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74: Alívio

last update Tanggal publikasi: 2026-09-24 01:14:14

O carro preto parou com um solavanco seco a poucos metros do grupo. Alessandro desceu antes mesmo do motorista apagar o motor. A expressão no rosto dele era a mesma de sempre quando algo saía do controle: mandíbula travada, olhos cinzentos varrendo a rua com precisão fria, o corpo tenso sob a camisa preta. A cicatriz abaixo da clavícula ainda puxava levemente quando ele se movia rápido demais, mas a dor agora era secundária. O que importava estava a poucos passos de distância.

Isabella o viu e
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  • HERDEIRO SEGREDO: GRÁVIDA DO INIMIGO DO PAI   80: Prisão

    A carta de Lorenzo Rossi virara cinza, mas o peso dela permanecia na mansão como uma presença invisível e sufocante.Alessandro não falou sobre a ameaça nas horas seguintes. Não precisava. Em vez de palavras, agiu. As patrulhas foram dobradas antes mesmo do final da manhã. Câmeras novas surgiram em corredores que antes ficavam apenas sob vigia humana, pequenos olhos pretos piscando em cantos que Isabella jurava conhecer de cor. Os portões externos passaram a exigir confirmação dupla de identidade. E na manhã seguinte ao incidente das cinzas, Isabella descobriu que as portas que davam para o jardim interno e para a varanda lateral agora só abriam com a biometria dele ou de dois capos específicos. O quarto dela não estava trancado por fora — Alessandro não fora tão óbvio —, mas o caminho até qualquer saída da casa estava. Cada passo além do segundo andar exigia escolta. Homens que antes cumprimentavam com um aceno agora a seguiam a três passos de distância, o olhar fixo, a mão sempre pe

  • HERDEIRO SEGREDO: GRÁVIDA DO INIMIGO DO PAI   79: Cinzas

    Alessandro ficou alguns segundos olhando para a carta nas próprias mãos, como se ainda pudesse sentir o peso da caligrafia de Lorenzo Rossi impregnado no papel.As palavras continuavam ali, mesmo depois de lidas: "erro" , "insulto vivo", "o filho pagará". Cada uma delas parecia ter um peso físico. Ele as relera três vezes no silêncio do escritório e, ainda assim, a fúria não diminuíra. Apenas se condensara, ficando mais fria, mais precisa, mais perigosa. O amanhecer no píer — o cheiro de rio, a memória da mãe, a promessa de histórias novas — ainda estava colado na pele dele e na de Isabella. Agora aquele momento parecia pertencer a outra vida, uma vida que Lorenzo acabara de tentar envenenar com tinta e ameaça.Alessandro caminhou até a mesa grande de carvalho. Os passos ecoaram no assoalho de madeira. Abriu a segunda gaveta com um movimento preciso, quase cerimonial, e retirou um isqueiro de metal pesado, antigo, do tipo que se herda junto com o sobrenome e com as dívidas de sangue.

  • HERDEIRO SEGREDO: GRÁVIDA DO INIMIGO DO PAI   78: A Carta

    O silêncio no carro de volta foi diferente do silêncio que os acompanhara até o píer. Não havia mais a vulnerabilidade aberta das memórias da mãe de Alessandro, nem o peso suave das promessas murmuradas sobre a água. Agora havia apenas o cansaço residual da madrugada, o cheiro de rio ainda impregnado nas roupas e a sensação de que o mundo lá fora — o mundo de sangue e de sobrenomes — já começava a reclamar o espaço que eles tinham roubado por algumas horas. Isabella mantinha a cabeça apoiada no ombro dele, uma mão sobre a barriga, o anel solitário frio contra a pele. Alessandro dirigia com a mandíbula travada, os olhos cinzentos fixos na estrada, como se cada quilômetro de volta à mansão o obrigasse a reassumir a pele de Don.Quando os portões de ferro se abriram e o carro atravessou o pátio interno, a mansão parecia mais sombria sob a luz cinzenta da manhã. Homens armados trocavam olhares discretos. Enzo esperava no topo da escadaria de pedra, o rosto fechado de um jeito que Isabella

  • HERDEIRO SEGREDO: GRÁVIDA DO INIMIGO DO PAI   77: O Píer

    Já estava amanhecendo quando eles saíram do Bianchi. A cidade ainda dormia sob uma luz cinza-azulada que se espalhava lentamente entre os prédios. O ar frio da madrugada entrava pelas janelas entreabertas do carro blindado, trazendo o cheiro distante de asfalto molhado e rio. Isabella vestia o casaco pesado de Alessandro por cima do vestido de seda preta, o tecido fino ainda carregando o calor residual do corpo dele e o perfume das velas do restaurante. O colar de diamantes descansava frio contra a pele do pescoço; o anel solitário brilhava cada vez que a mão dela se movia sobre a barriga. O corpo doía de um jeito doce e profundo — uma dor boa, de músculos usados, de beijos que tinham demorado demais, de um prazer que ainda latejava entre as pernas. Alessandro dirigia em silêncio, uma mão firme no volante, a outra repousada sobre a coxa dela, o polegar desenhando círculos lentos e distraídos. A cicatriz abaixo da clavícula puxava levemente quando ele girava o volante, mas ele não se q

  • HERDEIRO SEGREDO: GRÁVIDA DO INIMIGO DO PAI   76: Só nós

    O jantar foi servido por um único garçom discreto que aparecia e desaparecia como sombra. Risotto de funghi porcini com trufa. Filé ao molho de vinho tinto envelhecido. Uma sobremesa de chocolate amargo e framboesa que Isabella quase não tocou porque os olhares entre eles pesavam mais que a fome. Beberam vinho tinto em goles lentos — ela apenas um pouco, o suficiente para aquecer o peito e soltar os nervos. Alessandro observava cada movimento dela como se quisesse gravar. O salão vazio amplificava cada som: o tilintar das taças, o farfalhar da seda do vestido, a respiração compartilhada. — Eu não lembro da última vez em que sentei em um restaurante sem que alguém estivesse armado atrás de mim — disse Isabella, girando a taça entre os dedos. O anel solitário capturava a luz das velas. — Eu também não — admitiu Alessandro. — Mas eu queria isso para você. Uma noite em que a guerra ficasse do lado de fora. Em que você fosse só Isabella. Não a Rossi. Não a mulher do Don. Só você. — E vo

  • HERDEIRO SEGREDO: GRÁVIDA DO INIMIGO DO PAI   75: Surpresa

    No dia seguinte, Alessandro acordou antes do amanhecer. A cicatriz abaixo da clavícula ainda puxava quando ele se levantava rápido demais, mas a dor já não comandava o corpo. O que incomodava era outro tipo de peso. O celular novo que Sofia dera a Isabella. A forma simples e genuína como a irmã pensara no básico — algo só dela, sem ordem, sem proteção armada, apenas um presente. Alessandro passara a noite revirando isso na cabeça. Ele controlava rotas, congelava contas, queimava depósitos e mantinha Isabella viva. Mas não tinha pensado em lhe dar algo que fosse apenas belo. Apenas dela. Ao meio-dia, a decisão estava tomada. Ele chamou Enzo. — Fecha o Bianchi esta noite. O restaurante inteiro. Só nós dois. Segurança no perímetro, mas ninguém dentro depois das oito. Quero o melhor vinho da adega, a mesa central, luz baixa e silêncio. E manda a estilista, a cabeleireira e a maquiadora para o quarto de Isabella às cinco. Tudo discreto. Enzo apenas assentiu. Ordens do Don não se discut

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