LOGINA felicidade chegou acompanhada pelo medo.Nos dias que se seguiram à descoberta da gravidez, Ariana percebeu que sua vida havia mudado novamente. Não de forma abrupta como no dia do massacre. Não como na noite em que foi vendida em um leilão humano. Não como quando chegou ao deserto.Dessa vez a mudança era silenciosa.Quase imperceptível.Mas muito mais profunda.Porque agora existia uma nova vida crescendo dentro dela.Uma vida que dependia inteiramente dela.Uma vida que transformava cada decisão em algo mais importante.Cada risco em algo mais perigoso.Cada medo em algo mais real.Naquela manhã, Ariana despertou antes do nascer do sol.O quarto ainda estava mergulhado em sombras suaves quando abriu os olhos. Durante alguns segundos permaneceu imóvel, observando o teto ornamentado do palácio enquanto o silêncio da madrugada envolvia tudo ao redor.Então, lentamente, levou a mão ao ventre.Um gesto que já começava a se tornar involuntário.Natural.Instintivo.Ainda não havia
O amanhecer surgiu lentamente sobre o deserto.A luz dourada espalhou-se pelas dunas como um manto silencioso, transformando a areia em um oceano de ouro líquido. O vento ainda era suave naquela hora da manhã, carregando consigo o aroma distante do café recém-preparado e das flores que ornamentavam os jardins do palácio.Mas Ariana não conseguiu apreciar nada daquilo.Desde que abriu os olhos sentia algo estranho.Uma sensação diferente.Incômoda.Persistente.Na primeira vez, ignorou.Na segunda, tentou convencer a si mesma de que era apenas cansaço.Afinal, os últimos dias haviam sido emocionalmente exaustivos.A investigação.O atentado.As descobertas sobre Matteo.As ameaças.O medo.O amor crescente por Zayn.Tudo parecia acontecer ao mesmo tempo.Mas quando o enjoo voltou pela terceira vez naquela manhã, ela já não conseguiu fingir que era coincidência.Ariana levantou-se rapidamente da mesa do café.Levando a mão à boca.O estômago revirou violentamente.Samira, que conversava
A noite caiu sobre Al Nur de forma silenciosa.Depois do ataque daquela manhã, o palácio inteiro parecia respirar de maneira diferente. Os guardas estavam mais atentos. As patrulhas haviam sido dobradas. As entradas eram verificadas constantemente. Até os criados pareciam caminhar com mais cautela pelos corredores revestidos de mármore e tapeçarias ancestrais.O atentado havia durado poucos minutos.Mas seus efeitos permaneceriam por muito tempo.Principalmente para Ariana.Ela estava sentada na varanda de seus aposentos observando o céu escurecer sobre as dunas. O vento noturno carregava o aroma das flores dos jardins e o cheiro distante da areia aquecida pelo sol durante o dia.Normalmente aquela paisagem lhe trazia paz.Naquela noite, porém, suas mãos continuavam tremendo discretamente.O corpo ainda se lembrava.O som dos tiros.Os gritos.A sensação de estar sendo caçada outra vez.Ela fechou os olhos.Respirando profundamente.Tentando afastar as imagens.Mas algumas memórias
O pressentimento começou antes do primeiro disparo.Ariana sentiu isso no instante em que saiu dos jardins internos do palácio naquela manhã.O céu estava limpo. O sol brilhava sobre as cúpulas douradas de Al Nur. O vento movimentava suavemente as folhas das tamareiras espalhadas pelos pátios externos. Tudo parecia perfeitamente normal.Mas seu corpo não acreditava naquilo.Desde a conversa com Zayn na noite anterior, uma inquietação permanecia presa dentro de seu peito. As ameaças. A investigação. A confirmação de que os responsáveis pelo massacre sabiam que ela estava viva.Tudo isso parecia ter despertado algo antigo.Um instinto. Um alerta.O mesmo alerta que a fizera correr pela floresta italiana meses antes.Ariana caminhava acompanhada por quatro guardas reais. Desde o aviso recebido por Kareem, Zayn havia reforçado toda sua segurança. Ela reclamou, naturalmente.Mas o príncipe simplesmente ignorou.O que, de alguma forma, a irritou e a fez sentir-se protegida ao mesmo te
O homem observava a fotografia de Ariana Romano como um predador observa uma presa que acreditava morta.A imagem estava espalhada sobre uma mesa de madeira escura em um escritório luxuoso nos arredores de Milão. A iluminação era baixa. O aroma de charutos caros impregnava o ambiente. Grandes janelas revelavam a cidade iluminada pela chuva da madrugada.Durante meses ele acreditara que o problema havia sido resolvido.Durante meses acreditara que a montanha havia engolido a última Romano.Mas agora a fotografia estava ali.Provando o contrário.Ariana sobrevivera.E pior.Estava começando a recuperar sua identidade.O homem pegou o celular.Fez uma ligação.A voz do outro lado atendeu imediatamente.— Sim?— A situação mudou.— Encontraram a garota?O silêncio durou apenas alguns segundos.— Ela nunca morreu.A resposta provocou uma pausa.Depois uma maldição baixa.— Tem certeza?— Tenho.O homem observou novamente a fotografia.Os cabelos dourados.Os olhos verdes.A postura cada ve
O homem observava a fotografia de Ariana Romano como um predador observa uma presa que acreditava morta. A imagem estava espalhada sobre uma mesa de madeira escura em um escritório luxuoso nos arredores de Milão. A iluminação era baixa. O aroma de charutos caros impregnava o ambiente. Grandes janelas revelavam a cidade iluminada pela chuva da madrugada. Durante meses ele acreditara que o problema havia sido resolvido. Durante meses acreditara que a montanha havia engolido a última Romano. Mas agora a fotografia estava ali. Provando o contrário. Ariana sobrevivera. E pior. Estava começando a recuperar sua identidade. O homem pegou o celular. Fez uma ligação. A voz do outro lado atendeu imediatamente. — Sim? — A situação mudou. — Encontraram a garota? O silêncio durou apenas alguns segundos. — Ela nunca morreu. A resposta provocou uma pausa. Depois uma maldição baixa. — Tem certeza? — Tenho. O homem observou novamente a fotografia. Os cabelos dourados. Os olhos v







