FAZER LOGINBenny
O sol da tarde californiana batia forte no campus de Stanford quando Benny Crawford saiu do auditório do departamento de Teatro. Ele havia passado as últimas horas ajustando o roteiro de uma versão desconstruída e fluida de *Romeu e Julieta*, uma adaptação moderna, cheia de camadas de gênero, desejo e poder. As audições para os papéis principais aconteceriam em dois dias, e Benny já antecipava o caos delicioso que seria dirigir aquela peça. Com a mochila de couro pendurada no ombro e um sorriso preguiçoso nos lábios, ele seguia para a sala dos professores quando vozes alteradas chamaram sua atenção. Vinham do corredor lateral, perto dos armários. Ele diminuiu o passo e observou discretamente. Dois atletas do time de corrida, jaquetas do time, corpos definidos, cercavam um rapaz mais baixo, magro, de óculos e postura curvada. O mais alto, metido e arrogante, empurrava o ombro do garoto contra o armário. — Vai chorar agora, bichinha? — zombava ele. — Quando vai virar homem de verdade, hein? O outro ria, gravando com o celular. — Olha pra cara dele. Aposto que nunca nem beijou uma garota. Benny reconheceu imediatamente um deles, Nate Hargrove. Alto, cabelo escuro cortado curto nas laterais, corpo atlético esculpido por anos de treino, rosto que fazia metade do campus suspirar. Pegador conhecido, filho do juiz Marcus Hargrove, um velho conhecido de Hugh Crawford. Intocável, ou pelo menos era o que ele achava. O garoto tímido murmurava algo baixo, olhos baixos, claramente aterrorizado. Benny decidiu que era o suficiente. — Ei, ei, ei... — disse ele, aproximando-se com as mãos nos bolsos, voz descontraída, quase divertida. — O que está acontecendo aqui, rapazes? Um dos atletas empalideceu ao reconhecer o professor mais popular do departamento. Murmurou algo e saiu correndo sem olhar para trás. Nate, porém, permaneceu. Virou-se devagar, peito estufado, um sorriso desafiador no rosto. — Professor Crawford. Que honra. Benny parou a poucos metros, inclinando a cabeça. — Nate Hargrove. Sempre você no meio do problema. Deixe o garoto ir embora! O rapaz tímido não esperou segunda ordem. Pegou a mochila e desapareceu pelo corredor. Nate deu um passo à frente, peitando Benny. Eram quase da mesma altura, ambos com porte atlético. Os olhos de Nate queimavam de raiva e arrogância. — Você não tem moral pra dar lição em ninguém, playboy. Todo mundo sabe que você é só um sugar daddy disfarçado de professor. Tá aqui só pra olhar as novinhas, né? Deve se divertir bastante nas audições. Benny soltou uma risada baixa, genuína. Passou a mão pelo cabelo bagunçado. — Touché. Gosto da atenção das mulheres, sim. O jeito que elas me olham... é delicioso. Mas nunca toquei em nenhuma aluna. Isso seria baixo demais, até pra mim. Já você... agredir quem não pode se defender? Isso sim é patético. Nate deu mais um passo, quase colando o peito no de Benny. — Sabe com quem você está mexendo? Meu pai é juiz. Um telefonema e você... — Eu sei exatamente com quem estou mexendo — interrompeu Benny, ainda sorrindo, mas o tom agora mais firme. — E esse comportamento não vai ficar impune. Me acompanhe até a diretoria. Nate riu na cara dele, virou as costas e caminhou até sua moto preta estacionada ali perto. — Vai se foder, professor! Ele ligou a moto com um ronco alto e saiu acelerando, deixando uma nuvem de fumaça e desafio no ar. Benny ficou olhando, o sorriso lentamente se alargando. Seus olhos verdes brilharam com algo perigoso e excitado. — Ah, Nate... você acabou de tornar isso muito mais divertido. --- Na diretoria, Benny não perdeu tempo. Pediu as imagens das câmeras de segurança do corredor. O diretor, um homem careca e suado que já conhecia os problemas de Nate, assistiu ao vídeo com expressão resignada. — Filho do juiz Hargrove... de novo. Não sei como punir o garoto sem criar uma dor de cabeça enorme. Benny cruzou os braços, recostando-se na cadeira com elegância. — Deixe ele comigo. Nos próximos três meses, Nate será meu assistente pessoal no departamento de Teatro. Vai ajudar na montagem da peça, na organização, na disciplina... e eu também vou supervisionar o treino dele na equipe de corrida. Fui atleta de sucesso na faculdade, o senhor sabe. Posso colocar esse valentão na linha. O diretor ergueu uma sobrancelha, mas claramente aliviado por passar o problema adiante. — Tem certeza? O garoto é difícil. — Tenho certeza — respondeu Benny, com um sorriso que não chegava aos olhos. — Vai ser... educativo. O diretor bateu o martelo. Ligaram para os pais de Nate e para o próprio. A reação do rapaz do outro lado da linha foi exatamente como Benny esperava: gritos, insultos, ameaças. Benny apenas sorria internamente enquanto ouvia tudo. Ele não era gay. Nunca havia sido. Mas odiava covardes que atacavam os mais frágeis. E punir um valentão homofóbico como Nate? Isso prometia ser extremamente prazeroso. --- No dia seguinte... Benny estacionou seu Porsche preto no lugar reservado dos professores. Assim que desligou o motor, viu Nate vindo em sua direção com passos furiosos, o uniforme de corrida ainda suado do treino matinal. — Seu filho da puta! — rosnou Nate, parando a poucos centímetros. — Você acha que pode foder com a minha vida assim? Meu pai vai destruir você! Benny colocou calmamente seus óculos de grife escuros, guardou as chaves no bolso e enfiou as mãos nas calças sociais, postura relaxada e dominante. O sol batia em seu rosto, destacando o maxilar bem desenhado e o sorriso preguiçoso. — Bom dia pra você também, Nate. Dormiu mal? — Eu vou tornar a sua vida um inferno, professor. Todo dia. A cada segundo. Você vai se arrepender de ter mexido comigo. Benny tirou os óculos devagar, olhando diretamente nos olhos do rapaz. Havia algo elétrico no ar, raiva, desafio, e uma tensão que Benny conhecia muito bem. — Inferno? — repetiu ele, dando um passo à frente, invadindo o espaço pessoal de Nate. Sua voz saiu baixa, quase íntima. — Eu mal posso esperar, valentão. Três meses inteiros. Só você e eu. Você vai aprender a obedecer... ou vai aprender do jeito mais difícil. Nate engoliu em seco, mas não recuou. Seus olhos faiscavam de ódio... e talvez algo mais que ele próprio não conseguia identificar. Benny deu um tapinha leve no ombro dele, quase carinhoso, e passou por ele em direção ao prédio. — Te vejo às três da tarde no auditório. Não se atrase. Ah, e Nate... — ele parou e olhou para trás com aquele sorriso safado que fazia corações dispararem. — Vista algo confortável. Você vai suar bastante. Enquanto caminhava, Benny sentia a adrenalina correr nas veias. Em casa, a nova madrasta e a enteada loira já traziam problemas interessantes. Aqui no campus, um novo brinquedo desafiador acabara de cair em suas mãos. Liam e Mason precisavam saber disso. A caçada se diversificava. E Benny Crawford estava mais vivo do que nunca.Em ebulição O ônibus estaciona em frente ao hotel que receberá as equipes durante a etapa classificatória. O clima entre os atletas é de euforia contida. Alguns descem já de fones, outros conversam alto sobre tempos e adversários. Benny é um dos últimos a deixar o veículo, a mochila jogada no ombro, o celular ainda na mão. Ele observa Nate se juntar ao treinador oficial perto da entrada do ginásio anexo.A reunião é breve e objetiva. Benny e o treinador orientam os jovens em tom firme:— Quero que todos conheçam a pista ainda hoje. Sintam o piso, vejam as curvas, prestem atenção no vento. — A voz de Benny sai clara, profissional. — Amanhã teremos prova individual e depois a de revezamento. Cada um já sabe quem é seu par. Sem distrações. Sem farras. Vocês estão aqui para competir. O treinador toma a palavra e continua as instruções.Nate, de braços cruzados, escuta em silêncio. O olhar dele, no entanto, não permanece no treinador. Ele observa Benny com uma intensidade quieta, quase e
O grande desafio Benny permanece sentado na cadeira em frente à mesa do diretor por longos segundos após ouvir a proposta. O silêncio se estende o suficiente para se tornar desconfortável. Nate, ao lado dele, continua olhando para a frente, a mandíbula travada, fingindo indiferença. Benny respira fundo e fala com a calma característica de quem está acostumado a negociar. — Eu me sinto lisonjeado com a confiança, diretor. De verdade. Mas a peça estreia na próxima semana. Eu não posso simplesmente me ausentar agora. Os ensaios finais são essenciais. Os alunos dependem da minha presença. O diretor tira os óculos, limpa as lentes com um pano e os recoloca no rosto com calma. Ele esconde bem o fato de que o juiz Marcus Hargrove pediu pessoalmente que Benny acompanhasse o filho de perto. Na versão oficial, era apenas uma questão de apoio técnico. Na realidade, era uma forma elegante de punição disfarçada. — Eu entendo sua preocupação, professor Crawford. Porém, fui informado de que a
Dois dias se passaram desde que Benny deixou Liam nos braços de Margot e desde a noite em que Nate dormiu agarrado a ele. Dois dias de autocontrole brutal. Benny evitou o campus o máximo que pôde, cancelou um ensaio extra e passou as noites no apartamento dos irmãos, tentando trabalhar no roteiro final da peça. Cada vez que o celular vibrava, seu coração acelerava com a possibilidade de ser Nate. Nenhuma mensagem veio. E isso, de certo modo, era pior.Na manhã do terceiro dia, Benny estaciona o carro no campus e respira fundo antes de descer. O sol da Califórnia já esquenta o asfalto. Ele ajusta a camisa de linho clara, joga a mochila no ombro e caminha em direção ao auditório. Os últimos ensaios da peça começam hoje. A apresentação será na semana seguinte e o peso da responsabilidade finalmente começa a se misturar com uma ansiedade genuína.Ao entrar no teatro, encontra Sônia, a professora de artes plásticas, já no centro do palco organizando os alunos. Ela é uma mulher de pouco mai
Liam acorda com o corpo já quente e o pau duro como pedra. O cheiro de Margot o envolve, pele, perfume suave e o residual do sexo da noite anterior. Ele se vira na cama e procura, quase por instinto, os seios fartos dela. Está viciado. Completamente. Como uma criança faminta que não consegue se afastar do que mais deseja. Margot ainda dorme de lado, a camisola de seda fina escorregando no ombro. Liam puxa a alça com cuidado e expõe os seios pesados e macios. O ar fresco do quarto faz os mamilos se contrair. Ele se aproxima, primeiro só inalando o cheiro da pele quente entre eles. Depois, a boca se abre e captura um dos bicos. Chupa devagar no começo. Lábios selados ao redor do mamilo, língua girando em círculos lentos. O gosto dela o deixa ainda mais duro. Ele aumenta a pressão aos poucos, chupando com mais força, puxando o peito com a boca enquanto a mão aperta o outro seio, o polegar esfregando o mamilo já endurecido. Margot começa a se mexer. Um gemido baixo escapa da garga
O contrato nos afasta Charlotte está sentada na beira da cama, o celular pressionado contra a orelha, enquanto a voz da mãe ecoa do outro lado da linha. A mulher fala rápido, animada, contando sobre a visita à irmã em outro estado e, principalmente, sobre a notícia que as duas esperavam há meses.— Filha, a casa está sem dívidas. O banco confirmou tudo ontem. E ainda tem uma empregada vindo três vezes por semana, segundo Mason. Eu não sei como você conseguiu, Charlotte, mas eu… eu estou aliviada. Vou voltar amanhã.Charlotte sorri, os olhos marejando de emoção contida.— Eu também estou, mãe. Descansou? Comeu bem?— Comi, descansei, até ri um pouco. Agora é a sua vez de cuidar de você. Como está a perna?— Melhor. Já ando quase sem a muleta a maior parte do tempo. — Charlotte olha para o tornozelo ainda com a bota ortopédica e suspira. — Hoje eu assino o contrato na empresa do Mason. Vou trabalhar de verdade de novo.A mãe fica em silêncio por dois segundos.— Esse menino… ele é bom
Aproximadamente forçada Nate abre a porta de casa descalço, o cabelo bagunçado, a camisa larga demais nos ombros, claramente não é dele e um chupão roxo bem marcado no lado esquerdo do pescoço. Só quando o cheiro familiar e amadeirado sobe das fibras do tecido é que ele percebe: pegou a camisa errada. A de Benny.Marcus Hargrove está na sala, de pé, braços cruzados, postura imponente. O olhar do juiz é frio e calculado. Ele esperava exatamente esse momento.— Então… — a voz dele corta o ar como uma sentença. — O filho do juiz Hargrove chega em casa às dez da manhã, descalço, fedendo a álcool de ontem, com marca de chupão no pescoço e vestindo a camisa de outro homem. Parabéns, Nate. Você continua me decepcionando.Nate tenta se explicar, a mão subindo instintivamente para cobrir o pescoço.— Pai, eu posso...— Não. Você não pode. Eu falo, você escuta. — Marcus dá um passo à frente. — Você é um adulto prestes a se formar. Tem nome, tem sobrenome, tem uma carreira pela frente. E o que







