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7 - O Primeiro Baile

Author: Charles Wilde
last update publish date: 2026-01-25 04:34:20

A carruagem que levava Arthur e Lara até a residência dos Duques de Cavendish parecia subitamente pequena demais. O silêncio entre eles não era mais o vazio frio do início do contrato, mas uma massa carregada de eletricidade após a visita indesejada de Julian Vane. Arthur, em seu traje de gala, parecia uma estátua de granito, enquanto Lara apertava o leque contra o colo, sentindo o peso do diamante de safira em seu dedo como se fosse um grilhão de fogo.

— Se Julian Vane estiver lá — começou
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  • Herdeira por Contrato    Epílogo

    Londres, 1865.O sol da primavera filtrava-se pelas janelas da capela de Mayfair, a mesma onde, décadas antes, um advogado implacável e uma governanta corajosa haviam selado um destino improvável. Mas hoje, o silêncio da nave não era ocupado por sussurros de escândalo, mas pelo som firme de passos que carregavam o peso de uma nova geração.Sophie Valla — agora Lady Sophie Sterling-Valla, tendo restaurado legalmente o nome de sua linhagem — estava diante do altar. Aos vinte e cinco anos, ela possuía a inteligência cortante de Arthur e a resiliência indomável de Lara. Em seu pescoço, o colar de safiras brilhava, não como um troféu de riqueza, mas como um amuleto de sobrevivência.Sophie olhou para os bancos da frente. Arthur, com seus cabelos agora brancos como a neve de Yorkshire, mantinha a mão firmemente entrelaçada na de Lara. Eles não olhavam para o altar; olhavam um para o outro, um diálogo silencioso de trinta anos que dispensava palavras.“Eu os vejo e entendo finalmente o que e

  • Herdeira por Contrato    26 - O Veredito do Sangue

    O navio que trazia os Valla de volta à Inglaterra cortava as águas cinzentas do Canal da Mancha com uma determinação que espelhava o estado de espírito de Arthur. No convés, ele observava os penhascos brancos de Dover surgindo no horizonte, mas não sentia o aperto no peito que costumava acompanhá-lo ao retornar à sua jurisdição. Londres não era mais o tribunal onde ele precisava provar sua existência; era apenas o cenário onde ele finalizaria os termos de sua liberdade.Lara estava ao seu lado, o rosto bronzeado pelo sol das colônias, uma beleza que agora possuía uma têmpera de aço. Ela não usava o espartilho rígido que a etiqueta londrina exigia, e seu olhar não buscava mais a aprovação de Arthur. Eles eram, pela primeira vez em sua história, dois pilares de igual altura.Assim que desembarcaram, a primeira parada de Arthur não foi a mansão em Mayfair, mas as celas de detenção temporária para onde Julian Sterling fora levado após sua tentativa de chantagem.Arthur entrou na sala de v

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    Londres amanheceu sob um véu de indiferença, mas na mansão Valla, o amanhecer trouxe um vazio que nem mesmo o ouro mais puro poderia preencher. Arthur acordou em uma cama fria, o lado de Lara intocado, o travesseiro ainda conservando o leve aroma de lavanda que agora parecia uma acusação. No criado-mudo, não havia uma explicação longa, apenas o anel de safiras e um bilhete curto: "Você buscou a lei nas docas, Arthur. Eu vou buscar a justiça na origem. Não me procure até que eu possa olhar para você sem ver a sombra de nossos pais entre nós."Lara partira. Não para Yorkshire, não para uma pensão no East End, mas para o porto de Portsmouth, embarcando no SS Victory com destino às colônias. Ela decidira que a única forma de salvar o seu casamento era provar, de uma vez por todas, se a história de Julian sobre o entorpecimento de seu pai era uma mentira de um viciado ou a verdade final que Arthur precisava encarar.Os primeiros dias para Arthur foram um mergulho em um tipo de agonia que e

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    O retorno de Viena para Londres deveria ter sido o repouso do guerreiro, mas o envelope que aguardava Lara na escrivaninha de carvalho da mansão Valla tinha o cheiro de tabaco barato e maresia — um cheiro que a transportou, instantaneamente, para os dias mais sombrios de sua infância.A caligrafia era apressada, quase um garrancho, mas as palavras eram inconfundíveis: "Lara, a pequena flor de Yorkshire cresceu e encontrou um jardim rico. O sangue fala mais alto que o ouro. Encontre-me nas docas de Rotherhithe ao cair da noite. Venha sozinha, ou o segredo que eu carrego sobre o nosso pai será vendido para o maior lance."O nome assinado era Julian Sterling. O irmão que Lara acreditava ter morrido de febre amarela nas colônias penais da Austrália há cinco anos. O irmão que fora o motivo original das dívidas de jogo do pai, o jovem que destruíra o que restava da honra da família antes de ser deportado.Lara sentiu os joelhos fraquejarem. Ela se apoiou na mesa, o papel tremendo entre seus

  • Herdeira por Contrato    23 - A Valsa de Viena e o Brilho da Vingança

    O escândalo de Silas Vance fora esmagado sob o peso da influência de Lady Danbury, mas as cicatrizes deixadas em Londres ainda latejavam. Arthur, percebendo que o ar da metrópole estava viciado para Lara, aceitou uma missão que outrora consideraria um fardo burocrático: atuar como mediador jurídico em um tratado comercial entre a Coroa Britânica e o Império Austríaco.Viena os recebeu não com a névoa cinzenta de Londres, mas com o brilho ofuscante da neve sobre as cúpulas barrocas e o som onipresente de violinos que pareciam flutuar pelo ar gélido.“Viena é um palco diferente,” pensou Arthur, enquanto observava Lara se preparar para o primeiro grande baile no Palácio de Hofburg. “Em Londres, eu sou o Lobo. Aqui, sou apenas um diplomata com uma esposa cuja beleza está fazendo os arquiduques tropeçarem em suas próprias espadas. Eu aprendi que o poder não é apenas sobre leis e tribunais; é sobre a imagem que projetamos. E, pela primeira vez, eu não me importo com a minha imagem. Eu só co

  • Herdeira por Contrato    22 - O Veneno da Gazeta e a Aliada Improvável

    Londres nunca dorme; ela conspira. No dia seguinte ao confronto com Silas Vance, Arthur e Lara descobriram que fantasmas não precisam de substância para causar estragos — eles só precisam de um tipógrafo corrupto e de uma sociedade faminta por escândalos.Quando o sol pálido de inverno mal conseguia atravessar a névoa de Londres, o jornal The Morning Gazette já estava nas mãos de cada aristocrata, comerciante e fofoqueiro da cidade. A manchete, embora não mencionasse nomes diretamente, era um dardo envenenado: "O Lobo e o Roubo: O Castelo de Cartas de Mayfair Construído sobre as Cinzas de Blackwood".Arthur estava no escritório da firma, observando o papel sobre a mesa. A tinta fresca parecia sujar não apenas seus dedos, mas toda a sua vida.“Eles sabem,” pensou Arthur, sentindo a bile subir à garganta. “Não tudo, mas o suficiente para que o cheiro de podridão afaste qualquer aliado. Eu passei décadas construindo uma reputação de integridade absoluta para me distanciar dos métodos som

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