiência tranquila, quase previsível.Rafa me ensinou que eu estava enganada.Não porque ele tivesse feito alguma coisa para destruir a minha confiança, mas porque, ao lado dele, comecei a entender que amar alguém não significava deixar de sentir medo. Significava aprender a reconhecer esse medo sem permitir que ele tomasse todas as decisões por mim. Significava ter coragem para fazer perguntas, admitir quando alguma coisa machucava e confiar que a pessoa ao meu lado estaria disposta a me ouvir, mesmo quando a conversa não fosse confortável.Nos últimos dias, eu havi







