LOGINCHLOE O barco branco balançava devagar junto ao píer particular enquanto dois tripulantes terminavam de organizar toalhas, bebidas e equipamentos para o passeio. O sol da manhã já refletia com força sobre a água de St. Barts, e o vento carregava o cheiro salgado do mar até o terraço inferior da villa. Ethan tinha contratado uma embarcação com capitão para o dia inteiro, embora tivesse recusado qualquer roteiro fechado. A única orientação fora encontrar praias tranquilas, manter distância das áreas mais movimentadas e deixar que eles decidissem quanto tempo permaneceriam em cada lugar. Para um homem que costumava organizar reuniões em intervalos de quinze minutos, aquela ausência de cronograma ainda parecia uma espécie de experiência radical. Chloe desceu a escadaria usando um vestido leve sobre o biquíni, óculos escuros e uma bolsa pequena que carregava mais protetor solar do que qualquer outra coisa. Encontrou o marido perto do píer, conversando com o capitão enquanto segurava duas
ETHAN A villa ocupava uma parte elevada da encosta, cercada por vegetação tropical e voltada para um mar tão claro que as diferentes tonalidades de azul podiam ser vistas mesmo do terraço principal. As paredes brancas refletiam a luz do fim da tarde, grandes portas de vidro permaneciam abertas para a piscin borda infinita e uma escadaria lateral levava a uma área mais baixa, onde um caminho privado terminava na areia. A equipe que os recebeu mostrou rapidamente os ambientes, explicou o funcionamento da casa e deixou frutas, bebidas e uma refeição preparada para mais tarde. Tudo foi organizado para que tivessem privacidade durante a estadia, com funcionários disponíveis apenas quando solicitados. Ethan acompanhou Chloe pelo terraço enquanto ela olhava a vista com uma expressão que justificava qualquer exagero financeiro envolvido na escolha. A viagem desde Albuquerque foi longa o suficiente para deixá-los cansados, ainda assim ela parecia ter recuperado energia assim que saiu do carr
CHLOE A claridade da manhã entrou pelas frestas das cortinas e desenhou faixas estreitas sobre o carpete, alcançando a lateral da cama onde um lençol tinha escorregado durante a noite. O quarto estava silencioso, com o ar-condicionado funcionando baixo e algumas peças de roupa abandonadas entre a poltrona e o chão, vestígios discretos das horas que seguiram a meia-noite. Durante alguns segundos, tudo pareceu exatamente igual às outras manhãs em que Chloe acordou ali. Ela abriu os olhos devagar e ficou imóvel, ainda envolvida pelo calor do corpo ao lado. Uma das pernas estava presa entre as dele, e um braço pesado atravessava sua cintura. A sensação já se tornara familiar desde que voltou para a mansão, assim como o cheiro da pele, o peso da mão sobre seu abdômen e a respiração lenta perto de seus cabelos. Chloe levou alguns segundos para lembrar que havia uma diferença enorme naquela manhã. O contrato tinha acabado. Ela continuava na cama de Ethan. A constatação trouxe uma felici
CHLOE O relógio da cozinha marcava seis e quarenta e oito quando a cafeteira terminou o ciclo e espalhou o cheiro forte pela bancada. A casa ainda estava silenciosa, com as luzes do jardim acesas e o céu começando a clarear além das janelas. Aquele seria o último dia do período previsto no contrato de casamento, e a informação estava presente em cada detalhe da manhã mesmo sem ser pronunciada. Chloe entrou poucos minutos depois, já vestida para a HelioGrid, com os cabelos presos e uma pasta debaixo do braço. Tinha dormido no quarto de Ethan e acordado antes dele, embora soubesse que ele também passou parte da madrugada acordado. A respiração dele demorou muito a ficar regular, e em algum momento Chloe percebeu que estava sendo abraçada com força demais para alguém realmente relaxado. Não comentou. Na noite anterior, já tinha entendido que Ethan enfrentava aquele último dia com a disciplina de um homem que preferia sofrer em silêncio a arrancar dela uma resposta antes da hora. Ela c
ETHAN O relógio digital sobre a mesa do escritório marcava nove e dezessete quando a terceira reunião da manhã terminou, deixando na tela apenas uma apresentação financeira e uma lista de tarefas que deveria ter ocupado as próximas horas. A casa permanecia silenciosa naquele início de dia, com o movimento discreto dos funcionários nos corredores inferiores e o som distante de um carro deixando a garagem. Faltava um dia para o encerramento do período previsto no contrato de casamento, e a data que Ethan evitara contar durante semanas já não precisava de cálculo. Estava próxima demais para qualquer tentativa de afastá-la da rotina. Ele fechou a apresentação, abriu novamente e percebeu que não tinha absorvido os últimos números. A situação se repetia desde cedo. Respondia mensagens, participava de reuniões, tomava decisões e depois precisava conferir se realmente prestara atenção. A Langford continuava funcionando sem qualquer consideração pela vida pessoal de seu CEO, e Ethan agradeci
CHLOE O consultório ocupava uma das salas mais silenciosas da clínica, com paredes claras, duas poltronas diante da mesa e uma janela larga voltada para o estacionamento. Sobre uma estante baixa, modelos anatômicos do cérebro dividiam espaço com livros médicos e algumas pastas. O ar-condicionado deixava o ambiente frio demais, e o relógio preso à parede produzia um som discreto a cada minuto. A consulta começara havia pouco mais de vinte minutos e seguira dentro do esperado até aquele momento, com perguntas sobre dores de cabeça, sono, concentração, episódios de confusão e novas lembranças recuperadas nas últimas semanas. Chloe respondeu a tudo com atenção e contou sobre os fragmentos ligados ao bebê, ao jantar com a família de Ethan e à noite em que arrumou a mala depois da matéria de Rebecca Sloan. O neurologista ouviu sem interromper, registrou algumas informações e perguntou como as lembranças surgiam. Ela explicou que os episódios vinham associados a estímulos específicos, como







