INICIAR SESIÓNGael Dvorak
— Olá, meu filho. Como foi com os novos funcionários? — meu pai perguntou ao me ver saindo do carro e deixando para o motorista terminar de estacionar. Aquela expressão de moleque de Apollo se fez presente com o seu sorriso. Nem os cabelos grisalhos tiravam sua expressão de garoto travesso.
— Excelente. Pessoas muito competentes pelo que pude analisar — respondi e logo perguntei. — E como vocês estão, meu casal favorito?
— Entediados. — Meu pai respondeu sorrindo. — Estou tentando fazer sua mãe sair dessa casa, mas ela fica me mantendo prisioneiro.
— Então tenho a solução. Vamos jantar fora e depois fazer algo que a mamãe não pode saber. — Pisquei para ele.
— Gael! — minha mãe começou a tentar negar.
— Mãe, quero levar a senhora a um restaurante incrível. Não aceito não como resposta.
Abracei a minha mãe guiando-a pelo jardim. Ela acabou aceitando e a noite foi incrível. Família realmente é um bálsamo.
*
No dia seguinte à reunião, passei novamente pelo setor de design. E no outro e no outro. Já tinha a ficha da novata. Seu nome era Dominique Rodrigues e pelas fofocas, ela não tinha namorado. Era só o que eu precisava saber.
Eu não resisti quando me entregaram o novo batom na embalagem experimental.
Olhei o objeto sob a minha mesa enquanto pegava o telefone e discava o ramal do setor de design.
— Fred, mande a novata até a minha sala — ordenei.
— Sim senhor — ele não questionou o motivo.
Em menos de cinco minutos, a senhora Carter bateu na porta anunciando a chegada de Dominique.
Como ela conseguia ficar cada dia mais linda?
— Entre e sente-se, por favor! — disse a uma Dominique de expressão profissional.
— Com licença — ela disse ao se sentar. Sua voz é macia e seu cabelo preto e ondulado estava preso em um coque que eu desejei desfazer enquanto beijava seus lábios convidativos.
— Quero que experimente esse batom. — Apontei o objeto sobre a mesa. — Quero ver no público de verdade.
Ela estendeu a mão para pegar o batom, mas fui mais rápido. Peguei o objeto e me sentei na mesa.
Ela me olhou estranhando a minha atitude. Sua sobrancelha arqueada a deixava ainda mais bela.
Foi mais forte que eu. Simplesmente abri o batom e segurei o seu queixo. Ela fechou os olhos, como se adivinhasse minhas intenções, e quase cedi a vontade de provar dos seus lábios. Pela forma como respirava, senti que a afetava tanto quanto ela me afetava. Dominique era um perigo para mim. Nunca me envolvi com nenhuma funcionária da empresa — mesmo que minha regra só inclua quem reporta a mim —, mas ela me parecia um ótimo motivo para enfrentar um processo de assédio ou uma chantagem. Esse pensamento me fez lembrar de Guilhermina, com a qual transei algumas vezes, mas isso foi antes que ela começasse a trabalhar na empresa, quando eu era jovem e curioso. A contratação foi a desculpa perfeita para dar um basta na relação. Ela sempre foi linda e gostosa na cama, mas não passava de sexo. Ainda assim, vez ou outra tenho que recusar seus avanços.
Aproveitei cada milésimo de segundo enquanto passava o batom nos lábios de Dominique. Pude sentir um pouco da sua pele macia enquanto a segurava pelo queixo e cheguei a sentir uma corrente elétrica passando por todo meu corpo quando contornei seus lábios com o polegar, em busca de imperfeições.
Quando ela abriu os olhos, comentei:
— Essa cor ficou incrível em você.
Ela abriu a boca para responder, mas a fechou novamente. E ao fechar, mordeu o lábio inferior distraidamente. Já a vi fazendo isso em vários momentos. Suspeito que era um movimento involuntário quando estava nervosa.
Para não deixá-la ainda mais desconfortável, completei:
— Obrigado por me ajudar a fazer esse teste. Gosto de ver como os produtos ficam de perto. A chamei para que você conheça um pouco mais sobre como trabalho é feito.
— Foi um prazer ajudar — sua voz saiu baixa.
— Leve esse kit e faça um teste em suas amigas. Gostaria de saber algumas opiniões — eu já tinha feito experimentos em várias modelos, mas não importava. Queria saber a opinião dela.
Ela pegou o kit.
— Claro, senhor Dvorak. Para quando o senhor deseja?
— Próxima segunda, por favor. — Voltei para minha cadeira e sentei. — Pode ir. Segunda feira entro em contato para saber o resultado. — A dispensei. Ela era muito atraente. Se ficasse mais tempo com ela poderia fazer alguma besteira. Algo como um assédio total. Passar o batom na sua boca poderia ser justificado que eu estava seguindo os passos do comercial de lançamento, que era muito parecido com o que fiz, mas se ela continuasse diante de mim, nada justificaria meus próximos atos.
Ela se foi, deixando a sala mais fria que de costume.
Enfim, o casamento Zeen Ohana estava tão linda vindo em minha direção que não havia palavras que eu pudesse usar para descrevê-la. Enquanto ela seguia em direção ao altar onde eu estava aguardando ao lado dos meus primos, que certamente estavam vidrados em suas noivas, meu coração dava saltos. Dos quatro homens no altar, um não era Dvorak, mas aguardava por uma. A bastarda mais incrível que o mundo já viu. Por um momento, consegui desviar meus olhos o bastante para notar as outras três mulheres que também era maravilhosas, apenas não chegam aos pés da minha esposa. Todas estavam de branco, mas cada uma no seu estilo. Dominique, a mulher que fez com que tudo em minha vida seguisse por um caminho diferente, usava um vestido que lembrava a calda de uma sereia, sem decote e sem mangas. Olhando-a, lembrei de quando a conheci, de quando quase a matei, e principalmente me perguntei se ela foi a chave para eu chegar até a mulher que amo. Será que mesmo que se ela nunca encontrasse Gael e s
OhanaVoltamos cedo para casa. O casamento seria a tarde, em um clube muito famoso por casamentos de pessoas famosas. Precisávamos acordar cedo para não ter problema com horário.Tomamos um banho um pouco demorado, obvio. E quando saímos, me sentei na cama pronta para dormir e Zeen foi até uma mesinha no canto e pegou algo em uma gaveta.Ele veio e se sentou ao meu lado, segurando a minha mão e colocando o objeto nela.— Que linda! — Tratava-se de uma pulseira feita de pedras e couro.— Eu queria te dar isso. Era para ser da minha mãe, mas ela faleceu antes que eu pudesse terminar. Ficou inacabada até eu conhecer você.— Isso é importante para você. Não posso aceitar. Não quando nosso casamento foi só para que recebesse sua herança.Era o momento certo de conversamos sobre isso. Não podia esperar mais.— Ainda acha isso? Eu te amo, minha bobinha linha — disse tocando o meu rosto com as pontas dos dedos. Tão suave.Demorei um pouco para assimilar suas palavras.— Ama? Desde quando? — q
OhanaA noite chegou rapidamente. Me arrumei. Era uma festa da empresa Dvorak, alguma comemoração. Estou tão empolgada com o casamento que nem cabe maiores informações na minha mente.Zeen estava lindo no seu estilo social rebelde, enquanto eu me limitei a um vestido preto, justo, na altura dos joelhos.Chegamos na festa e fomos direto até os meus irmãos e minhas amigas. Estou treinando chamá-los assim.Estávamos conversando animados quando Gael comentou:— Gostaria que trabalhasse conosco, Ohana. Você pode ficar com o andar do preguiçoso do Apollo.— Ai eu finalmente teria paz. — Apollo comentou rindo.— Quem disse que vou deixar minha mulher nessa empresa sozinha? — Zeen apertou um pouco a mão que estava na minha cintura.— Ela estaria entre irmãos.Eles começaram a discutir antes mesmo que eu desse uma resposta. Levantei a mão pedindo que parassem e, quando acabou a pequena discussão, perguntei:— A sua mãe acha o que disso?— Eu ficaria contente se aceitasse. — A mulher chegou por
Ohana— Falta três dias? Meu Deus, não vejo a hora. — Dominique deu pulinhos. — Ai!Escondi o riso com a mão diante da careta que ela fez ao ser espetada. Tão poucos dias e eu já estava quase sentindo nossa convivência como algo natural. São mulheres maravilhosas.— Fica quieta ou vai se casar toda cheia de buracos de alfinetes. — Ayla falou enquanto víamos o balançar de cabeça da mulher que lutava para deixar o vestido de Dominique perfeito.— Você está linda com esse vestido. Acho vestido de noiva a coisa mais linda — comentei lembrando de como as revistas sobre casa e casamento me encantavam. — Por que não sobe ao altar conosco? A estrutura que está sendo montada caberia facilmente mais dois casais.— Eu... — Seria impossível, o casamento é amanhã.— Isso mesmo. Se você acha vestido de noiva algo lindo precisa usar, não pode ficar só no casamento no cartório.— Eu não sei. Essas coisas precisam de tempo. — Eu já estava me imaginando em um daqueles vestidos. Zeen disse qu
OhanaMe senti um pouco acuada quando me vi sem Zeen ao meu lado, indo para um bar com minhas novas amigas. Demoraria um pouco para eu me acostumar a ter amigos, irmãos... O engraçado é que não demorou nem um pouco para eu me acostumar com Zeen.Entramos em um bar onde tocava uma música suave. Quase tudo era de madeira e predominava o preto.Rubia dizia que a noite seria como uma pré-despedida de solteiras. Já que em poucos dias as três estariam se casando.— Você não bebe nada com álcool? — Dominique perguntou quando pegamos o cardápio e eu escolhi um coquetel de frutas sem álcool. — Minha mãe proibia por causa dos remédios e eu tinha medo de beber e fazer besteira. — Sorri fraco. Lembro que na época, por me ser proibido, eu achava bebidas alcoólicas um mistério que deveria ser delicioso. — Claro que já experimentei escondido e depois que soube a verdade enchi a cara, mas não gosto. É superestimada.— Tem um monte de bebidas gostosas. Você nem sente o álcool. — Dominique comentou.
ZeenMinha primeira noite só com os trigêmeos depois de muitos anos. As suas noivas convidaram Ohana para uma noite de meninas e eles me chamaram para beber. Me recordo bem que era algo como um ritual que eles faziam nos aniversários.— Ultimamente estamos fazendo muito isso — Matteo comentou.Olhei os três disfarçadamente. Pareciam felizes apesar da tragédia de perder o pai. Deviam estar completamente apaixonados por suas noivas, só isso explica não desabarem e conseguirem ser o amparo que minha tia precisa nesse momento. Será que a minha expressão é como a deles? Porque garanto que estou perdidamente apaixonado por uma certa loirinha.— Antes era um ritual do nosso aniversário. Percebo que está se tornando um ritual sem data marcada. — Gael completou o comentário do irmão.— A culpa é do Zeen! — Matteo revirou os olhos. Ele ainda soltava algumas faíscas em minha direção algumas vezes. Era inevitável considerando o nosso passado. Eu sempre achei que ele fosse o responsável pela morte







