INICIAR SESIÓN
~Andrew Collins~
Rafaela entrou. A cena que ela encontrou não deixava espaço para explicações imediatas: eu ainda segurava Addison pelos braços, nossos rostos próximos demais, e o vestígio de batom era uma prova cruel de algo que nunca deveria ter acontecido. Eu nunca vou esquecer a expressão dela. Não havia gritos, nem descontrole, apenas uma decepção silenciosa que parecia muito mais devastadora do que qualquer explosão de raiva. Empurrei Addison para longe imediatamente e dei um passo na direção de Rafaela, sentindo o coração acelerar de forma descompassada. — Rafaela, não é o que você está pensando — tentei explicar, mas minha própria voz parecia insuficiente diante do que ela estava vendo. Ela apenas negou com a cabeça, os olhos marejados, recusando-se a me ouvir. Antes que eu pudesse me aproximar mais, ela se virou e saiu, batendo a porta com força. Corri atrás dela sem hesitar, atravessando o corredor principal, mas quando alcancei a saída, ela já havia desaparecido. Voltei para minha sala tomado por uma mistura de raiva e urgência. O que Addison havia feito era imperdoável, mas naquele momento aquilo era secundário. Rafaela vinha em primeiro lugar. Peguei a chave do carro com a intenção de ir atrás dela, mas algo próximo à porta chamou minha atenção. Um envelope branco. Provavelmente havia caído enquanto ela saía. Peguei sem pensar, movido por uma intuição que eu não sabia explicar. Ao abrir, senti o ar faltar. Era um exame. Positivo. Por um instante, tudo ao meu redor perdeu o som, como se o mundo tivesse sido subitamente silenciado. — Grávida… — murmurei, sem acreditar mais no fundo já imaginava. Meus olhos se encheram. Ela tinha vindo me contar. Um filho. Meu filho. Era tudo o que eu mais desejava, e, ainda assim, naquele mesmo dia, eu consegui destruir tudo. Passei a mão pelo rosto, tentando organizar pensamentos que simplesmente não se encaixavam. Aquilo não podia estar acontecendo daquela forma. No caminho até a cobertura, tentei ligar inúmeras vezes, mas o telefone dela não completava a chamada. Quando cheguei, fui recebido por um silêncio sufocante. Ela não estava lá. A ausência dela transformava aquele lugar em algo irreconhecível. A noite avançava, e a angústia crescia a cada tentativa frustrada de contato, até que decidi ligar para Lorenzo. Eu sabia que Rafaela procuraria Clara, porque as duas eram inseparáveis. Quando ele atendeu, a notícia veio como uma sentença. Rafaela havia pedido transferência para a unidade da Maison em Amsterdã e, em meio a lágrimas, implorou para ser enviada o mais rápido possível. O avião já havia decolado. Sem despedidas. Sem explicações. Senti algo dentro de mim ceder naquele instante, como se uma estrutura inteira desmoronasse de uma vez só. Tudo aquilo era um mal-entendido, e eu não permitiria que um erro roubasse minha família de mim, ainda mais agora. Desliguei o telefone e, sem hesitar, dei a ordem. — Preparem o jatinho. Vou usá-lo agora. Minha voz saiu fria, firme, sem espaço para questionamentos. Charlotte ainda tentou argumentar, dizendo que o piloto levaria algum tempo para chegar, mas eu a interrompi antes que terminasse. — Eu não preciso de piloto. Minutos depois, já estava no hangar. Voar sempre foi um hobby, algo que eu dominava o suficiente para confiar, e naquele momento não havia espaço para prudência. Havia apenas urgência. O motor rugiu, cortando o ar, enquanto a imagem de Rafaela não saía da minha mente: o olhar ferido, a dor silenciosa, a forma como ela se recusou a me ouvir. Era um mal-entendido. Eu precisava fazê-la entender. Precisava olhar nos olhos dela e dizer que estava feliz, que aquele filho era tudo para mim. Levantei voo com destino a Amsterdã levando comigo pressa é culpa. Mas, no meio da escuridão, algo mudou. Um som agudo rompeu o silêncio da cabine. Um alerta. Depois outro. As luzes do painel começaram a piscar, e o controle da aeronave respondeu com atraso. Meu estômago revirou quando percebi que estava perdendo altitude. — Merda… — murmurei, tentando estabilizar. A tempestade ao redor piorava, e o avião já não respondia como deveria. Os alarmes soavam cada vez mais altos, misturando-se ao barulho do vento e ao impacto das gotas contra a fuselagem. Segurei o controle com força, tentando recuperar o domínio, mas o avião sacudiu violentamente. O mundo perdeu o eixo. No meio do caos, apenas um pensamento permaneceu intacto. Rafaela. E então tudo ficou escuro. Naquele instante, sem que ela soubesse e sem que eu pudesse impedir, eu desapareci da vida dela exatamente quando ela carregava dentro de si um pedaço de mim...Minha rotina voltou ao normal quase imediatamente.Rafaela passava boa parte do tempo na cobertura. Já não trabalhava mais na Maison Bianchi; não havia necessidade. Com a gravidez avançando, eu preferia que ela tivesse todo o tempo do mundo para descansar, cuidar de si mesma e, principalmente, do nosso bebê.Eu mesmo acompanhava cada etapa da gravidez. As ultrassonografias eram realizadas por Anthony, a meu pedido. Havíamos decidido descobrir o sexo do bebê somente no momento do parto, e eu não queria correr o risco de descobrir antes da hora.Enquanto isso, eu me dividia entre os corredores do Edward Collins, as pesquisas, as reuniões das redes Collins e todos os compromissos que pareciam ter se multiplicado durante os dias em que estive ausente.Os dias foram passando nesse ritmo.Eu acordava antes do sol nascer e, algumas vezes, quando finalmente conseguia voltar para casa, Rafaela já estava dormindo em nossa cama, os cabelos espalhados pelo travesseiro e uma das mãos repousada sob
Conhecemos cada canto de Veneza e nos amamos como nunca, enquanto os dias pareciam seguir sem pressa, como se o tempo também tivesse decidido nos dar uma trégua.A cidade parecia ter sido feita exclusivamente para nós dois. E, de certa forma, era. Giacomo havia escolhido lugares reservados, experiências que nos permitiam viver Veneza longe do movimento e dos olhares, como se, por alguns dias, aquele pedaço do mundo pertencesse somente a nós.Levei Rafaela a palácios que pareciam ter saído de outra época, atravessamos os canais, conhecemos lugares exuberantes e caminhamos por aquelas ruas estreitas, sem destino e sem pressa. Eu, que jamais faria aquilo sozinho, descobri que podia gostar de simplesmente andar ao lado dela sem precisar saber para onde estávamos indo.No fim de cada dia, porém, nada se comparava ao momento em que eu a tinha em meus braços. Afundava o rosto em seus cabelos negros, respirava seu perfume doce e sentia aquela paz que só ela conseguia me trazer.Era como se tu
~Na voz de Andrew~Assim que atravessamos as portas do hotel, meus olhos buscaram imediatamente o rosto de Rafaela.Ela estava linda.Na verdade, aquela palavra já não parecia suficiente para descrevê-la. Talvez fosse o brilho em seus olhos diante de tudo o que estava descobrindo, talvez fosse a maneira como os cabelos escuros caíam delicadamente sobre os ombros ou simplesmente o fato de que, depois de tudo o que havíamos vivido, tê-la ali, ao meu lado, fazia qualquer lugar parecer ainda mais extraordinário.Todo o meu império havia perdido o sentido se ela não estivesse nele.Foi nas montanhas congelantes da Islândia que finalmente compreendi isso. Mesmo ferido, perdido e sem saber se conseguiria voltar para casa, em nenhum momento meu pensamento deixou de ser ela. Rafaela estava em cada lembrança, em cada oração, em cada segundo em que temi não vê-la novamente.E agora ela estava ali.Comigo.— Você está linda — murmurei, apenas para que ela ouvisse, deixando um sorriso discreto sur
Quando as rodas do jato finalmente tocaram a pista, senti uma expectativa diferente tomar conta de mim.Pela janela, pude contemplar o céu italiano como uma tela pintada pelo melhor dos artistas. Havia alguma coisa naquele momento que tornava tudo mais bonito, como se eu tivesse acabado de atravessar uma fronteira invisível e entrado em um daqueles lugares que, até então, só existiam nos meus sonhos.Não demorou muito para que estivéssemos descendo a pequena escada da aeronave. Um homem de meia-idade, que nos aguardava próximo à pista, aproximou-se assim que nos viu.Vestia um terno escuro impecavelmente alinhado e usava óculos de sol que conferiam ainda mais elegância à sua postura. No rosto, carregava a expressão tranquila de alguém acostumado a receber pessoas importantes, como se aquilo fizesse parte de sua rotina.— Senhor e senhora Collins. — Ele nos cumprimentou com um sorriso cordial. — Meu nome é Giacomo Zanon. Será um prazer acompanhá-los durante toda a estadia de vocês aqui
Despertei com o barulho do chuveiro, forte e contínuo, mais parecido com uma pequena cascata, denunciando que Andrew já havia se levantado.Permaneci imóvel por alguns instantes, ainda envolta nos lençóis, olhando apenas para a aliança que brilhava em meu dedo. Um sorriso bobo surgiu em meus lábios.Eu estava oficialmente casada com Andrew Collins.Aquele homem que, durante o batizado de Dominic, havia me pedido para morar com ele e, quem sabe, simplesmente assinar um papel sem qualquer cerimônia, agora era meu marido. E o que deveria ter sido apenas uma formalidade havia se transformado em tudo aquilo.Ao lado da cama, o vestido que eu usara na noite anterior parecia gritar luxo em cada detalhe. A festa havia sido digna dos mais perfeitos contos de fadas, daquelas histórias que parecem pertencer a outras pessoas. Se alguém tivesse me contado, meses antes, que um dia eu viveria tudo aquilo ao lado de um homem como Andrew Collins, eu provavelmente teria rido.Mas eu estava ali.E, pela
Assim que atravessamos a porta do quarto, Andrew a empurrou com o pé, fechando-a atrás de nós.Por um instante, permaneci apenas observando aquele lugar.Estava tudo tão diferente. Centenas de pequenas velas espalhadas iluminavam o ambiente, refletindo suavemente nos móveis de madeira escura. Arranjos de rosas brancas e peônias ocupavam os aparadores, enquanto pétalas espalhadas desenhavam um caminho até a cama. As cortinas permaneciam entreabertas, permitindo que o brilho prateado da lua invadisse o quarto.— Dona Margareth realmente pensou em tudo... — falei, sorrindo.Andrew me deu um beijo curto e sorriu.Quando me colocou no chão, seus olhos se mantiveram presos aos meus. Os olhos acinzentados brilhavam, refletindo a luz das velas. Sem desviar o olhar, ele começou a abrir, um a um, os botões da camisa social. Fez isso com movimentos lentos e tranquilos, como se não houvesse pressa nenhuma no mundo.Assim que tirou a camisa, aproximou-se novamente, beijou meu pescoço e me fez vira







