INICIAR SESIÓNDepois do banho, ele foi para o próprio quarto. Eu me vesti devagar, tentando recuperar o controle sobre mim mesma.Alguns minutos depois, fui até a sala.Eduarda e Lorenzo estavam rindo de alguma coisa na televisão. Duda passou os olhos por mim, detendo-se nos meus cabelos ainda molhados.— Tomou banho, mamãe? Devia secar o cabelo. Está frio… — disse, com suavidade.Antes que eu pudesse responder, Julian surgiu na sala — também com os cabelos úmidos, as mangas da camisa dobradas e aquele ar despreocupado que só ele conseguia sustentar.O olhar de Eduarda foi de mim para ele.Lorenzo pareceu travar uma batalha interna para não rir.Eu, por outro lado, queria que o sofá me engolisse ali mesmo.— Que foi? — perguntou Julian a Duda.— Nada — respondeu ela, mas continuou nos analisando com atenção.Eu conhecia aquele olhar.Era o mesmo que Eduarda usava quando percebia algo antes de todo mundo e preferia guardar a informação para si até ter certeza. O problema era que, quando começava a j
Havia um cansaço diferente em Duda naquela manhã. Não era apenas físico. Estava na forma como evitava os olhares, nas respostas curtas e na ausência dos sorrisos que costumavam surgir mesmo nos momentos difíceis.Fazia pouco mais de um mês desde o acidente, mas a imprensa não nos dava um minuto de paz desde que o escândalo envolvendo Frederick veio à tona.— Vai ficar tudo bem — murmurou Julian, apoiando a mão em seu ombro.— Eu estou cansada de tudo isso… — sussurrou ela.Julian não respondeu de imediato e o silêncio se instalou por um instante.— Eu sei que não está sendo fácil. Você precisará ter só mais um pouco de paciência. Os culpados por tudo isso vão pagar.— Dominika não vai aceitar isso calada, Julian. Vai tentar reverter a situação — retrucou ela, em voz baixa, porém tensa.— Que tente. — Ele nem piscou. — Agora é ela quem terá de se explicar.Duda fechou os olhos, exausta.Segurei sua mão, tentando transmitir um pouco de tranquilidade.— Vamos focar em você, meu amor. O r
O detetive colocou um gravador sobre a mesa e aguardou enquanto Duda procurava o arquivo no celular. Quando o áudio começou, a voz de Dominika preencheu a sala.À medida que a gravação avançava, a tensão aumentava a cada palavra. Ninguém se atreveu a interromper. Quando o áudio terminou, Francesco respirou fundo, visivelmente abalado.— Isso é grave. Muito grave. — Tirou os óculos e encarou Julian. — Essa gravação, junto com o vídeo, muda muita coisa. Agora preciso descobrir onde esse jornalista se encaixa em tudo isso.O detetive procurou algo específico na pasta diante dele e, quando retirou uma fotografia, reconheci imediatamente a mesma imagem que havia me mostrado dias antes.Ele a estendeu para Duda.— É este o jornalista que a perseguiu?Ela observou a fotografia por alguns segundos antes de assentir.— Sim. Ele queria uma exclusiva e disse ter provas de que eu havia agredido Dominika. Não sei que provas eram essas, mas não me sentia à vontade para falar com ele. Por isso, entr
Os flashes vieram primeiro. Depois, as vozes — rápidas, afiadas, famintas. Assim que descemos do carro em frente ao distrito, o caos nos engoliu.Julian empurrava a cadeira de rodas de Duda, o olhar fixo à frente. Eu seguia ao lado, o coração acelerado demais. Lorenzo vinha logo atrás, o maxilar rígido, como se estivesse a um passo de perder o controle.Alguns policiais tentavam conter a multidão de jornalistas, todos desesperados por uma única declaração nossa.— Eduarda, é verdade que o acidente aconteceu depois de uma briga com a modelo Dominika?— Você vai voltar a andar?— Como a família reagiu à notícia da gravidez?— Foi ciúme, Sra. Vaughn?— A senhora sabe detalhes sobre a discussão?Cada pergunta revirava meu estômago. O estalo das câmeras se misturava ao empurra-empurra dos microfones.Duda se encolheu na cadeira. Olhos baixos, mãos firmes sobre os joelhos. Por fora, calma. Mas eu conhecia minha filha. Aquele silêncio era defesa.— Chega — disse Julian, baixo, mas firme.Ele
HELENAVer Julian cuidar de Eduarda e consolá-la aqueceu meu coração. O ciúme que havia me incomodado minutos antes, ainda no quarto dele, simplesmente desapareceu.Era reconfortante saber que minha filha não dependia apenas de mim — Julian também estava ali por ela. Isso ganhou ainda mais significado depois de tudo o que conversamos na noite anterior.Mesmo assim, um pensamento persistente não me deixava em paz: a possibilidade de que o jornalista tivesse sido pago.Meus dedos apertaram a borda da xícara.E se o dinheiro tivesse saído da conta de Frederick?Engoli em seco.Minha atenção voltou-se para Julian ao lado dela. Será que Eduarda veria nosso relacionamento como mais uma decepção?Aquilo me inquietava.Doía imaginar tudo o que ainda estava por vir.A última coisa que queria era me tornar, para ela, mais uma fonte de sofrimento — como o pai havia sido durante toda a sua vida.Passei a mão pela perna, tentando conter a inquietação e, junto com ela, o medo. Não de falhar como mã
Aproximei-me da cama e observei a respiração de Helena por alguns segundos, como se ainda precisasse me certificar de que ela realmente estava bem.Então me inclinei e beijei delicadamente suas costas.— Helena... — murmurei. — Preciso que você acorde.Ela resmungou algo incompreensível e tentou se esconder sob o travesseiro.Sorri.Era impossível não sorrir diante daquela reação.— Baby...Deixei alguns beijos leves sobre os ombros e a nuca.— Odeio te acordar assim, mas Eduarda precisa da sua ajuda.Foi o suficiente.— Duda...Helena despertou quase imediatamente e tentou se levantar.— Calma — pedi, segurando-a de leve pelos ombros. — Ela está bem. Só precisa de ajuda com algumas situações mais íntimas.Helena me encarou por alguns segundos.Então entendeu.— Certo. Entendi.Ela se sentou na cama.— Vou apenas ao banheiro rapidinho.— Enquanto você se arruma, vou transferir a Duda para a cadeira de banho e adiantar o que puder.A expressão que surgiu em seu rosto me surpreendeu.Ir







