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70: Delírio

last update publish date: 2026-09-22 07:56:52

A febre veio no final da tarde, pesada e implacável. O que parecia controlado após a extração da bala se transformou em algo mais perigoso assim que a adrenalina baixou por completo. Alessandro jazia no quarto principal da mansão, o torso nu coberto apenas pelos curativos brancos e uma leve coberta de linho. A pele, que horas antes ainda carregava o calor residual da luta e o sangue sob as mãos de Isabella, agora queimava ao toque. O suor escorria pela testa, pelo pescoço, pelas têmporas, encha
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  • HERDEIRO SEGREDO: GRÁVIDA DO INIMIGO DO PAI   74: Alívio

    O carro preto parou com um solavanco seco a poucos metros do grupo. Alessandro desceu antes mesmo do motorista apagar o motor. A expressão no rosto dele era a mesma de sempre quando algo saía do controle: mandíbula travada, olhos cinzentos varrendo a rua com precisão fria, o corpo tenso sob a camisa preta. A cicatriz abaixo da clavícula ainda puxava levemente quando ele se movia rápido demais, mas a dor agora era secundária. O que importava estava a poucos passos de distância. Isabella o viu e sentiu as pernas fraquejarem de alívio. As sacolas de roupas de maternidade escorregaram dos dedos e caíram no chão com um som abafado. Ela não pensou. Não esperou. Atravessou a pequena distância que os separava e se jogou nos braços dele, o corpo inteiro pressionando o dele, os braços se fechando ao redor do tronco com uma força que quase doía. O rosto enterrou-se no peito firme. O cheiro dele — cologne, sabonete e um leve residual de antisséptico — a envolveu de uma vez. Alessandro retribuí

  • HERDEIRO SEGREDO: GRÁVIDA DO INIMIGO DO PAI   73: Distração

    Exatamente um mês se passou desde o dia em que a bala foi extraída e a febre quebrou. Alessandro caminhava pelo corredor do segundo andar com a postura firme de sempre. A cicatriz abaixo da clavícula ainda era vermelha e sensível, mas a dor constante dera lugar a um incômodo suportável. Os médicos tinham declarado que a recuperação estava dentro do esperado. Ele já voltara a treinar leve, a assinar ordens e a controlar a guerra contra os Rossi à distância. O corpo respondera. A mente, também. Isabella, no entanto, enfrentava outro tipo de guerra. A barriga crescera de forma evidente. As roupas que antes serviam agora apertavam de um jeito desconfortável. Blusas que antes caíam soltas agora marcavam a curva. Calças não fechavam. Até os vestidos mais largos da casa pareciam curtos demais ou justos demais. Naquela manhã, ela estava diante do espelho do quarto, tentando puxar para baixo a barra de uma camisa de Alessandro que já não cobria completamente a barriga. Sofia apareceu na por

  • HERDEIRO SEGREDO: GRÁVIDA DO INIMIGO DO PAI   72: Hierarquia

    A porta se abriu sem bater. Donatella Vitale entrou com a postura impecável de quem nunca precisou pedir licença dentro daquela casa. O vestido preto simples, o cabelo preso num coque baixo e severo, o olhar cinzento — o mesmo tom de sangue da família — varreu o quarto com precisão. Primeiro o sobrinho deitado, pálido, o curativo branco contrastando com a pele ainda marcada pela febre. Depois Isabella, sentada na beira da cama, a mão ainda perto demais da de Alessandro. O silêncio que se instalou foi imediato e pesado. Donatella não disse uma palavra a Isabella. Apenas a olhou. O olhar era duro, calculado, cheio de tudo o que a hierarquia da família Vitale representava: sangue, lealdade, e a certeza de que uma Rossi jamais deveria estar naquele quarto, naquela cama, tão perto do Don. Isabella sustentou o olhar por apenas um segundo. Depois virou o rosto para Alessandro. Não havia desafio no gesto. Havia escolha. Ela apertou de leve os dedos dele, se levantou e caminhou até a porta

  • HERDEIRO SEGREDO: GRÁVIDA DO INIMIGO DO PAI   71: Nome falso

    A luz da manhã entrou pelas frestas das cortinas pesadas quando Alessandro abriu os olhos de verdade pela primeira vez. A febre quebrou nas primeiras horas da madrugada. O suor ainda grudava na pele, o corpo inteiro doía como se tivesse sido atropelado, e a ferida abaixo da clavícula latejava com um calor profundo e constante. Mas a confusão do delírio já não nublava a mente. Ele reconheceu o teto do quarto principal. Reconheceu o cheiro de antisséptico e linho limpo. E reconheceu o peso leve e quente ao lado do corpo. Isabella dormia sentada na poltrona puxada para perto da cama, a cabeça inclinada em um ângulo desconfortável, uma das mãos ainda encostada no colchão como se, mesmo no sono, quisesse manter o contato. A curva da barriga era visível sob a camisa larga que ela vestia. O cabelo estava bagunçado. Havia marcas de cansaço profundo sob os olhos. Alessandro tentou se mexer e imediatamente soltou um gemido baixo. A dor na clavícula irradiou pelo peito e pelo ombro. Isabella a

  • HERDEIRO SEGREDO: GRÁVIDA DO INIMIGO DO PAI   70: Delírio

    A febre veio no final da tarde, pesada e implacável. O que parecia controlado após a extração da bala se transformou em algo mais perigoso assim que a adrenalina baixou por completo. Alessandro jazia no quarto principal da mansão, o torso nu coberto apenas pelos curativos brancos e uma leve coberta de linho. A pele, que horas antes ainda carregava o calor residual da luta e o sangue sob as mãos de Isabella, agora queimava ao toque. O suor escorria pela testa, pelo pescoço, pelas têmporas, encharcando o travesseiro em manchas escuras e irregulares. Os olhos cinzentos abriam e fechavam sem foco, a pupila dilatada. A respiração saía pesada, irregular, carregada de um calor que não era apenas físico — era o corpo inteiro lutando contra a infecção e o choque. Isabella não saiu do lado da cama. Nem por um minuto. As outras mulheres da família apareceram uma ou duas vezes, trocando olhares de desaprovação e murmúrios baixos sobre a presença da Rossi no quarto do Don. Nenhuma insistiu para

  • HERDEIRO SEGREDO: GRÁVIDA DO INIMIGO DO PAI   69: Chegada

    O segundo carro atravessou os portões da mansão Vitale sob o olhar tenso dos homens de segurança. Ainda era madrugada fechada quando as luzes do pátio interno se acenderam em sequência, revelando o cascalho molhado e os rostos alertas dos soldados que já tinham sido avisados pelo rádio. Enzo saltou do banco da frente antes mesmo do veículo parar por completo e abriu a porta traseira com urgência. O cheiro de sangue impregnava o interior do carro de forma quase sólida. Isabella não soltara a pressão em nenhum momento durante o trajeto. As mãos dela estavam vermelhas até os pulsos, o tecido improvisado completamente encharcado e pesado, os dedos rígidos de tanto esforço. Alessandro estava pálido, a respiração superficial e irregular, os olhos abrindo e fechando em intervalos cada vez mais longos. — Chama o médico. Agora — ordenou Enzo, a voz baixa e cortante. — E limpa o caminho até o quarto principal. Ninguém atrasa. Ninguém pergunta. Ninguém atrapalha. Dois homens ajudaram a retirar

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