FAZER LOGINLorenzo Bianchi Eu não tive outra opção a não ser colaborar com as autoridades que se apresentaram com o mandado contra a Valmont, meu irmão e eu. Sabíamos que este momento chegaria, mas minha maior angústia era ser retido por burocracias justamente quando o tempo para salvar Diana se esgotava. Preciso me libertar deste cerco o quanto antes. Enzo aparenta calma externa, contudo percebo a tensão em seu semblante diante de tantas perguntas operacionais. Minha intervenção se faz indispensável para ampará-lo diante das investidas dos federais. Francesco ainda tentou uma fuga desesperada, mas os agentes agiram com presteza e o interceptaram. — Senhores Bianchi, já entregamos toda a documentação contábil exigida e em breve vocês serão oficialmente liberados — Dr. Dante Lombardi, o chefe do nosso departamento jurídico, nos atualiza. — Dante, preciso da sua atuação imediata em um dilema pessoal de extrema gravidade — digo, entregando em suas mãos o pendrive com as gravações e áudios do
Diana Cross O senhor Giovanni e a Carmela tinham acabado de sair quando Leonardo cruzou a porta de casa. Percebi imediatamente o vinco em sua testa e o olhar carregado de contrariedade. Eu também me sentia profundamente angustiada. Descobrir que estive frente a frente com o pai e a irmã do homem de quem tentava fugir fez meu peito oprimir em desespero. — Olá, Dy... Como foi o seu dia? — Leo se aproxima, depositando um beijo carinhoso na minha testa. — Você parece angustiada. Aconteceu alguma coisa por aqui? — Você também não me parece nada bem, Leo. É apenas cansaço do trabalho ou aconteceu algo grave? — pergunto, abraçando sua cintura antes de caminharmos para a cozinha. — É cansaço acumulado, sim, mas o que me tirou do sério de verdade foi uma ligação da mamma no final do expediente — ele desabafa, enchendo um copo com água gelada. — E o que ela falou para te deixar assim tão irritado? O papai e ela estão bem de saúde? — questiono, apreensiva com o rumo da conversa. — Eles es
Lorenzo Bianchi Saí daquela delegacia fétida com o sangue fervendo nas veias e a mente atribulada por tantas revelações devastadoras. Tive a oportunidade de abrir meu passado para Diana, expondo minhas marcas, mas ela jamais teve esse mesmo espaço. Eu desconhecia a dor sufocante relatada por De Luca. A história dela é extremamente dolorosa. Agora compreendo a dimensão que esta gestação tem em sua vida e o alívio divino de arrancar do peito a angústia da suposta esterilidade. — Senhor Bianchi, o detetive encarregado de seguir a senhorita Russo agendou uma reunião em seu escritório assim que pousarmos em Florença — Pietro me informa ao decolarmos de Turim. — Ele enfatizou que o material obtido é de extrema gravidade — meu chefe de segurança complementa, ajustando a postura na poltrona do jato. A apreensão me domina diante de tanta urgência. A simples ideia de Diana correr qualquer perigo iminente faz o desespero e a fúria rugirem dentro do meu peito. — Pelo visto, a situação é ma
Andrew De Luca Eu já imaginava que as coisas ficariam difíceis, mas não achei que o golpe seria tão devastador e rápido. Após resolver alguns pontos com os meus advogados, acabei tendo que acioná-los novamente ao ser detido pela polícia e conduzido para esta delegacia. A vida resolveu me cobrar a conta de todas as atrocidades que cometi, e cobrar tudo de uma única vez. Acabo de descobrir que não sou o pai biológico do garoto que tanto sonhei em ter, e que fui feito de marionete por Selena. Foi ela quem destruiu meu casamento e me empurrou para o esquema ilícito que agora me arrasta direto para a cadeia. Encontro-me em uma cela fétida e escura. Uma sátira sombria do estado em que minha alma se encontra. Ouço passos firmes e ecoantes aproximando-se pelo corredor. A porta de ferro se abre, revelando um homem alto, imponente e de presença aristocrática, vestindo um terno de corte impecável. — Quem é você? — pergunto em sobressalto, recuando um passo e estranhando aquela figura do
Diana Cross O dia hoje amanheceu simplesmente perfeito na costa de Castiglioncello. A brisa suave e fresca vinda do mar Tirreno soprava pela manhã, acompanhada pelo brilho dourado do sol refletindo nas falésias e no azul cristalino das águas. Acordei com uma vontade enorme de caminhar na praia para espairecer a mente e respirar o ar puro da maresia, e foi exatamente o que fiz bem cedo. Agora estou no espaço improvisado como meu escritório, novamente compenetrada no projeto de uma das casas de alto padrão que Leonardo está reformando na região. Ouço o barulho suave da campainha ressoar pela casa. Ao me dirigir até a sala, já percebo através do vidro da entrada que se trata do senhor Giovanni e de Carmela. Com um sorriso sincero e radiante nos lábios, destravo a fechadura e abro a porta para recebê-los. — Olá, Diana... — Giovanni me cumprimenta com um sorriso acolhedor e olhar paternal, demonstrando uma serenidade que há tempos não via nele. — Oi... — Carmela murmura em seguida,
Enzo Bianchi Mesmo contra a vontade feroz de Constanza, consegui arrancá-la de Castiglioncello. A mulher se recusava a aceitar que estava em total desvantagem na nossa disputa. Sua ameaça sórdida de interditar Giovanni caiu por terra no momento em que prometi expor suas imoralidades, destruindo sua imagem na alta sociedade. Eu jamais permitiria que ela arruinasse a vida do meu pai. A única coisa que ele deseja neste momento é um pouco de paz. — Senhor Bianchi, que bom que o senhor chegou! — Marcella diz assim que me aproximo, com a voz carregada de nervosismo. — O senhor Francesco esteve aqui e insistiu em invadir a sua sala. Eu não permiti, exatamente como o senhor ordenou — ela relata, ajeitando a postura. Desta vez aquele desgraçado se deu mal. Francesco deve estar desesperado hoje, principalmente após ter mais uma carga clandestina apreendida no porto. O cerco está se fechando ao redor dele. O desespero o fez vir até aqui para tentar apagar o máximo de provas que pudessem i







