INICIAR SESIÓNNa manhã seguinte, acordei com o som do mar e dos pássaros.
A luz atravessava as frestas da cortina com suavidade, desenhando o quarto em tons claros e silenciosos. Permaneci imóvel por alguns segundos, observando. Rafaela ainda dormia ao meu lado. Os cabelos escuros espalhados pelo travesseiro, o rosto delicado relaxado de uma forma que eu raramente via quando ela estava acordada. Havia algo ali que me prendia — uma calma que eu não estava acostumado a sentir. Seus olhos se abriram aos poucos, encontrando os meus. Sorri de leve. — Bom dia, futura esposa. Ela sorriu de volta, ainda sonolenta. — Bom dia… Aproximei-me o suficiente para beijar sua testa antes de me levantar. — Vou tomar um banho. No chuveiro, a água quente caía constante, mas não era o suficiente para silenciar os pensamentos. Casar nunca esteve nos meus planos. Não até a noite anterior. Ou talvez estivesse… desde o dia em que a conheci. Eu havia mudado o curso da minha vida. E, dessa vez, não havia espaço para recuo. O problema não era a decisão. Era o que viria depois. Minha família. Mas isso… eu resolveria. Saí do banho já com a mente organizada. Quando desci, Rafaela já estava à mesa com os outros, nos jardins da mansão. A mesa longa, perfeitamente posta, refletia a luz da manhã em louças finas e talheres alinhados com precisão. À frente, a piscina de borda infinita se fundia com o mar, criando a ilusão de que não havia limites entre o azul da água e o horizonte. Rafaela estava ali… e, ainda assim, parecia um pouco deslocada naquele cenário. Mais quieta, mais contida. Clara sustentava a leveza da conversa, enquanto Lorenzo observava tudo com Dominic nos braços, atento como sempre. Eu apenas tomei meu lugar. Depois do café, ainda estávamos à mesa quando Rafaela se levantou, avisando que iria arrumar a mala. Acompanhei seu movimento com o olhar por um segundo a mais do que o necessário. Lorenzo se levantou logo em seguida, entregando Dominic a Clara antes de me lançar um olhar breve. — Andrew. Levantei-me. Acompanhei-o pelos jardins até o bar da propriedade — um espaço mais reservado, de frente para o mar, onde o vento chegava mais forte e o som das ondas parecia mais próximo. Ele serviu dois copos com tranquilidade. — Então — disse, apoiando o copo no balcão e me olhando de lado — você vai me contar ou eu vou ter que adivinhar? Não hesitei. — Eu pedi a Rafaela em casamento. O riso veio imediato, baixo, satisfeito. — Finalmente. Ele virou o copo em um gole curto, balançando a cabeça. Mantive o olhar no mar. — Vamos casar no civil, Lorenzo. O mais rápido possível. Algo simples. Só nós dois. Ele se aproximou um pouco mais. — E ela? — Aceitou. Servi outra dose, com naturalidade. O sorriso dele se abriu de vez. — Então você acabou de fazer a melhor escolha da sua vida. Rafaela e Clara são como irmãs. Assenti, sem necessidade de responder. Afastei-me um passo, já tirando o celular do bolso. — Vou adiantar as coisas. — Claro — disse ele, com um meio sorriso. — Eu volto pra mesa. Esperei até ficar sozinho. Disquei sem precisar procurar. — Halston. — Preciso que você adiante um casamento civil. O mais rápido possível. O vento batia mais forte ali, trazendo o cheiro salgado do mar enquanto eu organizava tudo em poucas palavras. — Nome da noiva? — Rafaela Hernandez. — Documentação? — Eu envio ainda hoje. Houve uma breve pausa. — Vou preparar licença, registro e contrato prévio. Deixo tudo pronto para assinatura assim que chegarem. — Ótimo. Desliguei sem prolongar. Por alguns segundos, permaneci em silêncio, o telefone ainda na mão, o olhar perdido no horizonte. Eu havia acabado de resolver um casamento como quem fecha um contrato. E, de certa forma, para mim, não havia tanta diferença. O papel não era o que importava. Era Rafaela. Tê-la todos os dias comigo. A manhã seguiu com rapidez até que chegou a hora do nosso voo. O Rio de Janeiro ficou para trás como uma lembrança quente e breve. Quando finalmente pousamos, já era madrugada em Manhattan. Levei Rafaela diretamente para a cobertura. Nossa cobertura. As coisas dela poderiam esperar. Mas nós… não.Minha rotina voltou ao normal quase imediatamente.Rafaela passava boa parte do tempo na cobertura. Já não trabalhava mais na Maison Bianchi; não havia necessidade. Com a gravidez avançando, eu preferia que ela tivesse todo o tempo do mundo para descansar, cuidar de si mesma e, principalmente, do nosso bebê.Eu mesmo acompanhava cada etapa da gravidez. As ultrassonografias eram realizadas por Anthony, a meu pedido. Havíamos decidido descobrir o sexo do bebê somente no momento do parto, e eu não queria correr o risco de descobrir antes da hora.Enquanto isso, eu me dividia entre os corredores do Edward Collins, as pesquisas, as reuniões das redes Collins e todos os compromissos que pareciam ter se multiplicado durante os dias em que estive ausente.Os dias foram passando nesse ritmo.Eu acordava antes do sol nascer e, algumas vezes, quando finalmente conseguia voltar para casa, Rafaela já estava dormindo em nossa cama, os cabelos espalhados pelo travesseiro e uma das mãos repousada sob
Conhecemos cada canto de Veneza e nos amamos como nunca, enquanto os dias pareciam seguir sem pressa, como se o tempo também tivesse decidido nos dar uma trégua.A cidade parecia ter sido feita exclusivamente para nós dois. E, de certa forma, era. Giacomo havia escolhido lugares reservados, experiências que nos permitiam viver Veneza longe do movimento e dos olhares, como se, por alguns dias, aquele pedaço do mundo pertencesse somente a nós.Levei Rafaela a palácios que pareciam ter saído de outra época, atravessamos os canais, conhecemos lugares exuberantes e caminhamos por aquelas ruas estreitas, sem destino e sem pressa. Eu, que jamais faria aquilo sozinho, descobri que podia gostar de simplesmente andar ao lado dela sem precisar saber para onde estávamos indo.No fim de cada dia, porém, nada se comparava ao momento em que eu a tinha em meus braços. Afundava o rosto em seus cabelos negros, respirava seu perfume doce e sentia aquela paz que só ela conseguia me trazer.Era como se tu
~Na voz de Andrew~Assim que atravessamos as portas do hotel, meus olhos buscaram imediatamente o rosto de Rafaela.Ela estava linda.Na verdade, aquela palavra já não parecia suficiente para descrevê-la. Talvez fosse o brilho em seus olhos diante de tudo o que estava descobrindo, talvez fosse a maneira como os cabelos escuros caíam delicadamente sobre os ombros ou simplesmente o fato de que, depois de tudo o que havíamos vivido, tê-la ali, ao meu lado, fazia qualquer lugar parecer ainda mais extraordinário.Todo o meu império havia perdido o sentido se ela não estivesse nele.Foi nas montanhas congelantes da Islândia que finalmente compreendi isso. Mesmo ferido, perdido e sem saber se conseguiria voltar para casa, em nenhum momento meu pensamento deixou de ser ela. Rafaela estava em cada lembrança, em cada oração, em cada segundo em que temi não vê-la novamente.E agora ela estava ali.Comigo.— Você está linda — murmurei, apenas para que ela ouvisse, deixando um sorriso discreto sur
Quando as rodas do jato finalmente tocaram a pista, senti uma expectativa diferente tomar conta de mim.Pela janela, pude contemplar o céu italiano como uma tela pintada pelo melhor dos artistas. Havia alguma coisa naquele momento que tornava tudo mais bonito, como se eu tivesse acabado de atravessar uma fronteira invisível e entrado em um daqueles lugares que, até então, só existiam nos meus sonhos.Não demorou muito para que estivéssemos descendo a pequena escada da aeronave. Um homem de meia-idade, que nos aguardava próximo à pista, aproximou-se assim que nos viu.Vestia um terno escuro impecavelmente alinhado e usava óculos de sol que conferiam ainda mais elegância à sua postura. No rosto, carregava a expressão tranquila de alguém acostumado a receber pessoas importantes, como se aquilo fizesse parte de sua rotina.— Senhor e senhora Collins. — Ele nos cumprimentou com um sorriso cordial. — Meu nome é Giacomo Zanon. Será um prazer acompanhá-los durante toda a estadia de vocês aqui
Despertei com o barulho do chuveiro, forte e contínuo, mais parecido com uma pequena cascata, denunciando que Andrew já havia se levantado.Permaneci imóvel por alguns instantes, ainda envolta nos lençóis, olhando apenas para a aliança que brilhava em meu dedo. Um sorriso bobo surgiu em meus lábios.Eu estava oficialmente casada com Andrew Collins.Aquele homem que, durante o batizado de Dominic, havia me pedido para morar com ele e, quem sabe, simplesmente assinar um papel sem qualquer cerimônia, agora era meu marido. E o que deveria ter sido apenas uma formalidade havia se transformado em tudo aquilo.Ao lado da cama, o vestido que eu usara na noite anterior parecia gritar luxo em cada detalhe. A festa havia sido digna dos mais perfeitos contos de fadas, daquelas histórias que parecem pertencer a outras pessoas. Se alguém tivesse me contado, meses antes, que um dia eu viveria tudo aquilo ao lado de um homem como Andrew Collins, eu provavelmente teria rido.Mas eu estava ali.E, pela
Assim que atravessamos a porta do quarto, Andrew a empurrou com o pé, fechando-a atrás de nós.Por um instante, permaneci apenas observando aquele lugar.Estava tudo tão diferente. Centenas de pequenas velas espalhadas iluminavam o ambiente, refletindo suavemente nos móveis de madeira escura. Arranjos de rosas brancas e peônias ocupavam os aparadores, enquanto pétalas espalhadas desenhavam um caminho até a cama. As cortinas permaneciam entreabertas, permitindo que o brilho prateado da lua invadisse o quarto.— Dona Margareth realmente pensou em tudo... — falei, sorrindo.Andrew me deu um beijo curto e sorriu.Quando me colocou no chão, seus olhos se mantiveram presos aos meus. Os olhos acinzentados brilhavam, refletindo a luz das velas. Sem desviar o olhar, ele começou a abrir, um a um, os botões da camisa social. Fez isso com movimentos lentos e tranquilos, como se não houvesse pressa nenhuma no mundo.Assim que tirou a camisa, aproximou-se novamente, beijou meu pescoço e me fez vira







