LOGINADRIAN O duplex parecia diferente desde que Mia começara a passar mais tempo em Manhattan, embora quase nenhuma mudança fosse grande o bastante para chamar atenção de alguém que não conhecesse o apartamento antes. Algumas coisas apareceram aos poucos, outras eu mesmo coloquei ali durante uma tarde em que deveria ter revisado uma aquisição no setor de energia. Abri espaço no banheiro, esvaziei parte do closet, comprei um carregador compatível com o telefone dela e pedi que abastecessem a cozinha com produtos que Mia costumava usar em Albuquerque. Nenhuma dessas decisões exigiu planejamento complexo. Ainda assim, percebi que tinha pensado mais sobre uma prateleira vazia no banheiro do que sobre metade das alterações realizadas na última reunião do conselho. Ela chegaria a Manhattan naquela noite para a primeira sequência de reuniões como vice-presidente de integração operacional. O novo cargo começara duas semanas antes e já produzira uma agenda que parecia determinada a competir com
MIA Os seis meses quase tinham terminado quando Marcus pediu que eu reservasse uma hora inteira para uma reunião na manhã de quinta-feira. A última implantação da Costa Oeste já entrara na fase de acompanhamento, Sacramento funcionava com indicadores melhores do que os projetados, Portland estabilizara o sistema que quase destruíra meu fim de semana meses antes e Seattle começava a operar sem precisar de mim dentro da unidade todos os dias. Eu voltara para Albuquerque com uma mala cheia de roupas que ainda não guardara e a sensação estranha de que minha antiga rotina já não cabia completamente na vida que construíra durante aquele período. A reunião aconteceu por vídeo, embora Marcus estivesse em Nova York e dois executivos de operações domésticas participassem de Chicago. Recursos humanos entrou também, o que eliminou qualquer possibilidade de aquela conversa ser apenas uma avaliação final do projeto. Adrian não apareceu. Eu já esperava isso. Desde que se afastara formalmente das d
ADRIAN O salão do hotel ocupava quase todo o último andar, com janelas voltadas para a baía de San Francisco e mesas distribuídas entre executivos, representantes da Meridian, integrantes da Armitage e alguns convidados do mercado financeiro. A assinatura definitiva da parceria comercial acontecera durante a manhã, depois de semanas de revisão jurídica, ajustes de licenciamento e discussões sobre expansão internacional. A empresa de Albuquerque continuava sob controle da Meridian, a Armitage recebia acesso comercial a duas tecnologias dentro dos limites negociados e nossa operação ganhava entrada em mercados que levariam anos para alcançar sozinha. Financeiramente, o acordo funcionava. Estrategicamente, era melhor do que a venda integral que recusamos meses antes. Mia participara de quase todas as etapas técnicas da negociação. Naquela noite, estava ali como diretora de operações da unidade que originara a parceria e como uma das pessoas responsáveis por garantir que nenhuma promess
MIA Seattle amanhecera coberta por uma chuva fina que parecia ter decidido permanecer durante todo o fim de semana, e eu observava as gotas correrem pelo vidro do hotel enquanto tentava localizar um carregador dentro da minha mala. Era sábado, eu finalmente tinha dois dias livres e Adrian chegara na noite anterior depois de uma passagem curta por Chicago. Pela primeira vez em quase duas semanas, acordamos na mesma cidade sem reunião marcada para aquela manhã. A conquista deveria ter sido romântica. Em vez disso, eu estava ajoelhada diante de uma mala aberta, reclamando da quantidade de cabos que carregava. — Eu sei que trouxe dois. — Tirei uma necessaire, duas camisas e um sapato antes de encontrar outro fio que não servia para meu telefone. — Comecei a duplicar tudo para parar de esquecer coisas em Albuquerque. Adrian estava sentado na cama com o notebook fechado ao lado, ainda usando apenas calça de pijama e uma camiseta escura. Pegou o próprio telefone, estendeu o braço e mostro
ADRIAN Os resultados da Costa Oeste ocupavam três telas da sala de reuniões da Meridian quando Marcus terminou a apresentação. Sacramento já operava acima da meta projetada para o trimestre, Portland reduzira atrasos de fornecedores sem aumentar custo administrativo e Seattle, ainda na fase inicial, reproduzia parte dos ganhos em menos tempo do que previmos. O projeto começara como uma implantação temporária de seis meses para testar práticas desenvolvidas em Albuquerque. Três meses depois, já existiam executivos pedindo que o modelo chegasse a outras unidades americanas. Eu deveria ter ficado satisfeito apenas com os números. Em vez disso, percebi que minha atenção se fixou no nome que aparecia repetidamente nos relatórios de execução: Mia Bennett. Eu estava em Manhattan naquela semana, depois de passar nove dias entre Londres e Chicago. Mia estava em Seattle e chegaria a Albuquerque na sexta, se nenhuma mudança interferisse no calendário compartilhado que Nick continuava chamando
CHLOE O almoço de domingo existia no calendário da família havia três semanas, o que teria parecido ridículo alguns meses antes. Naquela fase, reunir seis adultos na mesma casa exigia quase a mesma antecedência de uma reunião de conselho. Mia passara a semana entre Portland e Albuquerque, Adrian chegara de Chicago na noite anterior, Nick e Katherine tinham compromissos próprios, e Ethan bloqueara o início da tarde antes que alguém da Capital encontrasse uma utilização mais lucrativa para aquelas horas. Eu só queria colocar todo mundo ao redor de uma mesa, comer sem olhar relógio e tentar lembrar que aquela família também sabia se reunir sem existir aquisição, financiamento ou crise internacional envolvida. A cozinha já estava cheia quando Nick e Katherine chegaram. Ethan terminava de cortar carne perto do balcão, Adrian preparava café como se estivesse numa cozinha que frequentava havia anos e Mia tentava impedir Liza de alcançar uma tigela com as duas mãos. Nossa filha estava numa







