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Império Collins: Por trás do jaleco e o poder
Império Collins: Por trás do jaleco e o poder
Autor: Rayana Santos

O segundo em que perdi tudo.

last update Fecha de publicación: 2026-04-16 03:06:23

~Andrew Collins~

Rafaela entrou.

A cena que ela encontrou não deixava espaço para explicações imediatas: eu ainda segurava Addison pelos braços, nossos rostos próximos demais, e o vestígio de batom era uma prova cruel de algo que nunca deveria ter acontecido.

Eu nunca vou esquecer a expressão dela. Não havia gritos, nem descontrole, apenas uma decepção silenciosa que parecia muito mais devastadora do que qualquer explosão de raiva.

Empurrei Addison para longe imediatamente e dei um passo na direção de Rafaela, sentindo o coração acelerar de forma descompassada.

— Rafaela, não é o que você está pensando — tentei explicar, mas minha própria voz parecia insuficiente diante do que ela estava vendo.

Ela apenas negou com a cabeça, os olhos marejados, recusando-se a me ouvir.

Antes que eu pudesse me aproximar mais, ela se virou e saiu, batendo a porta com força.

Corri atrás dela sem hesitar, atravessando o corredor principal, mas quando alcancei a saída, ela já havia desaparecido.

Voltei para minha sala tomado por uma mistura de raiva e urgência. O que Addison havia feito era imperdoável, mas naquele momento aquilo era secundário. Rafaela vinha em primeiro lugar.

Peguei a chave do carro com a intenção de ir atrás dela, mas algo próximo à porta chamou minha atenção.

Um envelope branco.

Provavelmente havia caído enquanto ela saía.

Peguei sem pensar, movido por uma intuição que eu não sabia explicar.

Ao abrir, senti o ar faltar.

Era um exame.

Positivo.

Por um instante, tudo ao meu redor perdeu o som, como se o mundo tivesse sido subitamente silenciado.

— Grávida… — murmurei, sem acreditar mais no fundo já imaginava.

Meus olhos se encheram.

Ela tinha vindo me contar.

Um filho.

Meu filho.

Era tudo o que eu mais desejava, e, ainda assim, naquele mesmo dia, eu consegui destruir tudo.

Passei a mão pelo rosto, tentando organizar pensamentos que simplesmente não se encaixavam.

Aquilo não podia estar acontecendo daquela forma.

No caminho até a cobertura, tentei ligar inúmeras vezes, mas o telefone dela não completava a chamada.

Quando cheguei, fui recebido por um silêncio sufocante.

Ela não estava lá.

A ausência dela transformava aquele lugar em algo irreconhecível.

A noite avançava, e a angústia crescia a cada tentativa frustrada de contato, até que decidi ligar para Lorenzo. Eu sabia que Rafaela procuraria Clara, porque as duas eram inseparáveis.

Quando ele atendeu, a notícia veio como uma sentença.

Rafaela havia pedido transferência para a unidade da Maison em Amsterdã e, em meio a lágrimas, implorou para ser enviada o mais rápido possível.

O avião já havia decolado.

Sem despedidas.

Sem explicações.

Senti algo dentro de mim ceder naquele instante, como se uma estrutura inteira desmoronasse de uma vez só. Tudo aquilo era um mal-entendido, e eu não permitiria que um erro roubasse minha família de mim, ainda mais agora.

Desliguei o telefone e, sem hesitar, dei a ordem.

— Preparem o jatinho. Vou usá-lo agora.

Minha voz saiu fria, firme, sem espaço para questionamentos.

Charlotte ainda tentou argumentar, dizendo que o piloto levaria algum tempo para chegar, mas eu a interrompi antes que terminasse.

— Eu não preciso de piloto.

Minutos depois, já estava no hangar.

Voar sempre foi um hobby, algo que eu dominava o suficiente para confiar, e naquele momento não havia espaço para prudência.

Havia apenas urgência.

O motor rugiu, cortando o ar, enquanto a imagem de Rafaela não saía da minha mente: o olhar ferido, a dor silenciosa, a forma como ela se recusou a me ouvir.

Era um mal-entendido.

Eu precisava fazê-la entender.

Precisava olhar nos olhos dela e dizer que estava feliz, que aquele filho era tudo para mim.

Levantei voo com destino a Amsterdã levando comigo pressa é culpa.

Mas, no meio da escuridão, algo mudou.

Um som agudo rompeu o silêncio da cabine.

Um alerta.

Depois outro.

As luzes do painel começaram a piscar, e o controle da aeronave respondeu com atraso.

Meu estômago revirou quando percebi que estava perdendo altitude.

— Merda… — murmurei, tentando estabilizar.

A tempestade ao redor piorava, e o avião já não respondia como deveria.

Os alarmes soavam cada vez mais altos, misturando-se ao barulho do vento e ao impacto das gotas contra a fuselagem.

Segurei o controle com força, tentando recuperar o domínio, mas o avião sacudiu violentamente.

O mundo perdeu o eixo.

No meio do caos, apenas um pensamento permaneceu intacto.

Rafaela.

E então tudo ficou escuro.

Naquele instante, sem que ela soubesse e sem que eu pudesse impedir, eu desapareci da vida dela exatamente quando ela carregava dentro de si um pedaço de mim...

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Último capítulo

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